~EXO-G

EXO-G
Falling: 76%
Nome: Allen
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Sexo: Feminino
Localização: Indisponivel
Aniversário: 23 de Julho
Idade: 19
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Sickness


Postado

Sickness

Era um dia chuvoso. Eu gosto de dias chuvosos, eles são como eu; são tristes e cinza. Eu estava em uma maca de um hospital no décimo andar, minha janela estava aberta para o céu escuro e eu estava apenas ali... Observando as nuvens movendo-se e logo, observando a chuva caindo.

Naquele dia eu senti vontade de me levantar e caminhar. Fui para o corredor em que se encontrava meu quarto e caminhei lentamente por ele, virei no corredor que havia do lado e caminhei por ele até chegar ao fim, onde tinha uma janela. Olhei para fora, haviam muitas pessoas com guarda-chuvas de diversas cores, algumas estavam correndo, outras andavam pacificamente, sem contar os diversos casais de mãos dadas.
De repente eu ouço um bater em uma porta, virei para trás e vi um garoto alto batendo em uma porta próxima á janela onde eu estava. Ele era moreno e vestia um terno de linho cinza escuro, estava com o cabelo alinhado e tinha uma expressão triste. Quando percebeu que eu havia virado, ele me encarou e sorriu forçado, dava para ver em seus olhos que estava triste.
De dentro do quarto foi dito um "pode entrar" com desanimo, mas alguns comentários felizes foram ditos pela mesma pessoa ao ver o garoto entrando na porta.
- Você veio me ver... - era uma voz feminina.
A porta foi fechada e eu continuei ali. Voltei a encarar a janela, eu devo ter ficado um bom tempo naquela janela escura, logo o mesmo garoto saiu do quarto.
Eu me virei novamente e o vi saindo, ele estava realmente triste. De repente ele me encarou depois a janela, foi até nossa direção e, junto a mim, observou as pessoas lá fora. Toda vez que tentei ver seu rosto, ele virou, ele não queria que eu percebesse que estava chorando.
- Quem era? - perguntei encarando-o. Para ver seu rosto eu precisava inclinar a cabeça um pouco.
- Uma amiga minha. - ele disse.
- O que ela tem?
- Glioblastoma.
Fiquei quieto por um tempo, deve ser terrível, realmente sofrer por alguém com câncer deve ser muito pior do que tê-lo.
- E você? O que... O que você têm? - ele encarou minha camisola, provavelmente deduzindo por ela que eu estava doente.
- Osteosarcoma. - disse despreocupadamente.
- Oh meu deus, eu sinto muito... - ri soprado.
- Tudo bem.
- Já faz quanto tempo?
- A vida toda. - disse mantendo o tom calmo.
- Está aqui há quanto tempo?
- Um ano. - encarei-o - E sua amiga?
- Já faz uns dois anos, eu acho.
- Qual é o estado dela?
- Não fala nada com nada, tem convulsões constantemente, não recebe muitas visitas fora eu e os pais... - ele fez uma pausa - Ela gosta de mim. - sorriu - Entende? Ela acha que somos namorados e eu não vou dizer que não, apesar de não gostar dela igual. Ela não vai durar muito, então o máximo de felicidade que eu puder proporcionar á ela, eu darei. - continuou encarando a janela - Eu tenho vindo aqui todos os dias já faz dois anos e nunca te vi aqui.
- Eu não tenho vontade de sair do quarto.
- E por que saiu hoje?
- Porque senti que algo bom aconteceria. - sorri.
Então eu ouvi alguma enfermeira me chamando e soube que precisava voltar imediatamente para o quarto.
- Bom, eu preciso ir. A gente... A gente se vê por aí... - andei rapidamente pelo corredor.
- Espere! Pelo menos me diga seu nome.
- KyungSoo. - disse acenado.


--


Então era outro dia, dessa vez um dia ensolarado. Eram nove horas, eu estava dormindo, a janela estava fechada, o quarto estava levemente iluminado pelas frestas da janela.
De repente eu ouço baterem na porta e acordo.
- Pode entrar. - digo. A porta se abre e a enfermeira entra sorrindo.
- Eu te acordei? - ela perguntou.
- Talvez. - sorri.
- Desculpe, pequeno. Você está com fome?
- E desde quando eu sinto fome de manhã? - ri.
- Eu vou continuar perguntando, sou uma boa enfermeira. - ela sorriu gentilmente - Você tem visita.
- Visita? Faz quanto tempo que não recebo visita? Nem meus pais vêem aqui. - a enfermeira encolheu os ombros e fez cara de quem não sabia.
Logo o mesmo garoto moreno de ontem entrou no quarto, sorrindo. Por algum motivo aquilo me deixou feliz, seria realmente um dia diferente dos outros? A enfermeira saiu do quarto e fechou a porta, nos deixando a sós.
- O que está fazendo aqui? - perguntei.
- Vim te ver, ué. É ruim?
- C-claro que não, mas... Você nem me conhece...
- Ah, eu sei seu nome. - ele sorriu.
- Como conseguiu o número do meu quarto?
- Eu disse que era seu amigo distante. - eu ri.
- E a sua amiga?
- Ela ainda está dormindo. Eu irei vê-la mais tarde. Aliás, eu cheguei muito cedo? Te acordei?
- N-não. - eu não queria parecer um preguiçoso.
- Oh, que bom, fico mais tranquilo. - sorriu.
Ele estava com o mesmo terno de linho que estava no dia anterior. Veio em minha direção e apenas me encarou deitado ainda sorrindo. Me senti sem graça e me sentei na beirada da cama mexendo meus pés no ar.
- O que você sente? - ele perguntou.
- Que vou morrer. - disse encarando meus pés, ele permaneceu quieto - Não era o terno que estava usando ontem?
- Era. - ele disse e fez uma pausa - É o favorito dela.
- Entendo. - disse baixinho - Eu ainda não sei seu nome. - ele sorriu.
- Jongin. Kim Jongin. - eu sorri e segundos depois respondi.
- Você é bonito. Kim Jongin. - ele sorriu e não respondeu, apenas encarou a janela fechada.
- Por que não abre? - ele apontou.
- Eu... Gosto mais de dias chuvosos.
- Eu gosto mais de dias ensolarados. - ele sorriu como se sorri para uma criança.
- Você, por acaso, está com pena de mim? - perguntei calmo.
- N-não. Por quê? - sorri sem responder, eu sabia que era mentira.
A enfermeira chegou no quarto com uma bandeja com os meus remédios e um copo d'água.
- Senhor Kim, o KyungSoo vai tomar seus remédios e precisa ficar quietinho agora.
- Ah, okay. Te vejo outro dia. - ele piscou e saiu do quarto.
- Sabe, - a enfermeira disse enquanto eu me deitava - Eu nunca vi o senhor se sentar para falar com alguém. - ela sorriu.
- Você nunca me viu falar com alguém. - disse irônico.
- Talvez seja diferente. - ela sorriu, eu mantive minha expressão calma.

Talvez seja diferente mesmo...



-- --



Eram oito e meia. Pedi á enfermeira que me acordasse a essa hora. Também me certifiquei de abrir a janela, mais um dia ensolarado.
Então eram nove horas, nove e meia, dez... E assim o tempo passava e ninguém apareceu. Eu realmente estava o esperando?
Meio dia a enfermeira apareceu com o almoço, sopa.
- Bom dia. – ela disse.
- MinYeon, não chegou ninguém? – perguntei.
- Não. Está o esperando?
- Estava.
- Não desanime, ainda tem um dia inteiro.
- Que coisa ridícula, eu não vou esperar um estranho. – disse cruzando os braços.
- KyungSoo, ele é a primeira pessoa que vem lhe ver, é por isso que está o esperando, isso é normal. – permaneci em silêncio.
- Você sabe quem é a menina que ele visita?
- Não. – ela sentou na cama e pegou a sopa com a colher – Abre a boquinha. – sorriu.
- Você não precisa fazer isso. – ri.
- Abre logo. – ela disse rindo.
Ela me deu a sopa e eu tentei toma-la o mais rápido que pude, seria realmente ridículo que Kim Jongin entrasse de repente e visse essa cena.
De repente era uma hora, uma e meia e meu dia permanecia entediante como tinha sido durante um ano. Eu precisava fazer algo por mim, naquele único momento eu me permiti pensar em um "e se". "E se" eu não morresse? "E se" eu só estivesse perdendo tempo? Eu sempre vi pessoas pela janela do meu quarto, eu sempre vi as mesmas pessoas fazendo as mesmas coisas, mas as pessoas que não passavam diariamente lá sempre estavam indo para lugares diferentes. Eu era uma daquelas pessoas que fazia aquele trajeto diário; eu estava gastando minha vida em coisas inúteis como esperar a morte chegar; eu, uma pessoa tão jovem.
Me levantei e procurei MinYeon, minha enfermeira particular. Fui até a recepção procurando-a.
- S-senhor Do, o que faz aqui? - o recepcionista perguntou.
- Eu quero falar com a Drª. MinYeon. - disse.
- Senhor Do, o senhor poderia ter a chamado de seu quarto.
- Eu sei, no entanto estou aqui. Pode chama-la aqui por favor?
Ele ficou sem graça e chamou-a. MinYeon correu até minha direção quando me viu, ela provavelmente se preocupava comigo mais que minha mãe ou meu pai já se preocuparam na vida.
- KyungSoo, o que faz aqui, volte para seu quarto... - ela disse segurando meu rosto.
- MinYeon, eu quero sair.
- O que? De onde tirou isso?
- Faz um ano que não vejo ninguém, me deixa dar uma volta por favor. Você sabe que não é tão grave, que meus pais apenas não queriam cuidar de mim...
- KyungSoo, isso é muito perigoso...
- MinYeon... - fiz cara de choro. Ela suspirou.
- KyungSoo, eu devo estar ficando louca...
Ela me levou até meu quarto, onde pegou uma muda de roupas e me ajudou a vestir, em seguida pegou uma muleta para que eu pudesse caminhar melhor e desceu novamente comigo até a recepção.
- Senhorita Lee...
- Eu só vou mostrar a rua pra ele, ele não vê gente desde... Muito tempo.
- Senhorita Lee, como regra do hospital, o paciênte precisa ficar aqui...
- Está tudo bem, eu estarei com ele.
Sem esperar respostas, ela saiu do hospital comigo. O cheiro da rua era muito diferente, tinha muita gente e era um pouco mais quente que no hospital. Fomos até uma praça onde haviam muitos casais e grupos de amigos sentados na grama. Nós fizemos o mesmo. Deixei minha muleta ao nosso lado e nós sentamos na sombra de uma árvore.
- E então? Saciou sua vontade de ver a rua? - ela perguntou. Eu sorri.
- Um pouco...
- Sabe que não posso ficar te trazendo aqui o tempo todo, né?
- Sei, mas estou gostando, quer dizer, olha só toda essa gente, olha todo esse barulho... É tão estranho.
- KyungSoo, isso tudo é muito normal... - ela riu.
- Naquele hospital todos falam cochichando, não há ninguém conversando tão despreocupadamente como essas pessoas.
- Um dia você vai terminar seu tratamento e esta vai ser sua realidade. - ela disse.
- Você sabe que eu não acredito nisso... É por isso que pedi que saísse, eu não quero morrer sem ter visto nada.
- Fico muito feliz por você, meu querido, mas agora precisamos ir.
- Já? Não...
- Siiim... Vamos lá.
Voltamos para o hospital e o silêncio voltou a tomar conta de minha mente. Pegamos o elevador até o nono andar e eu pedi que deixasse que eu tentasse subir o décimo sozinho, eu demorei um pouco mas cheguei. Fui até meu quarto e pus novamente minha camisola e me sentei na beirada da cama pensando em algo para fazer. Vasculhei nos armários do quarto e achei alguns livros, peguei "Game Of Thrones" e voltei para a cama para ler.
O livro era simplesmente incrível, falava de reinos e guerras, sete reinos que adotavam o mesmo chefe monarca, enquanto tudo na verdade acontecia bem debaixo do nariz dele. O tempo foi passando e eu me entusiasmava cada vez mais com as estórias dos personagens, até que ouvi alguém bater na porta.
- Pode entrar. - disse fechando o livro. Era ele, Kim Jongin.
- Boa tarde, Do KyungSoo.
- Boa tarde.
- O que está lendo? - ele se aproximou - "Game Of Thrones"...?
- Achei no armário do quarto, estava sem nada para fazer.
- Muito bem, parece mais alegre que ontem.
- Eu estou... Digo, não que... Bom, esquece. - falei gaguejando, ele riu - Como está sua amiga?
- Ela está bem agora. Ah, ela teve uma convulsão violenta hoje mais cedo e eu fiquei muito preocupado, ela não lembra de nada.
- Que bom.
- E você?
- Ah, "sem alteração". Uns remédios novos aqui, outros ali, nada de mais.
- Isso é bom, eu acho.
- Que tal você se sentar? - sugeri me sentando na beirada da cama, ele riu.
- Sim, senhor. - sentou-se.
- Como é o nome da sua amiga? - perguntei.
- MiYoung.
- Você acha que ela...
- Sabe, eu não acho mais nada. Ela está em um estado que se você pensar demais, pode se magoar. - ele disse sem manter contato visual - Desculpe, eu fui... Eu acho que fui meio grosso agora...
- Não, não tem problema...
- É que eu detesto isso, entende? - ele fez uma pausa - Ter alguém que, de algum modo, você ama agora morrendo por algo tão irritantemente ridículo e doloroso é a pior coisa.
- Eu não entendo. - falei respondendo o questionamento anterior.
- Você pode viver. Você sabe que estou aqui, sabe quem sou, sabe quem é, tem memórias... Isso é viver. MiYoung está morta, ela está morta já faz muito tempo.
- Eu sinto muito... - ele me olhou sorrindo.
- Tudo bem. - disse encarando a janela ensolarada - Você não sente vontade de sair daqui de vez em quando?
- Eu havia saído hoje mais cedo. MinYeon me levou lá para fora. - expliquei. Ele me olhou surpreso, mas além de surpreso, ele parecia estar realmente feliz.
- Ora, isso é simplesmente ótimo! Estou muito feliz por você.
- Mas... - hesitei em perguntar - Por que exatamente está feliz?
- Porque você é meu amigo, eu me preocupo com você, e você precisa de vitamina D. - sorriu.
Ele estava definitivamente sentindo pena de mim, eu conheço o olhar da pena, eu fui muito encarado dessa maneira. Mas seu sorriso tinha algo, bom, não sei, mas era muito bonito...
- Não há porquê perder tempo dessa forma, sugiro que guarde suas preocupações para a sua amiga. - disse, me arrependendo em seguida, ao sentir que fui grosso.
- Eu quero me preocupar com você. - ele sorriu docemente, como se não tivesse houvido meu pedido anterior, eu agradeci internamente por ter essa sensação. Sorri momentos depois e olhei pra baixo.
De repente senti algo, era uma tontura desnorteante. Pisquei os olhos várias vezes, em busca de recuperar a visão, mas meu corpo começou a pesar e eu não sabia se o quarto estava girando ou era eu.
Não lembro de mais nada.


