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As coisas mudaram, ou sou eu que estou ficando velho?


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As coisas mudaram, ou sou eu que estou ficando velho?

Sou da época onde o amor ainda era um sentimento. Daquela época onde o “eu te amo” era sincero e não tinha o mesmo peso que um “bom dia”. Sou da época onde se procurava alguém para amar e passar o resto da vida com esse alguém. Sou da época onde o amor era valorizado como sentimento, não como algo rentável. Sou da época onde o amor era amor simples e puro, algo que não vejo com tanta facilidade hoje em dia.


As coisas mudaram, ou sou eu que estou ficando velho?


Sou da época onde o respeito aos mais velhos era um ensinamento passado de pai para filho, onde uma criança/pessoa respeitadora, era bem vista, creio que ainda seja. Sou da época em que, antes de dormir, acordar, sair de casa, chegar, ou qualquer outra situação, se pedia a benção ao pai e a mãe. Sou da época onde as pessoas respeitavam a si mesmas e ao próximo. Naquela época onde, para ir ao banheiro, tinha que pedir autorização à professora, ou professor. O que aconteceu com o respeito que mal vejo hoje em dia?


As coisas mudaram, sou ou eu que estou ficando velho?


Sou da época onde o ficar não era uma nova modalidade de relacionamento. Naquela época, se mandavam bilhetes, recados por amigos, cartas anônimas. Sou da época onde os momentos eram construídos juntos. Sou da época onde a melhor coisa que poderia acontecer era receber uma ligação da pessoa que se gostava antes de dormir, e a conversa se estendia por vários minutos. Sou da época onde o carinho era real, onde ligações e mensagens eram bônus do relacionamento, não a maior parte dele. Desculpa, mas não sei namorar por Whatsapp, muito menos encontrar a pessoa que gosto na hora de transar. Não sou da geração "uma noite apenas".


As coisas mudaram, ou sou eu que estou ficando velho?


Sou da época onde o presente era dado de coração e não havia quaisquer motivos para exibir para todos. Sou da época onde a ostentação não existia e o valor comercial não era maior que o sentimental. Sou daquela época, onde o menos é mais, onde o mais simples presente, acompanhado de um “é simples mais é de coração”, vale infinitamente mais do que um caríssimo sem a companhia de qualquer frase. Me chamem de louco, mas prefiro um chaveiro, dado de coração, do que um presente caro acompanhado da satisfação alheia em mostrar que tem dinheiro.


As coisas mudaram, ou sou eu que estou ficando velho?


Eu sei que tudo muda o tempo todo, mas algumas coisas poderiam ser mantidas, não acha? Que me chamem do que quiserem, mas ainda valorizo um sentimento verdadeiro, ainda valorizo o momento cotidiano e não coloco sexo como fator essencial do relacionamento. Apesar de todos os anos vividos, mais de vinte, continuo respeitando os mais velhos, pedindo a benção, e chamando meus professores de professores, mesmo que estes já não mais sejam.

Sim, mudo com o tempo, mas algumas coisas faço questão de manter. Não quero me distanciar do sentimento, não quero me distanciar do essencial, que sim, é invisível aos olhos. Não quero passar parte da vida, aproveitando com uns e outros, para, no final dela, não ter nada para contar aos mais novos. Acho muito mais válido passar a vida “preso” a uma única pessoa, do que livre no seu decorrer, e no final, olhar para o lado e não ter com quem dividir memórias e relembrar momentos preciosos.

É... Talvez eu tenha cabeça de velho, talvez eu esteja ficando velho. Talvez as coisas tenham mudado demais e eu não me recuse a mudar. Talvez eu seja o único, ou um dos poucos, mas é que vejo tanta coisa sem sentido hoje em dia, tão sem sentimentos que simplesmente me recuso a mudar. Deixa quem quiser fazer o que tiver vontade, respeito, mas para mim, não quero, porque lá na frente, quando o corpinho já não for mais o mesmo, o rosto enrugar, a disposição diminuir e todo o resto tiver mudado, não vou ser um velho arrependido e com desejo de mudar o que aconteceu no passado. Tem coisas que nem o tempo muda, e nesse caso, prefiro continuar sendo “velho”.


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