~RamonaCalamidad

RamonaCalamidad
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Life is Strange para mim


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Life is Strange para mim

Isso é meio que um desabafo mas também uma pequena fração da minha história. Eu, usando o pseudônimo “Ramona”. E sobre o que é esse texto? Sim, Life is Strange, um simples jogo da Dontnod e Square Enix, um jogo chato para alguns. Muito monótono? Claro. Gráficos pobres? Também. Pesado para o meu notebook? Um tanto. Mas o que faz esse jogo ser tão especial? O que faz ele ser inesquecível? Como ele faz parte, sim, uma parte muito, como posso dizer... importante e especial na vida de Ramona Calamidade? não sei dizer. Na verdade ainda procuro respostas, ainda procuro palavras para descrever o que realmente sinto ao falar, lembrar, pensar sobre Life is Strange.
Uma história sobre paradoxos, um romancezinho, um mistério, uma história sobre uma jovem adulta, estudante, com problemas que todos nós tivemos ou vamos ter um dia, uma personagem tão identificável para o público em geral, perfeita para se usar a frase “ah, é tão eu”, com seus medos, suas inseguranças, seu sentimento de estar deslocada, de não conseguir se encaixar em certo ambiente, isso não é brilhante?
Mas não, isso não é uma dissertação sobre o enredo do jogo, mas sim sobre o sentimento que ele transmite. O que faz ele ser tão especial assim? O que fez com que eu, após ver um ou dois capítulos da série de gameplay do canal EletronicDesireGe, fosse direto para o google buscar uma versão pirata desse jogo? Eu queria sentir o que o Alan sentiu, queria sentir aquela atmosfera envolvente, queria fazer minhas próprias escolhas na história também. Eu queria por um momento ser Max.
Depois de dois dias esperando o primeiro episódio ser baixado no utorrent, depois de esperar a instalação e claro, sem esquecer da instalação da tradução do Casal Bits e sim, muita torcida para que o jogo rodasse. Finalmente o abri e sim, ele rodou! Lembro como se fosse ontem, da logo das empresas até o clique em qualquer botão. O menu com as opções, o fundo com a vista para um farol ao longe, a música de fundo acalmava minha euforia enquanto fui diminuir a qualidade de vídeo nas opções porque eu conheço meu pc. Muito lag? Sim. Fps baixo? Quase no chão. Bugs? Nossa, incontáveis, dublagem duplicada, objetos sem textura, alguns objetos como pneus canos, a câmera da Max, o revolver do Nathan e os cílios de todo mundo tinham cores psicodélicas. Mas isso não me desanimou. Depois de ter que aguentar a aula toda do Mr. Jefferson com voz duplicada, eis a recompensa: a introdução dada por mim como introdução da realidade, a cutscene que leva Max ao controle do jogador e o título do jogo logo acima da tela, aquele inesquecível sentimento também inexplicável que To All of You traz. A mistura de todos esses fatores traz o que? Uma introdução perfeita.
Após complicações (e não foram poucas) ao baixar os outros quatro episódios. Após joga-los totalmente (tirando o final. Não, não fiz o final) e claro, após jogar tudo novamente outas três vezes me veio o pensamento: como esse jogo pode ser tão lindo, como ele pode me prender assim, não sinto isso desde Final Fantasy X (outro jogo que não fiz o final), não sinto uma certa depressão dessas desde que vi Yuna se casando (ou quase) com Seymour. O que fazer quando esses sentimentos veem à tona? Eis três opções:
1- Ver diversas gameplays para ver outras possibilidades de escolhas e a reação de seus jogadores.
2- Pesquisar sobre detalhes que você pode ter deixado escapar sobre o enredo na sua campanha.
3- (E a minha favorita) procurar todo tipo de teorias sobre a história no Reddit e outros.
Feito isso a única coisa que resta é ler fanfics, por sorte achei algumas muito boas.
Após essa descrição de minha experiência maciça com o jogo, me volta a pergunta que me deu a ideia de escrever esse texto: qual o legado de Life is Strange em minha vida?
Posso dizer com todas as palavras sem medo de parecer fanboy. Life is Strange mudou a minha mente. Sim, me ensinou muitas coisas e aposto que ensinou para outras pessoas também. Como não se deve mexer com os feijões alheios, professores podem ser... nada éticos, garotos ricos não são tão ricos mas isso tudo é superficial. O que quero arrancar do fundo do meu poço de sentimentos e expor é: nem todo mundo é Daniel. Ele desenha bem, deve fotografar bem (nem vi) e sofre Bullying. Pode não ir a festa do fim do mundo mas não tentou se matar, logico, ele não tem um vídeo intimo rolando por sites mas essa não é a questão. Nem todo mundo é Daniel. Palavras e ações machucam e pessoas que não são Danieis não vão saber lidar e, ao tentar lidar com o Bullying, podem encontrar as piores saídas. Saber escolher certas palavras, mesmo sem o dom de voltar no tempo e consertar, é essencial.
Amizade, sim, amizade! Você pode ser insegura e tentar fugir da situação mas é do sentimento de outra pessoa que estamos lidando. Já fiz como a Max, fugi de amizades como também já fizeram isso comigo, já fui Max e já fui Chloe. Sei tanto pelo jogo quanto por experiência própria o quanto isso chega a ser desesperador... e o quão feio é agir assim. Como a lei da vida diz: pessoas se vão e pessoas chegam para enxertar o buraco que a anterior deixou. Mas não quer dizer que não posso fazer diferente, pelo menos de minha parte.
Homossexualidade feminina, sim. Aquele pensamento mórbido e ultrapassado de gente com a mente pequena, aquela opinião cruzada dos homens: repudiam gays e veneram lésbicas e das mulheres: repudiam lésbicas e acessam o nudeboy.com. Eu tinha esse pensamento. Na verdade, de uns tempos pra cá não ligava mais. E depois de jogar LiS, apesar de não tratar desse tema (não abertamente) depois das teorias, depois das fanfics, depois de conhecer PriceField pude perceber o quão errada eu estava. Que isso é tão normal e tão bonito quanto dois homens ou um homem e uma mulher.
Enfim, após todo esse devaneio sobre jogo e sentimentos me pergunto: o que é Life is Strange, o que ele fez comigo? por que ao invés de estudar para a prova final da faculdade (que por sinal fui muito mal) preferi ficar jogando de novo e de novo, para assim passar mais tempo como Max, encontrar novamente Chloe Price, e estar novamente envolvida naquela atmosfera banhada de sentimentos um tanto depressivos e melancólicos junto a uma trilha sonora que é outra coisa difícil de explicar o quão linda é? Talvez eu nunca ache a resposta. Mas tenho a resposta para a pergunta “o que Life is Strange fez de mim?”. E posso dizer com todas as palavras: Life is Strange fez de mim uma pessoa melhor.

Bebendo: minhas lagrimas

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