~EXO-G

EXO-G
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Nome: Allen
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Two Of Us


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Two Of Us

Quantas vezes eu ainda posso dizer "Boa Noite" à você, Rick?


Você sabe quando você morre? Você morre quando todos te esquecem. Eu concluí que estou morta.
Você sabe quando vira adulto? Você vira adulto quando souber todas as respostas. Eu concluí que sou uma criança.
Você sabe quando é feliz? Você é feliz à partir do momento que sabe o que a felicidade é para você.
Então eu...


--

Fazia algum tempo que eu sabia que eu não estava fazendo diferença à ninguém. Ninguém apareceu para me dar importância, só tinha eu.
Bom, claro, eu e ele.
Eu li em algum livro que, quando as pessoas se sentem sozinhas demais e desenvolvem algum tipo de reclusão individual, elas criam alguém para lhes amar. Interprete como quiser. Eu apenas queria criar o meu alguém da forma mais apropriada que eu encontrei, com flores e doçura... Mas eu preciso de muito sangue para o criar, não é? Pessoa são cheias de sangue, meu alguém precisa de todo esse sangue. O gato me contou que o mundo foi feito de amor, então, se eu quisesse criar algo, eu deveria criar com todo o meu amor. Eu não sabia o que era amor, então eu não podia criar alguém, foi o que o gato disse. Cheshire já estava me enlouquecendo.


Há muito tempo, minha mãe conheceu meu pai e eles se amaram. Eu fui feita de amor, amor dos meus pais. Nós eramos felizes e morávamos em uma casa no meio da floresta. Mas o amor foi roubado de nós quando minha mãe morreu e tornou tudo sem graça e sem cor. Como eu ainda era uma criança, isso me afetou demais e meu pai, vendo isso, decidiu que não é certo uma garotinha crescer sem uma influência feminina. Ele casou-se novamente, com uma linda mulher de longos cabelos escuros e olhos negros. Eles me fizeram chama-la de mamãe, isso doía, mas fazia papai feliz, então eu o fiz. A mulher dizia que vinha de um lugar onde tinha muito dinheiro e disse que nos ensinaria a viver como pessoas de vida boa. Foi assim que ela gastou todo o nosso dinheiro e não tínhamos dinheiro para mais nada.
Intermináveis noites, fui deitar com fome, porém calada, pois meus pais também não tinham o que comer. Em muitos dias eu sussurrei para o meu pai que voltássemos à ser nós dois. Não é como se eu não amasse a "mamãe", mas ela nos fazia mal.
Eu cresci. Já era uma mocinha. Eu escondia minha fome de meus pais para que eles não ficassem tristes, mas eu me olhava no espelho... "Nossa, eu estou tão magra... Veja só minhas mãos...". Eu e minha mãe decidimos que deveríamos conversar mais, então nós começamos a passear pela floresta. No começo era bom, nós riamos e nos divertimos, eu estava me sentindo muito feliz, mas depois de alguns dias, ela me pedia que esperasse ao chegar em certo ponto, dizia que precisava ver algo em casa e me pedia para esperar ali que logo voltaria. Mas ela nunca voltava. Quando eu chegava em casa, ela dizia: "Oh, Letty, me perdoe, eu esqueci completamente!". Isso aconteceu várias vezes. Mas teve uma vez...
Nós fomos muito longe, eu a vi correr quando me mandou esperar. Ficou escuro, muito escuro, estava um breu e eu não via nada, então eu fechei os olhos e ouvi alguém me chamar.
"Ei, garota..."
Eu abri meus olhos, mas não vi ninguém nem nada, então tornei a fecha-los.
"Quem está aí?" perguntei.
"Me chamo Rick... Huh, eu estou perdido... Será que posso ficara aqui com você?"
"Eu não posso te ver, Rick..."
"Tudo bem, vamos ficar de olhos fechados, assim sentiremos menos medo."
Pela primeira vez em dias, eu sorri.
Nós conversamos por bastante tempo, até que Rick disse que era melhor eu tentar voltar para casa, que estava muito tarde e alguém poderia me fazer mal. Ele me acompanhou até minha casa, mas quando eu finalmente pude ver as luzes de minha casa e pude enxergar algo além da escuridão, ao virar para o lado, percebi que Rick já havia ido embora, talvez estivesse com fome. Quando entrei em casa, estava tudo quieto, meu pai não estava lá, apenas mamãe, lavando algo na pia.
"Cheguei, mamã..."
"Oh, é você de novo! Quantas vezes falei para não andar por aí sozinha?" ela me olhou furiosa "Você sai andando por ruas escuras que você não conhece, assim não consigo me importar com você!"
"M-mas mamãe..."
"Escute, menina. Não tem comida para você aqui, então por que continua voltando? Você só está fazendo o coração de seu pai sofrer."
"E-eu não gosto disso, mamãe..."
Ela suspirou.
"Te darei apenas mais uma chance. Agora vá dormir."
Eu segui para o meu quarto, deitei e fechei os olhos.
Eu queria que minha casa fosse feita de doces, assim todos da minha família teriam uma ótima refeição. Mas doces derretem rápido, acho que não iria funcionar.
Papai nunca me mandaria ficar longe de casa, ele não estava sofrendo por minha causa. Meu pai sofria por causa daquela bruxa, mas eu pouco o via, então não podia falar com ele sobre isso. Caí no sono instantes depois disso.

