~NanaMaia

NanaMaia
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Nome: Mariana
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Moço, ninguém é de ferro.


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Moço, ninguém é de ferro.

- Moça, sai da sacada, você é muito nova pra brincar de morrer!

Escutei alguém dizer, isso em sua voz era sarcasmo? Na verdade, não importa, ele repetia algumas coisas, sobre a vida e a morte, e um café, o que me deixava irritada e desconcentrada. Queria pular, mas precisava de atenção para meus últimos momentos, visualizar meus últimos anos de vida e chorar um pouco, apenas para ficar mais leve durante a queda, talvez com todos esses problemas e sentimentos dolorosos, ficasse muito pesado, e então doeria muito, e eu não quero mais sentir dor.

Lembrei de um certo alguém, que nunca me amou de verdade, era estranho lembrar que um dia acreditei no tal amor, principalmente nessa coisa de a "pessoa certa", afinal, o que diabos é a pessoa certa? Isso não existe, lá no fundo todos são um pouco errados, apenas humanos obesos de maldade e egoísmo, ironicamente, a própria destruição da humanidade, era inaceitável viver sabendo que eu também sou assim.

" - Eu queria ser seu motivo... - Falei. - De qualquer coisa sabe? De sua fuga, de sua volta, de seus sonhos ou pesadelos, dos suspiros debaixo da coberta, das dores de cabeças e frustrações, do ódio, dos feriados perdendo pra saudade. Qualquer coisa, mas que me fizesse morar em alguma parte sua."

E então meus pais, sempre me amaram com todas as forças, mas fui deixada pelo tempo, quase como aqueles brinquedos que imploramos para ter e alguns dias depois eles vão para o baú empoeirado, isso doía aqui no fundo, apesar de eu sempre dizer que era bom, pois teria mais liberdade. Mentira! Uma grande e cabeluda mentira, apenas para disfarçar as lágrimas que me recusava a deixar a mostra para outros.

Logo em seguida lembrei de meus amigos, eu com certeza sentiria falta deles também, sempre ficaram do meu lado, sem me deixar sozinha em um mínimo momento - ou tentaram - mas acho que eles se cansaram, eu me cansei, ficar ao lado de alguém que se arrasta pelos cantos, e chora a todos os momentos, é irritante, eu se quer me aguento mais, quanto mais eles? Eu ordenava que todos me entendessem, que soubessem como eu me sentia, o quão ridícula eu estava sendo? Eu mesma não consigo me entender, como posso cobrar isso dos outros?

E então lembrei de meus problemas com o mundo e comigo mesma, eu sempre estive sozinha aqui dentro, em meu coração vazio, um enorme buraco negro, onde eu me escondia do resto dos seres humanos, mas um dia eu me perdi em meu próprio país obscuro, e não conseguia achar o caminho de volta, acabei presa nesse circulo imaginário, no qual eu girava infinitas vezes, até ficar tonta.

Sabe, perdoar eu perdoo, perdoo porque um dia já precisei de perdão, e iria precisar de muitos ao longo da vida, nós seres humanos somos suscetíveis ao erro. Como assim se pisar fora da linha não presta? Mas nós pisamos fora da linha o tempo todo! Seria muita hipocrisia minha descartar alguém no primeiro erro cometido. Então eu perdoou, mas sabe? Depois de um tempo, a gente cansa, e perdoar se torna um pouco mais complicado.

Olhei para baixo e fechei os olhos, deixando uma última lágrima escorregar pela minha bochecha, dando tempo de escutar o homem que falava a um tempo.

- Moça, não olha pra baixo, aí é muito alto pra você se jogar!

Sorri, e o olhei com pena, não de mim, mas dele, por continuar vivendo nesse mundo podre e sendo um humano podre, pois ele está condenado ao sofrimento.

- Moço, ninguém é de ferro, somos programados para cair.

Escutando: Supercombo - Amianto
Lendo: Nadinha
Assistindo: O clipe da música
Jogando: Nada
Comendo: Coca zero
Bebendo: hamburguer

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