Divagações


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Entre tantas coisas, tive algumas revelações enquanto jogava Kou-jong. Não queria perder isso, mas não é algo que dê pra explicar numa fic. Então~ para Lay-do-futuro, aqui anotarei minhas reflexões.

Kou-jong é um jogo que eu considero um quebra-cabeça estratégico. O objetivo é retirar todas as peças em seus pares, sendo que algumas figuras contém 4 peças (portanto 2 pares), mas algumas estão fechadas e outras sequer você pode ver. Então, o jogador deve ter uma estratégia, porque se ele fizer um par que não deveria, a outra peça com a qual o par podia ser feito vai trancar outras peças importantes, e você perde o jogo.

Minha principal estratégia é tentar tirar sempre os 2 pares juntos, pra eu ter certeza de que não tirei um par errado. E eu sempre dou prioridade a isso. Eu não quero perder nenhuma oportunidade, não quero fazer escolhas que me fechem e não me permitam zerar o jogo. Então eu tento retirar as peças que eu acho que abrem mais oportunidades.

Depois de perder a mesma fase umas 3 vezes, eu comecei a divagar se a minha estratégia estava correta. Claro que existe um quesito sorte nesse jogo, pois de vez em quando você dá um azar danado de uma peça estar em cima do seu próprio par, e você só descobrir isso quando chega no final. Mas, para além disso, fiquei analisando minha estratégia, e pensando que talvez, na verdade, eu estivesse tentando abrir mais portas, mas fechando aquelas que me fariam vencer.

Na vida, também é assim. Eu tento manter o máximo de portas abertas, porque quero sentir que tenho o máximo de possibilidades, o que me dá uma certa liberdade (que eu tanto amo). Mas, não importa o que você faça, na vida, ao tomarmos uma decisão, automaticamente estamos fechando e abrindo portas. Até mesmo o simples fato de não escolher coisa alguma já gera consequências, e portas se abrem e se fecham.

Então, eu pensei... E se, ao tentar manter as minhas opções tão abertas, eu na verdade estaria fechando as portas que realmente são meu objetivo? Elas são bem específicas, e não tem muitos caminhos pelos quais eu posso chegar lá, então manter várias possibilidades não me ajudariam. E se, na verdade, para chegar no meu objetivo e ser feliz, eu deva fechar o maior número de portas possível, porque é isso que mantém as portas que eu quero abertas?

Parece óbvio para as pessoas que, para alcançar seus desejos, é preciso fazer sacrifícios. Mas a gente nunca sabe QUAIS sacrifícios fazer. E, outras vezes, já estamos sacrificando possibilidades e nem percebemos. E, o pior de tudo, a gente nunca pode ter certeza absoluta sobre nossas decisões. Se você acha que fez uma escolha ruim, não pode saber se outras não seriam ainda pior. Você só pode imaginar e tentar se convencer de que foi melhor assim. Da mesma forma, um ponto de vista é não ter certeza se uma decisão boa realmente foi a melhor. E se a outra opção te fizesse ainda mais feliz? Nunca saberemos. A vida é uma só.

Nunca saberemos se estamos no caminho certo, mas o que mais podemos fazer senão continuar tentando? Mesmo que não alcancemos o objetivo inicial, quem sabe concluir outros objetivos não seja até mais gratificante?
Nunca saberemos. Só podemos tentar nos acalentar. E continuar tentando.

Escutando: Owen Pallett
Lendo: Entrevista com o Vampiro
Assistindo: Ranma 1/2
Jogando: Mahjong (ou, no neopets, Kou-jong)
Comendo: ~passando fome
Bebendo: Água e chá

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