~Kuraminha

Kuraminha
Kura
Nome: Kuraminha
Status: Usuário
Sexo: Masculino
Localização: Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Aniversário: 12 de Janeiro
Idade: 20
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Obrigado!


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Quando eu era pequeno, boa parte do meu tempo passei observando.


Minha escola era pela parte da tarde, e como toda criança de antigamente, eu assistia desenhos na parte da manhã. Não era os desenhos que eu queria assistir, pois meus irmãos escolhiam sempre a TV Globinho, enquanto eu queria ver Bom dia e Companhia.

A visão que sempre tive sobre estes dias, era de que gostar ou não de algo, não fazia diferença alguma para uma família. Principalmente uma família onde você tem dois irmãos mais velhos, e você o garoto estranho que gostava de tudo que seus irmãos não gostavam.

Sempre houve aquela pequena parte de mim, enfiada nos livros velhos que meu pai tinha na estante, e que eu não podia ler por não entender. Eu os lia escondido, quando dormiam, ou cochilavam no sofá, e pouco a pouco, minhas escolhas tornaram-se tão contrárias aos meus irmãos, que eu já não fazia parte daquilo que eles consideravam família. Essa parte de mim, a parte na qual não consigo descrever em outras palavras, se não, morta, era tão inquietante quanto ver meus irmãos sendo os protagonistas, e eu apenas um observador.

Era para ser um jornal de agradecimentos, um jornal onde eu poderia dizer todas as coisas boas que vivenciei em pequenos instantes, mas não consigo lembrar da minha infância, sem lembrar das coisas ruins que me destruíram ao longo do tempo.

Eu sempre fui o terceiro, aquele que já não era novidade, mas apenas mais um. Sabe, quando se vive em uma família de três filhos, sendo você o terceiro, o número de chances de você se adequar a aquilo que é imposto, é tão normal quanto querer ser branco em uma sociedade racista sobre a pele preta. Era previsível que eu tivesse os mesmos problemas que eles, e que tivesse as mesmas dificuldades, porém, não foi assim comigo. Acho que este sempre foi o problema.

Não gostar dos mesmo personagens que meus irmãos em desenhos, e não gostar dos desenhos que eles gostavam, foi só uma pequena parte de se tornar aquilo que sou hoje. Mas aquele pequeno garoto de partes mortas, nunca ficou tão feliz no dia em que pode mudar de canal de TV, e olhar para algo que lhe fazia sorrir.

Naruto foi aquilo que me trouxe para este mundo que estou hoje, e me auxiliou nos momentos mais difíceis. As diferenças que trazem aqui, a inconclusão que me fez chegar ao ponto em que estou, não teria se tornado algo se não fosse por esta pequena mudança de canal.

Era uma manhã simples, onde meus irmãos saíram para jogar futebol, e a TV estava ali, ligada e pronta para o meu próprio uso exclusivo. Acredito que seria onze e meia da tarde, e eu estava me arrumando para a escola. Escovando os dentes, entre o banheiro e a sala, lentamente mudei de canal algumas vezes, até parar exatamente na parte que fez-me prender a aquele pequeno garoto estranho, de bigodes na cara.



"Eu nunca volto atrás com a minha palavra, este é meu jeito Ninja!"


Há milhões de coisas que me fazem o que eu sou hoje, mas esta pequena frase, tornou-me alguém que modificou a sua própria forma de se ver. Eu segui seus passos, me tornando mais forte conforme os episódios passavam, e seus sonhos se tornavam realidade, fazendo-me ter coragem para realizar os meus.

Sei que seus passos estão chegando ao fim, mas somos amigos de infância. Amigos de nostalgia, choros e covardias. Somos ninjas cabeça oca, ninjas que choram por odiar ou sentirem dor por machucar alguém.

Você me ensinou muitas coisas, uma delas é nunca desistir. Naquele dia, quando ouvi sua frase clichê, eu sabia que deveria prometer a mim, coisas que me fariam ter arrependimentos por algumas escolhas.

"Assim como você seguiu em frente, eu também estarei aqui até o final!"






Seus passos chegarão ao fim, mas suas palavras estarão comigo para sempre.

Obrigado, Uzumaki Naruto.



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