~Docy

Docy
Solangelo is life
Nome: Вια
Status: Usuário
Sexo: Feminino
Localização: Indisponivel
Aniversário: 19 de Dezembro
Idade: 17
Cadastro:

56 minutos


Postado


Eu fiz uma apresentação de uma peça teatral, meu grupo ficou responsável pela comedia. Considerado por muitos o mais difícil, pois fazer pessoas sorrirem é mais complicado do que faze-las chorar. E também achávamos isso. Mas tivemos que deixar isso de lado e seguir.

Começamos com a adaptação do roteiro, isso deveria ser feito por uma ou duas pessoas da C&A, mas cada pessoa queria dá seu toque, colocando cada um algo diferente, fazendo modificações exageradas e que fizeram da “adaptação do roteiro” um “roteiro completamente novo”. O resultado não ficou bom, mas tão pouco ficou ruim.

Quando os ensaios chegaram, era divertido ver meus amigos apresentando, era engraçado, ria com cada cena. Mas claro que também tinhas as coisas complicada, não éramos unidos e haviam brigas sempre, poucos iam aos ensaios e a todo instante recebíamos reclamações da professora. Era difícil ter que conviver com eles e tudo que eu mais queria era que a apresentação chegasse o mais rápido possível para que eu pudesse sair logo daquela situação.

E quando esse dia chegou, não estava nervosa, o que era estranho, já que eu iria encenar pela primeira vez para mais 450 pessoas

Antes de chegar a minha cena, ajudava no cenário, tirando e colocando sempre que a luz apagava, tínhamos que ser rápidos e silenciosos, um trabalho importante para a continuação da peça, mas ao mesmo tempo enfadonho.
Quando chegou a minha vez de entrar no palco, não olhei para o público, apenas fiz o que devia fazer automaticamente. Para mim era como se estivesse em mais um ensaio com a professora, em minha cabeça, todas aqueles bancos estavam vazios, só dois sendo ocupados.

Quando minhas duas cenas acabaram, voltei para ajudar no cenário, troquei a roupa colorida do meu personagem, vestindo uma toda preta. Mas como já estava acabando, não mais fui necessária para ajudar.

Cansada sentei próxima a saída dos atores, não estava mais olhando meus amigos apresentando, sentei de costas para o palco, alguém, não lembro quem, sentou ao meu lado e começamos a conversar. Eu não estava mais achando graça no que os atores diziam, mas as pessoas que ouviam riam, riam alto, e eu? Eu estava esperando, apenas esperando.

O estranho é que pensei: “Uma piada contada diversas vezes perde a graça.”

Mas não é bem assim, uma piada sempre será uma piada. Ela só ira depender de quem ouve. Para mim, que já a ouvi, não era mais engraçado, para meus amigos que a contavam, ou faziam, também não, mas quem estava na plateia e a ouvia, eles riam, riam abertamente.

Então o que se tornou repetitivo para mim, não era para eles.

E a apresentação acabou.

Tudo deu certo. Os 56 minutos passaram, passaram tão rápido que sequer notei.

Foram os 56 minutos que esperei durante meses, me preparei durantes meses, briguei e defendi. Mas também me divertir, não nos 56 minutos, mas antes, antes, nos meses que o antecedeu.

Descobri, depois de um tempo, que não foram os 56 minutos que realmente importaram, mas o que fiz para chegar até ele. Todo o processo de criação, o que lutei para conseguir, isso foi o que importou.

Não estou dizendo que o ato final não é importante, ele é importante, só nunca será mais importante do que o processo de criação.

Então hoje vejo que me arrependo, não de ter apresentado, isso nunca! Mas de não ter aproveitado mais o tempo antes dos 56 minutos.

💙💙💙

Escutando: Quatro Por Um - Então É Só Clamar
Comendo: Goiaba - que sempre me lembra um cérebro humano

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