Cigarros, músicas e crianças


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My legs are degling of the edge
The bottom of the bottle is my only friend
I think I'll slit my wrists again and
I'll gone, gone, gone...
My legs are degling of the edge
A stomach full the pills didn't work began
I'll put a gun in my head and
I'll gone, gone, gone...


Horas sentado, revivendo um passado que eu devia ter esquecido há muito tempo. Violão em minhas mãos, uma mente livre pra imaginar e sem nada para fazer. Não mudou muita coisa você estando aqui ou não, ainda consigo ver um futuro sem rumo, nublado e inútil.

Eu vejo meu pai, vejo Angie, também vejo você. E enquanto isso, as notas fluem dos meus dedos para a corda do violão, enchendo a casa tão quieta e morta com mais emoção. Palavras de incentivo, frases de ódio, tantas coisas rodando e rodando.

Meu pai dizia: "Esqueça essa coisa de vagabundo e vá estudar. Ficar cantando não vai garantir nada para você". Talvez fosse por isso que nunca nos demos muito bem e o motivo de eu ter fugido de casa, abandonado a escola e me dedicado mais para...

Para porra nenhuma, como sempre, na visão dele. Meu dia foi resumido em ficar horas no violão, trabalhar de meio período em alguns bicos e ser uma babá de uma criança, filha de um militar. Não parece ser a melhor das coisas, mas era o suficiente. Porque eu tinha pessoas que me apoiavam ali.

Mas então, você foi se afastando. Eu fui perdendo você dia após dia para um cara que parecia ser melhor que eu em tudo. Era mais forte, sabia chegar direito em você, era mais inteligente e sabia te agradar; ele conseguiu ser mais importante que eu para você em um mês, Libby, a porra de um mês.

Eu te conhecia desde criança, você o conhecia não fazia nem um ano. Eu era seu melhor amigo, ele era um completo estranho. Eu estava sempre ao seu lado, ele aparecia de vez em quando. Eu sabia o que você queria ser quando crescesse, eu duvido que ele se lembre.

Eu te amei de verdade e ele não. Ainda acho que te amo, Libby.


Não importa mais, você o escolheu não importasse o quê. Eu também fui um idiota, não tentei lutar ou algo do tipo; se você queria tanto, eu não ia ficar bancando o ciumento. Imagina minha situação: alguém normal competir com alguém que faz explodir chamas quando quisesse.

O som melancólico enche a casa, posso escutar o eco da música chocar na parede e depois voltar para o local de origem num modo acústico. Eu às vezes acho que eu ouço sua voz quando estou sozinho, dizendo:

"Arc tira esse cigarro da boca! Quer morrer com esse veneno aí?"

Nesse momento, eu digo que eu quero sim morrer. Eu já passei da minha quantia normal de cigarro, quem sabe eu não tenho logo um câncer maligno. Cigarro, vodka e tequila; vamos logo terminar de foder a vida. Eu passei de viciado em nicotina para alcoólatra em duas horas, Libby.



Por culpa sua. Não, não foi sua culpa, a culpa foi dele. Sempre foi dele. Se ele nunca tivesse aparecido, aquele filho de uma puta não teria feito aquilo com você. "Eu vou te proteger", vai se foder. Ela morreu por sua culpa, toda a culpa está em suas mãos, Kazuo. Você não se importa, afinal é um demônio.

Eu estava cuidando da Angie quando recebi a notícia. Um telefone da polícia, as palavras duras dizendo: "Sua amiga morreu durante o estupro". Eu quis morrer, quis matar quem fez aquilo e quis morrer de novo. Eu desabei. Eu não conseguia sentir mais meu coração, nem minhas pernas ou a minha voz.

Eu tinha perdido minha melhor amiga, minha irmã de infância e quem eu tinha um amor platônico para sempre. Isolei-me do mundo por algumas semanas, eu acho que destruí meu fígado e ainda não descobri de tanta bebida que tomei. De tanto remédio para conseguir dormir.

A Angie era muito nova na época, não tinha como contar para uma criança que a babá dela passou para uma melhor. Era doloroso ver a garotinha esperar Libby chegar de um lugar que nunca ia poder sair; do paraíso. Era melhor assim, é mais fácil ignorar do que esquecer.

Eu planejei seu enterro. Foi gente que eu nunca vi na minha vida... Mas, curioso, eu não vi Kazuo ir. Que bom que ele não foi, eu provavelmente ia dar um murro na cara dele se eu o visse. Mas eu me indignei, ele dizia que a amava, mas não vai ao enterro dela! Puta que pariu!



Como você se apaixonou por alguém assim, Libby?!

Eu acho que meu lado masculino morreu junto com você. Eu não conseguia falar com uma mulher com intenções amorosas. Nem uma cantada eu conseguia fazer, eu fui reduzido a um ser humano básico sem a capacidade de ficar com alguém.

Eu tenho que agradecer a algumas pessoas. Em especial, três delas, mas elas sabem quem são então não vou mencionar nomes nessa parte. Graças a elas que eu não cometi um suicídio, eu tenho que agradecer mais tarde. Na verdade, eu agradeço agora.

Mia, Cross, Angie... Muito obrigado.
Por tudo. Por todo o apoio e companhia. Eu devo muito a vocês, família Cross.
Um abraço e um beijo para cada garota,
Um especial para a Angie, ela merece,
Escrito por: Kishinuma Archie


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