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Resenha - O Cavaleiro Inexistente


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Antes de qualquer coisa, preciso avisar que esta resenha pode ficar um pouco maior que o normal simplesmente porque esse livro merece uma reflexão maior.

Ítalo Calvino, autor dessa obra, foi um dos mais importantes escritores italianos do século XX e não é a toa que seus livros são clássicos da literatura.

Minha amiga leu esse livro em particular como um paradidático da escola e, enquanto conversava comigo pelo celular, ela dava tanta risada que eu PRECISEI pedir emprestado. Bastou-me ler a sinopse para saber que amaria:

“Nessa espécie de romance de cavalaria às avessas, Ítalo Calvino põe em marcha toda a sua habilidade construtiva e capacidade alegórica, mas também a sua verve humorística, para contar as aventuras e desventuras de Agilulfo Emo Bertrandino dos Guildiverni e dos Altri de Corbentraz e Sura, o cavaleiro inexistente da corte de Carlos Magno.”


A primeira frase da sinopse, só a primeira, e eu já estava ansiosíssima. Não faz muito tempo que eu estudei Trovadorismo na escola (para os que não sabem, Trovadorismo é um estilo literário que existiu durante a Idade Média no qual se escreviam novelas de cavalaria, histórias sobre heróis, cavaleiros, princesas e romance) e admito que estava muito curiosa para saber como seria um romance de cavalaria às avessas. Minha professora de literatura, para piorar tudo, falou que o autor é incrível e que a história era pura “tirassão de sarro”. Resultado: eu parei a vida para ler o livro em um dia.

Devo admitir que nunca ri tanto lendo um livro antes. Realmente, Ítalo Calvino é um escritor incrível (olha eu dizendo o óbvio :v) e conseguiu pegar um tema clássico como uma novela de cavalaria e distorcer até tornar-se uma comédia engraçadíssima.

O livro trata de Agilulfo Emo Bertrandino dos Guildiverni e dos Altri de Corbentraz e Sura, um cavaleiro que não existe, Rambaldo, um jovem que se inscreve no exército buscando vingança e acaba se apaixonando, Bradamante, uma amazona, também do exercito, que é cobiçada por todos os homens e já provou de vários deles, Gurdulu, um homem que não sabe que existe, Torrismundo e por último, mas não menos importante, a Irmã Teresa, a freira que, para pagar uma penitencia, escreve toda a história.

“Por defender a virgindade de uma donzela, Agilulfo se tornou paladino de Carlos Magno, posição que exerce com seriedade extrema. Mas aquele feito heroico é posto em dúvida. Para comprová-lo, Agilulfo sai em busca de uma virgindade perdida quinze anos atrás, e no caminho viverá aventuras engraçadíssimas (...).”


E o que se passa no livro é basicamente o que diz a sinopse. Agilulfo parte para salvar sua honra, sendo seguido por todos os outros personagens, e, como em toda novela de cavalaria, encontra perigos e desafios pelo caminho.

Digo de novo: a história é engraçadíssima, única e muito criativa. Vale a pena ler, não só porque é um clássico e todos nós temos que ler os clássicos, mas também porque é uma leitura simples e incrivelmente prazerosa.

E agora chegamos à parte onde pensamos um pouco mais. Como todo autor que estudamos na escola, Ítalo Calvino tinha muito a mostrar e dizer por trás de suas histórias e personagens e essa não é exceção.

Assim que comecei a ler, percebi influências do Existencialismo na obra (sim, eu curto filosofia :v). Existencialismo, resumindo, é uma corrente filosófica que acredita que a existência precede a essência, ou seja, o ser humano não é predeterminado: primeiro ele existe e, depois, ele pode construir sua própria vida e caminhos assim como seu caráter – a filosofia abole a ideia de um destino certo (essa é uma das minhas filosofias favoritas, por sinal). Agilulfo, o cavaleiro inexistente, literalmente não existe. Sua armadura branca sempre perfeitamente limpa e polida encontra-se vazia. Por isso mesmo, ele é um personagem perfeito, predeterminado. Tudo o que Agilulfo faz é muito bem pensado e racional, tudo sempre completamente correto, sem interferência de emoções ou outras sensações que possam atrapalha-lo. O cavaleiro, por não existir, não conseguiu criar uma essência só dele, aquela coisa única que cada um de nós tem: ele é apenas um retrato da perfeição, um contexto que todos nós conhecemos e que é imutável.

Gurdulu, por sua vez, é um personagem que não sabe que existe. Por vezes ele se confunde com os objetos e animais e acaba por imita-los, achando que é um deles. Ele é o exemplo vivo do que Agilulfo mais teme: perder a consciência do existir (embora não exista). Gurdulu, diferente de Agilulfo, tem um corpo físico, mas não se dá conta da própria existência e por isso também não pôde criar uma essência, perdendo-se em meio à essência de todas as outras coisas.

Outra personagem que ameio foi a Irmã Teresa que, enquanto escreve o livro como penitencia, conversa com a obra em partes como “Livro, agora você chegou ao fim” e, de forma apaixonada, nos conta como é narrar uma história.

Sem dúvidas, esses três foram os personagens que mais me fascinaram. Mas não são os únicos e Ítalo Calvino conta uma história muito maior do que eu poderia explicar aqui. O autor usa conceitos incríveis e nos faz refletir, entre muitas outras coisas, também sobre nossa própria existência.

Uma leitura de apenas 115 páginas, leve e divertidíssima, cheia de ironia e humor, que nos traz uma capacidade enorme de reflexão, cheia de reviravoltas e com um final que me deixou, literalmente, boquiaberta! Eu me curvo aos pés desse autor e juro solenemente fazer propaganda positiva de suas obras para o resto de minha vida! Porque este livro merece ser lido e relido. E porque todos deveriam ter a chance de aproveitar e se divertir tanto quanto eu aproveitei e me diverti ;)

Lendo: Acabei de terminar O Cavaleiro Inexistente *rindo horrores* :V

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