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Nome: Daniela Matias
Status: Usuário
Sexo: Feminino
Localização: Coimbra, Coimbra, Portugal
Aniversário: 24 de Abril
Idade: 24
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Sobre a sensação de ser odiado


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Acho que preciso disto. Acho que cheguei a um ponto em que preciso de fazer isto, porque a ansiedade da faculdade não tem sido a única coisa a dificultar-me a respiração. Poderá ser a minha bronquite asmática a voltar a atacar, também, mas não me parece que seja isso, já que é... seletivo. Estou ainda a ponderar como vou escrever sobre isto.

Eu costumava ter um blog. A maioria das pessoas que me conhece agora não sabe disto, mas costumava ter um blog. E isso é relevante não só porque foi nesse tempo do blog que aprendi a lidar com certas coisas mas também porque esse blog era o meu apoio. Sempre que algo me deixava desconfortável, eu escrevia sobre isso no blog, desabafava lá e ficava melhor. Quase como um diário, suponho, ainda que nunca tenha tido um desses.
Agora não tenho um blog. Quer dizer, ele está lá. Mas eu não. Voltar a escrever lá, agora, seria talvez como ir escrever uma folha num diário antigo demais; não seria eficiente. Então talvez um jornal aqui seja a resposta, porque é aqui que estou agora.
Se poderia simplesmente conversar sobre o assunto com alguém? Não exatamente. Se isso fosse de facto eficiente, não precisaria de estar a escrever isto agora. Porque conversei sobre o assunto, desabafei com as pessoas que me são mais próximas, mas ainda me custa a respirar às vezes. Talvez eu me tenha apegado a esta sensação de escrever para ninguém em específico, de desabafar com ninguém em específico, e por isso precise disto.

