~IbukiKenway

IbukiKenway
Rei dos Semes e Deus do Yaoi
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Aniversário: 15 de Dezembro
Idade: 17
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Então... isso quer dizer que... eu tenho valor pra você?


Postado

Maria Hanson havia saído de sua aula particularmente cansada naquele dia.Um bilhete curioso em cima de umamesa, entretanto, lhe deu instruções que lhe tiraram o ar. Porque traziam lembranças poderosas demais para serem esquecidas.

Você... me surpreenderia?

"Na batida do sétimo dia. Na mesma hora. No mesmo lugar." Era isso o que dizia o bilhete, e havia um embrulho ao lado. O embrulho trazia o vestido mais bonito nascido nos sonhos de uma garota. Um lindo vestido de linho na cor amarelo-ouro, tingido com o uso de cera de abelha.

E com sapatos. De cristal.

E lá estava ela, naquele momento, vestida como se fosse a estrela de um grande baile, esperando por algo que lhe parecia apenas um intenso déjà-vu. Havia o sino ao fundo, que ecoava da Catedral; havia o muro em frente ao teatro do Majestade, onde tudo começou. Detalhes intensos valorizados pela alma feminina, muito mais do que a alma masculina jamais será capaz de compreender.

Hoje, você diz?

E então, ao fundo, se aproximou a carruagem. Pelo Criador, a carruagem. Ele havia trazido até mesmo a carruagem.

Um dia.

Dessa vez, porém, não havia burros puxando um barulhento carro coberto de feno. Havia sim uma belíssima carruagem nobre, puxada por dois cavalos. Brancos.

No céu, brilhavam estrelas das quais ela já havia aprendido os nomes.

Nós sonhamos com príncipes e cavalos brancos. Sonhamos em tocar estrelas e, assim como semi-deuses, jamais sermos esquecidas...

Ele vestia um fraque, que o deixava com uma aparência semi-divina. Havia uma máscara em seus olhos. E havia um chapéu nobre em sua cabeça. Mas ela o reconhecia. Ela o reconheceria ainda que lhe tirassem a visão e a deixassem apenas tocar naquele rosto.
Havia uma flor na mão dele, que ele prendeu no cabelo dela.A cena era a repetição de diversas e diversas metáforas e clichês que já haviam sido utilizadas por outros bardos para narrar todas as histórias de amor. Mas era exatamente tudo o que Maria Hanson já havia sonhado. Todo lugar-comum; todos os clichês que uma garota gostaria de ter. Ainda que por uma noite.

- Surpresa? - ele perguntou, e a pergunta gerou um sorriso nele. E quase lágrimas nela.

Assim que você estiver preparada.

Tuhanny riscou o céu, mas não gritou nada. Ao redor dela, estrelas cintilavam como fogos de artifício.

Eu não quero estar preparada. Acho que nunca vou estar preparada. Por isso, eu quero que você me surpreenda...

Áxel a pegou no colo e caminhou com ela nos braços até o banco. Colocou-a sentada e beijou-lhe o rosto. Maria Hanson queria dizer alguma coisa, nem que fosse para agradecer o que ele estava fazendo, mas estava em choque demais até mesmo para se lembrar como se falava a língua altiva.

O príncipe sentou-se ao lado dela, e a carruagem, naquela noite inesquecível, se pôs a andar.

[.......]

Maria Hanson escutou a valsa ao fundo começar a tocar. Estava de pé, e seu vestido transbordava beleza. Ela, também. Naquele momento, bailava com seu príncipe e flutuava em suas mãos. Aquilo não era só um sonho, aquilo era o Reino Prometido de Mantaquim. Aquilo era dividir a essência das fadas. Era ficar diante do Criador e conhecer a Verdade. Ou deitar no colo de semi-deusas e escutar todos os desejos e anseios femininos que elas gostariam de lhe contar.
A orquestra terminou sua música, e os músicos se retiraram do salão como se não existissem. Áxel deixou que ela retirasse a máscara que lhe cobria os olhos, e ela viu que haviafragilidade, e até mesmo um certo temor, nos olhos dele.

Eu sei que vocês acham que nós costumamos ter o total controle neste tipo de situação, e sei que nós até mesmo gostamos de parecer que temos esse controle, mas nem sempre nós podemos nos mostrar tão seguros quanto
parecemos querer demonstrar...


