Ajudando a Organizar as Ideias - Parte 2 de 2


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Ajudando a Organizar as Ideias - Parte 2 de 2

Antes de mais nada, esse jornal vai ficar grande, porque eu tinha pensado em dividir em três partes, mas decidi testar a paciência de vocês! Por isso, aqui vão as duas últimas etapas TEMPO e LUGAR


* SEGUNDO PASSO: CONSTRUÇÃO DA HISTÓRIA*
ETAPA DOIS: TEMPO


Isso aqui é outra coisa que você deve ter em mente: em que tempo sua história vai acontecer? Presente, passado ou futuro?Opa... Está começando a ficar mais chato do que já estava não acha? Então vou complicar: é aqui que eu indico pesquisa atrás de pesquisa.
“COMO ASSIM, DONA GABRIELA?”
Calma, calma... Muito fácil!
Vou usar de novo esse romance hipotético entre Vitor e Sofia como exemplo: já notaram que ela trabalha numa clínica odontológica e que o Vitor deixou um bilhete debaixo do celular dela. Isso quer dizer que a história será no presente, mas digamos que eu queira fazer uma história no futuro, daquelas High Tec entende?
Com carros voadores, pílulas que tem gosto de comida, robôs trabalhando quase como se tivessem vida própria, guerras com laser e outras coisas mais!Pra isso, eu teria que pesquisar sobre tecnologia atual, projetos que podem vir a acontecer, o que pode ou não ser possível se a tecnologia continuar assim, projetos em andamento, experiências que hoje parecem impossíveis, mas podem acontecer.
Daí você cria um mundo onde tudo isso é possível, mas com lógica, porque criar coisas sem sentidos é horrível pra quem está lendo e até pra você, que nem vai conseguir se imaginar no próprio mundo. Digo isso, porque não se pode apenas imaginar um lugar, tem que se imaginar vivendo nele, pois outros vão morar ali além de você e esses “outros” são seus leitores!
Tenha muita consideração por ele, ok?
“Nossa Gabi... Só de imaginar já deu dor de cabeça!”. Sério? Então por que não pensa em como seria esse romance no passado, lembrando que passado envolve épocas e épocas, certo? Vamos láááááá para o começo da história da humanidade, sem pensar no Éden ou o que seja, mas pense na Mitologia Grega: deuses, maldições, guerras, traições, mais desgraças e tudo o mais.
Fantástico, não?
Mas é aqui que a pesquisa tem que ser feita com base nos elementos da sua história: quer deuses envolvidos nesse romance? Quais? Afrodite, Atenas, Poseidon e Ares? Ótimo, agora vamos pesquisar quem são e eles são responsáveis no quê, como são conhecidos e quais são seus símbolos.Não só isso, mas pesquisar cidades e ver se ficam próximas, já que tem mapas disso na internet, onde já tem marcado até distância!
A não ser que você deixe seus personagens em uma ilha grega e conte a história dali sem fazer os personagens viajar, daí basta deixar a imaginação flutuar nessa coisa de “brincadeiras dos deuses com os sentimentos dos humanos” e mandar bala!
Olha que fácil!
“Não Gabi, não gosto disso aí!”, não?
Beleza! Então, vamos acelerar o tempo e ir até a Idade Média: castelos, igreja no domínio, bruxas, lutas, torneios, dragões! Isso é que é vida, não? Aqui é legal, porque você só precisa pesquisar costumes, já que nem tudo o que temos na internet sobre essa era é real, a não ser o lugar, que é parte da Europa – a Inglaterra, por assim dizer. Então se lembre do clima frio, veja o que a internet tem pra te oferecer sobre costumes e roupas, daí você cria a história, mas se ainda assim, você não quiser usar a Idade Média, não tem problema!
Avançamos mais um pouco e chegamos ao século XVIII e XVX, tempo da revolução industrial, o começo da era das máquinas, onde temos mudança nos trajes, costumes, jeitos, conquistas de espaços e por aí vai.
Escrever nesse século é como fazer uma escrita Steampunk, mas se tem um estilo difícil de escrever, é esse!Bom... Pelo menos eu acho, já que até pesquisa pra escrever uma história assim, mas se querem exemplos pra sentir o que estou falando, tem os animes Steamboy, D. Gray-Mane Full Metal Alchemist.
Pra quem não curte muito animes, pode assistir aos filmes Van Helsing, A liga Extraordinária, De volta para o Futuro III, João e Maria – Caçadores de Bruxas, Volta ao Mundo em 80 dias: todos são exemplos de Steampunk
Não é isso que você quer, porque já sentiu o drama e achou difícil? Então vamos seguindo até chegar à Primeira Guerra Mundial ou até mesmo na Segunda Guerra, se preferir, tem até a Ditadura aqui no Brasil, os movimentos revolucionários e outras tantas coisas que marcaram o século XX
Mas não sei se você notou que tudo precisa de pesquisa, pois só assim seu texto acaba por ter fundamentação, sentido, gosto para o leitor; pesquisar é deixar seu texto real a ponto de até mesmo você acreditar que aquilo pode um dia surgir ou que já existiu!
Escrever é criar um mundo com palavras: é da tinta, do teclar, do papel, da ideia e da imaginação é que se cria um lugar onde tudo é possível, real, inteiramente vivo. Já leu histórias que as informações foram tantas e tão completas que você sentiu tudo o que aquele personagem sentiu? Então, é isso que você tem que colocar na história: um tempo onde as coisas não se cruzem, a não ser que seja uma sátira, daí sim é entendível que um vampiro ligue do Iphone dele para o Helsing e o mande à merda!
Então, escolham bem o tempo para sua história rolar e pesquise tudo que torne esse mundo real, não pensem “Ah, mas está ficando grande o capítulo” ou até “Acho que não preciso contar como era o café que eles se encontraram pela primeira vez”!
Tamanho, nesse caso, é documento!
Quem não aguenta ler 3.000 palavras, não é um bom leitor, me desculpem!
Concordo que ler pelo PC ou celular cansa muito as vistas, mas há histórias que isso aí é o de menos e dá pra ler tranquilo, até que chega uma parte da história que acabou o capítulo e você pensa: “Como assim acabou aqui? Cadê o resto?”. Quando você sobe tudo na esperança de ter pulado alguma parte, você nota que leu umas 10.000 ou 15.000 palavras, isso se não for mais que isso e não sentiu. Então, deixem de preguiça e aprendam que detalhes sobre TEMPO numa história, nunca é demais!
Localização é tudo, então escolha um TEMPO para sua história confortável para você, mas nunca se esqueça de pesquisar!




