Pensamento do dia ~ Quem quer ser escritor? (referência *cof*)


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Tirei o dia hoje para tentar adiantar alguma parte das histórias que comecei. Não adiantei tanto quanto queria, mas pelo menos a parte que eu mais estava travada, consegui dar um jeito. Depois tirei uns minutos de folga para vagar no facebook e vi uma treta ocorrendo na página de uma editora.

Como sabemos, atualmente o cenário econômico tá complicado pra todo mundo. A pressão pra gente que tá na base da pirâmide etária é muito maior, não podemos fazer o que queremos, devemos fazer algo que dá dinheiro, porque precisamos ser economicamente ativos logo pra sustentar o topo da pirâmide, enfim, papos que a gente ouve sempre por aí. Não estavam brincando quando diziam que os jovens são o futuro da nação.

Claro, pelo visto só somos o futuro da nação quando as crises chegam, porque até lá, ninguém sequer se lembra direito que existimos.

Anyway, voltando ao foco. A crise chegou, e com ela, atingiu também as editoras. O material publicável por editoras tradicionais está ficando cada vez mais escasso, falta de material bom, talvez? Ou falta de pessoas pra enviar o material? O problema é que com essa obrigação de sustentar o país nas costas, não estamos podendo recusar emprego, independente de ser ou não algo que gostamos ou queremos.

Queremos qualquer quantia de dinheiro só para ajudar em casa, ou para sair de casa, não importa. O futuro da nação está sufocando os sonhos por qualquer oportunidade que surja, eu inclusive. Claro, não vou dizer que isso é errado, seria hipocrisia. Mas o ponto da coisa aqui é reflexão.

1 - YOUTUBERS

O que tem feito mais sucesso entre a base da pirâmide recentemente? Jogos online, jogos otome, desenhos, histórias.

O que todas elas possuem em comum?

Não é engenharia, não é medicina, não é direito.

Atualmente todas essas áreas que o povo se mata de estudar pra passar estão SATURADAS. Ou você enlouquece tentando passar, dá na mesma.

Mas o que todos aqueles pontos que disse lá em cima tem em comum? É ARTE.

Hoje em dia na crise, o que está mais dando dinheiro é sua arte. Se você sabe desenhar, sua chances de ganhar uma grana são maiores. Se você é viciado em jogos online e tem um pc potente e tempo ocioso, pode ficar rico ganhando um campeonato de LOL. Se você tem milhões de inscritos, pode escrever um livro contando sobre sua longa vida (sei lá, 23 anos?) que ainda assim o pessoal vai comprar.

Como o poder de compra das pessoas diminuiu nos últimos anos, as editoras diminuíram as porcentagens de lucro nas vendas porque o mercado literário tá meio apertado. Claro, na contenção de gastos, o que é supérfluo é cortado primeiro, então você já recebe quase um soco na cara quando quer comprar um livro.

O que tem sustentado o mercado literário nos últimos anos? Youtubers. Os livros deles alavancados por milhões de inscritos deram um fôlego para as editoras passarem por esse momento conturbado, então, agradeça a eles se no futuro a editora aceitar seu manuscrito, afinal, a verba usada pra produzí-lo virá dos livros dos youtubers que estão bombando agora.

Deixando claro, não sou apoiadora desse tipo de livro, mas olhando por essa lógica estratégica, espero que eles continuem vendendo muito, quanto mais eles vendem, mais grana as editoras grandes ganham e mais chances nós temos de publicar algo no futuro.

Agora vamos falar de algo importante:

2 - EDITORAS

Existem dois tipos de editoras, as tradicionais e as - informalmente falando - gráficas.

A primeira não cobra nada para publicar seu livro, mas em compensação, o manuscrito precisa passar por um crivo altamente rígido para ser digno de ser publicado. (o que me faz pensar como deve ter sido o método que eles usaram para publicar os livros de alguns youtubers, mas ok) Ela vive de PROMOVER/COMERCIALIZAR seu livro, então por isso você não precisa bancar os custos.

