~LiaHyuuga

LiaHyuuga
Little Fickle Girl
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Recomeço


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Recomeço

Querido diário,

Hoje uma garota se aproximou de mim na escola. Ela dividiu seu sanduíche comigo. Eu agradeci e aceitei, apesar de não estar com muita fome. Bem, ela disse que se chama Ann, e que ninguém na turma gosta dela por ser negra.

Ann e sua família são novos na cidade e ninguém costuma respeitá-los. O irmão dela havia se suicidado na semana passada. Quando quis saber o porquê, ela olhou para baixo e disse: “Brancos...”

Eu disse que ela deveria sentir muita raiva de todos aqui, mas ela simplesmente meneou a cabeça discordando. “Na verdade não sinto raiva. Mamãe disse que nem todas as pessoas brancas são más.”

Convidei minha nova amiga para ficar aqui em casa hoje, mas ao chegarmos, ouvi uns barulhos estrondosos e umas vozes altas do andar de cima. Você já deve saber o que é, amigo. Sim, meus pais brigaram hoje de novo. Eu deveria ter pedido para Ann vir depois.

Entrei em casa correndo e arrisquei me manifestar no meio daquela briga, queria só avisar a eles que tinha vindo com uma amiga. Mas eu mal entrei na cozinha, vi minha mãe atirada ao chão, e ao redor dela uma poça de sangue. Ela gritava e chorava, e meu pai arremessava tudo o que havia de vidro na casa na sua direção. Ele também gritava, mas não mais do que ela.

Normalmente quando eles brigam, eu nunca me dirijo a eles. Passo reto e entro em meu quarto, e lá fico abraçada ao Mouchen, meu amigo de pelúcia, enquanto tapo meus ouvidos, bem forte, e espero tudo na casa ficar em silêncio. Eu costumava chorar antes, mas quanto mais aperto meus ouvidos, menos ouço. Quanto mais abraço minha raposa, mais me sinto confortável. Por isso hoje não choro mais quando isso acontece.

Mas hoje tive de abrir uma exceção. Fiquei horrorizada com aquela cena, e creio que Ann também. Me senti muito mal por tê-la feito ver aquilo. Comecei a gritar e a puxar o braço de papai para que ele parasse, mas ele estava longe de fazê-lo.

Quando os policiais chegaram, levaram minha mãe para o hospital e o meu pai para a delegacia. Eu tinha feito um machucado no braço por causa dos cacos de vidro e Ann falou que estava tudo bem, porque ela já estava acostumada a ver essas coisas. Ela havia ficado o tempo todo tentando me tirar dali, meu pai agia como se não houvesse nos percebido, foi horrível.

Agora estamos no hospital esperando avisarem sobre o estado de minha mãe. A mãe da Ann está aqui. Como eu te levo para todo lugar, e estava com minha mochila quando tudo aconteceu, você veio parar aqui também.

Estou vendo umas moças de branco trazerem algo laranja nas mãos. É Mouchen! As lágrimas estão vindo, vou correr para lá e abraçá-lo.

Não sei por que ele está aqui, e também não sei porque estão apontando para mim e para o orfanato do outro lado da rua. Estão saindo do quarto da minha mãe com uma maca e acho que é ela! Mas não me lembro de os lençóis serem pretos! Querido amigo, acho que preciso terminar de escrever aqui agora, para que eu possa correr até minha raposa e depois perguntar sobre minha mãe! Estou muito ansiosa! Não quero encharcar suas folhas com minhas lágrimas, haha! Até mais, amigo!

De sua, para sempre, Ammy Brown.

Escutando: Somewhere Only We Know - Lily Allen

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