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Nome: Daniela Matias
Status: Usuário
Sexo: Feminino
Localização: Coimbra, Coimbra, Portugal
Aniversário: 24 de Abril
Idade: 24
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Sobre as respostas aos comentários


Postado

Primeiro que tudo, quero começar por dizer que não estou a fazer esta publicação para que sintam pena de mim ou qualquer coisa do tipo. Se fosse essa a ideia, teria feito isto há muito tempo, quando as coisas estavam a acontecer. Na verdade, teria definitivamente feito há alguns dias (semanas?) atrás, quando este assunto das respostas aos comentários andou a ser comentado pelas redes sociais. Se estou a fazer apenas agora é porque só agora me sinto segura para tal.

Se me acompanham há algum tempo e costumam comentar, provavelmente sabem que eu tenho tendência a não responder logo aos comentários. Leio todos; normalmente verifico o SS todos os dias e leio todo o qualquer comentário que façam nas minhas fics, mas muitas vezes não respondo no momento. Se acabei de publicar a fic e ainda estou com toda aquela euforia de publicar algo novo, é provável que responda logo. Mas se já passou esse momento, a probabilidade é que eu vou ler e deixar para responder mais tarde, o que leva a que fiquem comentário acumulados. Há vários motivos que levam a isso, demasiados para listar, mas em algum momento eu respondia. A questão é: o ano passado, isto aconteceu com muito mais força do que normalmente.
Eu não consigo dizer ao certo quantos comentários por responder acumulei o ano passado, porque mantenho apenas a notificação do primeiro comentário por responder que tenho em cada capítulo. Ou seja, cada notificação que tenho para responder pode representar apenas um comentário ou pode representar dez, então não sei quantos são ao todo. Suspeito que, considerando as duas contas, tenho perto de duzentos.
Quase duzentos comentários que me fizeram durante 2015 e eu não respondi ainda.
Algumas pessoas poderão até ter deixado de comentar porque não lhes respondi, mas nunca poderia julgá-las por isso porque eu também o faço. Acho muito ingrato quando um autor não responde aos seus leitores. É por isso que tento responder sempre e é também por isso que quero explicar por que ainda não o fiz para aqueles quase duzentos comentários.
Eu sou bem ligada aos meus pais. Nem sempre fui tão assim, também tive os meus anos de adolescente rebelde que achava que queria sair de casa e ir viver sozinha, mas nos últimos anos fiquei mais próxima dos meus pais. Nunca tivemos uma relação má, honestamente, só divergências violentas. Mas a relação que tenho agora com eles é o tipo que me faz pensar que não posso perdê-los ou afastar-me deles, de forma nenhuma, porque são as pessoas mais importantes que tenho. Podem chamar-me menina dos papás, se quiserem, não é mentira.
O que tem isto a ver com os comentários por responder?
No inicio de Maio, do ano passado, encontraram um tumor no meu pai.
A primeira vez que a minha mãe me disse algo sobre o assunto foi no dia 8 e lembro-me perfeitamente porque o James Arthur (de quem gosto muito) ia atuar na minha cidade e eu estava com ideias de ir ver e tudo mais, mas uma conversa simples num café, enquanto esperávamos pelo meu pai, deitou-me ao chão. Nesse dia, ela não me disse que era cancro, embora ela já soubesse. Ela só me disse que ele teria de fazer uma cirurgia urgente, mas eu suspeitei logo que fosse cancro porque o meu avô faleceu por isso.
Nunca senti tanto medo.
E não era o mesmo medo que me levava a não conseguir dormir antes de ele chegar a casa, quando ele começou a trabalhar até tarde. Era um medo muito mais forte. Eu fiquei aterrorizada com a ideia de que poderia perder o meu pai. Foi a primeira vez que eu desesperei por não acreditar num deus, porque queria pedir a algo, rezar a algo, que por favor não fosse cancro, que por favor fizesse o meu pai ficar bem, e não conseguia porque não acreditava.
A minha mãe só me contou alguns dias depois, porque eu insisti, e a diferença entre a incerteza e a certeza não foi muita. Se antes estava aterrorizada com a ideia de ser cancro, depois fiquei aterrorizada por saber que era. Não pela doença, mas pelo tratamento. Porque eu tenho uma longfic com este tema, então já tinha feito uma pesquisa bem extensa sobre. Já sabia que o tratamento é agressivo, já sabia sobre os efeitos secundários. Eu evitava ir às consultas, mas enchia a minha mãe de perguntas depois, queria saber tudo. O tamanho do tumor, se tinha metástases, se ia fazer quimioterapia, que tipo de quimioterapia ia fazer, qual era a dosagem... tudo, eu queria saber tudo, só para tentar prever quão violento seria.
