~CatyNews

CatyNews
¢ Little BabyGirl ¢
Nome: Gabriela // Caty // Baymax // Marshmallow // Moranguinho // Pooh // Carinho // Mione // Baloo
Status: Usuário
Sexo: Feminino
Localização: São Bernardo do Campo, São Paulo, Brasil
Aniversário: 21 de Setembro
Idade: 15
Cadastro:

Sweet Doll


Postado

Era uma vez uma boneca pequenina e delicada. Ela era doce como o mais maduro dos morangos, mas, ao mesmo tempo, amarga como o mais repugnante dos limões.
Passava seus dias olhando pela vitrine da loja de brinquedos em que residia quieta e paciente, sempre na mesma posição, com o mesmo sorriso ladino e o mesmo brilho convidativo reverberando nos orbes de avelã. Sua vida resumia-se em ansiar por alguma alma boa que lhe resgatasse daquela monotonia que era ser diariamente admirada, mas nunca almejada por alguém que possuísse verba suficiente para ter-lhe em mãos e lhe oferecer um verdadeiro lar.
E, na calada da noite, quando as luzes se apagavam e o silêncio morno lhe envolvia o corpinho frágil, a boneca chorava.
Chorava pela solidão na qual vivia. Chorava por não ser boa o suficiente para ninguém. Chorava por ser rejeitada por todas as crianças mimadas que, com simples palavras de falsa manha para as mães ingênuas, conseguiam outras bonecas para si. Bonecas maiores, mais divertidas e mais bonitas.
As gotículas salgadas escorriam pela tez achocolatada rumo aos lábios finos que nunca sentiriam o sabor amargo do próprio sofrer, mas que, mesmo assim, tremiam à pressão dos soluços aprisionados em seus pulmões.
Chore doce boneca.
Liberte-se de sua prisão perpétua.
Grite doce boneca,
Para quem quiser ouvir os desabafos de um brinquedo inútil.

Mais um dia, mais rejeições. A rotina já decorada pela mente ágil da pequenina boneca lhe freava as esperanças. Mas dentro de si ainda havia um coração, e, mesmo que muitos não acreditassem ou não vissem, o órgão batia.
Tum, tum.
Tum, tum.

Conforme as estações passavam do lado de fora da loja, dentro tudo permanecia igual, pelo menos para a pequena boneca. A poeira que ninguém se dispunha a retirar acumulava-se sobre si. O vestidinho rosa repleto de babados e rendas que lhe adornava o pequeno corpo curvilíneo já se encontrava imundo e deteriorado em diversos pontos. Suas madeixas escuras e curtas, presas num pequeno rabo de cavalo, estavam puídas e embraçadas... E seus olhos... Ah, seus olhos...
Já não havia esperança.
Já não havia paciência.
Já não havia mais vida.

E seu coração... Ah, seu coração.
O seu ritmo acompanhava as folhas do outono que ululavam pela brisa gelada, rodopiando em espirais graciosas para pousarem no chão de concreto áspero.
Quando o inverno chegou, ele esfriou. A geada violenta que assolava todos aqueles que se dispusessem a sair nas ruas lhe causava arrepios.
Na primavera ele descongelou. Despertou de seu torpor e floresceu mais uma vez. As raízes tornaram-se mais fortes; fixas a anseios antigos, porém ainda ativos.
Mas, no verão, em meio ao calor frenético, foi que ele se desfez.
O plástico que lhe revestia os membros cedeu à pressão.
Derreteu pouco a pouco...
Lenta e tortuosamente.
Seus pedaços ficaram ali, espalhados defronte à vitrine, para que, a partir daquele momento, as pessoas pudessem admirar os restos da doce boneca. Talvez alguém pudesse finalmente enxergar o que ela passara muito tempo tentando demonstrar:
Ela era um bom brinquedo.
Só precisava de um dono que a ela amasse e cuidasse.
Ela era uma linda e doce boneca.
E tinha um coração.
E ele fazia
Tum, tum.
Tum, tum.

Pobre boneca.


Gostou da Jornal? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...