ETAPA TRÊS: ESPAÇO


Agora sim a coisa vai pegar fogo de vez!
~adooooooro~
Essa coisa de espaço não é o sideral, ok? Estamos falando de LUGAR em que a história vai acontecer e é aqui que pecamos!
Por que digo isso?
Presta atenção na unnie aqui: muita gente entrou no Social porque gosta de escrever sobre ídolos, principalmente os coreanos, mas não tem base nenhuma pra falar da Coreia, a não ser o que se vê em doramas. Está certo isso? Sim e não. Sim, porque o que vemos ali acontece no presente – dependendo do que você está vendo, já que estou pensando agora na história Heart Strings–, mas não, porque você não conhece nome de lugares.
Quando escrevi minha primeira fanfic, não fiz nada disso que eu estou falando pra vocês, mas com o passar do tempo, tornou complicado até pra mim mesma imaginar as coisas, foi aí que senti o ALERTA VERMELHO de que as coisas estavam caindo o nível.
Até hoje não consigo mais olhar para a minha história e amar como antes, porque hoje eu olho e vejo erros que me fazem pensar “Gente... Meus leitores não falaram nada pra me magoar ou eles também não viram essa porcaria?”. O TEMPO da história está bom e o LUGAR está pré-definido, mas não explicado e mostrado como tem que ser!
Então, pensem bem quando forem escrever sobre um lugar, imaginem vocês nele: só com aquilo que você digitou, é possível que você se veja nele? Dá mesmo pra sentir emoção? Porque tem cenas que só de imaginar o lugar, o coração acelera!
Pensa num encontro entre a Sofia e o Vitor num parque que temos aqui em São Paulo chamado Parque do Carmo – são duzentos hectares de terra com quatro mil árvores de cerejeiras que, quando estão na época, é a coisa mais linda que se pode ver – na Festa das Cerejeiras.
Imagina a cena:

Ali, no meio daquelas altas árvores à direita, o lago pequeno à esquerda e mais pessoas à sua frente caminhando despreocupadas na trilha de terra seca, nada importava para Vitor, que observava cada mínimo detalhe que tinha naquela Sofia. A menina não usava a roupa branca de quando atendia na clínica, mas um vestido leve vermelho; seu cabelo não estava disposto num coque, mas solto com leves cachos se formando na ponta do cabelo.
Assimque viu as barracas de comida, bebida e artesanato dispostos à sua frente, onde muita gente se amontoava para comprar, Vitor não sabia o que a garota queria ver primeiro, pensou até em levá-la para ver as apresentações que tinha perto do lago. Olhou uns segundos, estava perdido em pensamentos, até ouvi-la suspirar e notar que ela olhava para as árvores à sua direita:
— Quer ver mais de perto? — ele perguntou ajeitando a mochila nas costas, onde carregava uma surpresa.
Sofia pegou em sua mão e o puxou correndo morro acima, deixando Vitor numa confusão mental enorme, pois não estava mais assimilando que tinha em suas mãos a garota mais incrível que conhecera naqueles vinte anos de existência.
O vento balançava as árvores que faziam suas delicadas pétalas voarem para todos os lados, Sofia não sabia para onde olhar, sorria como boba por ver de perto o que nunca sonhara em ver.
— Vitor... Elas são muito lindas! Isso tudo aqui é incrível! — comentou enquanto segurava o cabelo do vento e curtia o sol de Agosto.
A menina olhou para o lado e viu o garoto ajeitar uma toalha embaixo de uma cerejeira baixa, mas extremamente carregada:
— Então porque não aprecia assim? — ele disse batendo na longa toalha para a garota se sentar com ele. Sofia assim o fez, suspirando de quando em quando, até tomar a ousadia de deitar no colo do garoto.
Via logo abaixo, outras famílias fazerem o mesmo que eles e via crianças correndo atrás de flores caídas, ouvia ao longe o barulho das apresentações, era possível ver até mesmo um grupo de adolescentes com cosplays, aproveitando a cena para fotos. Porém, para Sofia, nada daquilo se comparava ao que tinha ali.
Estava deitada no colo do garoto mais insistente que conhecera, mas o mais romântico e engraçado, talvez até o mais imbecil; olhou para as árvores de cerejeiras e sorriu. Talvez o clima que elas traziam para o momento fosse aquele mesmo: a sensação de paz, amor, tranquilidade e possibilidade para o impossível acontecer.
E foi ali, no meio de um mar de rosa e uma chuva de pétalas que Sofia fez o que seu coração mandava: deu um beijo em Vitor, a pessoa que ela aprendera a amar.