Comecei a publicar fanfics na internet a meio de 2007. Não consigo dizer ao certo quando comecei a escrevê-las, porque foi há tempo demais para me lembrar agora, mas sei que em 2007 entrei no mundo dos fóruns e dos blogs e logo depois no das fanfics. Na altura, tudo isso era uma novidade, então foi provavelmente por isso que ganhei alguma... fama, por assim dizer.
Foram mais que muitas as pessoas que me disseram que tinham começado a escrever depois de ler as minhas fics e as pessoas que me apoiaram. É estranho dizer algo assim, mas colocaram-me numa espécie de pedestal, declararam-me uma das maiores responsáveis pela popularização das fics em Portugal e falaram de mim como se fosse uma celebridade, sei lá. Poderá dizer-se que, no pequeno mundo das fics, em 2008/2009 e em Portugal, eu era bastante conhecida. E como toda a gente conhecida, tive direito a ser odiada.
Nos blogs era possível comentar em anonimato total, então eu recebi vários comentários de ódio assim. Raramente críticas às fics, muito menos construtivas, mas muitos ataques pessoais. Muitos comentários repletos de insultos, sobre como eu era estúpida, convencida, falsa, arrogante e outras coisas igualmente agradáveis. Existiam também publicações, com basicamente as mesmas ideias mas menos agressividade, que outras pessoas faziam nos seus blogs. Na altura, esses comentários foram como bombas. Era apenas uma adolescente e não conseguia compreender como é que poderia ser tão odiada por alguém, mesmo que também tivesse casos assim na escola.
Certa vez, uma pessoa conseguiu odiar-me o suficiente para hackear a minha conta e destruir tudo o que estava lá. Ela simplesmente apagou a conta de forma permanente e eu perdi tudo; as fics, as publicações, o contacto com as pessoas que conhecia por ali.
O meu porto de abrigo foi totalmente derrubado e eu sem compreender porquê.
E o problema é que ainda não compreendo realmente.
Claro que, na altura em que tudo isso aconteceu, eu aprendi a lidar com a situação. Depois de reconstruir tudo, voltei mais forte, deixei de me afetar com comentários anónimos de pessoas que claramente não tinham conseguido perceber nem as coisas mais óbvias sobre mim. Mas recentemente fui presenteada com uma nova versão do sentimento.
Por várias vezes brinquei que tinha saudades dos tempos dos blogs, em que recebia comentários de ódio totalmente absurdos, porque ao aprender a lidar com eles passei a achá-los engraçados. Esses insultos anónimos e gratuitos deixaram de ser um motivo para chorar e passaram a ser um motivo para rir, pois acho ridículo que alguém desperdice o seu tempo a insultar o que nem conhece. A sensação de ser odiada, da forma que fui naquela altura, deixou de ser incómoda. Então ela alterou-se.
Parece que se comporta como um vírus; quando o organismo se torna resistente a ele, ele desenvolve uma nova estirpe. No caso, a força foi reduzida, mas a fonte foi alterada.
Não recebo ataques pessoais ou comentários de ódio, agora, mas sei que várias pessoas têm uma imagem negativa de mim. Penso que não me odeiam, porque não me acho importante o suficiente para que me atribuam um sentimento tão intenso, mas sei que têm sentimentos negativos. E se isso viesse apenas da mesma fonte de antes, de desconhecidos, não teria sequer a minha atenção. Mas agora vem também de conhecidos.
Esse sentimento de ser odiada vem agora associado a pessoas que eu sei quem são. Algumas com quem nunca interagi realmente, mas outras com quem já o fiz. Algumas que eu só sei quem são pelo nome, mas outras que sei quem são por já ter admirado o trabalho delas. Algumas que não afetam muito, mas outras em quem não consigo pensar sem me sentir desconfortável, como se tivesse algo na garganta a impedir-me de respirar corretamente.
Estamos em 2016 agora e parece que continuam a achar-me estúpida, convencida, falsa, arrogante e outras coisas igualmente agradáveis. E isso incomoda-me, em especial quando vem de pessoas que poderiam conhecer-me realmente, porque continuo a não compreender. Sempre achei que, se alguém me presta atenção suficiente para me achar essas coisas todas, deveria conseguir compreender que não sou dessa forma.
Claro que muitas vezes sou bem idiota, acho que é sobre mim quando dizem o meu nome e digo coisas que algumas pessoas não gostam. Mas ainda acho que não sou aquelas coisas.
Tenho o hábito de brincar sobre quase tudo, às vezes até sobre coisas com que não se devia brincar, mas nunca é com intenção de ofender quem quer que seja. Sou o tipo de pessoa que vai expor o que pensa sobre qualquer coisa em que tenha uma opinião e por isso parece que estou sempre a reclamar sobre tudo, mas não digo o que penso para tentar que mudem algo; digo o que penso apenas porque é o que penso, não acho que a minha opinião seja mais válida do que as outras. Considero-me das pessoas mais honestas que conheço, o que é o mais irónico quando me chamam de falsa, porque nem sequer me dou ao trabalho de fingir que gosto de algo ou alguém. Não sou de tratar ninguém mal e muito menos insultar, porque (como disse antes) acho ridículo perder tempo com esse tipo de coisas (inclusive não gosto quando vejo outros a fazer isso). Há anos que disse a mim mesma que ia manter longe de mim qualquer sentimento de ódio ou semelhante, porque são corrosivos, e faço-o tão facilmente que não consigo pensar numa única pessoa ou coisa que odeie. Tento sempre ser o tipo de pessoa que recebe de braços abertos qualquer outra que venha ter comigo e mesmo assim...
Não compreendo por que é que me interpretam tão mal. Não compreendo o que é que é suposto eu fazer para que parem de me interpretar mal, para que parem de pensar que sou alguém que não eu mesma.
Sei que não se pode agradar a toda a gente e, francamente, também não estou a tentar fazê-lo. Mas incomoda-me ser mal interpretada. Incomoda-me esta sensação que me faz não conseguir respirar corretamente às vezes.

Incomoda-me também a ideia de que mesmo esta publicação poderá ser mal interpretada. Então possivelmente vou acabar por a apagar. Mas talvez eu precisasse mesmo disto e talvez tenha sido eficiente.


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