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Precisamos falar sobre: Heteronormatividade


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Precisamos falar sobre: Heteronormatividade

Já fazia um bom tempo que eu venho notando certos “padrões” em fanfics (principalmente as que abordam um tema LGBT) e, como tenho ficado extremamente frustrado com isso e pela falta de novidade que existe nas categorias, resolvi escrever um pouco sobre tudo que venho acumulando na garganta sobre aqui, nesse jornal.

Aviso: Isso é uma coisa que eu, Hope, penso sobre o assunto. Você não é obrigado a concordar em nenhum momento, mas, de preferência, leia as coisas que eu vou escrever com atenção e tente refletir um pouco sobre o assunto.

Já que eu pretendo escrever mais jornais assim, mas queria já falar do padrão que mais me irrita, começaremos por um bom assunto: a heteronormatividade. Pra iniciar, aqui vai o conceito disso, de acordo com a nossa amiga de todas as horas, Wikipédia:

Heteronormatividade é um termo usado para descrever situações nas quais orientações sexuais diferentes da heterossexual são marginalizadas, ignoradas ou perseguidas por práticas sociais, crenças ou políticas. Isto inclui a ideia de que os seres humanos recaem em duas categorias distintas e complementares: macho e fêmea; que relações sexuais e maritais são normais somente entre pessoas de sexos diferentes; e que cada sexo têm certos papéis naturais na vida. Assim, sexo físico, identidade de gênero e papel social de gênero deveriam enquadrar qualquer pessoa dentro de normas integralmente masculinas ou femininas, e a heterossexualidade é considerada como sendo a única orientação sexual normal.”

Resumindo e simplificando, é acreditar que apenas a ideia de que um homem e uma mulher podem ficar juntos, porque é “normal” – e isso se propaga no meio LGBT, onde muitas pessoas, até as que se dizem “simpatizantes” do movimento, tentam encaixar os casais homossexuais numa caixinha, chamada de “homem/mulher da relação”, como que para amenizar o preconceito. Não entendeu? Calma, eu já chego lá.

Perceberam que eu frisei o “masculino e feminino” quando descrevi o conceito, certo? Porque é exatamente sobre isso que eu estava falando. Quando se fala de heteronormatividade em fanfics homossexuais, é isso que acontece: o/a escritor(a), na maioria das vezes, dá atributos normalmente relacionados à homens para um dos personagens e dá ao outro atributos femininos, porque se ambos fossem “femininos” ou “masculinos”, iria ficar “feio” ou “estranho.”

Isso, além de heteronormatividade, é preconceito. Falando agora não só como escritora, mas como pessoa pansexual, é simplesmente incômodo ser visto não como um ser humano qualquer, mas como algo puramente baseado no sexo e no papel que eu tomo nele – porque é assim que eu me sinto lendo 80% das fanfics aqui, e é assim que os personagens são retratados na maior parte do tempo.

O negócio é: somos feitos do passado. Cada pedacinho de nós é construído desde que estamos vivos, seja o lado bom, ou ruim. Os risos, as dores, os traumas e as amizades… Tudo isso serviu para sermos o que somos hoje. Logo, a fundamentação dos personagens deve ser da mesma maneira, já que, de certo modo, eles são tão reais – ou, ao menos, deveriam ser – quanto nós mesmos. Só que o que eu vejo, em geral, são personagens construídos tendo como base a sexualidade ou o que ele deveria gostar na cama e isso é completamente ridículo porque pessoas não são definidas ou baseadas nisso. Não é porque eu sou pan que eu não consigo ter uma relação sem sentir falta de algo, como exemplo, e não é porque eu tenho vontade de fazer tal coisa na cama que eu sou de tal maneira.

Outro exemplo exemplo bom é algo que acontece comigo muitas vezes. Normalmente, sou lido como garota e me tomam como lésbica e “homem da relação” instantaneamente, já que por motivos pessoais, eu ainda tenho uma expressão de gênero feminina que lembra muito as tomboys (o que ainda vai render um jornal, inclusive. gênero e expressão de gênero são coisas que raramente são utilizadas nas fanfics daqui, a não ser em fanfics clichês sobre pessoas trans escritas por cisgêneros que sequer tentam pesquisar mais sobre o assunto). E, mesmo se eu fosse o caso de eu ser uma coisa ou outra, só interessaria a quem eu estivesse me relacionando. Ou seja: não é algo que interessa pessoas que não estão dentro do relacionamento e, ainda que interessasse, não me definiria. Eu posso sim ter um jeito bruto e ser passivo, do mesmo jeito que não posso ser. O fato de eu me comportar de x maneira não se baseia em x posição que eu tomo na hora do sexo.

E, depois de todo esse texto, o que concluímos é: personalidade ou características físicas não definem o que os seus personagens ou os personagens alheios fazem na cama. Pronto. Isso quer dizer que você não pode criar um passivo doce ou achar que tal pessoa é passiva por ser de tal jeito? Não. Você tem o direito de criar a história que quiser ou achar que, sim, pessoas como – exemplo – o Baekhyun (EXO) ou o Nico (Percy Jackson e Os Olimpianos - Heróis do Olimpo) são apenas passivas. Isso vai de cada um e cada um tem a opinião que quiser sobre os relacionamentos que acha que tal idol ou personagem tem. O problema está em você achar essa mesma coisa por conta do estereótipo que foi criado em cima dos termos “passivo” e “ativo” e pensar que ‘tá tudo bem.

Porque, não, tal pessoa não é passiva por ser baixa, delicada ou ter a bunda grande (porque, pra começar, como disse um grande pensador no twitter, se fode cu, e não bunda, galero). Ela é passiva porque ela gosta e quer. Ponto final.

E, ah, esse jornal, além de um aviso, também é um apelo. Eu estou completamente saturada de ver fanfics que se resumem a isso por aqui e escrevi com o intuito de, quem sabe, fazer alguém que esteja lendo pensar sobre o assunto e refletir isso nas futuras fanfics que for escrever – ou até nas atuais. Sair da caixa pré-produzida de “como (não) escrever uma boa fanfic homossexual”, essa mesma caixa repleta dos mais idiotas estereótipos heteronormativos e homofóbicos, faria um bem danado pra todas as categorias desse site que vem sido bombardeadas por clichês e preconceito disfarçado.

Bem, se você gostou ou discordou em algum ponto, eu estou sempre aberto a receber críticas, sejam elas boas ou não. Deixem um comentário ou venham falar comigo pelas menções ou pelo twitter e vamos debater sobre qualquer dúvida ou consideração que vocês tenham sobre e até qualquer dia, humanos!

Escutando: livewire - oh wonder
Lendo: o filho de netuno - heróis do olimpo

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