A segunda, ela meio que VENDE o serviço dela pra você. Qual o servico que ela te vende? Imprimir seu livro, só isso. Ou seja, ela te cobra para produzir exemplares do seu livro. O que significa que o resto ela não necessariamente fará o resto, como promovê-lo ou vendê-lo. Ela te cobra x reais para imprimir x exemplares, e você os vende. Claro, há editoras desse tipo que participam de bienais, eventos e tal, mas são bem raras.

+ Importante ressaltar que o valor que tanto uma, quanto outra te repassam de direitos autorais é bem "marromeno".

Qual é meu ponto aqui? É esse comentário que vi na página de uma editora, que cobrava taxa de inscrição de 300 pilas para autores que quisessem concorrer a uma vaga numa antologia:

"A verdade é que ninguém aqui quer ser escritor. Se quisesse, pegava esses 300 reais e ia fazer um curso do Fábio Fernandes, uma oficina do Rodrigo van Kampen, outros tantos cursos onlines ou presenciais que tem por aí."

Vamos analisar na ótica dos cursos presenciais:

1 - Você mora em um estado do Nordeste/Norte/Centro-oeste.
2 - O preço da passagem de ônibus/avião é um absurdo. Se não é caro, você praticamente chega no outro estado praticamente arrebentado por conta das escalas.
3 - Ainda há os custos da hospedagem e locomoção.
4 - Ainda há os custos de inscrição dos cursos, que são praticamente o preço da passagem que você pagou para ir.

Ou seja, NUNCA alguém consegue fazer um curso desses por apenas 300 reais, se não mora no mesmo estado que os caras.

Agora analisemos pela ótica dos onlines.

1 - Dependendo do estado/bairro, a internet é uma droga.
2 - Grande parte desses cursos online possuem horário marcado para horários que você não pode ver por motivos diversos, se você não tiver dinheiro para comprar o pacote vip pra poder dar replay nas palestras, não adianta nada se inscrever. Falo por experiência própria.
3 - Você pode até ter o dinheiro pra comprar, mas aí entra o custo de oportunidade. Você tava guardando esse dinheiro pra algo x, tipo sua poupança, aí entra o dilema. Se você comprar o pacote vip/fizer inscrição pro tal curso, lá na frente talvez você sinta falta dessa grana numa situação mais grave. E o custo de oportunidade de ver o tal congresso foi justamente o aperto que você vai passar futuramente.
4 - Aí você prefere esperar a próxima vez quando vai ter mais dinheiro pra pagar. E aí descobre que no ano seguinte eles não fornecerão mais o curso, ou só o farão presencial. Que legal =)

Ou seja, ser escritor é um sacrifício, não importa de qual ótica você olhe. Se você não nasceu num lugar favorecido por esse tipo de eventos, o sacrifício é maior ainda porque além de matar um leão por dia, você precisará se virar em novecentos para conseguir juntar dinheiro, arcar com as consequências das suas escolhas e se preparar pra levar muito NÃO. (esta última, óbvio, é uma matriz comum pra todo escritor iniciante, independente da região que mora. Mas sabemos muito bem que para algumas regiões é infinitamente mais fácil)

A moça que comentou isso na página foi bem infeliz nas suas colocações. Para ela é fácil, afinal não nasceu do outro lado do país. Queremos ser escritores sim, mas alguns por motivos diferentes dos outros. Todos podem ser escritores, mesmo que haja caminhos/editoras diferentes para chegar a esse fim.

Não adianta você bater no peito e reclamar das "vanity press" que as editoras gráficas promovem, se a sua própria editora tradicional não faz nada para promover a profissão, ou ajudar na capacitação de quem quer se tornar um escritor.

Querem que sejamos empreendedores, mas criatividade para ser empreendedor nesse país custa dinheiro. Antes de generalizar as coisas baseadas no seu espaço de convivência, analise a big picture e veja que não é assim que o mundo funciona.

Deveria funcionar. Mas NÃO funciona.

A conclusão que tiro disso tudo: Publicar em portais ainda continua sendo a alternativa mais viável, mesmo você correndo o risco de ser plagiado e coisa do tipo, ou de não receber nenhum feedback.


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