~IbukiKenway

IbukiKenway
Rei dos Semes e Deus do Yaoi
Nome: Jonas
Status: Usuário
Sexo: Masculino
Localização: Nova Iguacu, Rio de Janeiro, Brasil
Aniversário: 15 de Dezembro
Idade: 17
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" A dor é inevitavel. O sofrimento é opcional. "


Postado

Maria Hanson havia terminado de dar sua aula na Escola Real do Saber e juntou seu material, observada por um visitante que havia assistido a sua aula e não se retirara. Estava magra, esquelética, fraca. Nem de longe lembrava aquela professora outrora alegre e simpática de tempos atrás. Isso havia acontecido desde... desde... bom, desde que havia levado um fora do namorado e sido trocada pelo homem da sua vida por alguma prometida nobre que o teria em seus braços em pouco tempo, e nas divagações de Maria Hanson já desde sempre.
Sabe, somente uma garota que já levou um grande fora do namorado no momento em que se considerava dentro de um conto de fadas, e de um conto de fadas dos bons, sabe como é a sensação de ter o mundo ruído aos pés quando ele se interrompe bruscamente, quando a sensação de vida desaparece, quando o estímulo se esvai e a alegria desiste de acompanhá-la, quando a realidade parece inconcebível com o antigo sonho contado.

Imagino que a vontade seja a de enforcar o narrador do conto.

Com Maria Hanson não foi diferente. Comia pouco, quando comia. Falava pouco, quando falava. E chorava muito. Muito. Chorava quando estava sozinha, e quando se recolhia em algum canto à simples menção do nome dele.

E como se dizia o nome dele!

Somente após ele não estar mais na vida dela é que percebeu o quanto o nome de Axel Branford era dito o tempo inteiro naquela cidade. Junto a isso a morte inesperada do pai e você poderá entender o que se tornou a vida para aquela boa garota, hoje, com dezessete anos.

- Como pode um conto de fadas terminar mal, professor? - ela perguntou ao tal visitante que ainda se encontrava na sala. O senhor era Sabino Von Figaro, antigo professor daquele local, o responsável pela indicação de Maria como professora e João como aprendiz de cavaleiro, hoje um dos sete Conselheiros Reais, e dizem que até que em cargos mais altos que este.
- Nenhum conto de fadas termina mal, senhorita Hanson. Se atualmente não está bem, é porque ainda não chegou ao fim.
- Não, o meu conto de fadas terminou.
- Preferiria, pois, não ter amado?

Maria, que mais parecia estar falando sozinha, observou melhor o professor, retornando a mente àquela sala.

- Como?
- Afinal, na vida, é preferível amar e perder ou nunca ter amado?
- É preferivel não sofrer a dor da perda.
- E como se pode amar separado da dor? E como se pode, distanciado da perda, valorizar algo?
- Não tomando conhecimento da injustiça do amor platônico .
- Maria... Maria.. - reparea troca do "senhorita Hanson" pelo primeiro nome.- Como toda jovem, você tem uma vida pela frente e muito a ser aprendido....

Maria apenas o observou, trazendo no olhar a espera por uma conclusão mais objetiva que respeitasse a sua dor.

- Ninguém pode ser considerado totalmente infeliz quando ama. Até amor platônico tem sua beleza.
- Talvez para quem o observe, mas não para quem o sinta.
- Sabe o que lhe traz a dor? Não é a falta, é a presença constante dele no seu pensamento.
- Não posso iludir a ausência da pessoa pensada.
- Talvez...
- Nem posso controlar a escolha dos meus pensamentos.
- Talvez não. Mas pode decidir não se entregar aos sentimentos destrutivos que eles provocam.

Maria suspirou. O irmão, naquele momento, estava ralando que nem um condenado para sustentar a casa e havia matado um homem pela honra da familia. Quando pensava nisso, Maria se sentia mal pelos momentos depressivos provocados por aqueles sentimentos inúteis para sua vida atual, e que pareciam pequenos perto dos atuais sacrifícios do irmão.
Um irmao que havia encontrado o amor da sua vida e provavelmente se casaria com ele em pouco tempo, porque nenhum dos dois pertencia a realidade sociais diferentes.

- Como poderia não me entregar a eles, professor?
- Começando pela distração que relembra à mente que o mundo ainda existe.
- Não posso fugir de mim mesma....
- Nem deve. A senhorita deve se levar para sair, e mostrar a si que a vida continua.

Maria Hanson riu.

- Professor, o senhor às vezes parece um sábio.
- É um outro nome para velho.
- O senhor não é velho, o senhor é... experiente.
- Tambem é outro nome para velho.

Maria voltou a sorrir. Sabino adorou que a garota voltasse a relembrar como era tal expressão.

- A senhorita viu a peça estreará no dia de hoje no Majestade? - Perguntou o professor.
- O Quebra-Nozes?
- Sim, é uma história de amor proibido.
- Não sei se deveria vê-la então.
- Bom, recebi convites, e irei com uma... amiga assistir à peça.

Oh, meu criador, pensou Maria, até mesmo o professor Sabino Von Figaro, com toda sabedoria e experiência, tinha relacionamentos amorosos melhores que ela.

- Fico feliz por você, professor...
- E se não incomodar, gostaria que viesse conosco.

Maria se surpreendeu. E muito. Não conseguia mesmo compreender se havia sentido no que havia escutado.

- Nossa, professor, eu... nem sei o que dizer....
- Convide mais alguém. Chame seu irmão.
- Não, ele não pode. Só tem liberado para descanso o quinto dia. Mas eu poderia chamar Ariane...
- O prazer será meu. Quero apenas que tenha consciência de que é preciso seguir em frente, senhorita Hanson - e Sabino fez uma pausa, prestes a sair da sala. - A dor é inevitavel. O sofrimento é opcional.

E o velho senhor se foi. Mario ficou observando a porta, absorta. Em seus pensamentos, apenas uma única dúvida.

A dor é inevitavel. O sofrimento é opcional.

Será mesmo que, algum dia, algum poeta saberá realmente o que diz?

Escutando: Rebecca Sugar - Love Like You
Lendo: Dragões de Ether vol 2 - Circulos de Chuva

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