Claro que a cena não está lá essas coisas, mas dá pra ter uma ideia?
Você situa o leitor na cena e o faz ver o que você vê, por isso aprendia pesquisar mais sobre lugares que eu não conheço; um exemplo bem claro é da história que eu estou escrevendo com a @Little_Doomi! Tivemos que conversar com calma sobre o enredo da história e os lugares que podiam aparecer em Imposição e Inocência.
Tivemos que pesquisar sobre a China, lugares bons e ruins de morar, casas, ruas, costumes, templos, hospitais e se pensa que acabou, eu digo que não: acabamos de pesquisar sobre a China e estamos pesquisando sobre o Canadá.
Tudo pra fazer o leitor se sentir no lugar, fazê-lo ver o que nós vimos durante a pesquisa!
Então vocês podem notar que tudo é pesquisa: entra no Google, pesquisa o que você quer saber sobre o tal lugar e depois, vai ao Google Maps, coloca as coisas via Satélite e vê as ruas. Assim, vocês conseguem descrever o lugar com tanta precisão, que quem ler sua história vai achar que esteve lá!
Mas se o lugar que você está falando é fictício, então crie coisas e descreva, porque descrição nunca é demais. Claro que descrever o musgo na porcaria da pedra enquanto as penas molhadas do pato selvagem que procura sua comida na relva verde como esmeralda não faz sentido – na verdade, nem o exemplo faz sentido!
As descrições que eu digo são aquelas que situamos o leitor no lugar e, arrisco dizer que falar sobre o espaço em si é como dar informações para alguém via telefone. Sabe aquele seu amigo que vai à sua casa pela primeira vez, você está desesperado se ele vai conseguir chegar e você começa a falar com ele sobre os pontos de referência? É isso!
Então pensem bem em como situar o leitor naquele determinado espaço!
Mas se tem uma coisa que eu quero compartilhar com vocês é uma cena: AEROPORTO! Meu Deus, já li cada cena de aeroporto e viagem que eu não culpo a galera, mas acho que pesquisar é bom até mesmo nisso.
Mamãe disse: “Ah Gabi, as meninas escrevem o que elas veem, não o que realmente acontece” e ela está certa, porque eu pensava que viajar de avião era: faz o check in, sua família vai com você até o portão de embarque e você entra no avião, olha na janelinha e dá adeus ao seu país!
Mas não!
Gente, na boa, é tanta burocracia que só faltam mandar a gente tirar a roupa! Sério!
Vou contar pra vocês como foi minha entrada ao avião quando viajei pela primeira vez – detalhe: foi a primeira viagem de avião e internacional, o que muda totalmente a coisa.
Vamos começar com detalhes básicos importantes, ok? Passaporte e visto! Eita coisa que eu não leio nem a pau nas histórias, mas fiquem calmos, vou falar sobre isso agora:
PASSAPORTE: O passaporte é, de acordo com o dicionário Michelis, um “documento de licença pelo qual a autoridade pública permite que alguém, devidamente identificado, tenha livre trânsito dentro do próprio país ou em país estrangeiro”. Isso quer dizer que para fazer esse documento, você precisa responder um formulário disponível no site da Polícia Federal, que vai gerar um boleto chamado GRU (Guia de Recolhimento da União).
Aí você paga esse boleto, guarda o papel, vai até um posto da Polícia Federal tendo os documentos originais necessários – RG, CPF, TÍTULO DE ELEITOR, CARTEIRA DE TRABALHO, CARTEIRA DE MOTORISTA, CERTIDÃO DE CASAMENTO, CERTIDÃO DE NASCIMENTO e por aí vai – mais o tal GRU pago, tira a foto lá mesmo e daí espera por uma semana ou duas até seu passaporte ficar pronto. A moça vai te dizer a data, mas o meu eu lembro que demorou duas semanas e meia.
Tem como tirar passaporte de emergência? Sim, mas há uma série de restrições pra isso! “Como assim Gabi?”, fácil: está escrito no site da Polícia Federal que você só pode tirar passaporte de emergência em caso de “catástrofes naturais; conflitos armados; necessidade de viagem imediata por motivo de saúde do requerente, do seu conjugue ou parente até segundo grau, para proteção do seu patrimônio, por necessidade de trabalho, por motivo de ajuda humanitária” ou outra causa que tenha como provar a sua pressa em ter o passaporte.
Daí você leva seus documentos, o motivo da urgência impresso, o GRU pago e dentro de 24h você recebe seu passaporte, mas devo alertar que só há dois lugares no Brasil que fazem os passaportes emergências: São Paulo (Prédio da Superintendência Regional, na Lapa) e Rio de Janeiro (Posto no Aeroporto Internacional Tom Jobim ou Galeão como é conhecido)!
Isso quer dizer que, para aqueles que não são destas regiões, terão que vir até São Paulo ou Rio de Janeiro para resolver esse problema!
VISTO:de acordo com o dicionário Michelis, é uma “declaração escrita em documento para mostrar que foi visado pela autoridade competente ou para lhe dar autenticidade ou validade”. Isso significa que você tem liberdade dentro de um prazo para visitar o país quantas vezes você quiser e seu dinheiro permitir. O visto americano é valido por dez anos e para tê-lo, você precisa do passaporte pra preencher uns dados online, aí você responde as perguntas, gera um boleto, paga, agenda entrevista, vai no Consulado Americano, responde perguntas aleatórias e espera a resposta.
Se seu visto for aceito, dentro de duas semanas ou um mês, dependendo do tamanho da demanda que eles têm, beleza; mas se seu visto for negado, você tem que ir atrás do Consulado para saber o que deu errado e o que aconteceu. Isso, porque as vezes, eles acham que suas respostas não foram verdadeiras ou não passaram confiança e te acham perigoso para entrar no país.
Aí você pode solicitar outra entrevista até conseguir, mas não se entra com bolsa, nem celular, nem relógio, nem nada eletrônico no Consulado! Meu pai teve que tirar o cinto e colocar dentro de uma sacola transparente e só me deixaram entrar com óculos, porque é de grau, porque nem os escuros podiam!
É fogo essa América!
Mas o visto para a Coreia é assim: se você está indo a turismo ou a trabalho e vai ficar até 90 DIAS, você não precisa de visto!
~solta fogos~
Mas se você vai a estudo, daí tem que levar o atestado de matrícula, seu passaporte, seus documentos e pode ser que, quando chegar lá, ainda te peçam mais coisas, mas sei que o preço da taxa de emissão para 90 dias é de R$ 96,00. É, você precisa pagar pra gerar um comprovante que será apresentado aos polícias e outras autoridades na Coreia!

