~drogon

drogon
28:06:42:12
Nome: ➳ visenya targaryen
Status: Usuário
Sexo: Feminino
Localização: Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil
Aniversário: 29 de Junho
Idade: 16
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Teoria do caos


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Teoria do caos

“você se isola porque tem medo de pertencer. te dói não se encaixar no mundo, mas te machuca mais ainda pensar ter uma paz interior seguida de um vazio lacerante. você prefere manter sua alma na sarjeta. se resguardar num casulo de pseudoproteção. e se isentar de mudanças. você prefere a inércia porque ela é constante. não tem segredos. chaves ou segundas interpretações. você não quer ter algo e depois se sentir ferrada. você não quer surpresas. prefere abdicar suas asas do que imaginar perdê-las um dia. você abre mão de voar porque não quer cair. não aceita a perda. teme o perigo que o céu pode esconder. e por isso se esconde. na sua jaula de ferro que te mantém de vidro. você poderia se quebrar se o vento mudasse a direção. e isso te espanta. você quer fugir das emoções a qualquer custo. você cultiva o vazio como quem tem um cultiva flores. você vive de efemeridades. não se arrisca. se desfalece na rotina que te prende. caos é o que você é. você é uma turbulência tempestiva disfarçada de calmaria. um vulcão que tenta se passar despercebido, e mata a si mesmo ao engolir o magma. você se mata e continua vivendo. sobreviver é a sua sina. você tem deficiência cognitiva pra sentimentos. o mundo te gritaria amor e mesmo assim teus ecos seriam de solidão. sua mente é psicodélica demais até pra Freud. eu reconheço. a tua mente perturbada não se lê em nenhuma filosofia. as tuas células não encontram abrigo nas pesquisas de laboratório. e a tua composição é poesia crua. você sofre verborragias. chora palavras. trechos desconexos. insensatez. você tem crises abstratas por não se colidir com o universo. e mesmo assim ser tão explosiva. o teu tectonismo não compensa as tuas falhas. a tua pele desgastada não justifica os teus traumas de existir. e as tuas faltas não desculpam a tua quase ausência. você é totalmente afogável. mesmo que aparente estável a superfície. você se afunda. a tua abstração passa ligeiramente subtendível quando você não se encontra. você não se perde. o teu infinito margeia 0 e 1001. você não faz sentido. não estuda as possibilidades. você não reage. tem as suas bordas comidas pela insegurança. e se desfalece nas tuas interrogações. você oxida as tuas angústias e se alimenta de silêncio inoportuno. você não berra. não se estraga. e mesmo assim se corrói. a dor em ti é quase um parasita. tua memória deturpada não denuncia as tuas falhas psicológicas. você não se vê por entre as gretas exuberantes do espelho. você olha mas não enxerga. não observa as tuas frentes de batalha. os teus desavisos demarcados no cansaço da tua pálpebra. você se olha com pressa. não se transfigura. não se macera em pó cósmico só pra efeito de estudo. você não se desfaz porque não suporta admitir que é de carne e osso. que também sente. você coloca um manto nas costas e fecha seus olhos. tenta barrar tua humanidade como com quem tem medo de pecar. você abomina o perigo. você odeia a sensação de ser de alguém. porque isso implica dar a mão a alguém que pode te lançar num precipício. e você tem medo de altura. tem medo de ralar os joelhos. de não aguentar a queda. você não consegue admitir nem pra si mesma que a adrenalina corrompe seus ossos. não consegue encarar a tão suposta vulnerabilidade de ter alguém tocando além da tua pele. mais afundo. nas tuas metáforas tão escuras. você tem medo que descubram afinal. que a tua alma é tão macia. tão abrigável. e por mais que seja íngreme e obscura. seja tão real. e tão sedenta por sentir. você se esconde num mundo submerso na tentativa de acalentar as tuas fugas. mas não vê que é quase tão transparente como as águas do pacífico.”

Escutando: ride
Bebendo: café

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