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Nenhum dos meus amigos está bem.


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Nenhum dos meus amigos está bem.

Talvez esse título seja um exagero e eu possa contar algumas poucas pessoas que não estejam desabando. Mas, na maioria, nenhum dos meus amigos, pessoas realmente próximas de mim e com as quais eu tenho conversas intimas e profundas, está bem. A maioria das pessoas do meu círculo, inclusive, são mulheres (adolescentes) e todas elas parecem carregar um mundo inteiro nas costas – E não aguentam mais esse peso.
Eu, na verdade, estou acostumada, há uns bons anos, a ver o mundo com outros olhos. Olhos mais tristes, eu diria. Mas sabe aquela sensação estranha quando você percebe que não está sozinha e não de uma forma boa?
Quando você vai conversar com alguém, e a pessoa diz “eu entendo completamente, passo pela mesma coisa”? Eu percebi que ouço isso de todo mundo. Todos os meus colegas, com a minha idade, com a vida meio ferrada, tem dito que me entendem: Estamos todos num mesmo barco e ele com certeza está afundando.
Nessa semana, eu ouvi sobre “crise de ansiedade” de várias amigas; desmaios, tontura, falta de ar, coração acelerado e até casos mais sérios. “Queria estar morta” virou uma frase que quase ninguém mais fala brincando comigo, é sempre um clima pesado.
Pensei que eu era um tipo de imã pra negatividade. Mas acho que vai, além disso, além de mim. Por que metade das pessoas que eu conheço passa o tempo se drogando para fugir da realidade e a outra metade passa o tempo deprimidos e abatidos? Isso não é normal. Não é normal um adolescente de 17, 18 anos em pensar em se drogar pra fugir dos problemas, ou pior, pensar em se matar mesmo.
Não é normal uma pessoa que mal começou a viver já estar se questionando sobre o desgaste que a vida gera, é?
Estamos criando uma sociedade tão doentia e eu acho que ninguém percebe a que ponto chegou. Estamos criando jovens sem perspectiva e sem esperança num futuro. O que será que isso significa? Que talvez tenha falhado esse sistema de empurrar as crianças e jovens para uma educação entediante, desgastante e, muitas vezes, massiva que, no fundo, não ensina nada. Nós vemos frequentemente tentando passar nas provas, pra alcançar os 60% e passar de ano, e pra passar os dias como páginas de um livro que você lê por obrigação.
Pra ser alguém na vida, pra ganhar dinheiro e ter uma vida melhor que a dos nossos pais. Mas, no meio disso tudo, no meio de “acordar chorando e dormir chorando”, no meio de “não estou bem hoje, mas tava pior ontem”, no meio de corações acelerados, eu só consigo me perguntar: Que porra de vida é essa que eu construo me destruindo?


via: twitter.

Escutando: Somebody That I Used to Know.

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