Desabafo


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Desabafo

Oi galera do bem, tranquilo!


Então... Acho que o título diz o que eu quero falar desse jornal que acaba por se infiltrar no lugar de outro jornal! “Como assim Gabi?”, ora, é fácil: eu ia postar um Jornal falando sobre “Gênero Literário vs. Gênero Textual” só que ultimamente eu tenho visto umas coisas que aumentaram minha revolta com escrita e eu tinha que falar.
Então, não me ignorem só porque decidi postar um “Jornal do Desabafo” enooooorme, é algo que eu não ia postar à toa, por isso tenham um pouquinho de paciência comigo, pode ser? Alguns vão dizer que isso é falta de um macho ou quem sabe de uma dose de sono... Hum... Pode até ser, mas quem aguentar ler, mesmo que seja uma pessoa, eu vou ficar imensamente grata por dar atenção à uma louca como eu!
Bem... Vamos lá!

O Brasil pode ser um país cheio de problemas, com corrupção até o rabo do porco e o bico do corvo, mas uma coisa que eu aprendi é que somos um país abençoado. “Gabi, cala essa boca porque você não vive a realidade de muita gente por aí e você está sendo ignorante por ter uma cama para dormir!” e posso estar agindo assim, mas quando eu falo de “Abençoado” é no sentido territorial.
Vou me basear nos municípios ladeados ao meu e o meu próprio, inclusive.
Os municípios que rodeiam o meu são constituído por pedras e o meu é pantanoso, agora imagem se nosso “Brasil brasileiro” tivesse terremoto? Ia tudo abaixo! São Paulo não ia restar pedra sobre pedra, literalmente! Então... Já imaginou se o Brasil tivesse placas tectônicas ao redor como os países da Ásia, por exemplo?
Meu Deus! Seria um país em estado de alerta constante!
E no meu caso, ao menor sinal de chuva ou esses tornados, tudo seria levado ao chão como areia movediça, já que o solo do meu município é rico em água.
E falando em água, por mais que São Paulo esteja com uma crise foda por conta do crescimento populacional enorme, do mau uso, da falta de cuidado na reutilização e por conta de muitos outros fatores, sem contar os solos áridos presentes no nordeste, o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking dos países latinos com mais água.
“Ah Gabi, mas é nos países latinos! E nos mundiais?”
Continuamos em primeiro lugar:

1. Brasil: 8.233 km3 (O Brasil possui o maior volume de água doce do planeta sendo que 70% dessa água se encontram na Amazônia, o que não era de se espantar, não?)
2. Rússia: 4.493 km3 (A maior parte esta concentrada nas geleiras, mas ainda assim conta pra chuchu)
3. Canadá: 3.300 km3 (Isso também está nas geleiras como na Rússia)
4. EUA: 3.269 km3
5. Indonésia: 2.838 km3
6. China: 2.829,6 km3
7. Colômbia: 2.132 km3
8. Peru: 1.913 km3
9. Índia: 1.907,8 km3
10. Congo: 1.283 km3

