Palavras ao vento - Cadáveres Imortais


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Palavras ao vento - Cadáveres Imortais

A vida as vezes fica muito pesada. Muitos escolhem simplesmente sair dela. Não existe real responsabilidade no ato do suicídio. Não existe culpa após a morte (ao menos, é isso que se pensa). Não existe pesos sufocando sua respiração, ou arrancando o ar de seus pulmões, a saúde de seu corpo, ou a sanidade de sua cabeça. Você se torna circunstancialmente isento de toda e qualquer obrigação para com qualquer coisa ou individuo.
A morte liberta.
Assim, a alma foge da prisão que é o corpo.

Mas, a alguns, é vetado até mesmo o direito de se autoproclamar livre. O dever prende a alguns com força maior até que seu próprio direito de imbuir, a si mesmo, uma escapatória.

O jogo das criaturas eternas consiste nisso. A arrogância e prepotência, o desejo viciado no poder e no controle

Mesmo quando o mundo desmorona, você permanece de pé. Um cadáver putrefato de valores deturpados.
A reminiscência de uma vontade de ferro. Cego o cadáver segue guiado por uma luz imaginária que aponta para o caminho que deve ser seguido.

Assim são todas as criaturas eternas. Cadáveres e decompositores criando novos cadáveres, demolindo o mundo, guiados por um milhão de verdade absolutas, um cem milhões de certezas e conceitos próprios de certo e errado.

São milhares de deuses, que reinam individualmente e mutuamente, cada qual como “deuses únicos” em meio a um mar de usurpadores. Ora, deste modo, admito que os seres eternos se assemelham mais aos humanos do que eles mesmos pensam.

Mas não nos julgue, cadáveres são surdos, não ouvem uns aos outros, não ouvem nada a sua volta, apenas aos vermes que consomem suas carcaças.


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