-- --


"Pressão baixa" disse MinYeon. "Uma pressão baixa completamente inesperada." completou. Eu havia desmaiado do nada, pressão baixa, concluí concordando. Kim Jongin chamou MinYeon, a mesma solicitou um exame de sangue imediato e em vinte minutos eu já havia acordado.
Quando acordei, ao meu lado estava Jongin, ele parecia extremamente preocupado e bastante ofegante. Eu ainda estava meio embriagado com o sono, efeito da pressão baixa, meus olhos estavam mal abertos e eu deveria estar com uma aparência terrível; pele branca e gelada...
MinYeon e Jin estavam ao meu lado. Jin era o médico que cuidava de parte dos casos de câncer, ele era muito importante e constatara que eu precisava de uma tomografia e que essa queda de pressão repentina era assustadora. Assim eu fiz, fui levado á uma sala especial onde tive de fazer uma tomografia, que durou exatos quinze minutos. Ao sair, eu estava sentindo uma terrível dor de coluna, que estava crescendo desde quando havia acordado, e Jin disse que, do estado que eu estava, uma dose de Morfina poderia me matar. Eu tive de suportar a dor, que só ia crescendo.
Fui transferido para uma sala no mesmo corredor da minha antiga, mas esta tinha outro tipo de equipamento. A essa hora, era de noite, eram oito horas, porém Jongin continuava ali. Quando minha embriagues e náusea passaram, olhei para Jongin, que estava me encarando, mas certamente não estava me vendo, nem mesmo estava ali.
- Kim Jongin... - ele balançou a cabeça e voltou a me olhar, saindo do transe em que se encontrava.
- Diga.
- O que faz aqui?
- Estou esperando pelos resultados de sua tomografia.
- Isso vai levar dias. - afirmei.
- É verdade.
- Então o que faz aqui? - ele suspirou e olhou pra cima.
- Na verdade, eu não sei. Eu fiquei extremamente preocupado com você.
- Você não está preso aqui, sabe? - perguntei, haja de ele se sentir responsável ou algo do tipo.
- Eu sei...
- E não vai embora? - me arrependi de ter o dito momentos depois, quando seu olhar encontrou o meu, era um olhar extremamente profundo.
- Quer que eu vá?
- Não foi o que eu quis dizer... - tentei consertar a situação. Ele mordeu o lábio e ergueu o olhar como se procurando algo, talvez palavras para a aquela situação.
- Eu te vejo amanhã. - se desencostou da cama e foi andando em direção da porta.
- Espere!
- O que? - ele virou.
- Me desculpe... - falei sem encara-lo. Ele rio soprado e se aproximou novamente, me dando um beijo na testa.
- Não há o que desculpar.
Eu corei, corei mesmo. Ele sorriu ao perceber o quanto eu havia corado e sorriu ternamente... Era de fato um sorriso encantador.

--

No dia seguinte eu acordei por conta própria ás nove horas. Tomei um café da manhã e continuei a leitura do dia anterior, não houve nada além disso. Ao meio dia MinYeon trouxe o almoço.
- Sopa? - retruquei, não haviam muitas outras coisas que eu odiasse mais que sopa.
- Jin teme que seja melhor manter um cardápio bem leve.
Não é como se eu comesse coisas gostosas, mas eu simplesmente detestava sopa, apesar de ser algo que estava constantemente em meu cardápio, infelizmente.
- Jin é uma pessoa má. - disse em tom baixo - Já sabe o que foi o desmaio de ontem?
- O resultado da tomografia só sai amanhã, você sabe.
- Sim, eu sei, mas esperava que tivesse alguma pista. - peguei a tigela e brinquei com a colher na sopa, sem vontade alguma de toma-la, não apenas pela repugnância que tenho, também porque não estava com vontade de comer e sentia que jogaria tudo pra fora se fosse o caso de comer forçado.
- Ele tem suas conclusões particulares, mas diz que talvez seja melhor mantê-las em segredo até que os resultados saiam, pois suas conclusões particulares não são as melhores.
- Eu estou morrendo.
- Não diga isso.
- Mas é verdade. Não que meu câncer seja incurável, muito menos auto-piedade;coisa que odeio, mas até que esteja curado eu estarei morrendo. Na verdade até o ato de viver é consequência de estar morrendo, todos estamos.
- Não fale como se fosse algo tão terrível, é bom que as pessoas morram, ainda mais quando sofrem.
- Não estou reclamando do ciclo natural da vida, só estou constatando que toda essa preocupação é desnecessária. - conclui com a primeira colher de sopa. MinYeon me encarou pétrea e sentou a beirada da maca em seguida.
- Kyunggie, todas as vidas são importantes, todos nós temos nossa importância, não pode desfazer de um ser humano dessa maneira. Mesmo que sua vida não faça sentido para você, você faz pessoas felizes, e te perder seria uma dor para elas.
- E quem sentiria minha falta? - perguntei encarando-a. Ela me encarou de volta com um olhar um tanto bravo.
- Eu te amo, KyungSoo, eu te amo. - ela disse apontando para si.
- Desculpe... - respondi instantes depois. Ela sorriu.
- Além de mim, você tem Jongin. - ela sorriu de uma forma diferente, como se insinuasse algo.
- Como assim?
- Você precisava ver como ele estava. Quando entrei no quarto você estava com a cabeça no colo dele e ele estava acariciando seu cabelo enquanto te chamava. Também não queria o soltar quando eu pedi.
Eu teria aberto a boca para falar, mas não quis questionar. Eu não sabia o que havia acontecido então não poderia argumentar nada em troca. Silêncio.
Logo terminei minha sopa e entreguei a tigela á MinYeon, que saiu do quarto em seguida, com uma pequena reverência.

Era uma e meia, o tédio estava tentando me matar antes do osteosarcoma. Me levantei e fui até a janela do meu quarto e encarei as pessoas, estavam realmente apressadas, provavelmente voltavam do trabalho. Me perguntava se Kim Jongin atravessava aquele lado do hospital ou se ele passava do outro lado, onde de minha janela eu não tenho alcance de visão. Eu imaginava ele com o passo apertado na rua, olhando para os lados, passando pela árvore na praça do outro lado da rua, então ele atravessa a rua com mais um grupo de pessoas e entra no hospital. Aí ele registra a visita na recepção, vai até o elevador e entra com mais algumas pessoas, aperta no "10" no painel do elevador e olha para cima na tela que diz em que andar estamos. Então ele anda pelo corredor vazio e silencio até o quarto de MiYoung. Fica lá uma hora ou duas e depois vem até o meu. Bate na porta e entra em seguida, quando ele entra, ele sorri, seu sorriso é tão fofo, é como uma criança.

Eu acabei me distraindo da leitura, eu não parava de pensar no ataque de ontem. Normalmente, quando uma pessoa tem osteosarcoma e tem um ataque do nada é bastante preocupante, e eu sei que posso morrer em um ataque desses.
Às três horas, Jin entrou em meu quarto com a cara preocupada com a qual nascera. Atrás dele, MinYeon estava segurando uma daquelas planilhas de médico.
- Como se sente, KyungSoo? - ele perguntou.
- Estou bem. Algumas dores mas estou bem.
- Onde são essas dores?
- Na perna.
- Onde, exatamente?
- É mais forte próximo á virilha.
- Qual perna?
- A direita.
Ele observou, em seguida olhou para o ar condicionado do quarto e encarou MinYeon.
- Desligue o ar condicionado por algumas horas. - ele pediu.
Assim ela fez, desligou o ar e abriu a janela. Senti uma brisa levemente morna me alcançar. Estava quente naquele dia, o sol brilhando.
- Dr. Jin, já sabe o que foi o ataque de ontem? - perguntei.
- Os resultados sairão amanhã de tarde. - ele disse, o que fez MinYeon olhar sua planilha de médico e fazer uma cara feia.
- MinYeon disse que você tinha deduções. - falei.
- Eu tenho, mas são das piores, creio que seja melhor mantê-las para mim.
- Jin, sabe que eu sou o paciente, não é? Eu mereço saber o que está havendo comigo.
- Eu sei. - ele sorriu ignorando meu pedido indireto - Amanhã o resultado vem, tenha paciência.
Fiz cara emburrada e ele encarou MinYeon, falando qualquer coisa que eu não estava afim de prestar atenção. Depois ele saiu e eu e MinYeon ficamos a sós, eu estava olhando a janela, pensando em qualquer coisa.
- Está esperando algo? - ela sorriu.
- Estou. - falei sem desviar o olhar da janela, senti uma brisa em resposta.
- Ele virá, ele vem todo dia. - ela disse saindo do quarto.
Eles estavam me preocupando. O ar condicionado eu entendo: vento frio e osteosarcoma é algo que não combina. Mas Jin nunca escondera nada de mim, ele até que é boa pessoa, conversa, não é "abitolado", apesar de levar os estudos muito a sério, ele já é alguém de alguma idade e de bastante experiência, tratando de seus pacientes sempre com essa experiência e cuidado. Ele foi a primeira pessoa que me atendeu quando eu cheguei aqui há dois anos.

~~

Eu estava esperando na sala de emergência, tinha dores terríveis pelo corpo todo; pernas, braços, cabeça...
Quando fui transferido para a um quarto para fazer os exames, me deram um soro cujo propósito era me drogar para que dormisse. Instantes depois, Jin entrou na sala. Eu era um garoto pequeno e branquelo, extremamente desnutrido e tinha manchas em minha pele; já ele, um homem elegante, robusto, cabelo alinhado e olhar firme.
"Parabéns, rapaz. Qualquer outro garoto na sua situação teria morrido." ele disse sorrindo.
Dormi logo em seguida
Quando acordei, uma hora depois de ter dormido, Jin estava ao lado da cama com papai, mamão e uma jovem moça ruiva de olhos esverdeados e realmente bonita. Meus pais estavam chorando abraçados um ao outro, a moça olhava certamente preocupada e Jin, com o rosto sério com o qual nascera.
"Leucemia" ele disse com calma. Eu o encarei torto como pude (o que não era lá grande coisa, mas...) "Um estágio inicial de leucemia."
"O meu filho vai morrer..." mamãe disse alto no ombro de papai que concordou silenciosamente.
"Senhor e senhora Do, ele pode viver, é um estágio inicial..." disse a moça de olhos esverdeados.
"Você não entende!" berrou mamãe para a mulher, saindo do quarto seguida por papai.
"Eu vou morrer?" perguntei calmamente.
"Tem grandes chances." disse Jin "Mas eu acredito em você, garoto." ele sorriu, me passou uma confiança enorme "Bom, KyungSoo esta é MinYeon, ela cuidará de você enquanto estiver aqui." a moça sorriu.
"Prazer, senhor Do."
"Não sou o senhor Do." ela sorriu humorada.
"Tudo bem. Prazer, KyungSoo"

Semanas depois, MinYeon dissera que meus pais não mais viriam, que poupariam seus olhos de pena e desgosto.
Minha leucemia, caso queira saber, está controlada. Já que descoberta com tempo.