Acha isso pouco?
Acha que desempenhar um papel-chave sendo um dos maiores distribuidores de água do mundo juntamente com outros países latinos como Peru e Colombia é pouco?
Isso pra mim é ter uma benção nas mãos!
Fora que produzimos riquezas que o mundo come e bebe sem ter noção que partiu daqui, mas nós, brasileiros, não sabemos apreciar isso porque estamos ocupados demais com problemas políticos que comem nosso bem e vendem o que poderíamos oferecer aos que necessitam!
Somos um país abençoado e rico, belo e propenso ao rumo certo, mas os homens maus levam as laranjas e nos deixam com o bagaço; porém, não podemos reclamar de barriga cheia. Não temos furacões, nem tornados, nem terremotos, nem explosões nucleares e as nossas guerras não são como no Oriente Médio.
Acho que isso é um consolo, não? Uma benção não apreciada que deveria ser olhada, mas não tem como, não é? Temos que olhar coisas mais importantes, não acha? Como, por exemplo, a ênfase que damos ao estrangeiro e isso está presente até mesmo nas histórias, que foi o que me motivou a escrever esse jornal de hoje!
Um dia, estava sem fazer nada em casa – porque estava de férias, óbvio! – e decidi fuçar nas fanfics do Social para ler, mesmo sabendo que eu tenho um monte pendente. Mas sabendo da minha rapidez em ler, precisava já deixar separada outras e fui caçar mais.
O problema é que além de eu ter visto muitos erros em sinopses – que é o que atrai o leitor para o texto e se querem arrumar esse erro, recomendo os Jornais da Tay (Sinopse (Parte 1) e Sinpse (Parte 2)) – vi uma coisa que parece se tornar padrão: os títulos em inglês.
“Na boa Gabi, você está um cu hoje! Primeiro chega falando de benção e agora fala de títulos em inglês? E daí? Você também tem histórias que estão com títulos em inglês!”
Sim, concordo plenamente, mas uma coisa eu tenho que confessar:
Quando eu comecei a escrever fanfics (Minha primeira foi Two Months e a Segunda, continuação da primeira, foi Memories Puzzle), era pra ser só um relato de um sonho louco meu e não uma história, só que a partir do momento que eu quis postar, por mais que eu colocasse títulos em português, parecia que nada me agradava. O som estava me consumindo e eu tinha que achar algo que agradasse aos olhos e aos ouvidos e o título em inglês me agradou muito.
Só que o tempo foi passando, fui pensando na dificuldade que muitas pessoas teriam em pronunciar os nomes das minhas fanfics e foi aí que passei a colocar um subtítulo em português (como Dead Line - Adrenalina por exemplo), porque eu já estava cansada de ter que apelar para o estrangeiro para que minha história tivesse algum brilho nos olhos de algum leitor. Claro que uma ou outra eu tive meus motivos de por em inglês, mas mesmo assim: se está em inglês sem subtítulo em português é porque eu não tinha ideias mesmo ou eu tive um motivo forte!
E foi aí que eu pensei que coisas simples da vida só ganham destaque se estão com nomes estrangeiros, inclusive as histórias não publicadas e fanfics.
Querem ver?

Você vai numa loja e tem bolinhos enfeitados, super lindos que custam R$ 7,50. Qual é a sua reação? “Meu Deus! Eu não pago isso tudo num bolinho que nem custa tudo isso! Fora que um não dá nem pra mim!”
Mas e se eu te vendesse um cupcake pelo mesmo preço? Você compraria? Claro que sim: é um cupcake e se tem nome em inglês é caro e se é caro, vale a pensa e tudo porque está em inglês!
Sentiu?
BOLINHO e CUPCAKE é a mesma coisa: um mini bolinho assado com recheio – ou não – e uma cobertura com pequenos enfeites. Mas se a tia da padaria quiser vender e bombar nas vendas, vai ter que vender cupcakes e não bolinhos.
Entendem como a lei do exterior prevalece aqui?

Fora que eu notei umas coisas nas fanfics alheias e até mesmo nas minhas e em histórias e livros e tudo o mais FEITO NO BRASIL que a história nunca se passa aqui: ela se passa na Coreia, nos Estados Unidos, em Londres, na França, na Alemanha, mas nunca no Brasil.
E a história pode rolar aqui ou no mundo afora: todo mundo fala português!
A cultura do Brasil nessas histórias prevalece: todas as personagens brasileiras, ou mestiças de brasileiras ou mestiças de outras raças, chegam às escolas abafando e chamando a atenção de todos e até dos minos divos, sendo que até o terceiro capítulo (no máximo) elas estão namorando o cara principal que nunca dava bola pra ninguém.
É engraçado como a galera cria as coisas... Não há mulher submissa na Ásia nas histórias como normalmente é ou se ouve falar, assim como todas as personagens são gostosas com peitos e bundas enormes, sendo que o corpo da mulher brasileira é diferente da japonesa, africana, americana, francesa e por aí vai!
Eu tenho uma amiga que mora no Japão e veio ao Brasil pra aprender português, porque ela tinha uma amiga brasileira que morava lá e fez com que ela se apaixonasse pelo nosso país. Ela falou o que incomoda com relação aos nossos costumes gerais ou próprios, mas uma coisa que ela elogiou muito foi à receptividade que temos para com os outros.
Disse que somos carinhosos, afetuosos, respeitamos e ajudamos os estrangeiros os próprios brasileiros que estão com dificuldade para achar uma rua, por exemplo, coisa que ela disse que são poucos japoneses que tem.
Então, eu perguntei como seria se eu, uma brasileira, fosse estudar num colégio japonês.
Ela riu e disse:

— Você ia ter uma dificuldade enorme de adaptação, porque os professores nunca iam facilitar só porque você é estrangeira. Sem contar nos infindáveis bullyings que você ia sofrer dos seus colegas de classe e de outros estudantes também, porque muitos japoneses são preconceituosos e acham que estrangeiros não tem direito de acesso ao ensino japonês.
— Como assim não tem direito?
— eu perguntei super curiosa
— É assim... Os japoneses acham que se você é brasileira tem que estudar num colégio do Brasil, porque você não nasceu no Japão e não pode tirar o direito de um japonês de estudar, porque com você ali, você acaba tomando o lugar de um nativo, entendeu?
— E como são os Bullyings?
— Ah... Os bullyings não são só com estrangeiros, mas com japoneses também porque eu sofri uns quando troquei de colégio, só que nunca arrumei briga e nem me importava, por isso pararam logo. O problema é que com um estrangeiro a coisa é mais séria, porque foi aquilo que eu te falei: eles odeiam que estrangeiros ocupem o lugar de um japonês de nascença. Então o bullying pode ser seu sapato de usar dentro colégio molhado, seus materiais podem estar molhados ou sujos de tinta, você pode receber uma baldada de água gelada quando for ao banheiro, pode ser trancada dentro do armário de vassouras ou no armário das coisas usadas na Educação Física e muitos outros!
— Nossa, e não posso pedir ajuda ao diretor?
— Não, porque ele só permitiu você ali porque você teve direitos legais para o estudo, mas ele também não é favor, então meio que a direção fecha os olhos e finge não ver nem ouvir, assim como os professores. Nem toda a escola é assim, mas as que eu estudei, sim.


Então, vocês entendem como as meninas das histórias não sofrem nada? Isso é engraçado demais!
E uma coisa que eu fico abismada com as histórias são os títulos em inglês assim como os títulos dos capítulos. Problema? Não, mas ainda sou a favor de títulos em português ou um título em inglês e um subtítulo em português, porque assim as pessoas podem se lembrar da história seja em português ou em inglês. (Algo que eu disse logo acima, lembra? Como em Gone - Doce Melodia, entendem?)

