Sobre o tabu de escrever hentai


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Sobre o tabu de escrever hentai

Hentai detalhado tira o romance do momento”.

Hentai pode desviar o foco intencional do momento”.

Hentai eu leio, mas não tenho coragem de escrever”.

Se eu escrever hentai, parecerei pervertida”.

Antes de tudo, todo mundo tem seu lado pervertido – isso deve ser comprovado cientificamente num link de matéria que eu não possuo.

Sou uma escritora de fanfics de Saint Seiya (todas em andamento ainda), com projetos futuros voltados para outros animes também, que considera constantemente a possibilidade de hentai. Na verdade, eu tenho necessidade de escrever e ler hentais, porque, sinceramente, acho magnífico o poder das palavras num contexto sexual, envolvendo aquele formigamento no ventre e o arrepio dos pelos. Não tenho vergonha alguma disso, não vejo onde poderia ter no momento em que me gera uma sensação tão agradável. No entanto, compreendo perfeitamente a questão colocada nas frases acima, e, depois que uma leitora veio, recentemente, me perguntar sobre como eu fico diante do hentai que escrevo, decidi fazer esse mini jornal aqui pra falar o que penso sobre esse tabu.

Antes de qualquer coisa, ressalto que: a qualidade de um hentai é muito relativa, assim como qualquer coisa que o ser humano reproduz. Considerando o universo e trajetória particulares de cada um, é claro que as reações e leituras serão variadas, fato gera um dos questionamentos mais visíveis nesse tabu: o que o outro vai pensar de mim?

No âmbito da escrita, isso é mais relativo ainda, pois o autor nunca vai conseguir realmente passar tudo que está em sua mente, que foi pensado para o tal momento, muito menos o leitor vai absorver da forma que ele (o autor) quer. De fato, cada leitor tem um olhar particular, recheado com bagagens diferenciadas e alimentado por perspectivas próprias. E isso reflete não só na compreensão do hentai, mas numa impressão para com quem o escreveu. Ou seja, não interessa o que você vai escrever, pois esse “o quê” é indefinido. O poder que uma palavra tem pode gerar várias interpretações, e isso é uma questão da Arte em geral. E eu vejo a escrita como uma linguagem artística, então, o que eu digo pra isso é: se joga, bi! Escreva, seja pra quem for, seja pra si mesmo, apenas escreva, pois, como tudo no mundo, haverá pessoas para gostar ou não.

Pronto, tendo o ponto inicial – que é escrever o hentai -, partimos pra outra questão: como fazê-lo sem deixar que vejam meu lado pervertido? Olha, eu tenho uma opinião de que pudor, nessas horas, deve ser deixado de lado na medida da sua intenção. Essa questão da intenção tá muito ligada ao hentai, porque, se você quer algo romântico, ele sairá de uma forma, com certas palavras que não serão usadas num hentai que envolve sadismo, por exemplo. Se você está apto(a) a escrever hentai, então obviamente algum traço pervertido seu será visto, só que isso não é algo ruim, pelo contrário.

Ah, então se eu escrever um hentai com sadomasoquismo, as pessoas vão achas que eu gosto disso? Sei lá, pergunta pra elas. hahahah Aliás, dane-se isso! E não é porque você escreve sobre algo que isso vá significar um traço da sua vida sexual, ora. Muita narrativa requer pesquisa. Por que ao narrar um sexo seria diferente? Posso muito bem pesquisar sobre sadismo e não praticá-lo!

A questão do termo usado para se referir às partes íntimas e etc também é considerada nesse momento de escrever o hentai. Se você acha que é mais romântico escrever membro ao invés de pênis, vá lá. Só que não quer dizer que seja impossível enquadrar o termo pênis numa descrição romântica. Então, o pudor, a intenção e a palavra são três fatores determinantes para o hentai.

Quando escrevi minha primeira fic de SS, já tinha em mente que queria colocar hentai. Isso me moveu muito a ler hentais dos outros e comparar as narrativas no âmbito de qual me envolveu mais e por quê. Particularmente falando, prefiro hentais que descrevam não só o ato, mas as sensações dos personagens, com algumas pontadas de sugestão. A partir disso, eu desenvolvo os meus; sempre escrevo da forma que eu gostaria que escrevessem pra mim, por isso acabei criando uma identidade nesse elemento narrativo. Na minha primeira fic, fiquei um pouco perdida por não ter realmente noção da intenção que eu queria passar, mas eu sabia perfeitamente como queria abordar o primeiro casal, então foi algo que se tornou natural quando chegou no momento do hentai.

Na minha segunda fic, a qual está em maior andamento do que a primeira, eu larguei meu pudor e desenvolvi vááários hentais, de vááárias formas, sem conter necessariamente o ato sexual em si (brinquei muito com preliminares). E foi e está sendo ÓTIMO, não só pra mim, mas pras minhas leitoras, que me dão opiniões maravilhosas e sugestões melhores ainda! É uma troca interessante a partir de algo que você pensa que é íntimo, só que essa intimidade acaba sendo compartilhada e enriquecida. E olha que eu preciso pensar por seis formas diferentes de hentai, pois cada casal tem suas características influentes em todos os momentos. E eu adoro esse trabalho!

O que eu quero dizer é: ter pudor é normal - eu tenho de vez em quando -, mas ele nunca será vencido (pra quem quer escrever isso) se não for posto em prática na escrita do hentai! É clichê, mas é bem aquilo: quem não arrisca, não petisca. E outra, se tem gente lendo sua ‘parte pervertida’ então ela se interessa por essa vertente também e é tão pervertida quanto você! Hahaha Enfim, o importante é escrever e pôr em prática gradualmente (ou não, se quiser ir direto, vá), mas seguir a vontade, a criatividade e a imaginação.

SEJAMOS PERVAS COM ORGULHO PORQUE ISSO É NATURAL! E muito bom! hahaha

Beijos, galera.

Escutando: Muse
Bebendo: Café

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