~~

O tempo foi se passando e a noite chegou. Eu de fato estava esperando o nada. Não que eu estivesse nervoso por isso; eu não estava. MinYeon fechou as cortinas e eu deitei a maca abaixo de meu corpo, preparando-me precocemente para dormir. Dei uma última olhada para a porta e fechei meus olhos.
Eu conclui pra mim mesmo que estava carente de afeto e que ter alguém que mal me conhecia --- cuidando --- de mim me fazia sentir muito bem, eu estava me sentindo, enfim, amado. Na verdade, queria o agradecer por ter feito isso. Se ele não voltasse agora, eu não o culpava, eu era apenas um estranho, isso sem contar o fato de ter sido grosso com ele. E de repente várias possibilidades rodearam minha mente... Eu estava realmente com ---medo de perdê-lo---?
A noite caiu e eu adormeci.

No dia seguinte, nove horas meu "relógio biológico" me tirou o sono a força me pondo sentado desconfortavelmente sobre a cama. Estava ansioso. Algo me dizia que mais cedo ou mais tarde eu veria Kim JongIn entrando por aquela porta e sorrindo como bem sabia fazer.
No entanto, a porta foi aberta por MinYeon.
- Café? - questionei.
- Jin mudou ser cardápio. - ela disse. Eu não tomava café, era "muito forte" pra mim.
- Quando, exatamente? - perguntei pegando a xícara de café.
- Ontem á noite, na reunião que tivemos. - bom, quando se tem casos precários como o meu, as vezes são feitas reuniões com alguns médicos que possam "resolver" o problema se trabalharem juntos.
Tomei um gole do café, estava doce. Não é como se eu fosse um amante de café; eu nem gostava, mas não vou desperdiçar essa chance, talvez eu nunca mais possa tomar isto.
Contei a MinYeon que estava esperando por JongIn e ela prontamente sorriu com malícia obvia no olhar. MinYeon disse que ouvira falar que Kim JongIn era um rapaz carente e que, no estado em que estava psicológicamente (sobre a amiga dele ter Glioblastoma), se apaixonar seria algo visivelmente bom para tirar sua cabeça daquilo. Ela também fez questão de acrescentar que eu tinha 17 anos e podia me deixar apaixonar e que me apaixonar por JongIn seria ótimo pois ele era extremamente carinhoso e o que eu precisava era carinho.
Eu realmente queria carinho, e o carinho que recebera de JongIn me deixara tão feliz e esperançoso que eu relamente queria recebe-lo novamente. Pedi à MinYeon que, ao vê-lo, pedisse que viesse me ver, ela concordou prontamente e se retirou, enquanto isso eu ainda estava esperançoso, sentado na minha maca de qualquer jeito.

As horas estavam passando e eu, pacientemente esperava.
Eu estava tentando me lembrar de qual fora minha primeira impressão de Kim JongIn. Ele parecia um rapaz triste e solitário, mas quando veio falar comigo no outro dia ele estava radiante, mesmo quando falava de MiYoung ele sorrira de canto, mesmo que quase imperceptível.
Já sua primeira impressão sobre mim, creio que tenha sido diferente. JongIn é uma pessoa otimista e ao conversar comigo descobriu que a pureza e inocência do mundo está em poucos como ele. Eu sou pessimista e amargo, não faço questão de esconder. Mas seu sorriso era tão inocente e doce que por um momento eu quis sorrir como ele, quis ser feliz como ele, talvez eu ainda queira mas, de tantas outras coisas, meus pais também não me ensinaram a sorrir.
Eu senti a necessidade de tê-lo do meu lado para me ensinar que a felicidade está em nós, eu não encontro a minha e, mesmo não temo acabar sem conhecê-la. Eu sei que vai acabar. E sei que vou morrer. Eu não ligo pra isso, não mais.

De tarde, Jin pediu que MinYeon me levasse á sua sala, que daria os resultados junto á ela e que conversariamos sobre isso. MinYeon insistiu na cadeira de rodas mas por fim eu fui a pé, confiante. Entramos na sala e sentamos sobre as duas cadeiras de frente para Jin, com apenas uma mesa cheia de papéis nos separando. Ele segurava um envelope marrom com o resultado da tomografia.
- KyungSoo, como se sente? - perguntou.
- Bem, senhor. Inclusive vim sozinho até aqui. - ele esboçou um projeto de sorriso mas logo livrou-se dele e abriu o envelope.
- A tomografia encontrou algo a mais no seu corpo, KyungSoo. Algo que ela não deveria ser capaz e, se foi, é grave. - ele disse escolhendo as palavras.
Meu corpo congelou. ---Não, não, agora não!--- Agora que eu estou criando esperanças não. Eu tive anos para morrer ou piorar quando eu estava sozinho e não faria diferença mas agora que talvez eu já não esteja mais só isso --não pode acontecer---.
- O que quer dizer?
- Eu quero uma Ressonância Magnética para ter certeza...
- Por favor, não esconda de mim de novo. - ele suspirou.
- Sua leucemia, não está mais neutra. Ao mesmo tempo, seu tumor está crescendo na perna direita.
MinYeon arregalou os olhos, eu me joguei pra trás na cadeira e suspirei.
- O que faremos? - ela perguntou.
- Talvez outro tratamento, o principal agora é a RM...
Eles continuaram conversando, mas eu estava ocupado demais viajando nos meus pensamentos.
Minha RM foi marcada para dois dias, dando tempo de estudar melhor o caso. Então eu me direcionei ao meu quarto, me deitando na maca e me abraçando em posição fetal, quietinho, esperando que JongIn chegasse e, talvez, me amparasse, coisa que pela primeira vez eu estava precisando.

Ninguém apareceu.





-- --





Já haviam passado os dois dias que aguardavam a RM. Eu estava sendo levado em uma cadeira de rodas para a sala. Eu me sentia terrível. Eu nunca fiz questão da vida, mas agora eu sinto que preciso dela. Estava cansado e minha aparência era terrível, eu não dormi bem nestes dias, não comi e não quis me levantar nem mesmo para ir para o banheiro. Sem falar que ninguém veio me ver.
No primeiro dia eu praguejei. O chamei de todas as coisas por brincar com o coração de um adolescente com leucemia e osteosarcoma. Mas no segundo eu me dei conta de que eu realmente estava carente, de que a culpa não era dele e que el não tinha obrigação nenhuma de estar aqui comigo.
Meu coração doía. Eu, pela primeira vez, tive alguém aqui comigo, sinto que o perdi tão de repente que me surpreendo por ainda querer a vida que a RM pode confirmar eu não ter.

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Quando sai da sala, MinYeon me levou para o quarto novamente e disse que eu precisava comer. Relutante, tomei uns goles de um suco e implorei que me deixasse quieto. Assim fez.
Eu estava afim mesmo de curtir sozinho a minha depressão; palavra com que não se brinca, mas tudo bem, fui diagnosticado como depressivo desde meus treze anos.
No auge de minha depressão clínica e solitária, ouço um "bater na porta" ritmado. Eu conhecia aquilo. Arrumei meus cabelos e me sentei na maca sorrindo.
- Pode entrar. - falei com a voz feliz. MinYeon entra, e pela mesma porta onde ela entrou sozinha, saiu toda a minha alegria.
- KyungSoo, como se sente? - perguntou encarando a planilha em suas mãos.
- Estava melhor antes de entrar. - murmurei baixando o olhar. Ela fez um "hm" nada interessado.
- Tenho algo que pode melhorar esse seu humor de zebra de três dias. - ela deu espaço na porta para que um garoto de altura mediana, cabelo escuro e lindos olhos com um brilho que diziam a mesma coisa que o sorriso brilhante. Usava uma calça jeans e uma blusa preta com uns detalhes em strass. Voltei a sorrir o sorriso mais sincero que pude programar e me sentei na beirada da maca com os pés flutuando. Ele se aproximou e chegou bem frente á mim, me dando uma boa olhada enquanto sorria, corei instantaneamente e fiquei ainda mais envergonhado por sentir meu rosto quente.
Depois de um tempo sorrindo como dois idiotas, ele passou a mão pelo meu cabelo, o pondo pra trás, mas na verdade eu queria era um abraço apertado, gritar toda a saudade que estava sentindo, eu me contive.
- MinYeon disse que estava mal. - ele disse sorrindo como se não fosse nada.
- Eu estava bem. - sorri - Por que sumiu?
- Bom, sobre isso... - ele mordeu o lábio e olhou para o lado tirando a mão do meu cabelo.
- F-foi o que eu disse? Me desculpe, Kim JongIn, não leve a sério as palavras de um paciênte quando ele acorda de um sono de analgésicos... - parei de falar ao notar sua expressão perdida em qualquer lugar longe dali.
- Do KyungSoo, estou de luto. - falou sem me encarar. Fiquei boquiaberto, não consegui dizer nada.
- Me-meus pêsames. - foi tudo o que saiu. O sorriso de sempre encheu seu rosto ao voltar a encarar minha semblante triste.
- Não se sinta mal. A falecida MiYoung não tinha mais jeito. As convulsões acabaram se tornando frequentes e de repente ela sentia uma dor de cabeça que não conseguia distinguir. Depois de um tempo não fazia ou dizia qualquer coisa, apenas gritava e chorava de dor. Seus neurônios foram para todos os lados dentro da cabeça. Foi extremamente triste, mas... Foi melhor assim. - permaneci calado, não sabia o que dizer - Me desculpe por minha ausência, a família dela precisava de apoio, além dos preparativos para o enterro; que eu me ofereci para pagar e estou momentaneamente quebrado. - riu soprado.
- Por que está se desculpando? Você não me deve satisfações... - murmurei baixando a cabeça involuntariamente. Ele ergueu meu queixo com a ponta dos dedos.
- Do KyungSoo, eu gosto de você. - sorriu. Aquele sorriso fez meu coração disparar e meu rosto esquentar extremamente - Eu gosto de vir te ver e pensei em você me todos os momentos desses dias que se passaram.
Eu fiquei ainda mais corado, mas não contive minha expressão boquiaberta em nenhum momento desde o "eu gosto de você". Passei meus braços por seu pescoço e o encarei por mais um tempo, em seguida repousando meu rosto em seu ombro. Ele passou as mãos por minha cintura e me abraçou de volta, apertado, gostoso, viciante. Seu cheiro... Doce sem ser enjoativo. Sua pele era macia e gostosa. E o melhor, seu coração batia no mesmo ritmo do meu; uma batida acelerada, descontrolada, desesperada...
Afastei meu rosto para encarar o seu, dessa vez um sorriso terno tomou seu rosto, os olhos mais fechados, os lábios menos esticados, de repente ele parou de encarar meus olhos e olhou um pouco mais embaixo, virou o rosto devagar, fechou os olhos, suspirou levemente enquanto aproximava nossos rostos. Foi tudo lento, mas eu senti que não tinha tempo pra pensar; ao mesmo tempo que na minha cabeça se passavam mil e uma coisas, minha mente estava vazia. Ao sentir o toque em meus lábios, fechei meus olhos e não mais me mexi.
Seus lábios eram constantemente pressionados contra os meus, mexiam sem nenhuma malícia ou luxúria, era apenas um toque. Quando os lábios se separaram (ação dele), mantive meus olhos fechados até ouvir o que devia ser o projeto de um "micro risinho" e abri meus olhos. Estava quente, muito quente e eu estava suando frio. Abri meus olhos e contemplei o lindo sorriso de Kim JongIn.
- Que sabor doce... - ele brincou, rindo ao meu tom de vermelho clinicamente preocupante - Eu disse que gosto de você e que pensei muito em você ultimamente.
- Sim, você disse... - murmurei - Mas você não me conhece. Eu não quero que conheça. - disse de cabeça baixa.
- Mas eu quero. - ele sorriu e logo fez um bico que fazia apologia á um aegyo extremamente fofo - Você não gosta de mim? - corei violentamente.
- P-para, JongIn... - olhei para o lado sem tirar os braços de seu pescoço, muito menos ele da minha cintura.
Ele virou um pouco o rosto tentando encarar o meu, até puxar meu lábio inferior em uma espécie de mordida leve e me beijou novamente, mas dessa vez adentrando minha cavidade bucal sem pedir permissão. Aquele toque era tão carinhoso e sensível que foi difícil não me entregar. Apertei meus braços em seu pescoço e abri mais minhas pernas para que ele se aproximasse mais de mim. Suas mãos exploravam meus fios de cabelo enquanto sua língua explorava minha boca. Timidamente tentei fazer o mesmo, enquanto ele começava a morder meu lábio inferior e voltar ao beijo, um ciclo vicioso e completamente sensual. Quando nossas línguas se tocaram a sensação foi incrível, não havia mais nada ali além de... Amor.
Ele me deitou na maca e se pôs sobre mim, a fazendo ranger um pouco, mas eu não me importava. Ele segurou minhas mãos entrelaçando nossos dedos e o beijo prosseguiu. Senti meu lábio ser puxado diversas vezes e nossas línguas brincarem fora das bocas mais diversas vezes. Estava tudo uma bagunça, não havia coordenação alguma, nenhuma organização, nada planejado, era só um beijo calmo e carinhoso. Quando o ar se fez faltar o beijo foi quebrado com um selinho.
Ele me encarou com um meio sorriso por um tempo, afagando meus cabelos, minha expressão permanecia a mesma, não possuía um sorriso mas não era triste, estava apenas aproveitando aquele carinho. Fechei os olhos e levantei o rosto até o ponto que sua mão ficasse na minha boca e beijei a palma. Não haviam palavras que pudessem ser ditas, havia apenas nós... Deitados em uma maca quase caindo.