Agora, algo que eu acho que fica bem feio pra quem ama o estrangeiro – e pega bem mal, se quer mesmo saber – é traduzir ditos populares e provérbios ao pé da letra! Cara... Isso me mata! Por exemplo, a expressão “Eu te amarei para todo o sempre”, em inglês, é “I Will Love you forever and a Day” (Eu vou te amar para sempre e um dia) e todo mundo acha que fica “I Will Love forever and always”.
“Gabi, não vi diferença”, mas eu sim e vou te explicar: forever and always significa “para sempre e sempre” e não “para todo o sempre”, porque o sempre é o resto dos dias e se existir mais um dia para amar a pessoa, então será um dia a mais na eternidade.
Por isso o “para sempre e um dia”! Viu? Muito simples!
Mas isso não é o problema: o problema é jogar no Google Tradutor e confiar no cara! Ele não tem culpa de não conhecer expressões e vocês não tem culpa de não saber disso, mas procurar e pesquisar são ótimas chaves para se prender seu leitor!
Quer ver outro ditado que mata?
“No amor e na guerra vale tudo!”
Bom... O certo seria “All is fair in Love and War”¸ que em tradução literal seria “Tudo é justo no amor e na Guerra”. Só que eu já vi escrito “In Love and War everything goes” que em tradução literal seria "No amor e na guerra tudo vai".
Está errado? Não, por quê? Porque o Google Tradutor fez o serviço dele de traduzir palavra por palavra da frase – e aplicar pequenas regras de gramática – e é aí que a gente peca. Quer fazer o uso do Tradutor? Vá em frente, mas pesquise antes, porque existem muitos sites que falam de frases de efeito, ditados e expressões em inglês, coisa que o Google Tradutor ainda não tem em demasia!
E é aí que sou a favor de títulos em português: a gente conhece tudo na nossa língua e raramente precisamos usar o dicionário pra saber se aquilo existe, porque conhecemos os provérbios e os ditados! Quando pesquisamos as coisas na nossa própria língua é para saber como se escreve a palavra, porque de resto sabemos tudo.
Então, por que deixar que o estrangeiro leve embora nossa língua que foi criada a partir de índios que tiveram seus bens roubados como sua ingenuidade e capacidade de criação por portugueses e espanhóis dominadores que levaram e desfrutaram das nossas iguarias e ainda a chamaram de “Suas”?
Não podemos nos esquecer que nossa língua teve a influência dos negros que foram tirados de suas terras e vidas para chorar e sangrar em nosso solo, dos japoneses que foram enganados e vieram ao Brasil em busca de nova vida e tudo o que tiveram foram suas vidas roubadas pelas plantações de café.
Nosso Brasil foi criado e crescido com muita dificuldade, muito choro e muita lágrima, nossa história ainda está engatinhando perto de tantas outras, somos ingênuos demais para duvidar dos grandes, porque acreditamos nas pessoas e no futuro da nação.
Mas um dia nós vamos crescer e vamos ser lembrados como o país que ninguém dava valor e hoje é uma grande nação, então por que nós mesmos não damos o valor que ele merece?
Só por causa da corrupção?
Por causa das drogas, bebidas e prostituição?
Pelo ensino fraco que só é sentido quando se está na faculdade?
Por que os preços são absurdos e os salários são baixos?
Por conta da segurança e transporte coletivo precário?
Todos os países do mundo têm problemas, mas não mostram para nós, porque eles querem que a gente veja o bom, o grande e o precioso, não aquilo que podemos julgar de errado. Então, se queremos mostrar que temos amor próprio, devíamos amar pelo menos a nossa língua, que é algo que só a morte tira de nós!
Escrever fanfics com menos erros não é ser chato ou “certinho” e cheio das firulas, é fazer o leitores viajar ser ter que parar e pensar “Caramba, eu falo assim, mas não escrevo desse jeito nos textos que a professora pede, só para os amigos e olhe lá!” ou até “Nossa... Isso está escrito certo?”.
O quê? Acha que os leitores não notam os erros? Lógico que notam! E muito!
Ao longo desse desabafo, você deve ter achado uns errinhos que te fizeram parar pra corrigir mentalmente, agora pensa nas fanfics cheias de vícios e erros? Escrever fanfics que rolem no Brasil com os ídolos amados não é viajar no impossível, mas fazer do impossível uma diversão.
Alguém já imaginou uma história em que um idol vem ao Brasil para uma turnê no Rio de Janeiro, por exemplo, e decide sair por algum momento e se perde, sendo que uma fã louca e totalmente brasileira – vulgo: surtada – o acha?
Cara... Eu ia rir litros na história se a escritora fosse carioca e mostrasse pra mim a cidade dela através dos olhos da personagem principal ou do ídolo!
Entendem o que eu quero dizer?

Vocês se prendem aos estrangeiros e não explora seu estado, seu mundo, o lugar que você conhece! Quer falar da Coreia através do que se vê em dramas e se fode grande, porque nem tudo o que vemos é o que é e isso foi o meu amigo coreano quem disse!
Ele mesmo falou um dia quando discutíamos animadamente sobre lugares que eu via nos doramas:

— Vocês fantasiam demais sobre Seul e aqui não é nada como os Doramas mostram!

Então, se um coreano pensa isso é porque realmente esperamos demais de uma cidade que só tem graça para nós por causa dos ídolos, porque se um grupo como EXO ou Super Junior se mudar da Coreia para a Holanda, a Holanda será nossa Cidade Maravilhosa porque EXO e Super Junior estão lá!
Por isso, parem um pouco com o estrangeirismo que está mudando mais uma vez o nosso país, tirando do nosso vocabulário palavras criadas pelos nossos antepassados e dando espaço aos novos colonizadores.
Vamos pensar um pouco mais em nós e esquecer os termos em inglês!
Tenho certeza que vocês são criativos e podem fazer algo maravilhoso em português mesmo, basta confiar mais e se esforçar. Mas se quiser fazer algo em inglês, pesquise, peça ajuda, só não faça feio!
Ame a benção que é não morrer de frio na neve ou quem sabe de fome, porque temos auxílio aqui no nosso país para isso. Não reclame tanto de barriga cheia, porque tem gente aí que nem reclamar pode porque a boca treme de frio e se abrir, pode dar fome e sede!
Essa benção pode parecer maldição hoje, mas se souber enxergar, pode ter certeza que num futuro não muito distante, pelo menos um pouco ela será valorizada e mudada!
E aos que leram até aqui, obrigada pela paciência e desculpa por tudo, só precisava falar!


Beijos e até o próximo jornal!

Lendo: Scarpetta, de Patricia Cornwell
Bebendo: Água

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