~Kuraminha

Kuraminha
Kura
Nome: Kuraminha
Status: Usuário
Sexo: Masculino
Localização: Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Aniversário: 12 de Janeiro
Idade: 20
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Outro Lado


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Outro Lado

Nesta noite fria, entre as estrelas e a água turva, o reflexo de um corpo dourado emergiu de uma escuridão temerosa, inebriando minha visão reflexiva, sobre uma pequena noite de inverno. Notará então, que o sol regrediu ao seu lugar de origem, cobrindo o vento gélido em minha pele, pela sensação gostosa de um beijo quente por toda a extensão de meu corpo curvo. Este sol, que antes tocava-me até o arrepiar de minhas orelhas, hoje já não acobertava a geleira de minha alma, e por mais de uma vez eu queria, que apenas sua luz bastasse.

Talvez fossem minhas lembranças que não se aqueciam, mesmo eu estando naquele lugar todos os dias. Por mais de uma vez toquei a grama, esperando que sua pele tocasse a minha, como um afago apertado em minha geleira que eu, acostumado aos codinomes da vida, chamava de pele. A grama ainda estava molhada, e eu não poderia encobri-la com minha flanela vermelha. Você não estava aqui.

Você poderia correr novamente, até o outro lado, aquele que nunca quis ir junto. No balanço de corda e pneu, voando entre os alicerces da física. Eu a via rir, enquanto seus cabelos desengonçados entravam-lhe entre os lábios doces de sua boca. Era engraçado sabia? Estar aqui, apenas olhando suas travessuras. Você sabia o quanto eu queria estar com você?

O cheiro de seu corpo foi impregnado pelo vento que vinha em minha direção, e eu poderia jurar que você estava aqui do meu lado. As folhas molhadas caiam sobre o gelo da água, e eu poderia estar vendo tudo isso, do seu lado.
Vi sua vida escorregar, entre a física de uma corda corrompida pela chuva, e um lago meio congelado, onde o sangue de sua cabeça, esta batida na parte mais dura do gelo, escorreu em trilhos para o fundo do lago. Do outro lado.

O garoto mirrado deste lado não conseguiu salvá-la, pois este era pequeno e frágil. Da pouca força que ele tinha, apenas seu corpo, agora gélido, foi tirado sem alma do lago. Sua alma já não mais me aquecia, mesmo eu beijando sua boca fria por horas a fio. O telefone em minha orelha me orientava a tentar salvá-la, e meus braços flexionavam-se no seu peito. Sua pulsação não me fazia rir, pequena garota do lago.

Mesmo hoje não posso acompanhá-la do outro lado, e mesmo que as lágrimas escorram, meus pés ainda querem ir. Eu sou um fraco por não tê-la, e ao mesmo tempo forte, por ainda estar aqui, e perdê-la.

Em minhas memórias, em minha pele, ainda sinto aquela mesma manhã, nesta grama fria, com você indo para o outro lado.

Ainda sinto sua boca fria


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