Passaram infinitas horas que o relógio insistia em mentir que não passavam de cinco minutos. JongIn se sentou na beirada da maca e encarou o chão com alguma expressão que eu não sabia decifrar. Sentei ao seu lado e encarei o mesmo ponto, procurando algo de interessante em um chão de mármore branco.
- Como está a sua saúde? - ele perguntou.
- Estou bem.
- MinYeon disse que haviam novos problemas...
- Eu tive uma febre ontem, nada de mais, nada para se preocupar. - pela primeira vez na vida, amaldiçoei MinYeon por ter contado algo tão particular.
- Não vai mentir pra mim, não é?
- N-não, não vou mentir. Se eu estiver mal eu direi á você, mas agora eu estou bem. - e a primeira mentira foi dita.
- Vou confiar em você, não me desaponte. - engoli aquelas palavras no seco que estava minha garganta.
Ele suspirou e me olhou sorrindo, dessa vez eu sorri de volta, bem tímido e, bom, não precisando mencionar que estava vermelho.
- Desculpe, eu preciso ir. - ele se levantou falando baixinho.
- J-já? - perguntei nítidamente triste. Ele sorriu ao ver minha reação e me deu um selinho.
- Eu vou voltar amanhã.
- Da ultima vez que disse isso... - parei a frase por aí, olhando pra baixo. Ele me abraçou forte, pondo meu rosto em seu ombro.
- Nada mais me impede de vir aqui e dizer que gosto de você o quanto eu quiser. - ouvi um risinho, me fazendo corar.
- É b-bom mesmo! - separei o abraço para segurar seu rosto e sorrir sem graça.
- KyungSoo, seu sorriso é lindo demais. Deveria sorrir mais.
Ele se separou do abraço e foi em direção da porta, mandando uma piscadela antes de sair;
"O que acontece comigo?" me perguntei em seguida...

"Estou de luto, Do KyungSoo." Essas palavras vagavam por minha mente. MiYoung morreu porque tinha um câncer terminal, eu também posso morrer. Seriam muitas desgraças, sua amiga e... Bom... O "rapaz que ele gosta muito" morrerem. Eu não o conheço e não coneço sua família para saber se ele está sozinho ou não.

Foi nesse momento que eu decidi que eu definitivamente não tinha o direito de morrer.


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25 de novembro - 15h49

O resultado da RM chegou. MinYeon estava desolada, eu estava... Como diabos eu estava? Como diabos eu estou?

MinYeon insistia que me levasse em uma cadeira de rodas para a sala do Jin, mas eu rebati dizendo que assim nunca teria uma vida normal. Ela cedeu.
Caminhava calmamente até a sala do Jin e me sentei neutro na cadeira. Ele baixou o envelope marrom já aberto de suas mãos e me entregou. Ele não entregou á MinYeon. Ele não leu em voz alta e muito menos explicou. Ele me entregou.
Eu retirei os papeis de dentro e passei os olhos sem nada ler, na verdade. Achei uma palavra perdida: "Positivo". Ao encontra-la, reli a frase incontáveis vezes, deixei que latejasse em minha cabeça, não tinha mais controle sobre isso. Até então, nenhuma palavra havia sido mencionada desde a saída de meu quarto.
- Sinto muito, KyungSoo. - Jin murmurou. MinYeon continha uma curiosidade e descrença que não cabiam em seu corpo e seus olhos teimavam denunciar.
"O paciente Do KyungSoo é adquirente de Leucemia Linfoide Aguda em estágio terminal. Tratamentos a altura do cancro são..." parei de ler mais ou menos aí, onde meu cérebro estava condensando tudo de forma absurda e eu não raciocinei para saber o que pensar ou sentir.
- K-KyungSoo? - murmurou MinYeon.
Entreguei os papeis á ela sem dizer nada. O silêncio no lugar era mórbido, doentio. Ela encarou os papeis procurando a tag, a palavra chave. Encontrou. Sua expressão preocupada transformou-se em apavorada.
- T-te-terminal...? - murmurou com a voz de quem estava com um choro preso á anos e não era agora que poderia soltar. Jin acenou calmamente. Uma lágrima rolou de seu rosto, mas várias já estavam rolando silenciosamente do meu.
Foi pedido á YunHo que ligasse para os pais de KyungSoo, mas de nada adiantaria, nunca fazia diferença. Todavía era norma do hospital avisar aos responsáveis qualquer alternância do estado de saúde de um paciente e assim fariam. O menino ligou e avisou á mim e MinYeon que meus pais estavam "ocupados e não poderiam vir".
Estavam se comendo.
No quarto de um motel.
Eu e MinYeon já estávamos fora da sala do Jin, estávamos no corredor setados em cadeiras tomando água compulsivamente e segurando o choro. Bem á tempo de um lindo jovem aparecer e nos olhar com um sorriso que me faz esquecer de... Espera, por que eu estava triste mesmo?
- KyungSoo, o que está fazendo aqui? - perguntou sorrindo. Me levantei com um sorriso que vinha de orelha á orelha, ele realmente veio.
- A-ah... Nada. Eu e MinYeon estávamos conversando um pouco antes de ela ter que ir cuidar de uma outra paciente... - gaguejei - Ela já estava indo, não é? - MinYeon se levantou e saiu sem nos olhar. Fui grosso, de fato, mas corria o risco de ela contar á Kim JongIn sobre meu novo probleminha.
- Como você está? - ele perguntou segurando minhas mãos.
- Estou ótimo, melhor ainda agora, e você? - ele riu ao ouvir frase tão clichê ser pronunciada justo por mim.
- Estou bem.
Ele estava com os cabelos levemente bagunçados e, por deus ou pelo que diabos estava controlando a vida dos seres humanos e do universo, ele ficava extremamente fofo assim.
- KyungSoo, quer dar uma volta? - perguntou.
- V-volta? Onde?
- Por aí, pela rua. Umas duas horas, nada mais. - sorri com a ideia - Se a doutora permitir, é claro.
- E-ela deixa sim...
É claro que eu chantageei MinYeon dizendo que já que eu morreria, deveria aproveitar mais a vida e é claro que ela cedeu.
Saímos do hospital e fomos até uma sorveteria, onde nos servimos e sentamos em cadeiras instaladas na rua.
- Fazia muito tempo que eu não tomava sorvete, eu já havia até esquecido como era bom. - disse provando um pouco e sorrindo.
- Yah, esse que você pegou é amargo, prova esse. - ele apontou um pouco de sorvete na colherinha em minha direção. Provei sorrindo, diferente do meu, o seu era docinho. Ele sorriu ao ver que eu havia gostado.
- Quer uma prova? - fiz o mesmo com um pouco do meu, ele provou e sorriu.
- Ah, KyungSoo, quantos anos você tem? - corei com a pergunta, eu realmente aparentava ser mais novo e não duvidava ser.
- De-dezessete.
- Hyung! - ele sorriu, eu olhei espantado.
- Quantos anos tem?
- Dezesseis. - sorriu infantil.
- Yah, que fofo, Kim JongIn.
- Já que você é mais velho, não precisa falar formal comigo, não precisa me chamar pelo nome todo.
- JongIn?
- Pode ser, hyung. - ele sorriu e sujou meu nariz com sorvete.
- Hey!
- Espera, deixa que eu limpo. - ele levantou e se curvou diante da mesa e beijou meu nariz, rindo ao sentar-se novamente.
Me levantei e fui até o seu lado, rodeando a mesa, pus sorvete em seus lábios e me abaixei um pouco para beija-lo.
Eu tenho certeza que durou horas, mas foi em um segundo. Nossos lábios se tocaram e em minha mente o tempo estava congelado. Senti meu rosto quente e fechei os olhos, nem mesmo eu sei porquê diabos fiz isso.
Ele deve ter demorado uns dois segundos para entender e corresponder. Passando a mão pelos meus cabelos e sua língua na minha, um toque prazeroso e instigante, tenho certeza que não durou mais que 15 segundos. Ao me separar, tentei a todo custo esconder meu tom rubro com um sorriso doce e inocente. Ele sorriu de volta e aquele momento não podia ser quebrado.
A não ser que eu pegasse meu sorvete e voltasse a me sentar.
Nossa conversa foi bem além de "uns minutos", ficamos uma hora e meia conversando sobre nossas vidas, nos conhecendo melhor. Nessa conversa que parecia ter acabado de começar, descobri que ele tinha um irmão mais velho de 26 anos que era o alvo dos olhares dos pais, pais estes que não lhe davam atenção alguma, que ele morava provisoriamente em um apartamento pequenininho com um aluguel que com a ajuda de uns becos aqui e ali ele mantinha bem, que Sua cor favorita era azul claro, que tivera apenas uma namorada, em uma época escolar em que era considerado realmente bonito aos olhos de muitas garotinhas... E muitos jovens também. Que nunca teve dúvida quanto á sua sexualidade e que nem mesmo agora, "gostando de mim" duvidava da mesma, que não era como se ele fosse homossexual, mas dizia que eu era uma boa pessoa, digna de olhos apaixonados. Eu realmente gostei de ouvir isso.
Eu, por minha vez, contei que tinha câncer desde a infância, vivia no hospital, já havia feito quimioterapia uma vez aqui ou ali, era isso... Eu era realmente nada interessante.
Quando nos demos conta que havíamos ficado uma hora e meia conversando, ele pagou a conta, que eu juro que gostaria muito de ter dito pelo menos um "deixa que eu pago", mas eu morava em um hospital e meus pais mal queriam saber de mim.
Saímos na rua de mãos dadas, porque se ainda não tínhamos certeza de nos gostarmos, essa conversa foi o suficiente para nos apaixonarmos um pelo outro. Uma paixãozinha não faria mal á ninguém.
Chegamos no hospital em vinte minutos e ele olhou o telefone sorrindo ao chegarmos na porta de entrada. Eu estava realmente ofegante.
- KyungSoo, ainda temos dez minutos. - sorriu puxando minha cintura e afagando meus cabelos.
- Só? - sorri de volta o dando um selinho. Ele me apoiou na parede de vidro do hospital e selou carinhosamente nossos lábios, dessa vez foi rápido, mas deu pra sentir todo o seu sabor.
Trocamos alguns olhares e entramos no prédio, em seguida no elevador que estava com mais alguns pacientes e visitantes junto conosco. Paramos no terceiro andar e saimos, porque o terceiro andar é vazio sabe-se lá porquê. Entramos novamente com ninguém mais dentro e aí sim, nos enchemos de beijos e rimos por nos escondermos debaixo da câmera do elevador.
Enfim descemos quase tontos do elevador e fomos pro meu quarto, onde ele me deixou e saiu deixando apenas uma piscadela provocativa.
Então era assim estar apaixonado?


26 de novembro - 9h30

- KyungSoo, por que está mentindo? - MinYeon perguntou - Vai iludir o garoto que está apaixonado por você?
- Iludir? - falei deixando-a sem jeito, como se iludir fosse sinônimo de "enganar ele pra morrer e deixa-lo sozinho". É obvio que ela diria ou pensaria isso, mas o efeito foi ótimo - Cadê aquele otimismo todo?
- Você entendeu, KyungSoo. Um dia ainda pode baixar na emergência e dirá o quê? "Foi só uma gripe".
- A amiga dele acabou de morrer e o garoto que ele gosta tem leucemia em estágio terminal, que ótimo!
- Não é motivo para mentir!
- MinYeon! - chamei em tom elevado, me recompondo em seguida e suspiro - Ele é minha motivação... Quantas vezes você ouviu eu dizer que quero me curar?
- Acontece que o seu tempo de querer se curar já passou. Você desperdiçou sua chance e o universo não vai parar só poque você, caprichosamente, decidiu que quer viver!
Ela saiu do quarto e me deixou boquiaberto. De fato, eu não podia decidir viver a hora que eu quisesse, mas JongIn não merecia ser magoado...