Na primeira sessão de quimioterapia que ele fez, a dose foi grande demais. Os efeitos secundários foram bem violentos e tivemos possivelmente as semanas mais difíceis de sempre. Chegou a um ponto em que o meu pai não tinha sequer forças para continuar a contorcer-se de dores, ele só chorava e dizia que preferia morrer, e eu não tinha forças para sair do quarto e vê-lo nesse estado, então só ficava fechada e a chorar, com o maior sentimento de impotência. Cheguei ao ponto de invejar o meu irmão, que estava a estagiar no sul do país e não sabia de nada do que se passava cá em casa.
Depois foram reduzindo a dose das sessões, até não ficar tão agressivo, mas os primeiros dias de cada ciclo são sempre complicados e a minha mãe teve de voltar a trabalhar. Era eu quem passava mais tempo com o meu pai, então. Não que ele ficasse tão mal que não conseguisse safar-se sozinho, mas havia sempre uma coisa ou outra em que ele precisava de ajuda, nem que fosse apenas para tirar algo do frigorífico. Ajudá-lo com as coisas também não me custava, o que me custava era ver a forma como ele andava abatido, ouvi-lo dizer que preferia desistir do tratamento do que estar a fazer-nos a todos passar por algo assim.
Durante duas semanas eu ajudava-o no que ele precisava e durante a terceira isolava-me e distraía-me com outras coisas para (tentar) recuperar a estabilidade emocional, para depois recomeçar tudo.
No final de Outubro, quando comecei a falhar o desafio de 30 dias de escrita e disse que era por estar demasiado exausta emocionalmente, não foi exagero. Nesse dia, fiquei a tarde inteira com uma psiquiatra que provavelmente já deveria ter procurado há anos. Repensei e relatei tudo o que me feriu desde a morte da minha prima, em Maio de 2012, e estava ainda acumulado em mim. Saí de lá totalmente destruída emocionalmente. Mesmo que odeie muito a ideia de chorar em frente a outras pessoas, foi o que mais fiz nessa tarde, não só no consultório mas também por todo o caminho até casa.
No mês seguinte, comecei a tomar anti-depressivos e calmantes. A psiquiatra receitou-mos na esperança de reduzir as crises, que eu carinhosamente chamo de quebras emocionais e que me levam a isolar-me de tudo menos da música, chorar compulsivamente e quase perder o controlo sobre as tendências auto-destrutivas. Eu tomei-os durante o mês inteiro. Era suposto começarem a fazer efeito depois das primeiras duas semanas e realmente fizeram, mas o contrário do esperado. As crises ficaram tão frequentes que eu simplesmente desisti de sequer tentar ir à faculdade ou continuar com qualquer outra coisa, não conseguia ajudar o meu pai em nada, tinha de me distrair e animar o tempo todo para não acabar a chorar... Quando dei por mim de novo a magoar-me fisicamente e a pensar seriamente sobre as doses letais de alguns medicamentos, tive de me dar um abanão mental e reorientar-me. Não poderia ser egoísta ao ponto de desistir quando os meus pais precisavam de mim. Então larguei toda a medicação, porque estava a deixar-me pior e ainda a gastar dinheiro que era preciso para sustentar a casa.
Acho que foi a partir daí que as coisas começaram a ficar menos más. Eu fiquei melhor, o meu pai ficou melhor e a minha mãe também ficou melhor por isso. Não era como se estivesse tudo normal, mas pelo menos estava mais controlado. Mesmo a tempo do Natal.
Foi só depois disso que eu percebi o quanto tinha acumulado comentários. O quão ingrata tinha sido para as pessoas que, durante esse tempo todo, foram capazes de me arrancar alguns sorrisos e me animar um pouco.
Mas não conseguia simplesmente responder, durante todos esses meses, porque não conseguia fazê-lo com todo o coração e não me parecia justo. Eu gosto de responder aos comentários porque adoro interagir com os leitores e porque é uma forma de retribuir o que, mesmo sem terem a noção, fazem por mim, mas tenho de estar bem para o fazer. Agora acho que estou, ou pelo menos vou ficar. O meu pai teve a última consulta do tratamento esta quinta e está bem, já está a recuperar a saúde, então eu vou ficar bem também.
E, de novo, não estou a escrever isto tudo aqui para que sintam pena de mim. Por favor, não sintam, porque honestamente odeio ser vítima de pena.
Mas realmente precisava de explicar o que aconteceu, porque nem as pessoas mais próximas de mim sabem tudo isto e não queria que pensassem que foi apenas ingratidão. Pelo contrário, estou imensamente grata por todos os sorrisos que me deram com os comentários e mesmo com os favoritos nas fics.
Pode parecer que é algo ridículo, mas as fics são realmente um dos meus apoios e vocês todos são como os meus pequenos anjos, então muito obrigada e, por favor, tenham um pouquinho mais de paciência comigo.
Se receberem no futuro uma resposta a um comentário do ano passado, vão agora poder saber os motivos para isso. Se se sujeitarem a ler esta publicação enorme, claro.
Fiquem bem, pequenos anjos ♡


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