~Kuraminha

Kuraminha
Kura
Nome: Kuraminha
Status: Usuário
Sexo: Masculino
Localização: Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Aniversário: 12 de Janeiro
Idade: 20
Cadastro:

Café


Postado

Café

A saliva em minha boca secou-se, deixando-me no limbo de palavras não ditas, não pensadas. Eu poderia lhe escrever um livro, ou talvez uma enciclopédia sobre todas as coisas que realmente queria que melhorassem, mas ao que me parece, o mundo já não gira mais. Caminhei entre espinhos por um longo tempo, engolindo meus próprios ideais apenas para me enquadrar, e por muito tempo achei isto era ser feliz.

Chego hoje, cansado, de pés doloridos e cabeça maneada para baixo. O chão do mogno frio ao tirar os sapatos, acendia a sensação de me esgueirar para a cama mais próxima, e pensar que talvez amanhã, eu já não acordaria. Porém, isto não era sensato a se fazer.

Eu tinha algumas contas, alguns amigos, alguns familiares, e estes alguns se sentiriam ruins por eu estar tentando algo que nunca pensaram que eu faria. Eu estava perdido por muito tempo, em abraços de bom dia, em despedidas de boa noite, e ainda não havia me encontrado em beijos de eu te amo. Perdido nas próprias perspectivas não quadradas.

Quadrado, esta era a mente e a gama de pensamentos que eu gostaria de ter. Em seus olhos, eu não via a mesma pluralidade de pensamentos que me atingiam todos os dias. Elas não pensavam da mesma forma que eu, e não se doíam como eu, mas ainda assim, eu as queria perto.

Tomar uma xícara de café parecia mais um ritual do que realmente gosto pessoal. Você se sentava, e olhava as pessoas conversando sobre como o café melhoraria o dia, e eu realmente achei que isso me melhoraria também. A vida não era fácil dessa forma para mim.

O café em minha cozinha era frio, esquentado no micro-ondas mais próximo, e eu poderia jurar que o gosto dele nunca era bom, e talvez realmente nunca era. Sentado sozinho na cozinha, esperando a fumaça esquentar minhas narinas, e a sensação de melhora atingir-me de forma estonteante como acontecia quando eu estava com eles. Isto nunca acontecia, é claro.

O café quente não deixava de matar milhões de pessoas e animais pelo mundo, também não melhorava os estupros e a falta de educação do mundo. Café era apenas café, com gosto amargo na saliva, esquentando apenas sua garganta suja, de ter concordado com eles sobre o quanto odiava negros e gays. O café nunca havia lhe tornado melhor por apenas concordar com os ideais dos outros, e nunca confrontá-los por estarem sendo injustos com as pessoas.

Talvez seja hora de ser redondo de novo. Trocar de pessoas, trocar de lugares.

O café esfriou novamente.



Gostou da Jornal? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...