Naquele dia eu não senti fome. Se eu for pensar, eu não estava sentindo mais fome, eu só não percebi. Resumindo os por-dentros de madrugadas que eu me recusava chamar uma maldita ajuda, realmente havia algo errado comigo, mas eu ignorei isso por bastante tempo.
Me recusei a comer e recebi um olhar julgador de MinYeon. Ignore KyungSoo, ignore.
Ás 16h15 JongIn chegou no meu quarto, acabando com qualquer mau humor.
- Hyung! - ele disse abrindo os braços. Sai da cama e me joguei em seus braços abraçando-o apertado e sendo correspondido na mesma intensidade.
- JongIn...! - disse contra seu moletom, em seguida levantei o rosto para ver o seu e sorrir.
- Do KyungSoo, você é lindo. - corei ao ouvir, mas correspondi ao sorriso sincero que me foi lançado.
- Você também é lindo, dongsaeng! - ri baixinho.
- O que faremos hoje?
- Como assim? - ele sorriu como um "sabe-tudo".
- Acha que é fácil lidar com um chato como eu? Eu vou te fazer sentir como se sua vida fosse lá fora. Você vai ver só. - sorri - O que acha de ir ao cinema?
- Hmm... Isso é coisa de namorado. - ele riu.
- Então vamos fazer isso. - ele disse sorrindo e eu ri soprado.
Saímos do hospital e quando eu estava andando ele me parou e me puxou até um estacionamento, onde um Pálio preto acendeu as luzes de alarme desligado.
- Espere, você tem um carro? - perguntei.
- Foi presente do meu irmão mais velho, quando eu entrei para a faculdade. - disse abrindo a porta pra mim.
- A-ah, obrigado... - entrei sem jeito - Meu namorado tem um carro. - ele riu - Vamos em que cinema?
- O de um shopping do centro, aí ja tomamos um lanche e, talvez, muito talvez, eu possa te mostrar o meu apê.
- Acho uma ótima ideia. - lhe dei um beijo na bochecha assim que terminou de manobrar.
Não trocamos nenhuma palavra pelo trajeto. Quanto á ele eu não sei, mas eu estava feliz demais mas falar algo. Ao chegarmos no shopping, ele estacionou o carro, abriu a porta pra mim e me puxou para o elevador, onde me prensou contra a parede e me encheu de beijos de tal forma que eu não conseguia acompanhar, então me abraçou apertado e eu comecei a rir.
- O que te deu? - falei rindo.
- Nada, ué. Eu só acho que elevadores são o lugar mais apropriado pra pegação. - ele disse sorrindo pervertido.
- Não é dentro de casa?
- Pra quê casa quando se tem um elevador? - rimos juntos.
Quando o elevador enfim parou, descemos e caminhamos até a frente do cinema, que tinha uma fila gigante pra entrar, então nós decidimos comer algo pra ver se a fila diminuía. Fomos para o refeitório e passamos por todas as lojas até vermos uma cafeteria que tinha croinssant de chocolate, obvio que iriamos comer croinssant de chocolate.
Sentamos em uma mesa e pedimos nossos doces, então ele pediu dois mocaccinos, garantindo á mim que gostaria, porque qualquer pessoa gosta de um mocaccino.
- Então, o que vai fazer quando sair do hospital? - ele perguntou sorrindo como uma criança que pede algo aos pais.
- O quê?
- Bom, é que... Se você não tiver onde ficar, pode ficar no meu apê comigo. Não é grande coisa mas... Bom, tem espaço pra nós dois.
- A-ah, JongIn... - cocei a nuca.
- Tudo bem se não achar bom, você pode querer um espaço seu. Nós podemos providenciar, se você sair do hospital e começar a trabalhar, juntos nós conseguimos um aluguel de um apartamento só pra você. Eu te ajudo a manter.
- JongIn... Talvez eu não saia do hospital...
- Como assim? Claro que sai, você parece tão bem... Um pouquinho pálido, mas bem. - suspirei.
Eu definitivamente não podia dizer que meu corpo tinha desenterrado do nada uma leucemia linfoide aguda e que morreria se pegasse uma gripe de nada... Mas, como MinYeon disse, não posso alimentar as esperanças de alguém onde não há como ter. Posso acabar magoando-o e eu realmente gosto dele.
- JongIn, eu... - tentei falar olhando para baixo, seria mais fácil, mas eu levantei os olhos por um momento e vi os seus olhos alegres e esperançosos - Eu... Eu adoraria. - sorri.
- Sério? Então hoje vamos sair um pouco mais cedo para eu te mostrar o meu humilde lar. - disse sorrindo.
É... Eu sou alguém ridículo, definitivamente, mas, bom... Talvez, muito talvez, eu consiga um doador compatível de medula óssea e talvez, muito talvez... Possa ser feliz ao lado de Kim JongIn.
Foi tão rápido, poderá ter sido amor a primeira vista?





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Você acredita em amor? Eu nunca acreditei nisso, sinceramente. Bom, amor e deus, são coisas que requerem crença, afinal está na cabeça das pessoas. Infelizmente eu sou alguém carente de crença.
Além disso, as nossas escolhas a gente faz pelos outros. Sua felicidade custará a de alguém de algum jeito... E é terrivelmente difícil aceitar que, apesar de tudo, você precisa ser feliz, sabe? Se lidar apenas com a felicidade dos outros, tenha certeza que poderá não haver um alguém para cuidar da sua vida. Pense em si, com certeza, porque uma outra pessoa não daria a vida por você.
As pessoas definitivamente são duras, é difícil lidar com humanos. É difícil acreditar em algo. É grande e bonito ter uma crença e se apoiar nela, assim como é grande e bonito amar e confiar nas pessoas. Até que um dia seu deus te deixa, a pessoa amada te trai e as pessoas á sua volta te deixam. E o mais fácil, claro, é se deixar levar pelos sentimentos. Aquela coisa de "se jogar de cabeça" nos ideias, de lutar pelo que quer, isso também é lindo, mas não se esqueça que caindo de cabeça, pode causar um belo roxo na testa.
A falta de confiança, de longe, é o pior. Você prefere se magoar e viver ou passar a vida acertando e esquecendo que é caindo que a gente aprende a levantar? E mesmo ciente disso, eu realmente prefiro esquecer. Dizem que os sentimentos tem tempo e lugar, né? Eu sempre vou fugir desses lugares. Francamente!



Quando o filme terminou, nós levantamos e andamos mais um pouco pelo shopping. Eram 19h30, eu realmente deveria voltar para o hospital no mesmo instante em que perguntei as horas. E quem disse que eu ligava pra isso?
Passamos, por fim, em um quiosque que vendia qualquer coisa que tivesse chocolate e compramos morango com chocolate, qual comemos enquanto íamos para o carro. A cena era fofa, JongIn apontava um morango para a minha boca e eu comia, depois fazia o mesmo que ele. Minha nossa, nós realmente não podemos ser héteros.
Ao chegarmos ao carro, ele abriu a porta pra mim e entrou em seguida. Pelo percurso, sentia que me dava umas boas olhadas quando podia, era quase inevitável não soltar um riso inocente.
Passamos por um bairro cheio de prédios, já eram oito horas e haviam pessoas andando na rua. Bem protegidos do frio... Espere, frio? O lugar era realmente mais frio que a região do hospital.
"Estamos em uma depressão," explicava JongIn "aqui faz mais frio."
Eu olhava os prédios escuros ao meu redor, sabe aqueles filmes americanos onde tinham cidades escuras e pessoas com casacos verdes claro acendendo cigarros nas escadas de vitrines? Era mais ou menos assim.
Num ponto mais alto, tinha um prédio escuro e mal pintado, tinha uma entrada pequena e realmente parecia precário.
- É aqui que eu moro. - disse JongIn olhando para o prédio. Só pode ser brincadeira... - Eu sei que não é muito, mas é o que posso pagar... - falou sem graça. Sorri e abri a porta saindo. O frio me pegou de surpresa, JongIn sorriu ao me ver abraçando os próprios braços e se apressou em me levar para dentro.
Havia um pequeno elevador, as luzes deste eram fracas e era certo que não aguentaria mais que quatro ou cinco pessoas. Entramos e eu observei as luzes piscando na mudança de andares. Paramos no terceiro andar, o prédio possuía quatro sem contar com o terraço.
Um corredor escuro se revela, mal podemos ver o final deste, admito que neste momento eu repensei minhas ideias sobre JongIn, talvez eu mal conhecesse-o, e fosse um estuprador ou algo do tipo.
Algum sensor de algum lugar fez com que duas lampadas brancas e opacas fossem acesas, dando visão limitada para as portas e seus números. Enquanto JongIn destrancava a porta de seu apartamento, eu tentei procurar algo interessante para olhar, quando descobri que as lajotas enormes de material claro que constituíam o chão do hospital eram realmente mais interessantes que qualquer rachadura que a tinta bege escura daquelas paredes não podia cobrir.
- Eu sei que é meio assustador, - "que bom que sabe" - mas não tenho lá muito dinheiro, ainda mais agora...
Abriu a porta e me deu espaço para passar. Bom, era relativamente um apartamento masculino; tinha umas coisas espalhadas aqui e ali, mas até que não era bagunçado. Paredes claras, carpete vermelho, sofá no meio da sala, uma televisão pequena, uma bancada que separava a sala da cozinha, um corredor onde - julgo - ficavam o quarto e o banheiro e uma janela. Ao contrário do que parecia ser o resto do prédio, a iluminação era boa e a vibe era agradável.
- Bem-vindo. - sorriu - Aqui é a sala, ali é a cozinha, lá é o quarto e lá é o banheiro. Fique á vontade.
- C-como assim "fique á vontade"?
- Sinta-se em casa.
- Mas eu não estou em casa... - murmurei.
- Minha casa é sua casa. - ele puxou minha mão e me deu um selinho. Sorri - Ainda está com fome? - balancei a cabeça negativamente - E o que gostaria de fazer?
- Não sei. - falei rindo, o fazendo rir junto.
- Já sei, vou te mostrar o meu quarto. É meio bagunçado mas é o meu espaço.
- Nunca vi o quarto de um garoto. - me arrependi de ter dito isso quando percebi que parecia uma colegial em seu primeiro encontro.
- Okay... - ele me puxou até o pequeno corredor parando na frente de uma porta, relativamente aberta. Abriu lentamente e um quarto de tom azul escuro e bastante bagunçado foi revelado.
Tinham roupas na cama, na mesa do computador, encima do computador - uma meia, se devo mencionar -, na cadeira do computador, no chão... O menino não podia reclamar por não ter roupa pra blá blá blá...
Uma janela aperta - o que eu achei uma falta de responsabilidade, num bairro daqueles alguém podia entrar - e a cortina voava até o centro com o vento frio que adentrava o cômodo. Ele se apressou em fecha-la e sorrir sem graça pra mim.
- Não é bem como imaginava, né?
- Nunca parei pra pensar no seu quarto, Kim JongIn. - falei rindo, ele corou envergonhado e me puxou pra sentar em sua cama.
- Isso foi cruel. - dizia enquanto tirava as roupas de cima do móvel, jogando as mesmas no chão (claro, como eu não pensei nisso antes?).
- Não foi cruel. Eu pensava em outras coisas.
- Em quê? - perguntou colocando o braço por minha cintura, me fazendo corar.
- B-bom... Nos meus remédios, na MinYeon irritada comigo por pensar na morte... - me senti um idiota por ter gaguejado.
- Você não tem pensado em mim, hyung? - ele fez um biquinho infantil e mordeu minha bochecha.
- C-claro que tenho... - disse, ele ignorou minhas palavras e desceu a mordida por minha mandíbula e pescoço.
- Que tal eu tentar fazer com que pense em mim mais vezes? - ele sussurrou contra meu pescoço ao ouvir um gemido meu em resposta ás suas mordidas.
Isso é sério? Foi basicamente um "Hey, vamos transar?" educado. Não era o certo á se fazer...
- JongIn, eu... - antes que pudesse terminar, o garoto me deitou na cama com selarem demorados em meu pescoço, um tipo de toque que tomou um sentido diferente naquele momento, era inédito, incrível.
Tentei impedi-lo, tentei mesmo, mas toda a enorme força que eu punha para afasta-lo não passava de empurrões confusos misturados á puxadas. Kim JongIn mordeu meu pescoço sem força e logo sugou o local, soltei um gemido perdido, eu não fazia a mínima noção do que fazer... Estava apenas com muita vergonha. Ele acariciou meus fios de cabelo lentamente e espalhou beijou por meu pescoço e ombro. Fechei os olhos me entregando às sensações novas. Tornou a tomar meus lábios de forma intensa, sessei qualquer tentativa pessoas de faze-lo parar; mesmo eu em minha tolice não faria algo tão estúpido quanto parar Kim JongIn naquele momento.
Uma brisa, um selar, um suspiro, um gemido, uma sinfonia natural e sem roteiro, controlada por nossos corpos e que, ao meu ver, era bela. Um toque e um beijo, algo que antes nos era tão simples ganhou sentido novo, mesmo seu gosto, tão bem conhecido por mim, ganhou um cúmplice azedo ao meio, uma sensação completamente desconhecida e maravilhosa.
O moreno segurou minha cintura com firmeza como se eu, em algum momento, pensasse em sair dali. Tirou minha blusa e admirou meu corpo. Sua expressão era risonha, senti uma enorme vergonha tomar conta de mim e me cobri.
- Hyung... Não precisa ter vergonha, seu corpo é lindo. - ele sussurou próximo ao meu ouvido.
Fechei meus olhos ao sentir seu hálito contra meu ouvido e mordi meu lábio inferior soltando o lençol, deixando que me descobrisse. Em seguida ele tirou sua blusa igualmente, sorrindo como quem espera alguma resposta. Seu corpo era definido e perfeito na medida certa, como resposta passei minhas mãos por todo o seu peito, admirando os detalhes. Kim JongIn era lindo. Ele sorriu e voltou a me beijar, um beijo caloroso e delicado, adentrando minha calça e minha boxer de forma à apertar meu membro. A nova sensação me fez gemer alto e descontrolado, nunca antes havia sido tocado ali daquela forma. Ele se apressou em tirar minha calça e minha boxer e se levantar um pouco para admirar meu corpo, me fazendo corar. Direcionou os lábios para minha ereção evidente e chupou a glande com força. Mordi meu lábio inferior fortemente ao sentir a sensação delirante que me proporcionava. Segurei seus fios com firmeza e senti sua mão deslizar por meu falo enquanto seus lábios se ocupavam com a glande. Era maravilhoso. A cavidade quente e acolhedora de Kim JongIn me levava à loucura com movimentos lentos e torturados, suas mãos trabalhavam em sintonia com movimentos rápidos e excitantes, uma combinação perfeitamente sexy e tentadora.
Logo, seus lábios deslizavam por meu falo lentamente por completo, faziam alguns minutos que eu havia desistido da infeliz ideia de não gemer. Apertei meus olhos e segurei firme seus cabelos sentindo sua boca quente subir e descer por meu membro de forma lenta, vez ou outra ele soltava um gemido arrastado que me arrepiava por completo, enquanto apertava minhas coxas. Impulsionei com as mãos sua cabeça de modo a ir mais rápido e ele obedeceu, subindo e descendo de forma rápida e excitante. Ele parou no momento que percebeu meus fortes espasmos e deu uma última lambida na glande antes de voltar a me beijar. Um beijo completamente diferente, eu podia sentir meu próprio gosto se chegasse fundo com minha língua em sua garganta, um gosto azedo, amargo, estranho, toda aquela sensação era estranha, mas de um jeito bom.
De repente ele tirou sua calça e sua boxer, deixando a mostra seu membro completamente ereto. Masturbou rapidamente enquanto me olhava nos olhos, me fazendo sentir estranho, mas vê-lo daquele jeito diante de mim era completamente excitante. Mordi meu lábio inferior e toquei seu membro, tomando o lugar de sua mão, eu queria fazê-lo sentir todo o prazer que havia me proporcionado, mas não sabia como. Comecei a masturba-lo timidamente, movimentos lentos e apertava o membro em minhas mãos arrancando gemidos dele. Quando vi que estava sentindo fortes espasmos pela excitação, ele rapidamente tirou minha mão dali e indicou que abrisse minhas pernas e embora estivesse com muita vergonha, eu abri, lentamente. Ele segurou em minhas coxas fazendo que abrisse mais, fechei meus olhos por conta da vergonha que sentia de tudo aquilo e segurei em seus ombros apertando forte pelo medo.
Ele aproximou seu membro de minha intimidade e tocou levemente esperando alguma reação minha, eu apenas gemi baixinho por ansiedade e ele sorriu ao ver minha reação. Vendo que estava assustado pela situação, ele levou dois dedos até meus lábios e introduziu-os dentro de minha cavidade bucal sem aviso algum, mas eu sabia o que deveria fazer. Chupei com vontade ainda sem encara-lo, em algum ponto ele tirou os dedos e levou até minha intimidade, introduzindo-os e arrancando gemidos altos e arrastados de meus lábios. Uma nova sensação dentre as várias outras.
E era maravilhosa.
Ele esperou que eu me movesse de cima pra baixo para que começasse a mover seu dedo dentro de mim, movendo devagar, um desconforto gostoso me preenchia, não doía, era bom de um jeito estranho. Logo ele introduziu o segundo dedo, quando eu comecei a sentir um desconforto maior e gemi em reprovação. Ele movia-os lentamente até que me acostumei á tê-los dentro de mim e meus gemidos se tornaram de puro prazer.
Logo ele retirou e aproximou seu membro de minha estrada, me olhou esperando alguma resposta e eu assenti lentamente, com medo do que viria, mas eu estava com medo de tudo até agora e tudo fora incrível. O maior introduziu a glande de seu membro em minha entrada e eu gemi alto. Dessa vez doía, não era a mesma coisa que com seus dedos, era bem maior. Ele tentava introduzir o resto e quando estava na metade eu senti uma enorme vontade de pedir que parasse porque era grande demais e não caberia, mas eu senti vergonha daquilo e decidi ficar quieto. Ele parou antes de chegar no final, retirou quase tudo e pôs de novo, em um movimento lento e desconfortável. Alguns instantes passaram e a dor se transformou em prazer e eu ansiava por mais. Gemia dessa vez de prazer e não de dor, apertei seus ombros e passei minhas mãos por suas costas aproximando nossos corpos e arranhei forte suas costas, ele gemeu ao sentir aquilo e introduziu todo o membro dentro de mim. Ele estava completamente dentro de mim e era uma sensação maravilhosa e deliciosa e completamente indescritível. Ele estocava lentamente, gemendo baixo e co a cabeça apoiada no travesseiro ao lado da minha cabeça, virei meu rosto gemendo diretamente em seu ouvido arranhando suas costas. Enlacei minhas pernas á sua cintura para ter mais contato e pedia por mais em meio á gemidos dos quais eu nem ligava mais.
Ele aumentou a velocidade e meus gemidos se tornaram mais altos e mais frequentes. Logo estava estocando rapidamente. Pedia baixo em seu ouvido "mais forte, JongIn, por favor" e fui atendido, senti sua força e velocidade aumentar, tocando minha próstata, á essa altura eu já estava gemendo alto demais para controlar. Ele levou uma mão até meu membro e o masturbou rapidamente, eu estava no céu, era isso. Sentia um espasmo forte alcançar meu corpo e comecei a gemer mais alto, mordi seu ombro de excitação e em poucos segundos liberei meu prazer em sua mão. Ao atingir meu orgasmo, meu interior foi contraído e a sensação o fez se desfazer dentro de mim.
Seu líquido quente foi jorrado em meu interior e aquilo me fez gemer. Estava feito. Ele estocou mais algumas vezes para prolongar seu prazer e saiu de dentro de mim, logo senti seu líquido quente ser expulso de meu interior e eu sorri de canto ao sentir aquilo.
Ele deitou ao meu lado e me puxou para deitar minha cabeça sobre seu peito e afagou meus cabelos.
- JongIn...
- O que?
- Você vai me levar no colo amanhã.
Ele riu alto e beijou minha testa.

