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Oq ta com teseno
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Carta aberta aos fanfiqueiros vagabundos


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No tempo da geração "sem tempo" não nos é permitido escrever. Digo, você até pode se for uma redação dissertativa argumentativa nos moldes do temido ENEM ou se for um artigo para qualquer revista científica. Fanfics, jamais. É perda de tempo. É um gasto fútil. É inútil.

Venho por meio desse humilde jornal, tão dispensável quanto as mencionadas fanfics, dizer para essa geração de fanfiqueiros vagabundos, na qual eu me incluo: Não parem de escrever.

Jamais sucumbam a epidemia contemporânea da produtividade. Não se sintam culpados por separar um tempo por semana, e até por dia, para se dedicarem a atividades não acadêmicas, pois, provavelmente são esses pequenos momentos de deleite que garantirão a sua sanidade mental. Não estou sugerindo que vocês abandonem suas escolas, faculdades ou o que quer que seja, estou apenas sugerindo equilíbrio. A vida é mais que notas.

Escrever não é inútil. Diria, inclusive, que é uma das terapias mais antigas. Quando os sentimentos lotam os seres humanos, eles vão transbordar de alguma forma. Uma delas, é pela caneta. No nosso caso, pelo teclado. E se não o for, vai ser pela música, escultura, pintura, teatro. As artes, incluindo a prosa e o verso, são expressões intrinsecamente humanas e é cruel reprimi-las só porque, salvo exceções, elas não vão ser economicamente funcionais. Escrever não é fútil. Já monetizar tudo, é.

Existem também outras formas menos saudáveis, por assim dizer, de transbordar. Crises de ansiedade, depressão, síndrome do panico. Não estou culpando de forma alguma quem sofre desses transtornos, porque, inclusive, me encaixo nesse grupo, mas não simplesmente fechar os olhos para a incidência cada vez mais maior desses casos. Tenho uma hipótese de que um dos principais atenuantes dessa situação é justamente essa cultura da produtividade.
Ela reduz a vida a uma mera prisão de circunstancias. É como se, antes mesmo de você nascer, já tivesse uma rota traçada: escola, faculdade, emprego. Qualquer desvio desse plano quase sagrado é duramente reprimido. Qualquer um que o transgrida vai ser inundado por rejeição. Até transbordar. Aliás, sequer isso lhe é permitido. Engula o choro e produza.

Num mundo tão hostil para os jovens, especialmente os artistas, se permita fazer o que você ama. Se permita ser minimamente livre. Escrever é, sobretudo, compartilhar. Ideias, anseios, desejos. Crie seus universos e os divida com quem se identifica. Imagino que a relação autor/leitor seja uma das mais íntimas que existe. Consiste, basicamente, em mostrar suas fantasias para alguém que, muitas vezes, sequer o conhece. Consiste em experiências tão catárticas, que transformam pessoas distantes em confidentes fieis. É como fugir da realidade nas suas companhias.

Então escrevam. Leiam. Transbordem arte.

Escrever é, sim, produtivo. Um aliado importante na manutenção da sua sanidade mental. Da saúde física e da alma.

Jamais se esqueça de que o coeficiente de rendimento mais importante é o da vida


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