~LiaHyuuga

LiaHyuuga
Little Fickle Girl
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Memórias Azuis


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Memórias Azuis

Sempre que retorno para a antiga casa azul, múltiplos pensamentos me invadem, e eu nunca sei como devo me sentir.

Você logo aparece e me envolve em seus braços, mas a força nunca parece ser o suficiente para sufocar minha dor.

Se nós dois pudéssemos ser quem éramos antes daquilo acontecer... Antes de tantas despedidas abruptas... Seria divertido, não acha? Se pudéssemos parar o tempo.

Os raios solares brincando entre meus dedos, o aroma das tardes vivas e o sabor das histórias recontadas. Os cômodos antigos e alegres, a madeira estralando pelos passos saltitantes e ligeiros, recheados de risos e memórias.

E você lá, passeando pelos cantos, com o olhar distraído. Anotando suas canções em pedaços de papel usados. Me fazendo sentir a melhor pessoa do mundo, apenas com elogios desnecessários e palavras calorosas. Me fazendo rir, com seu jeito desajeitado e suas histórias simples, que tanto me fascinavam.

O fino lençol vermelho das manhãs sonoras, a poeira dos brinquedos alegres e paredes anis. Sombras dançantes e olhares longínquos. O doce êxtase do ocaso e a maré dos sonhos envolventes.

Um brando olhar no céu à noite. Conversas longas e estrelas mornas. Mais uma simples brincadeira, e a chuva já caía lá fora. Mais uma música clássica a fazer tudo dançar pela sala, e a luz se apagava.

Amanhecia.

Sonhos escureciam, lembranças choviam.

Sempre que retorno para a antiga casa azul, meus pensamentos desfalecem, meu âmago se aperta, e eu esqueço de pedir-lhe que faça aquilo de novo.

Esqueço de pedir-lhe que chame-me de novo para procurar constelações. Que faça-me rir com aquelas piadas bobas, e recite de novo os versos infantis que me fazia decorar.

Esqueço de pedir-lhe que pare o tempo.

Você continua o mesmo, mas o que me deixa infeliz, é que não posso dizer o mesmo de mim. Ambos temos plena consciência de que antes tudo era mais simples e belo. Então, por favor, não se esqueça daquela menina curiosa e espontânea que conheceu. Não se arrependa de ter feito o que fez a ela.

Me perdoe por ter crescido. Juro que não era minha intenção. Me perdoe por não rir mais das suas piadas bobas e não me lembrar mais dos seus versos.

Quando vamos escalar as estrelas novamente?

Escutando: Gymnopedie No. 1 - Chopin

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