Dessa vez eu não me preocupei em voltar para o hospital. Eu explicaria tudo amanhã mas hoje eu só queria dormir junto do garoto mais especial da minha vida. A pessoa que despertou um dos sentimentos mais puros que poderia despertar em mim. Amor.








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- KyungSoo... - JongIn chamou baixinho.
Claro que eu não acordei de primeira, precisou ele me balançar e chamar muito pra eu resmugar um "que que é?".
- São sete e meia, vamos para o hospital.
- Não consigo.
- O que?
- M-minhas pernas... - corei.
- Eu te levo. - ele sorriu.
Ta, as minhas pernas realmente doíam da noite passada, afinal fizemos sexo e, apesar de tudo, isso dói. Mas tinha uma dor á mais na minha perna direita, mas eu não quis constar na hora.
JongIn me pegou no colo e e levou para a cozinha, me ofereceu comida mas eu não quis comer. Então ele me levou para o banheiro.
- Não se atreva a me largar, entendeu? - ameacei.
- Mas, Soo...
- Jonggie... Estou dolorido.
- Aish, tudo bem.
- Sem aish, a culpa é sua!
- Minha?! - ele enfatizou - Você também quis!
- E quem enfiou o que onde?
- Aish!
- Já disse que sem aish!
- Aigoo!
- E sem aigoo!
Sem o que falar, ele me beijou. Na verdade, foi um selinho. Nós fazemos coisas bem gay as vezes...

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Nove horas eu estava no hospital. Algo no meu rosto, levemente pálido, indicava que uma gripe estava chegando. Foi estranho, foi realmente involuntário, mas acima de tudo, foi preocupante. MinYeon e Jin pediram que JongIn se retirasse para exames e, hesitante, ele o fez. Fui levado para a sala de Jin, onde, depois de um tempo, tive a impressão de ter virado a sala de reuniões de KyungSoo.
- KyungSoo, onde passou a noite? - Jin iniciou.
- Na casa de JongIn, o meu namorado. - infatizei, o que fez MinYeon revirar os olhos em desistência.
- Onde ele mora?
- Eu não sei exatamente... Era um bairro escuro e frio, mas seu apartamento era confortavel e convidativo. - sorri. Jin olhou para baixo como quem está desapontado com uma criança que fez "arte".
- Um bairro escuro e frio... Como você deixou? Você o conhece? Que falta de responsabilidade, KyungSoo! E se ele fosse um assassino?
- Mas ele não é!
- E se fosse?
- Se fosse, que faria matar uma pessoa como eu? Uma pessoa com os dias contados.
- KyungSoo, se você não tem amor à sua vida, não é problema meu, mas meu dever é te manter bem, sou seu responsável até a segunda ordem e não quero mais ser informado que meu paciênte desapareceu, entendeu? - abaixei a cabeça, ele estava certo... - E você tem certeza que quer ter um namorado nessas condições? Como você mesmo disse, está com os dias contados.
- Eu quero ser feliz antes de morrer, Jin-ssi...
- Está sacrificando a felicidade de alguém pela sua...
- Eu nunca disse que não era egoísta... - apertei meus olhos de cabeça baixa - Jin... Quando eu fui levado para a emergência desse hospital, eu ouvi uma enfermeira dizer: "Esse garoto não se salva, é inútil liberarmos um quarto para ele, tem pessoas que podem ser salvas e precisam desse lugar". E por muito tempo, esse foi um dos meus marcos de luta, eu sou egoísta o suficiente para não ceder meu quarto á alguém que possa ser salvo. - suspirei - Eu o farei feliz enquanto puder e ele não precisará de lágrimas ao lembrar-se de mim.
Jin suspirou.
- Esse é o meu limite. Não posso fazer mais nada.
- KyungSoo, você disse que o local onde estava era frio. - MinYeon pronunciou-se.
- Huh... Sim...
- Você está pálido e parece febril. - direcionou a mão à minha testa - Jin, por quê? - ela olhou espantada. Jin suspirou.
- A imunidade de KyungSoo é mínima. Ao contato com o ambiente novo seu organismo está tentando protege-lo de um vírus antes de tê-lo. Essa preparação é feita em organismos normais em questão de minutos ou algumas horas, é mínima e precisa. Mas a de KyungSoo é como um enorme esforço, é como mandar 10 soldados à uma guerra sem precaução de mais 10 caso estes não voltem. É uma batalha onde ele usa tudo o que tem para a adaptação e perde sua imunidade normal. Isso leva á uma deficiência natural do organismo. Resumidamente, sair do hospital é uma tortura ao seu corpo.
- Então não posso mais sair?
- Não mesmo, e sugiro que seja levado ao seu dormitório para seus cuidados.
- Não, Jin , eu estou bem. - em um vacilo do meu corpo ridículo, termino a frase com uma tosse seca.
- Para o dormitório, agora. - ele disse calmamente.

Eu estou preso sem previsão de saída.


28 de novembro - Quarta-feira - Inverno

KyungSoo não quis receber minha visita hoje, nem ontem, anti ontem... Estou tentando imaginar o que aconteceu com ele. Ele é uma pessoa doente e eu pouco sei de seus problemas, mas eu quero estar próximo dele.
Eu sei que ele vai sair dessa, meu KyungSoo é forte!
Estava pesquisando mais cedo alguns apartamentos para morarmos juntos quando ele sair de lá. Quero alugar um apartamento grande, acho que ele iria gostar, se bem que se ele viveu a vida toda em hospitais, ele nem deve ligar... Então talvez eu deva alugar um pequeno, aí ficariamos pertinho um do outro... As vezes acho que estou alucinado por um garoto que conheço á muito pouco tempo... Dois meses? É...
Tenho pesadelos com o dia que eu poderia acordar com uma ligação do hospital, dizendo que o quarto de KyungSoo está vazio ou quando for vê-lo e avisarem que KyungSoo... Veio a falecer. Espero que isso não aconteça e, para ser honesto, as vezes sinto raiva de KyungSoo por ter esses problemas. Eu sou tão egoísta, credo *risos*
Mas é tudo um trauma só. Eu tenho medo da morte e tenho a presenciado de perto contra minha vontade. Desde que o ano começou, perdi dois tios, minha avó e minha melhor amiga. Meu KyungSoo eu não perderei, espero lutar por ele e tenho uma vida pra isso, gostaria que ele entendesse que eu posso ajudar.
As vezes o vejo sorrindo quando é obvio que quer chorar e como ele sempre diz que está tudo bem quando está tudo péssimo... KyungSoo tem câncer, mas KyungSoo tem uma vida. Ele era bem mais deprimido quando o conheci, acho que cumpri meu dever de o fazer ver que viver é bom. Isso me faz sorrir todos os dias cada vez mais. Sabe, ele é meu namorado, pretendo casar com ele e morar com ele em um apartamento onde seremos muito felizes juntos e onde ele não precisará tomar remédios para sobreviver e saberá que a felicidade existe.
Eu quero mostrar pra ele que ele não pode mais desperdiçar oportunidades como as que perdeu, que sempre se tem uma segunda chance. Quero apagar suas cicatrizes e pintar algo por cima para que, toda vez que ele olhe, lembre-se de que estou aqui para ele.



