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Noites de Inverno


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Noites de Inverno

Há uma certa beleza na agonia de cada floco de neve descendo pelo ar. Também há emoção, em cada gota de chuva que escorre sobre as facetas dos vidros do carro. Tudo parece lento e vago, talvez um pouco morno. Não, morno não é a palavra certa para essa noite gélida. Vejo-me atento, mas não entretido, e isso corrói-me. A cada gota, a cada floco, estou perdido.

Em qual arruela adentrar? Apenas seguir em frente, ou talvez me cansar. Sinto o aconchego do banco a cada minuto, e de como ficaria mais simples eu ligar o aquecimento desse pequeno veículo. Estou perdido não só neste mundo, mas nos meus pensamentos mais profundos. À noite esta fria, quase tão temerosa quanto a noite que a perdi.

Sei que o cemitério é perto, sei que ela me espera, mas foi nesta mesma viagem que eu morri. Morri ao vê-la ir, morri ao sentir. Agora entendo onde estava perdido.

A rua era estreita e esburacada. Os pequenos retálios de gelo das nuvens desciam sobre a estrada, e pouco a pouco iam congelando o meu caminho. Era uma noite de inverno, uma noite sem fim, pois eu mal havia visto o começo. Troquei a marcha duas vezes, meus dedos congelavam, minha respiração quente acertava em cheio as gotículas frias do ar a minha volta, tornando-o denso e esfumaçado. Era a mesma noite do ano passado.

Era exatamente frio desta forma, mas era quente por dentro. Eu estava com ela, e ela estava comigo. Eu trocava as marchas lentamente, olhando para seu rosto arredondado. Seus lábios sorriam, e sua íris demonstrava felicidade. Nós não íamos para um cemitério, mas para igreja rezar a missa. Era uma noite fria, e a estrada estava vazia. Atentei-me aos pneus para neve, mas não aos meus descuidos.

Sua boca rósea fez-me perdido, e de súbito, amortecido. Dois giros pelo ar, e um grito. Tudo havia se perdido. Não havia ela, nem seu sorriso, apenas a história de um tolo ferido.

Agora eu ia ao cemitério, no mesmo trajeto de um ano traz. Sabe como eu me perdi?
Estando atrás de ti!

Nesta noite fria, nesta noite gélida.


Olhe pelo canto do olho e veja, se eu não estou ai.


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