~LiaHyuuga

LiaHyuuga
Nome: Julia | Lia-chan | Jujuba
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Nova Chance


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Nova Chance

Ele desenhava em seu caderno, rabiscos sem forma, tristes e solenes como sua vida naquele momento. Era como um guardador de lágrimas. Sentado na sacada, ele avistou-a lá em baixo, com aqueles tênis desbotados e aquela pressa de sempre. Ela parecia sempre com pressa.

Largou o caderno no mesmo momento em que a viu, rapidamente correndo escada abaixo, atropelando o irmão mais velho idiota e superprotetor. Tinha que falar com ela. Urgentemente.

Gritou o nome dela e, sem conseguir parar de correr a tempo, ambos caíram no chão. Ela grunhiu e o fitou raivosamente.

- Saia de cima de mim!

- Mas...

- Agora! – levantaram-se e ela tornou a andar apressadamente, como se ignorasse a presença dele

- Eu só queria conversar...

E então ela se pôs a correr. Correu sem descanso, sem olhar pra trás, sem hesitação alguma. E ele a seguiu do mesmo modo.

Correram os dois, até seus pulmões fraquejarem. Ela estava cansada e parou naquele banco da praça, ocasionalmente no mesmo banco em que eles costumavam sentar quando se encontravam. Ao percebê-lo vindo em sua direção, teve vontade de se jogar no chão e pedir para que alguém a tirasse dali de uma vez, já não aguentava mais.

- Escuta... – ele ofegava como se tivesse dado a volta no planeta todo correndo – Eu só queria dizer que estou arrependido... Você vai ter que me escutar agora... – sentou-se ao seu lado e, como ela não tinha mais forças nas pernas, não pôde fazer nada senão continuar ali e se render a ouvi-lo – Eu só queria dizer que... Estou arrependido por ter parado de falar contigo.

- Está arrependido por ter me trocado por outra? E daí? Você acha que eu ligo?

- Eu ainda não tinha percebido... – ele ainda ofegava – O quanto você é importante pra mim...

- E agora percebeu?

- Sim! Por favor, me dê uma chance!
Ela ajeitou-se no banco e fitou suas orbes azuis nas dele.

- Eu te beijei, lembra? Aqui, nesse mesmo lugar. E a partir daquele dia, você passou a andar com aquela garota metida e esnobe. O que queria que eu pensasse? Você pediu um tempo, eu dei. Só não pensava que ele seria desperdiçado fingindo ser o garoto certinho só para que as garotas se apaixonassem por você e te beijassem, para então deixá-las na mão e sair em busca de outras. – fez uma pausa, observando amargamente as lágrimas no rosto dele. Em seguida, aproximou-se de seu rosto, perto do ouvido, para então declarar: – Quer uma chance? Me desculpe. Tarde demais.

Ela então desatou a correr para longe dali, e ele a viu escapar mais uma vez, correndo. Era a última vez que veria os cachos dourados balançarem com o vento.

Seu amor foi perdido, ele não era mais feliz.

Só então percebeu que seu choro havia sido ouvido por alguém. Um ser antes nunca visto, certamente instigante, que agora parara do seu lado no banco e oferecera um copo d’água.

- Está tudo bem? Onde foi que machucou? – ele sentia vontade de dizer que era no coração, mas certamente a menina pensava que havia sido um tombo – Vamos lá, já passou. Sabe andar de skate? – negou com a cabeça assim que viu o objeto referido na mão da garota, para a qual até então não havia olhado diretamente, pois permanecia cabisbaixo – Quer aprender? – assim que mirou os olhos esverdeados, assentiu, corando levemente no rosto
Antes que ela perguntasse qual era seu nome, levantaram-se e ele percebeu que, talvez, ainda pudesse ser feliz.

Depois daquele dia, o caderno – o guardador de lágrimas – no qual ele estava rabiscando horas antes não voltaria a ser usado tão cedo.


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