Perdido em meio à escuridão


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Perdido em meio à escuridão

Os dias não me sorriem mais. O sol não tem mais o mesmo brilho que aquecia meus ossos e me motivava a sorrir. As núvens negras tomaram conta do céu. Não conheço mais os caminhos que percorria todos os dias, rostos que via frequentemente tornaram-se estranhos. Não tenho mais desejos, vontades ou motivaçãos para continuar.
O amanhã será melhor, eles dizem, nada dura para sempre, nem mesmo as coisas ruins, tentam explicar-se. Eu já nem sei mais se isso é verdade, quando as mesmas pessoas que dizem isso desabam e se corrompem pelas trevas que tanto tentaram ignorar, não evitar ou enfrentar, pois têm medo de confrontá-las, apenas fingir que as coisas ruins não existem.
O mundo é confuso, obscuro, sombrio... o mundo me assusta. Estou assustado, com medo, estou sozinho nessa jornada dolorosa para um lugar totalmente desconhecido, um vale por entre os montes das sombras. Será um local bom? Onde exista luz? Duvido muito. Se um dia sequer esse lugar possuiu luz, ela já foi extinta a muito tempo, não sobrou nenhum resquício dela.
Enquanto caminhava, com meu peito aberto pelas apunhaladas que recebi das pessoas que pensei que me amavam, das pessoas que eu amava, encontrei um anjo caído nesse planeta imundo, um anjo puro e doce, que havia sido machucado de formas muito piores que eu. Logo me apaixonei por criatura tão perfeita e encantadora, me apaixonei por seu jeito tímido e delicado, sua voz macia e suave, além de sua beleza inestimável. Pensei que o mundo não fosse tão ruim assim, eu estava feliz, realmente feliz, não apenas fingindo felicidade como em todas as outras vezes. Aquela seria minha luz? A que eu deveria seguir para irmos juntos para um lugar realmente bom? Talves fosse... mas por obra das mesmas pessoas que me apunhalaram, fomos separados e obrigados a nunca mais nos encontrarmos.
Perdi minha luz, a única luz em minha vida e novamente caí na escuridão. Enquanto minhas lágrimas de sofrimento rolavam por meu rosto, podia sentir o mundo sorrindo, um sorriso de satisfação pois finalmente meu coração estava quebrado. Meu coração despedaçado e minha mente totalmente perturbada, não entendo mais o que é certo ou errado, e minhas lembranças se dissipam cada vez mais, levando consigo todas as memórias de sentimentos bons, e até mesmo de ruins, deixando meu ser frio, sem reais emoções, sem motivações ou esperanças. Sinto-me morrer por dentro.
Tempos depois chega meu aniversário, data de comemoração, talvés pelas criaturas que me despedaçaram, forçando sorrisos e dizendo que eu era um presente, uma pessoa tão desejada. Pode até ser verdade, eu era um presente, um brinquedo, o desejo de uma criança para brincar, conversar, estravazar sua raiva e até mesmo rancor, depois destruir e jogar no lixo, simplesmente se esquecendo de seu simples boneco. Aniversários para mim não são datas boas, simplesmente são datas para lembrar-me que meu corpo apodrece lentamente enquanto meu coração se corrompe e minha alma cai no esquecimento eterno, de onde nunca mais sairá.
Sem forças mais para escrever, deixo um último registro de meus sórdidos pensamentos, e me preparo para o sono eterno, onde sofrerei com meus piores pesadelos, e nunca serei acordado. Quem sabe alguem dia eu acorde novamente, pode ser que a mesma luz que me salvou inúmeras vezes venha me salvar novamente, ou talves ela esteja em condições piores do que as minhas e precise de uma luz para salvar-se também. Sinto que descobrirei isso em breve.

Escutando: as últimas batidas do meu coração
Lendo: algo confortante
Assistindo: meu sangue escapando de mim
Jogando: o resto da minha vida fora
Comendo: minha alma
Bebendo: a última gota do veneno escarlate

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