~LiaHyuuga

LiaHyuuga
Little Fickle Girl
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Como é a sensação de não existir?


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Como é a sensação de não existir?

Girei a maçaneta lentamente e adentrei a sala. Não era muito grande, mas tinha cartazes e era toda decorada por desenhos e trabalhos dos alunos. Nem todos os meus novos colegas haviam chegado ainda, e os que já se encontravam no local, me fitaram curiosamente, assim que adentrei o ambiente.

Ruborizei um pouco, porém lancei um sorriso pequeno a eles, seguido de um baixo “Oi”. Eu era nova na escola e era meu primeiro dia de aula, sabia que seria difícil me adaptar e estava um pouco nervosa.

As meninas que pareciam estar conversando, agora me fitavam demoradamente, sem dizer nada, até que eu escolhesse uma classe perto da janela. Em seguida, voltaram ao que estavam fazendo. Havia alguns meninos também, mas não pareceram prestar muita atenção em mim.

Me senti um tanto desconfortável. Será que ninguém me dirigira a palavra por não terem gostado de mim? Respirei fundo, me ajeitando na cadeira e observando a paisagem pela janela.

Assim que os alunos entravam, percebiam a minha presença, porém não ousavam se aproximar. Alguns nem mesmo me notavam, pareciam eufóricos e agitados demais para isso.

Logo que a aula começou, o professor pediu para que eu me levantasse e me apresentasse. Senti minhas mãos suarem mais do que já estavam, porém respirei fundo e me levantei, rapidamente dizendo meu nome e minha idade.

Após isso tornei a me sentar, e a aula começou. Todos desviaram sua atenção para o professor, mas eu ainda tinha esperanças de que, no intervalo, alguém se aproximasse. Esperava que ninguém tivesse impressões erradas sobre mim.

A aula passou rapidamente, e logo já era hora do recreio.

Saí da sala com todos, e cada grupo foi para um lado. Segui umas garotas e sentei com elas, mas percebi que me evitavam o tempo todo. Sem que percebessem, me afastei e procurei outros grupos, para que eu pudesse ser acolhida por algum deles.

Porém, o recreio já havia acabado e eu terminei sozinha. Ninguém ousara aproximar-se.

Pensei que seria só durante o primeiro dia ou a primeira semana, mas nada mudou. Em todos os recreios eu procurava ficar na biblioteca lendo algo, pois ninguém se aproximava de mim. Não sabia o motivo disso, era algo que me entristecia muito. Sempre que eu procurava alguém, a pessoa trocava algumas palavras comigo, porém não tentava uma conversa.

Às vezes, no meio da aula, eu tinha vontade de sair pulando por aí e gritando para todo mundo que eu era divertida como eles, que tinha os mesmos assuntos que eles, mas não podia. Minha timidez me prendia.

Quando precisamos fazer trabalhos em duplas, sempre acabava sobrando e, muitas vezes fazendo a tarefa sozinha, ou com outro aluno que sobrava também.

Chegava na sala todos os dias, sentava sempre no mesmo lugar, e observava todos sentarem juntos e conversarem felizes. Um dia até cheguei a pensar que uma garota me chamaria para sentar com os outros, porém ela só havia pedido que eu fechasse a cortina, já que sentava perto da janela.

Para que nutrir tanta esperança? “Oi, tudo bem?” “Vem aqui com a gente!” “Vamos embora juntos hoje?” Coisas tão simples, mas que me fazem tanta falta...

Não ligo que continue assim. São eles que saem perdendo, por não darem chances de me conhecer. Estou bem assim. Só gostaria de aceitar isso.

...

A timidez para mim não parece algo normal, por mais que as pessoas insistam nisso. Pra mim a timidez parece mais um defeito. Porque você não consegue se incluir, não consegue interagir facilmente, tem medo do que as pessoas podem pensar, medo do que pode acontecer. A timidez é uma máscara. Só que essa máscara não é eficiente, ela afasta as pessoas ao seu redor.

Muitas pessoas me veem como alguém que não se esforça para melhorar. Que sabe que tem essa dificuldade em interagir, mas que não faz nada para isso mudar.

E você não faz ideia de como essas pessoas estão enganadas.

Eu sempre tentei de tudo para evoluir, e realmente progredi muito. Então cheguei à conclusão de que, se você nem ao menos tentar, as coisas não vão se ajeitar sozinhas.

Tente falar com aquela pessoa, vá até ela por si mesmo, descarte possíveis problemas. Ignore seu medo, quando estiver apresentando um trabalho ou falando sobre algo importante. Finja que está em casa, com sua mãe, sua irmã, ou até mesmo sozinho.

Ser tímido não significa que você não quer mudar. Nem que pessoas assim precisam de atenção especial.
Pessoas tímidas são como todas as outras, porém todos insistem em criar rótulos. E não só para pessoas assim.
Quantas pessoas são rotuladas por possuírem outra cor de pele? Por terem outra opção sexual? Por terem outras preferências?

Só que, se você é tímido, os outros pisam em você. Claro que pisam. Você fica pra trás, se torna inferior aos olhos deles. E infelizmente, começo a pensar que, aquilo sobre os mais fortes sempre vencerem, talvez seja verdade. Então não encare a timidez como algo apenas normal. Encare-a como algo normal e prejudicial. É normal porque muitas pessoas são tímidas, e não só você. É prejudicial porque realmente te afeta em muitos quesitos.

Você não precisa mudar radicalmente, nem tentar ser quem não é ou eliminar de vez todo o medo do futuro. Só precisa tentar mudar, aos poucos, sem exigir muito esforço de si mesmo. Se não estiver pronto para isso, vá com calma e relaxe. Tudo tem seu tempo. E só as pessoas que realmente se importam contigo serão suas amigas de verdade e não te abandonarão.

Não viva com peso na consciência. Não culpe a si mesmo nem os outros. Eles só te julgam, e todos nós julgamos uns aos outros. Dói muito se sentir sozinho, mas com um pouco de coragem e esperança, tudo passa.

Mas nunca deixe que te humilhem. Você, assim como muitos outros, é humano, e merece ser respeitado.

Escutando: Unwanted - Avril Lavigne

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