Ele a puxou forte e a beijou de uma forma diferente. De uma forma que nunca havia feito antes. E aquilo foi bom.

E depende do quê, essa insegurança?

Maria Hanson se sentia única. E se sentia pronta. Pronta para ele, para se entregar a ele, se entregar à confiança dele. Antes, Áxel Branford lhe era um mito inalcançável. Agora, apenas pensar em sua vida sem ele lhe trazia dor.

Do valor da outra pessoa.

E era possível ver que, nos olhos dele, o conflito era o mesmo. Mas o que começou a assustar Maria era que as lágrimas que começaram a nascer nas expressões dele eram diferentes. Não eram lágrimas de um homem assustado. Nem de um homem emotivo.

Eram lágrimas de um homem em angústia.

Eu sei. É isso que nos dá o receio...

- Áxel... - ela perguntou com a voz trêmula.

Você tem... receio com relação a mim?

Áxel deixou lágrimas caírem, como se já sentisse a dor que suas palavras causariam.

- Eu amo você.

Ele disse, e o coração dela parou.

Muito.

- Maria, eu quero que saiba que, em toda a minha vida, você será a mulher que tomou meu coração por direito e é a primeira que se apossa de meus pensamentos ao acordar, e é a última imagem que vejo antes de dormir, você consegue...compreender... isso? - era difícil completar frases em meio às lágrimas dele. Maria também chorava, mas dessa vez um choro que temia o que seria dito.

Ela aquiesceu.

- Ficar longe de você, e apenas o pensar em tal estado de afastamento, me é uma violência que perfura as entranhas e me faz desejar nunca ter nascido nobre, nem príncipe.

- Áxel...

- Hoje deveria ser o dia mais feliz da sua vida. E, por isso, o dia mais feliz da minha. Porque o dia em que eu a fizer a mulher mais feliz do mundo... será o dia mais valioso de minha existência. Porque enfim terei sido... o melhor do
mundo... em alguma coisa pela qual realmente vale viver.

Maria Hanson era apenas lágrimas.

- Mas eu não posso fugir... da responsabilidade... que meu Destino exige. Não posso falhar duas vezes com meu irmão. Não posso colocar... a minha felicidade... à frente de uma nação... você compreende... meu amor?

Ela aquiesceu, ainda entre um mar de lágrimas.

- E é por isso que eu não posso continuar a partir daqui. -

Havia um mar também nos olhos dele. - Não seria justo. Não com você. Não com você...

- Áxel... por que você está... Ele apertou os olhos e espremeu as últimas lágrimas antes de dizer:

- Eu tenho uma noiva prometida. E é hora de eu encontrá-la...

Maria Hanson sentiu o mundo girar diferente, girar mais lento. O estômago inteiro quis pular para fora da boca, e o lado de dentro do peito doeu. Ela queria falar alguma coisa, mas, diante do que estava sentindo, sabia que só conseguiria gaguejar grunhidos ou vomitar de nervoso. Na escala de estresse, aquela sensação de término amoroso só ficava atrás do choque provocado pela morte de um parente ou de um anúncio de prisão.

Seu reflexo foi então limpar as lágrimas e correr. Correr para longe dele. Correr na direção da carruagem, antes que ela se tornasse uma abóbora. Correr na direção de casa, na direção da vida que sempre tivera. Da maldita vida que sempre tivera e que lhe parecia boa, antes de conhecer aquela. Correr de volta ao concreto, ao invés do abstrato. À realidade, ao invés do sonho.

Áxel não correu atrás dela. Sabia que não deveria correr atrás dela. Muralha a levaria para casa, enquanto ele ficaria solitário diante de estrelas que mal se lembrava quais eram. E então, entre lágrimas e frustrações, ele arrancou a própria gravata-borboleta e caminhou com passos pesados na direção da escadaria que dava acesso àquele salão. Percebeu que havia algo no décimo terceiro degrau e foi até lá apanhá-lo.

Era um dos sapatos de cristal de Maria Hanson.

Então... isso quer dizer que... eu tenho valor pra você?

No alto, a Estrela de Blake parecia ter se apagado de vez naquela noite inesquecível.


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