26 de novembro - Segunda-feira - Inverno (KyungSoo's day by off POV's)

Dopado em uma maca de uma sala pós cirurgia, apagado e inconciente da própria existência; esse era o estado de Do KyungSoo.
Era frequente - se tornou frequente naquela semana - ele entrar nessas salas e sair meio tonto, sem saber o que havia acontecido... KyungSoo sentia perder a si mesmo. Jin dizia, era tarde demais. Algo dentro do garoto crescera em uma velocidade que ele não pode acompanhar. Isso não é um folheto sobre câncer e não é meu dever como narrador, dissertar os problemas de KyungSoo, apena dizer sobre tal. KyungSoo era usuário de Escitalopram, 20mg, mesmo isso não adiantava muito para sua depressão, o melhor remédio fora conhecer JongIn, porém este estava afastado dele para seu próprio bem. MinYeon insistiu que JongIn se mantesse distante de KyungSoo em prol de sua saúde mental, usava mesmo o nome do garoto para afastar JongIn, estava preocupada, o pior problema de MinYeon era tentar se tornar a mãe que KyungSoo perdeu.
Passaram algumas horas e o garoto abriu os olhos lentamente. KyungSoo não tem mais condições para continuar este escrito, pois os remédios em doses altas estavam mexendo com sua cabeça e ele agora mal pode escrever. Fica apenas deitado, sem falar, pensando na morte, como um vegetativo consciente, com saudade de seu garoto. E que maldita saudade... KyungSoo perdeu a conta de quantas vezes acabou chorando calado no quarto, pensando em JongIn, em como queria vê-lo, em como ele era lindo... KyungSoo se perdia ao pensar nos olhos de JongIn e seus lábios sorridentes, ele mal tinha cabeça para pensar em si, pensar no maior se tornou doloroso.
A dor que sentia não podia ser aliviada, mesmo as 10 gotas de morfina que tomava todo dia amenizavam a dor de seu corpo, JongIn o fazia produzir endorfina o suficiente para curar todos os seus problemas, embora ele não estivesse ali e e era isso que doía. Ele caiu em uma depressão profunda e suas medicações foram mudadas - de citalopram para escitalopram, 20mg - porém nada de mudanças, faziam dias que ele não abriu um sorriso.

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Dois dias depois, JongIn recebeu uma ligação.
"Alô?"
"Kim JongIn?"
"Sou eu."
"Sou Lee MinWoo, recepcionista do hospital PSA," a expressão de JongIn se alterou, estava preocupado "o paciente Do KyungSoo solicita sua visita para hoje antes das 18h40, preciso de sua confirmação."
"A-ah, confirme, senhor Lee. Eu irei." ele suspirou "Huh, posso perguntar... Por que antes das 18h40?" ouviu-se alguns sons de papeis sendo folhados do outro lado da linha.
"Do KyungSoo tem uma cirurgia às 22h40."
"C-cirurgia? Pode me dizer do quê?"
"Desculpe, senhor não está sob meu conhecimento."
"Ah, obrigado."
"Tenha uma boa tarde."
E desligou o telefone.
Suspirou e arrumou o cabelos. Estava preocupado, afinal, cirurgia?

Ele pegou o melhor terno que tinha em seu armário e vestiu, perfumou-se e foi em direção ao hospital.



















30 de novembro - sexta-feira - Inverno Extremamente Frio (Kim JongIn POV's)

Dirigi até o centro, parei em uma sinaleira e olhei pela janela, tinha uma praça. Era uma noite de nevada, -2ºC, haviam casais com guarda-chuvas, a neve caía pelas folhas árvores e se depositavam no chão, em pequenos montes brancos. Eram exatamente 21h30, a noite estava agradável. Por um momento me imaginei junto á KyungSoo de mãos dadas naquela praça... KyungSoo-ah, seu cabelo está cheio de neve, você está tão fofo... Ri sozinho. Nini, limpa pra mim, yah não tente comer a neve, Nini! Vai te fazer mal!... O que você sabe sobre o mal, KyungSoo? Você é tão doce... Quando percebi, estavam caindo pequenas gotas quentes sobre o volante e um coral de buzinas atrás do meu carro, eu estava chorando.
Senti meu coração parar, desliguei o carro e chorei. Chorei tudo que me neguei chorar a vida toda. Chorei pelo medo de perde meu KyungSoo. Chorei por me sentir sozinho. Chorei por estar sozinho. Eu não ouvia mais as pessoas buzinando no fundo, também não ouvia os casais conversando ou as crianças rindo, não ouvi a neve cair no chão. Eu apenas ouvi meu coração batendo tão forte e desesperado... Senti minha cabeça vibrar em dor e a bati no volante, meu choro se tornou alto. Ao ver meu reflexo no espelho estava vermelho e inchado.
As pessoas começaram a me ultrapassar e decidi estacionar. Fechei os vidros e observei calado a neve cair. Lembrei da image de KyungSoo olhando a janela do hospital no dia em que o conheci...

- Eu tenho vindo aqui todos os dias já faz dois anos e nunca te vi aqui.
- Eu não tenho vontade de sair do quarto.
- E por que saiu hoje?
- Porque senti que algo bom aconteceria. - ele sorriu.


Meu KyungSoo... Algo ótimo aconteceu. Como eu queria voltar no tempo e voltar a conhecê-lo, queria repetir aquele dia todos os dias, queria ver o sorriso do meu KyungSoo todos os dias, eu nunca me cansaria. Queria tomar-lhe todas as dores e o ver viver. Queria dar-lhe minha vida em troca do seu sorriso tão sincero, tão lindo. Posso eu, trocar meu viver pelo seu sorriso? Posso gritar para o mundo o meu amor, se é reciproco? Nós só temos um ao outro, eu prometi o fazer sentir como uma pessoa normal e estou falhando.
Ao longe, vi o letreiro brilhoso e reluzente do hospital, não estava longe. Saí do carro, tranquei-o e caminhei pela calçada precisava pensar. Senti os pequenos flocos de neve caírem no meu cabelo e estava frio. Cubri meu rosto com a gola do enorme casaco sobre o terno e suspirei. Ao chegar no hospital na entrada, tirei meu casaco e servi uma xícara de café na recepção, eu nem gostava de café. Falei com o recepcionista e pedi para ver KyungSoo. Ele me concedeu o quarto e eu segui para o elevador. Lembrei de ter agarrado KyungSoo certa vez naquele mesmo elevador, lembro de seu riso preenchendo as quatro paredes frias e seu sorriso iluminando o meu. Cheguei no seu quarto e vi um pequeno garoto branquelo deitado. Tinha uma máscara de oxigênio no rosto e olho cansados olhavam a janela. As mãos com pulsos expostos estavam brancas em um tom preocupante, pequenos pontos roxos mostravam a falta de oxigenação de sua pele. Seus olhos cansados pousaram sobre mim e pude ver um breve sorriso sobre a máscara.
- Você veio me ver. - disse no mesmo tom que a falecida MiYoung, o que só fez toda a coragem que eu estava resguardando se esvair.
- Como poderia não vir visitar o amor da minha vida? - puxei a máscara de seu rosto e selei seus lábios gélidos.
Frios, secos... Mas lá no fundo ainda eram os lábios de meu KyungSoo. Um doce sorriso iluminou seu rosto e ele puxou minha nuca com sua mão.
- Eu não quero morrer agora, JongIn, eu quero viver com você... - murmurou com a voz embargada em um choro guardado.
- Você não vai morrer, você vai viver comigo sim, hyung. - forcei um sorriso.
- Nini, o que é a morte? - ele disse com os olhos úmidos.
Respirei fundo e olhei pela janela, a neve me fez sorrir e criei forças para o encarar.
- A morte é a prova de que você cumpriu seus deveres aqui e já pode descansar. A morte não tem dor ou sofrimento, ela leva sem questionar. Ela abraça e acolhe como uma mãe o garoto perdido que não sabe para onde ir, ela tapa seus ferimentos e fecha seus olhos, tira sua dor e seu sofrimento. A morte é um grito na infinidade da escuridão, o espaço inaudível e inalcançável, a lápide fria ou os céus implacáveis. Sem dor, sem choro. A morte é para os merecedores, KyungSoo, ela é justa e sábia, é o basta, a próxima página, a nova etapa, uma nova chance, talvez tudo de novo. Só saiba que a morte não é o fim.
Ele sorriu e deixou as lágrimas caírem pelo seu rosto ao travesseiro.
- E a vida, Nini? O que é? - perguntou com a voz tão chorosa que quase não entendi.
- A sua vida eu não sei, mas a minha é você.
Ele me puxou para deitar em seu ombro e começou a chorar, senti meus olhos umidecerem e minha cabeça latejar.
- Eu te amo, Kim JongIn.
- Eu te amo, Do KyungSoo.
Assim ficamos. A neve batia no vento, o único som era o vento. As luzes apagadas e nossos olhos vidrados apenas um no outro. Eu vi cada curva, cada célula que compunha seu rosto, cada traço que tornava KyungSoo quem ele era, e porra, ele era muito lindo. Ele alisava meus cabelos e selava meus lábios, repetia diversas vezes que me amava, sorria e voltava a me beijar com todo o seu charme. Sua pele parecia mais branca à cada momento que passava, mas eu o abracei para mantê-lo aquecido. Mordi seu lábio e o ouvi rir baixinho.
- JongIn, se eu não estivesse morrendo, isso teria me excitado. - ele riu.
- Quer dizer que a morte te tornou estéril? KyungSoo!
Ele riu mais, sua risada suave. Olhou para mim sorrindo e murmurou.
- Por que você é tão perfeito?
Eu sorri e beijei sua testa.
- Você só merece o melhor.
- Não mereço você.
- Como se eu merecesse você.
- Então fomos feitos um para o outro
- Exato, amor.
Entrelacei nossos mindinhos e sorri. Meu coração batia descompassadamente, ele sempre batia assim ao ver KyungSoo.
Assim ficamos por uma hora, até MinYeon entrar no quarto e levar KyungSoo para a sala de cirurgia

- Eu preciso ir agora, JongIn.
- Vai dar tudo certo.
- Se não der... Você termina de ler Game Of Thrones pra mim? Irei aparecer em seus sonhos para saber o final. - sorri.
- Leio tudo que quiser, amor.
- Nesse caso, acho que posso ir em paz.








