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Resenha - Terra Sonâmbula


Postado

Esse eu li para a escola. E sinceramente nunca amei tanto uma professora de literatura antes. Principalmente depois desse livro.

Mia Couto, escritor moçambicano nascido em 1955 e que já ganhou o Prémio Nacional de Jornalismo Areosa Pena em 1989, o Grande Prémio da Ficção Narrativa em 1990, o Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos em 1995, o Prémio Vergílio Ferreira em 1999, o Prémio União Latina de Literaturas Românicas em 2007, o Prémio Camões em 2013 e o Neustadt International Prize for Literature em 2014. Eu não esperava pouco dele quando comecei a ler.

O livro de apenas 197 páginas conta a história de Muidinga e Tuahir, um garoto e um idoso que estão seguindo por uma estrada para fugir da guerra interna que assolou a África após o fim da guerra colonial. No caminho, encontram um ônibus carbonizado e cheio de cadáveres dentro. Segundo a cultura africana, deixar os mortos desenterrados pode atrair maus espíritos. Tuahir e Muidinga passam a enterrar os mortos e, então, o garoto encontra uma maleta junto a um dos cadáveres. Dentro dela, uma série de cadernos pertencentes a alguém chamado Kindzu. É nessa parte que a narrativa se divide em duas: uma contando o trajeto de Tuahir e Muidinga e outra, em falshback, contando a história de Kindzu.

Kindzu era um garoto que perdeu todos seus amigos e família e, tomado por grande desespero, decidiu sair em busca dos naparamas (guerreiros que lutavam na guerra) para juntar-se a eles.

Comecei a ler o livro devagar, esperando muito principalmente pelos elogios que minha professora fizera. Não me decepcionei. Logo na primeira página, dou de cara com isto:

“Naquele lugar, a guerra tinha morto a estrada. Pelos caminhos só as hienas se arrastavam, focinhando entre cinzas e poeiras. A paisagem se mestiçara de tristezas nunca vistas, em cores que se pegavam à boca. Eram cores sujas, tão sujas que tinham perdido toda a leveza, esquecidas da ousadia de levantar asas pelo azul. Aqui, o céu se tornara impossível. E os viventes se acostumaram ao chão, em resignada aprendizagem da morte.”


E mais para frente:

“Um velho e um miúdo vão seguindo pela estrada. Andam bambolentos como se caminhar fosse seu único serviço desde que nasceram. Vão para lá de nenhuma parte, dando o vindo por não ido, à espera do adiante. Fogem da guerra, dessa guerra que contaminara toda a sua terra. Vão na ilusão de, mais além, haver um refúgio tranquilo. Avançam descalços, suas vestes têm a mesma cor do caminho. O velho se chama Tuahir. É magro, parece ter perdido toda a substância. O jovem se chama Muidinga.”


Logo no primeiro parágrafo, meu coração parou. E precisei desviar os olhos do livro por alguns segundo para recuperar o fôlego. Tudo isso, só para depois voltar a atenção à página e reler aquilo incansáveis e incansáveis vezes. Fiz o mesmo com essa segunda parte.

Poderia gastar páginas e mais páginas explicando Terra Sonâmbula e detalhando para vocês a escrita incrível e as descrições magnificas desse autor maravilhoso. Mas isso tiraria a graça para quem for ler.

O final é inexplicável. Literalmente. E tive que reler o final e depois reler o começo para finalmente entender mais ou menos e soltar um longo “AAHHHH!!! ESSE CARA É UM GÊNIO!!!” enquanto ria histericamente :v

O meio chega a ser mais inexplicável ainda. A história é repleta de traços da cultura africana e algumas partes chegam a te assustar, te fazer rir de nervoso, não acreditar no que está acontecendo. Até mesmo duvidar da sanidade mental dos personagens e do autor. Tudo vai contribuindo para deixar o leitor mais confuso, envolvido e curioso para, no último parágrafo, dar o golpe final. E é nessa parte que você joga o livro para cima e grita “O QUÊ?!”. E só depois você recobra a calma e acalma a euforia o suficiente para, como eu disse ali em cima, reler o final e reler o começo e finalmente entender o que aconteceu.

Simplesmente incrível.

Uma obra cheia de emoções e que relata a importância dos sonhos e da esperança quando a guerra bate à nossa porta.

Minha professora não podia ter escolhido livro melhor e eu não podia estar indicando livro melhor. Espero que esta tosca resenha que expressa minimamente como me senti lendo essa obra faça vocês se interessarem. Porque vale muito, muito, muito a pena e garanto que todos amarão.

Lendo: Terminei Terra Sonâmbula ... >-<

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