Na manhã seguinte, quando fui para a cozinha tomar café da manhã, vi meu pai saindo, ele nem me deu tchau, parecia triste.
"O que você quer? Não tem comida para você aqui."
Olhei para a mesa, de fato, nada.
"Mas... Mamãe..."
"Tinha apenas um pão e eu o reparti com seu pai."
"Vocês não deixaram nada para mim? Nem mesmo papai?"
"Letty, vamos dar uma volta?" ela disse fria.
"N-não quero, quero o papai..."
"Me escute, você pode o querer, mas ele não a quer mais." murmurou com raiva "Seu pai não aguenta mais você."
Sem dizer mais nada, ela pegou com força em minha mão e me arrastou floresta a dentro. Não não trocamos uma única palavra pelo caminho, era uma trilha bem diferente, nunca a fizemos e eu pouco conhecia o caminho. Ao chegar em um ponto bem distante, ela me largou ali, no meio do nada.
"Esta é a sua segunda chance, Letty."
Ela me virou de costas e sumiu por algum caminho que eu não vi. Sentei no chão e cobri meu rosto, as lagrimas caíram sem piedade e eu não me importei em fazer qualquer barulho. O dia passava lentamente diante de meus olhos e eu estava completamente sozinha, mas teve um momento, eu senti algo. Virei para trás e vi um gato, um pequeno gatinho preto. Eu iria me aproximar mas o garo virou de costas e uma capa surgiu diante de mim. Em movimentos rápidos, o gato se tornara uma figura adulta coberta com uma capa e um capuz escondia seu rosto, o único vestígio de seu rosto era seu sorriso sádico e seus olhos brilhantes.
- Pequena Alice, eu sei seus sonhos. - ele murmurou com uma voz sorridente.
- Me-meus sonhos?
- Eu sei o que você deseja fazer. E por que não o faz? - ele riu sádico e eu baixei a cabeça.
- Nunca poderia fazer isso com meus pais.
- Vamos, Alice. Eu irei ajuda-la.
- Quem é Alice? Este não é meu nome.
- O que? Não, não, não. Alice é Alice. E é porque eu disse que é. - ele riu de forma estranha.
- Está muito estranho, quem é você?
- Oh, querida Alice, me chame de Cheshire. Eu sou o seu pior pesadelo.
- Você é? Isso explica tudo, estou sonhando, certo.
- Se você diz. O que Alice diz, é o que é.


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