Em uma época na qual a moda é ser Super-Homem, só consigo idolatrar o Kira.


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Me peguei lendo meus materiais e reparei quantos defeitos, muitas vezes propositais, meus personagens possuem. A começar da minha favorita, Krystal Jung de Pink Tape. Ela tem essa obsessão por peitos, depilação e insistir que uma plástica a tornaria mais feliz. Ela tem o que mais abomino: síndrome da boneca de plástico. Não tenho nada contra quem escolhe viver da forma que desejar, é problema de cada um. Mas achar que as pessoas devem seguir um padrão, seja o social ou o seu, me irrita, e é isso que ela faz. Só transa com meninas que fazem depilação íntima, escolhe a pessoa mais pelos peitos que pela personalidade e não gosta de lésbicas masculinas porque se assemelham – nos esteriótipos de gênero social – a homens(e ela é muito misândrica). Só de ler esses defeitos dela, pareceria uma personagem daquelas que eu teria ódio, por ser retardada, mas é o contrário. Eu a amo muito.

Como uma pessoa normal, todos temos intrigas, preconceitos, problemas internos mesmo que instalados em um grupo social, ou ideológico. Se nem em religião, que é irrefutável, acreditamos 100% em tudo que abordam, porque em um espaço aberto a discussão não teríamos a nossa bagagem histórica(vivência) que nos faria questionar o utópico? É isso que nos faz não sermos perfeitos, porque simplesmente não conseguimos seguir padrões, somos muito diferentes para nos adequarmos à rigidez. E tudo que nos desvia da perfeição, em qualquer inserção, são defeitos. Todos temos defeitos, até uma personagem criada se o autor quiser deixa-lo mais real. Mas o problema que eu quero abordar não é diretamente esse.

Eu entendo que muito do que a gente escreve ou idealiza parte do que queríamos ser, mas isso já é tão excessivo, principalmente da mídia. É tão corriqueiro vermos em forma de personagens ideologias que devemos ou deveríamos seguir -socialmente falando -, o ser perfeito cujo o único problema é não ter defeito algum. Eu já vejo tanto essa imposição toda na vida, que o que desejo agora são protagonistas como eu, ou você. Pessoas que desejam melhorar exatamente pelo fato de terem problemas. Problemas internos, consigo mesmo, conflitos íntimos gerados ou não apenas pelo social. Desejo me ver inserida, representada, não apenas o que eu deveria ou desejo ser. É por isso que apesar de tantas atitudes machistas, desconstruo esse título possivelmente agregado a ela reflexões com suas queimas diárias ao sutiã(até porque ela quer aumentar o número -qqq), a relação de si tendo tanto orgulho da sua sexualidade e ela levantando a bandeira de que se orgulha por não seguir padrão imposto nenhum, apenas àqueles que ela acha graça. Ela não tem conceituação, denominação, ou título nenhum, ela não é uma heroína ou exemplo para ninguém. Ela é apenas Jung Krystal.

PS: a analogia do título se trata de um herói e um anti-herói.

Escutando: Two weeks - Fka Twigs
Lendo: Caçando carneiros
Assistindo: Betty, a feia
Comendo: Sanduíche especial com molho bbq, maionese, mostarda e katchup *U*
Bebendo: suco de maracujá

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