Até aqui, beleza?
Agora vou narrar como funciona uma partida internacional, assim vocês podem usar isso como apoio!

Cheguei ao aeroporto com três horas de antecedência e daí vocês devem me perguntar “Por que tudo isso?”, e eu digo: viagens internacionais contam com 200 a 250 passageiros, então já pensou quanto tempo demora pra fazer o check in? Eu já tinha feito o meu check in online, mas não consegui imprimir, então precisava arrumar isso aí!
A companhia aérea que eu fui foi a US Airways e a data da minha viagem era para o dia 4 de Maio, mas não me lembro o horário, só sei que foi à noite – acho que as nove da noite. Então, fui até o guichê da companhia, mas estava cheio e a família que foi comigo estava usando o que eu ia.
Foi então que apareceu um dos funcionários da agência, me levou até um totem – que é aquela maquininha de alto atendimento, tipo um Caixa 24h – e disse que me ajudaria; entreguei meus documentos e passaporte e conferi minha poltrona: 29B:minha poltrona era a do corredor depois da asa do avião.
Depois disso, ele me perguntou o que eu ia fazer nos EUA e eu disse “Só a passeio com uns amigos”, foi então que ele imprimiu dois tickets – o famoso Check In que é apenas um jeito de dizer que você está ali – e disse para que eu fosse até o guichê que tinha sido liberado para que minhas malas fossem despachadas.
Meus pais estavam comigo assim como meus tios e avó, eles não me ajudaram, porque diziam que eu tinha que aprender a me virar, mas a real é que eles não estavam acreditando que eu ia mesmo ficar quinze dias longe de casa.
Fui até o guichê, entreguei meu check in para a atendente ver meu voo – US830 140, com destino a Charlotte – e assim, minhas bagagens receberam etiquetas com meu nome, de onde eu vim (GRU – que quer dizer Guarulhos) e para onde eu ia (CLT – que quer dizer Charlotte). Quando saí dali com apenas a bagagem de mão (onde eu tinha colocado uma muda de roupa pra caso minha mala fosse extraviada, meus documentos, meu seguro de vida e minhas coisas de escrever), notei que os dois tickets que eu tinha eram da escala – troca de avião, mas minha tia chama de baldeação, igual em trens – e que se eu perdesse os dois, não sairia de Charlotte para La Guardia em Nova Iorque, eu ficaria presa ali!
Então coloquei os dois dentro do passaporte e fui até minha família, foi então que notei, que o horário já tinha dado e que eu precisava deixá-los e me encaminhar para o portão B de embarque. Quis muito chorar, estava com medo de viajar de avião e ainda mais não ter meus pais; mas não daria esse gosto pra me zoarem depois, certo?
Segurei o choro, fingi que estava super animada e entrei na fila da galera que estava indo para a área de embarque; dei meu check in 1 com destino a Charlotte pra policial e fui para as esteiras.
Ali a coisa ficou bizarra: me deram um treco de plástico que parecia uma forma daqueles bem grandes de bolo, pediram que eu colocasse minha bagagem de mão, meus sapatos, cinto, relógio e que se eu tivesse celular e notebook, que eles fossem tirados da bagagem de mão.
Não tinha nenhum dos dois, porque o celular eu tinha comprado pela internet e chegaria no hotel dentro de uma semana, já meu notebook estava fora de cogitação eu levar! Fiquei descalça, passei pelo detector de metais, peguei minhas coisas, me arrumei de novo e esperei a família que estava comigo passar. Dali, fomos para o portão de embarque, que até a gente achar, demorou um tiquinho, já que os corredores são longos ali em Guarulhos.