1° de dezembro - Inverno - JongIn POV's

KyungSoo voltou da cirurgia direto para seu quarto, eram 5h da manhã e eu estava dormindo no meu carro no estacionamento do hospital. Acordei por algum impulso às seis e fui à recepção saber do menor; passava bem. Sorri e fui até seu quarto, o quarto n° 503, do lado da janela do corredor escuro. Era uma noite chuvosa, extremamente fria e pesada, entrei no quarto sem ligar a luz para não o acordar, mas o mesmo virou para mim, estava acordado. Não conseguia ver seu rosto pela escuridão, mal podia ver uma máscara de oxigênio em seu rosto, mas senti uma paz ao ver sua silhueta deitada naquela maca Por algum motivo, eu senti que ele se sentia bem.
- Hyung, não está dormindo? Deveria dormir. - solicitei baixo, indo até o mesmo e retirando a mascara de seu rosto para selar rapidamente seus lábios.
- Estou sem sono, JongIn-ah. - ele murmurou.
- Preocupado?
- Não. - disse baixo - Cansado, não preocupado.
- Como pode não se preocupar? É sua vida que está em jogo. - disse mesmo sem ter conhecimento de que tal cirurgia havia feito.
- Porque sinto que vai ficar tudo bem. - sorriu doce - Quando te conheci, há dois meses, senti que deveria sair de meu quarto naquele dia, assim como sinto que vou ficar bem.
Afaguei seus cabelos e sorri. KyungSoo pareca um velinho falando, mas parecia que nos conheciamos há anos.
- Sabe, eu andei vendo alguns apartamentos, o aluguel de uns lá perto do meu parecem bem acessíveis. Você prefere casa grande ou pequena? - ele riu - Yah, por que está rindo? Não estou brincando!
- JongIn-ah, não alugue ou compre nada até eu sair daqui, okay?
- E por quê? Quando você sair devemos ir direto para a nossa casa.
- Nossa casa? - ele disse rindo entusiasmado?
- Sim, os casais moram juntos. - sorri.
- Somos um casal, Jonggie? - ele sorriu fofo.
- Se você aceitar casar comigo... - fechei os olhos sorrindo.
- YAAH JONGIN...! - ele riu alto - Meu amor, é claro que eu caso!
Peguei uma caixinha preta do meu bolso e retirei um pequeno anel dourado, ouvi a expressão nasal de surpresa de KyungSoo e seu riso bobo.
- Então você é oficialmente meu noivo. - encaixei o anel em seu dedo.
- K-Kim JongIn... - vi seus olhos levemente úmidos.
- Não chore, meu anjo. Quero ver seu sorriso.
- E-eu... - ele murmurou rindo soprado.
- Eu vou te fazer muito feliz, prometo. - sorri e selei seus lábios.
- Vai? - ele sorriu.
- Até o fim.
Desconectei todos os fios que estavam ligados ao seu corpo - ambos sabíamos que KyungSoo não precisava de dois litros de oxigênio artificial por minuto se seus pulmões funcionavam bem - e puxei-o para o meu colo, deitei na maca e afagei seus cabelos
- Vamos sair dessa. Juntos. - murmurei.
- Eu queria ir pro eu apartamento agora...
- O que queria lá? - ri.
- Você sabe... - ele disse baixinho e pude sentir seu rosto quente. Ri involuntariamente.
- Podemos fazer isso em qualquer lugar, amor.
- Não podemos fazer aqui.
- Se a MinYeon ou qualquer pessoa não entrarem aqui, podemos sim.
- Você não tem medo?
- E você tem? - acariciei suas costas - Você dizia que não tem nada à perder.
- Mas agora eu tenho, você.
- Não vai me perder, nem que eu te sequestre daqui agora mesmo. - ele riu.
- Por que você é tão perfeito? - levantou se segurando sobre os cotovelos.
- Deixe de bobagem. - mordi seu lábio inferior e puxei para um beijo.
Ele correspondeu ao beijo e suspirou, sentou-se sobre meu abdômen e logo deslizou a língua fundo em minha boca. Segurei sua cintura e apertei de leve, ouvi um murmúrio baixo e mordi seu lábio inferior. Puxei sua blusa pra cima e segurei seus ombros, baixando minhas mãos por seus braços até entrelaçar nossos dedos, ele mordeu meu lábio e puxou, sugou, selou meus lábios mais uma vez e desceu para o meu pescoço, mordendo e beijando cada milímetro do mesmo. Fechei meus lábios e passei minhas mãos por suas costas, senti seus dedos abrindo os botões de minha camisa rapidamente e a ponta dos dedos gélidos tocarem meu peito. Senti um arrepio percorrer meu corpo com seus toques e abri meus olhos, vendo KyungSoo descer os dedos para minha calça, abriu e apertou mu membro sobre os tecidos. Ele, tanto quanto eu, não queria enrolar muito, nada de exagerar nas preliminares, tirou minha calça e mordeu a barra de minha boxer, puxando e tirando com a boca - e fica a dúvida; de onde Do KyungSoo aprendeu tudo isso? -, me olhou sorrindo malicioso e puxou minha mão, indicando que me levantasse. Como o solicitado, inverti as posições e tirei sua calça com pressa, segurei seu membro com uma mão e o meu com o outro e nos masturbei rapidamente, o coro de gemidos dificilmente controlados preenchia o local.
Já não controlando mais o nível de excitação, segurei seus joelhos e esperei que ele enlaçasse suas pernas em minha cintura e selei seus lábios. Penetrei seu interior lentamente de acordo com seus gemidos desconfortáveis, ao chegar no final, desci beijos até seu pescoço e chupei lentamente. Quando seus gemidos de dor se tornaram prazerosos, retirei metade de meu membro e penetrei novamente, fazendo esses movimentos consecutivamente, estocando nesse mesmo ritmo. Nossos gemidos eram semelhantes, quando sentia ele rebolar sobre meu membro, eu gemia mais alto e, por impulso, ia mais rápido.
No impulso de meu delírio sexual, retirei totalmente meu membro e enfiei com força em seu interior, atingindo seu ponto sensível, sua próstata, recebi um grito seguido de um gemido arrastado em resposta. Mordi meu lábio inferior ao ouvir KyungSoo implorar que eu repetisse a ação e repeti diversas vezes. Em um momento, senti meu baixo ventre ficar dormente e espasmos cercarem meu corpo, em resposta, soltei um gemido mais alto e mordi o lábio inferior tentando conter os sons, joguei a cabeça pra trás, creio que KyungSoo sofria dos mesmos sintomas que eu. Em menos de um minuto, meu prazer fora expelido de mim junto à um gemido arrastado, continuei os movimentos prolongando o prazer e senti KyungSoo chega ao seu orgasmo em seguida.
Posicionei KyungSoo em meu colo ao deitar na maca e iniciei os movimentos novamente, já em ritmo frenético. Ele jogou o corpo pra trás gemendo arrastado ao rebolar, julguei se a imagem mais sexy que já vi em toda a minha vida. Ele, por vezes rebolava, por vezes voltava a quicar, sempre em ritmo frenético. Comecei a sentir minha cabeça girar e parei de agir por mim, puxei suas pernas com força e me levantei sobre ele, fazendo-o ficar metade fora da maca, recomecei os movimentos da maneira mais agressiva que conseguia. Sua próstata era frequentemente atingida e nós gemiamos acada vez mais alto, voltei a coloca-lo deitado sobre a cama e voltei a estocar com toda a força, logo nossos orgasmos foram alcançados novamente e finalmente respiramos fundo. Saí de dentro do menor e deitei-o sobre o travesseiro novamente.
Deitei sobre ele e tentava controlar minha respiração, ofegante. Seus dedos afagavam meus cabelos e fechei meus olhos para aproveitar ao toque.
- Eu queria que isso nunca terminasse... - ele murmurou - Aqui. Esse momento, agora.
Fiquei em silêncio, procurando em minha mente palavras que pudessem servir de resposta, mas apenas conseguia pensar que eu também.
- Nós dois... - continuou - Eu amo isso. - ele riu baixinho - As vezes acho que só vivi até aqui para te encontrar, então se agora eu te encontrei, minha missão está cumprida.
- A minha missão então deve ser te fazer feliz e eu ainda não terminei. - disse inseguro.
- Já terminou sim, não consigo descrever como me sinto feliz com você.
Sorri e levantei para encarar seu rosto e selar seus lábios. Afastei nossos corpos e levantei da maca que rangeu em resposta, ignorei. Ao localizar minhas roupas, vesti-as e peguei as do menor, ajudando-o a vestir-se. Deitei ao seu lado e entrelacei nossos dedos, de ambas as mãos que usavam alianças.
- JongIn... Eu vou ficar bem, certo? - ele perguntou baixinho, pude sentir a desconfiança de sua voz e suspirei.
- Vai ficar tudo bem. Não se preocupe com isso.
- M-mas... E se eu...
- Ninguém vai morrer, KyungSoo. - disse mais alto - Não pense nisso.
- Como não pensarei...? É minha vida... Eu nunca tive medo pois nunca tive nada... - seu tom de voz mudou para um tom choroso - Mas agora tenho você...
- KyungSoo... - respirei fundo para segurar qualquer lágrima - Eu prometo, você não vai morrer. Entendeu?
- C-certo...
- Confia em mim?
- C-confio...
- Então não tem o que temer. - sorri encarando seu rosto, ele sorriu de volta.
- Eu te amo.
- Eu também te amo, para sempre.
Ficamos naquela troa de olhares por longos minutos, logo ele segurou meu rosto e acariciou.
- Já devem ser sete horas, melhor você sair dessa maca. - riu.
- Certo. - ri junto.
Sentei na cadeira ao lado da maca e segurei sua mão, encarando sua aliança. Ele fechou os olhos e suspirou.
- Vai ficar tudo bem. - murmurei e o vi sorrir de volta.
- Vou confiar em você.
Sorri e fechei meus olhos segurando sua mão.

Eu não senti sua mão começar a ficar fria.



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1° de dezembro (9h da manhã) - Chuvoso, 9°C - JongIn POV's



KyungSoo morreu essa manhã.

Ao acordar, sua mão estava fria e seu rosto, branco demais. O corpo estava completamente esbranquiçado, pontos roxos cá ou lá, olhos cerrados, pele murcha, lábios... Seus lindos lábios... Sem cor, porém ele estava sorrindo.
Balancei seu corpo e chamei seu nome inúmeras vezes, deixei que as lágrimas caíssem e comecei a chorar desesperadamente. Peguei sua mão que eu havia segurado e apertei, olhei cada detalhe ver a aliança em seus dedos foi o estopim. Não faziam 24 horas que ele estava usando. Não faziam 24 horas que havíamos feito sexo. Não faziam 24 horas que ele murmurou que me amava. Eu menti que estava tudo bem, que tudo ficaria bem... Senti a maior raiva de minha vida e não podia suportar a dor de agora vê-lo daquela maneira.
Ao entrar no quarto, MinYeon deu um grito, certamente ouvido por todo o hospital ou pelo menos metade dele. Ao ver meu rosto vermelho de tanto chorar, ela não conteve as lágrimas e chamou algum enfermeiro que trouxe um carrinho com aparelhos de choque, as caixas ligadas por um fio ondulado faziam o corpo de KyungSoo levantar, mas não acordar. Meu terror aumentou e, ao perceber, um dos enfermeiros tentou me tirar da sala, mas foram precisos dois enfermeiros para me arrastar dali e mesmo depois eu tentei desesperadamente abrir a porta.
KyungSoo saiu daquela sala na maca, deitado, branco, MinYeon aos prantos me abraçou e ficamos ali na sala de espera do 5° andar, chorando...


Ao chegar em casa, estava tudo escuro. Era um dia escuro e chuvoso, era igual ao dia que o conheci. KyungSoo morreu em um dia chuvoso que refletia sua alma de dois meses atrás, mas as previsões do tempo para amanhã são de sol e calor, talvez chova e se formará um lindo arco-íris. KyungSoo morreu em um dia como ele. Ele está carregando, agora, sua alma pelo mundo, vendo sua vida, se arrependendo ou não... Está longe daqui, agora, não tão longe quanto esteve naqueles dias quando não o vi, porém longe. Já não posso mais o ver e não me conformo com essa ideia, não fez muito tempo e eu me peguei mirando uma faca para o pescoço; tão fácil. Pele fina, tocada inúmeras vezes por meu amor, simples, um deslizar calmo, molhado, quente, cansado, se torna frio, escuro. Pronto. Era simples. Peguei os comprimidos que achei no quarto de KyungSoo eu havia pego para deixa-lo longe daquilo, KyungSoo nunca teve diabetes, os comprimidos não seriam bem usados pelo mesmo, no entanto, agora meu objetivo era o mesmo.
Sobre a mesa; quatro comprimidos de Glimiperida, dois de Metformina, quatro de Indapamida. Separados, organizados, um copo de água ao lado e a faca em minhas mãos. Antes de tudo, toquei meu pescoço, perto das artérias, pressionei e pude sentir meus batimentos, levemente alterados, acelerados, não necessariamente medo. Coloquei, vez por vez, um comprimido na boca, peguei o copo de água e engoli todos de uma vez. Nada, óbvio. Levantei e fui para o meu quarto, deitei e tornei a pressionar as artérias de meus pulsos desta vez, batimento mais baixos, mas eu não sentia nada. Fechei os olhos e deixei os minutos passarem, não estava pensando em nada, eu imaginava que tudo isso não faria diferença e merecia o mínimo de atenção, pois minha família não dá importância para minha existência, meu namorado morreu mais cedo e e não conheço quaisquer pessoas que possa chamar de amigos. Tudo, no fim, latejaria no inferno, queimaria, apodreceria, mas não agora, não coletivamente. Eu queimaria no inferno, sozinho.
Abri os olhos e me obriguei a fecha-los novamente, minha visão estava bem escura e as pálpebras pesadas, não estava ouvindo nada mas podia sentir em minhas têmporas meus batimentos calmos, 9x8 talvez, bem baixa. Senti meu corpo esquentar porem estava suando, eu sabia que os anti-diabéticos diuréticos faziam esse tipo de efeito, a queima de energia é constante para o mantimento do funcionamento sudável dos órgãos e, em crise hipoglicêmica, o corpo suar significa uma queima de energia maior que a quantia de carboidratos armazenada; isso é glicose baixa.
Batimentos baixos, glicose mínima, endorfina sendo produzida à níveis industriais; eu senti um frio leve e a visão escureceu de vez, eu apaguei sem ter dormido e não lembro de absolutamente nada depois.

Ao acordar, tudo claro demais, meu corpo estava dormente e sentia uma dor de cabeça completamente estonteante. Mas eu não estava morto.
Meu braço tinha uma pequena agulha posta atravessando a carne, um liquido levemente amarelado, uma máscara no rosto fazia cócegas no meu nariz e tinha uma tela verde escuro com um gráfico indicando batimentos, meus batimentos.
Uma mulher entrou.
- Sorte sua termos o encontrado. Quando o senhor chegou, sua glicose estava em 21' e a pressão 5x2.
- Sorte?
Ela olhou para baixo.
- Sua crise hipoglicêmica foi artificial, senhor...
- Sim, senhorita. - disse ríspido.
- Desconheço seus motivos, mas eu perdi um amigo meu, fazem dois meses, por um suicídio químico. - ela gaguejou e corou - Por favor... Dê uma chance à sua vida.
Suspirei.
- Eu darei.


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Você prometeu me fazer feliz até o fim, Kim JongIn. Você me disse que ficaria tudo bem. Eu confiei em você e você cumpriu sua promessa. Você me disse que a morte não é o fim e agora eu percebo que você estava certo. Quando nos veremos novamente? Isso é simples. Eu estarei sempre com você, em seus sonhos. Nós moraremos juntos como você quis e eu serei muito feliz. Eu não ficarei triste se você se apaixonar novamente, porque você está vivo pra ser feliz. O dia que você morrer estarei aqui te esperando, o amor que tenho por ti não morreu junto com meu corpo, ele vive em mim, em ti, em nós. Estarei sempre observando seu sorriso e sorrirei junto, pois agora não sinto dor e posso sorrir em paz, ficarei feliz se estiver feliz então, por favor, seja feliz. Aproveite sua vida e faça tudo o que sempre quis, não deixe ninguém te impedir de nada e viva cada dia como o último, foi o que fiz ao seu lado. Aproveite a vida que você tem e, se ela não está boa, torne-a melhor, você é o dono de sua vida, escreva seu destino como se fosse uma folha em branco, onde você pode escrever o que quiser.
Eu gostaria de te ajudar a ser feliz, gostaria de estar ao seu lado, mas meu destino foi roubado de mim, não deixe que o mesmo aconteça contigo. Agora, tudo que posso dizer é...


Adeus.


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