Sobre "Dois Pesos e Duas Medidas"


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Vamos lá. Vamos com calma, porque é muita informação para colocar no lugar e eu não quero fazer bagunça.

Eu recebi um comentário ótimo de uma leitora no Nyah!, dizendo que está lutando para acompanhar o enredo. Não estou sendo irônica, eu realmente achei o comentário ótimo, porque eu percebi que muitos leitores sempre tinham as mesmas perguntas e eu não sabia exatamente o porquê, e o comentário dessa pessoa foi uma luz nesse túnel escuro, que está longe de acabar.

Enfim. Eu acho que muita gente, quando começou a ler “Dois Pesos e Duas Medidas” tinha uma expectativa completamente diferente do que seria a história. Muita gente criou altas esperanças e, eu não vou mentir, eu também criei. No entanto, com o andar da carruagem, eu percebi que não poderia fazer o que tinha planejado, porque os sentimentos que eu estava lidando eram mais complexos do que eu pensava.

Eu planejei fazer Naruto e Sasuke interagirem mais, planejei fazer uma tensão sexual acontecer entre eles de forma bem intensa, mas percebi também que ainda é cedo. Por que eu digo que é cedo? Porque estou lidando com o Sasuke “Vingador” Uchiha. Aqui, ele não é um vingador, mas como todo mundo sabe, eu não gosto de mudar muito a personalidade dos personagens, apenas adaptá-los para a realidade em que vivem.

Ele continua sendo o cara desconfiado, reservado e rancoroso que a gente tanto conhece no enredo original de Masashi Kishimoto. E essas características vão fazê-lo se puxar para trás cada vez que se sente ceder ao sentimento que nutria, devido ao medo de se machucar novamente. Fora, que ele está se sentindo confuso, porque o sentimento que ele nutria quando era criança é um pouco diferente do que ele está começando a sentir agora. É mais arrebatador, menos inocente e mais vivo. E ele realmente está assustado com a intensidade dessa nova emoção.

Essa leitora também disse que não sente uma conexão entre um capítulo e outro e também vou explicar o motivo. Sabe o estilo de texto truncado que usei no penúltimo capítulo de “Deveres do Coração” e no último de “Dar-se Uma Chance”, eu estou usando ele aqui em todos os capítulos de uma forma BEM menos direta. Então, nos outros enredos, foi só uma retrospectiva de como se desenvolveu o clímax. Aqui, por ter mais de 10 anos para trabalhar, os personagens vivem voltando para o passado em pensamento.

Então, eu vou dar indícios e vocês tem que se atentar aos detalhes. Vocês vivem falando que minhas tramas são detalhistas, e o são por um motivo. No capítulo 2, eu citei que Naruto tinha diversas inseguranças com relação à criação do Nagato, voltei a falar o mesmo no capítulo 4 e 8. Sabem a mensagem que Sasuke recebeu no final do capítulo 4? É Gaara, que torna a aparecer no capítulo 8 também. O amigo de North Beach que Sasuke citou no capítulo 2 é citado novamente no capítulo 7, Neji.

Lembra que eu disse que a narração seria em terceira pessoa, mas focada na visão do Naruto e, depois, disse que trabalharia a visão do Sasuke ocasionalmente? A narração não é imparcial, ela está em terceira pessoa, mas ela é baseada no que aquela pessoa enxerga, ou seja, são opiniões pessoais dos personagens. Quando Sasuke permanece se questionando, no capítulo 7, sobre o cunho do relacionamento de Naruto e Itachi, é porque ele já tinha essa ideia construída no passado (mencionei isso no primeiro capítulo também) e só se intensificou, porque ao invés de seu irmão construir uma família como é a “ordem natural da vida” (entre aspas, porque debocho dessa visão), ele mora com Naruto.

O relacionamento Itachi e Naruto já foi explicado, eles tiveram algo no passado, mas não possuem mais. Só que Sasuke, devido às questões pessoais, vive trazendo o assunto de volta, porque ele é uma pessoa que fica remoendo o passado, está inseguro e curioso também. Já o relacionamento Naruto e Ino é um pouco mais complicado, mas vocês já perceberam que ela não sente ciúme do Naruto desse jeito. Na oneshot que escrevi, “Entre Tragos e Estragos” (não vou pedir para vocês lerem se tiverem ciúme de ship), eu explico que ela queria ter inveja de Naruto, pois ele está conseguindo o que ela sempre sonhou com Shikamaru. No entanto, ela torce pela felicidade do Uzumaki, porque Naruto sempre fez muito por ela a troco de nada.

O que eu quero dizer com tudo isso? É que os capítulos parecem desconexos, devido ao efeito truncado, mas estão interligados por detalhes. Por isso, eu estou sempre pedindo paciência, porque as coisas estão sendo trabalhadas vagarosamente aqui. O sentimento que Sasuke sentia adormeceu, porque no final das contas se passaram 10 anos, mas ele vai voltar a sentir o que sentia de forma diferente agora, como um adulto (como citei lá em cima). Naruto ainda teima em manter aquela imagem do Sasuke criança que ele conheceu, com medo de que a atual atração o faça cometer algum deslize (como machucar Sasuke de novo) e é por isso que ele está enlouquecendo agora.