Quando nós achamos, vi muita gente estrangeira e brasileira que ia embarcar no mesmo voo e muitos dormiam de qualquer jeito, tinha crianças também e ficamos ali sentados no meio do povão até dar o horário do embarque. A primeira galera que entra no avião trinta minutos antes do voo é a primeira classe, junto com ela, só idosos e deficientes; em seguida, classe executiva e por fim, classe econômica.
Você anda por um corredor “sanfonado” um tanto pequeno, tanto que só cabe duas pessoas lado a lado, daí você vê que está no alto e logo a porta de acesso ao avião. Você dá o seu check in para a aeromoça, ela te diz qual corredor você deve seguir para chegar a sua poltrona.
Daí você guarda sua bagagem de mão no compartimento acima da sua cabeça ou no chão embaixo da sua poltrona, só então você senta, coloca o cinto e se ajeita; a aeromoça fala aquela papagaiada de como agir em caso de pane e blá, blá, blá! Eu só pensava “Se essa merda cair, você é a primeira que entra em pânico e todo mundo morre!”, mas tentei a todo custo pensar positivo porque eu estava com tanto medo, que juro: eu quase chorei querendo sair do avião.
O pânico começa quando você ouve o piloto falando com você e, detalhe básico, todo mundo falava em inglês! Ele disse apenas “Senhores passageiros, este avião tem como destino Charlotte, com voo previsto de dez horas e chegada às oito da manhã: tempo bom em Charlotte, sem previsões de turbulência. Pedimos que coloquem seus cintos e desliguem todos os aparelhos eletrônicos: a US Airways deseja à todos uma boa viagem”.
Enquanto ele ainda está no chão, parece que estamos numa estrada de terra, porque balança muito, mas quando ele sai do chão seu corpo é jogado contra a poltrona e daí vem o friozinho na barriga; depois passa as sensações e você já nem se incomoda mais, porque realmente parece como um carro.
Assim, minha experiência com avião foi tão massa que não vejo a hora de fazer uma viagem internacional de novo! E, só pra saber, por conta da escala que eu fiz em Charlotte, meu voo demorou quatorze horas pra chegar a NY: dez até CLT e mais quatro até NY.
Ah, e descobri que o Avião espera o passageiro em até 15 minutos de atraso, a aeromoça avisa para o aeroporto inteiro ouvir: Senhorita Gabriela Santos, favor comparecer ao portão de embarque para o Voo com destino à Charlotte". Cara, já pensou que vergonha? Então, não se atrasem, ok?


É isso aí!

Espero que eu tenha ajudado, desculpe se ficou grande, mas era necessário conversar um pouco sobre isso e com mais detalhes. Algumas coisas eu deixei passar, porque quero falar sobre isso melhor, com mais calma!
No próximo jornal, vamos falar de estilos de narrativa: como escolher um tema para sua história? Se sentiram dúvidas, não esqueçam: mandem pra mim por MP e vou responder com muito gosto!
Então nos vemos no próximo jornal!
Beijinhos!

Escutando: 4 Minutes - Madonna
Lendo: O Jornal anterior
Assistindo: Girls' Generation World Tour - Girls & Peace
Jogando: Angry Birds
Comendo: Nada ainda, mas pensando
Bebendo: Saliva serve?

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