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Como a escrita alivia o peso de minha alma


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Como a escrita alivia o peso de minha alma

Há alguns minutos eu estava vomitando angustias sobre meu corpo, deixando-o marcado com cortes rasos, mas doloridos, implorando que a dor passasse. Entretanto, se eu estivesse lidando com essa crise de ansiedade no ano passado, provavelmente eu já estaria morta.
Eu tenho depressão, a mais aguda possível que você possa imaginar. Tenho que lidar com o desafio de controlar minha mente, que a qualquer momento está preste a explodir. É como se meu cérebro fosse uma bomba, capaz de explodir meu corpo e todas as pessoas ao meu redor. Sim, eles sabem que sou uma bomba e que a qualquer momento posso partir.
Mas durante a vida conhecemos pessoas que nos ajudam a aliviar um pouco esse fardo que carregamos na costas, chamado vida e derivados (os bons e os ruins). Essas pessoas são colocadas quase que como uma pedra em nosso sapato, mas aquelas bem pontudas, que olhamos e pensamos “caralho, essa pedra tá querendo me machucar”. Talvez essa pessoa queira mesmo te machucar, igual essa pedra, mas pense bem, todo mundo vai te machucar, isso é inevitável, só que com esse machucado você pode tirar uma lição boa.
Foi isso o que aconteceu com minha psicóloga. Ela era bem irritante, confesso. Eu tinha que acordar toda quarta-feira às oito da manhã, só pra ver a dondoca e contar meus problemas. Eu nem tinha acordado direito e ela já queria ouvir minhas angustias, e eu apenas jogava palavras ao vento, tentando me aliviar de pensamentos ansiosos e suicidas.
Em uma sessão ela reparou no meu braço, mais precisamente em meu antebraço repleto de cortes. A profissional ficou visualmente intrigada. “Por que se machuca tanto”? perguntou baixinho, como se estivesse falando com o monstro dentro de mim. “Por que eu não gosto de mim”. “E não há outra forma de você descontar?” “Em meu corpo não”, respondi ríspida, pois odiava que falassem de meus cortes. Eles eram só meus, minha dor não merecia ser partilhada.
Ela levantou-se da poltrona, nesse momento eu pensei que receberia um abraço, mas não, deu uma curta caminhada até a sala ao lado e trouxe um pequeno caderno e uma caneta. Estendeu o objeto em questão e gentilmente pediu para que eu escrevesse quando sentisse vontade de me cortar. Eu, desacreditada, peguei o caderno e coloquei em minha mochila.
Durante alguns dias eu me cortei, confesso. Mas então uma amiga – muito próxima por sinal – pediu para que eu desabafasse por meio da escrita. Eu sempre fui louca por esse lance de “sinal”, pois acredito que nada é por acaso. Então concluí que realmente, eu deveria escrever meus sentimentos naquele caderno.
Eu tinha 20 anos e não sabia o que escrever. Ok, eu sou uma jornalista, e devo saber escrever. Tinha também os pensamentos bagunçados, mas como escrever? Como dizer para aquele pedaço de papel tudo o que afligia a adolescente de pouca idade que queria sumir de um mundo que mal conhecia? Meu primeiro rabisco foi “Quero morrer”. E disso surgiu um poema (o qual eu queimei em um surto da madrugada) o primeiro poema que eu havia feito.
Em três semanas aquele caderno estava preenchido. Levei de volta para a psicóloga e ela prometeu ler tudo o que eu havia escrito, mas eu sei que ela não aguentou engolir todas aquelas palavras desesperadas implorando que alguém tirasse minha vida. Nós conversamos na sessão sobre essa angustia, mas era demais pra mim, eu não poderia continuar resmungando pensamentos tão sombrios para aquela senhora simpática que tentava me animar com mensagens positivas.
Mas a ideia do caderno ficou em mim. Eu escrevia há muito tempo, acredito que criei meu blog aos 14 anos e sempre atualizava com textos e histórias. As pessoas diziam que me viam naqueles textos, mas mal sabia que eu mascarava com os personagens que vivem em minha mente, deixando apenas uma pequena parte de mim em cada um deles.
O lance do caderno me libertou. Sim, a escrita me libertou. Não interessa se meus textos são grotescos, sombrios e gritantes, as palavras me salvaram. Era como se meu monstro fosse transferido para o papel e parte de mim ficasse livre das coisas ruins.
Quero dizer, por hora.
A escrita não vai melhorar a tua vida 100%, o que eu quero dizer é que você vai arrancar as garras que te prendem nesta escuridão e nesse desafio que é lidar consigo mesmo. Não, eu não parei de me cortar, às vezes o surto é grande demais e eu –infelizmente- escrevo na minha pele com o sangue que pinga de minhas veias. E eu não acho isso certo.
Só quero que você saiba: a escrita sempre vai estar a sua disposição. Não precisa de um papel e uma caneta, só rabisque o que pode... Até mesmo o ar, quem sabe. Se você procura uma amiga inseparável vá até a escrita, ela jamais vai te trair, porque ninguém trai a si mesmo, pelo menos não quando as palavras seguram em teu pulso e te guiam no desabafo.

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Escutando: Jenny - Studio Killers

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