O bichinho está surtando e é agora que eu começo a dar entrada para o que eu queria desde o começo: trabalhar a tensão sexual.

Então, assim: muita calma e prestem atenção nos detalhes, nas coisas que parecem “sem querer”, porque às vezes foi lá que coloquei algum indício importante do que vou abordar no futuro ou do que já foi abordado.

Espero que tenham entendido e desculpa pela nota enorme, mas eu precisava dizer tudo isso para que vocês entendessem. Aqui, eu não vou resolver as coisas logo de cara, como aconteceu em “Dar-se Uma Chance” e “Deveres do Coração”. Aqui, os problemas avançam um pouquinho, estagnam, avançam mais um pouquinho; estagnam e tornam a aparecer, e assim se mantém até eu sentir que devo dar um ponto final. Eu disse uma vez ao meus leitores do Nyah! que escrever um enredo requer feeling, sentir o que a história precisa, e eu planejei um monte de coisas, mas ao sentir o enredo, decidi mudar muita coisa.

Isso também entra a questão do Itachi com o Naruto, que tinha decidido não abordar, mas mudei de ideia. Contudo, não se precipitem, Naruto e Itachi continuam não tendo nada. É que “Dois Pesos e Duas Medidas” se trata de um enredo sobre reavaliação de conceitos, quase de uma forma comparativa. É o que significa essa expressão, por isso as coisas serão constantemente ruminadas como num ciclo sem fim aqui.

E eu vou dizer mais, a questão Naruto e Nagato não se resolveu ainda, mesmo com a conversa que tiveram, porque tem coisa que precisa ser trabalhada ainda. No final do ano passado, eu disse que queria tentar escrever profissionalmente, aqui é o meu ensaio e é aqui que vou tentar coisas novas, isso inclui novas formas narrativas… Para sair da zona de conforto mesmo, sem hesitação, para tentar coisas mais difíceis (por isso que pedi paciência na hora de recomendarem também no Nyah!, porque para sentir a história vai demorar um tempo)… E para me ver melhorar como autora.

Esse tipo de narração está em muitos livros, o meu favorito se chama “O amor é só uma palavra”, do Johannes Mario Simmel. A história inteira é narrada na visão do personagem principal, então, se o leitor não presta atenção nas particularidades da história, ele só vai ter uma visão dos fatos. Na resenha do enredo, ainda está escrito: “narra os conflitos decorrentes da morte prematura de Oliver e as verdades que ele não chegou a ver”. Se você lê com o olhar literal, vai ver a mulher que ele amou como uma farsa, mas se você olhar profundamente, você enxerga uma mulher que se sacrificou para que esse fosse feliz.

Nós, seres humanos, temos a mania de ignorar que um mesmo acontecimento pode ter um milhão de facetas. A gente só enxerga o nosso lado. E a indireta que estou passando com essa história, dessa vez, é que a gente deve tentar se colocar no lugar do outro; desenvolver empatia. Eu recebi um comentário de uma leitora querida (tão querida, que viramos amigas fora do Nyah!), dizendo que meus enredos a ensinaram a ler a história de fato, porque antes ela só lia pelo limão. É isso que procuro ao escrever. Como muitos devem ter percebido todos os meus longas têm um significado importante para mim (“Deveres do Coração” fala sobre ser feliz, independentemente das regras morais que te ditam, porque ninguém sabe o que te faz feliz a não ser você mesmo; “Dar-se Uma Chance” fala sobre como podemos encontrar outra pessoa para amar, porque essa ideia de acabou o amor, acabou a vida que o romantismo traz é totalmente equivocada). Aqui também, eu quero que vocês se coloquem no lugar do personagem e se questionem: O que eu faria se uma pessoa me rejeitasse e depois viesse me procurar? O que eu faria se eu rejeitasse uma pessoa e, anos depois, mudasse meus sentimentos? O que eu faria se ainda amasse alguém que me machucou muito? Lembre-se de coisas que você já passou, mas tente levar em consideração as particularidades de cada pessoa.

“Dois Pesos e Duas Medidas” é pesar situações semelhantes em visões diferentes, é por isso que na resenha está: “Agora, dez anos depois, o destino os une novamente para lhe mostrar que toda escolha tem um preço e todo caminho tem seu valor.”. Alguns leitores já captaram a história, já entenderam que Sasuke, Itachi e Ino têm uma ligação; Naruto, Nagato e Sasuke têm uma ligação; Minato e Naruto têm uma ligação; Kakashi com Minato e Naruto com Sasuke têm uma ligação… Qual é a ligação entre eles?

Vou embora, porque já entreguei o enredo inteiro, olha como eu sou legal.
Posto o próximo capítulo ainda essa semana.

Obrigada pela atenção,
Att.


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