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Ultraforense Chronicles - PrevieW


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Ultraforense Chronicles - PrevieW

Olá, bem o conteúdo desse jornal é referente a minha nova história ORIGINAL que provavelmente postarei nessa semana, ou na próxima, no máximo. São crônicas de misteriosos casos que envolvem perícia criminal e análise química, por isso o título Ultraforense, afinal o personagem principal atua como um químico forense, utilizando equipamentos tradicionais de investigação e métodos novos em seus julgamentos. Cada caso terá no mínimo 2 capítulos, ou seja, será uma história que sempre estará se renovando. Então, para quem gosta de descobrir o que aconteceu ou achar o culpado primeiro que os próprios detetives, será um prato cheio! Eis a sinopse e um pouco do primeiro cap. do primeiro caso:

Sinopse: Edmond Darmian é um perito policial e químico forense que está voltando a ativa na cidade em que cresceu, Manchester. Porém, em sua ausência de quase um ano, muita coisa aconteceu, e casos cada vez mais complexos surgem sem avisar. Com seu jeito arrogante e mal-humorado, o brilhante detetive precisará se acostumar com uma nova vida, e novos companheiros de trabalho, sem perder a essência de seus métodos extravagantes, que são considerados até ilegais e loucos, mas sempre necessários para solucionar um crime.







ULTRAFORENSE CHRONICLES


Todo contato deixa uma marca.” – Edmond Locard.


O CURIOSO CASO SUICÍDA.

Nenhum homem é completo sem conhecimentos jurídicos.

A chuva batia violentamente contra o para-brisa, deslizando pelo vidro e turvando a visão do motorista que mantinha os limpadores inoperantes. Ainda assim, os faróis da Mercedes GLS cortavam as gotículas e iluminavam claramente o número da porta daquele quarto de hotel: 42.

A mente de Edmond Darmian nunca mais esqueceria aquele número. Apertou firme o volante com suas mãos enluvadas, fechou os olhos e respirou fundo três vezes.

Então, escutou a buzina impaciente do carro atrás do seu, e reabriu os olhos para voltar ao mundo presente. Percebeu que o semáforo havia ficado em sinal verde. Acionou a primeira marcha, trocou o freio pelo acelerador, e pisou fundo.

Em outros tempos, andaria pelas ruas de Manchester sem prestar atenção no que havia ao redor, e provavelmente seria ele a buzinar de forma irada para o homem distraído e parado no sinal. Mas não naquele ensolarado 23 de março, não quando havia ficado fora daquela famosa cidade inglesa por um ano, e embora não fosse natural de lá, foi ali que estudou e se tornou um profissional atuante, construindo sua vida e carreira. Por isso, talvez, a nostalgia ao encontrar cada ponto conhecido em uma esquina diferente, por mais insignificante que fosse esse ponto.

Estava mesmo no momento de voltar. Foi um longo período de férias, ou como ele próprio dizia, um eterno e chato período. Porém, importante para relaxar e botar a cabeça no lugar.

Obviamente, retornar e descansar no sofá do novo apartamento que alugara, estava fora de questão. Edmond Darmian é um perito criminal e um químico doutorado. Combinação perfeita para a área de investigações forenses, a qual pertence a mais de quinze anos.

Alguns telefonemas antes de sua chegada foram o suficiente para estar a par de um misterioso caso em Trafford, onde os policiais ingleses foram obrigados a chamar os detetives, que por sua vez foram obrigados a chamar um forense.

Contornou o belíssimo estádio Old Trafford, e entrou na primeira à direita, seguindo em frente por mais alguns quilômetros. O local do crime parecia ser um edifício de dez andares bem antigo e humilde, para não chama-lo de espelunca e caindo aos pedaços. Viaturas se aglomeram em volta, e uma multidão de curiosos estava separada pela típica faixa amarelada de uma área sob investigação criminal. Estacionou o automóvel embaixo da sombra de uma árvore, e deu uma boa espiada na vizinhança. Certamente não estava no lugar mais nobre e gentil da Inglaterra.

Deu uma arrumada no cabelo negro e curto, cortado ao estilo inglês, com uma mecha grisalha no lado esquerdo, e cerrou os dentes para ver se não tinha que palitá-los com as unhas. Observou melhor o reflexo de sua aparência no espelho retrovisor, sentindo-se mais velho do que realmente era por conta das visíveis olheiras obtidas através da última noite mal dormida. Bufou e abriu o porta-malas, o vasculhando até encontrar os óculos escuros, consertando o problema temporariamente. Queria também um jeito fácil de consertar o nariz adunco, que só aumentava com o passar dos anos, o que de fato era impossível sem uma cara cirurgia plástica, mesmo assim era de se impressionar que ainda se irritasse com isso depois de ter 38 de idade. Pelo menos a barba estava bem feita, rente ao queixo firme. Podia contar com sua beleza austera e mal humorada. Para finalizar, vestir uma jaqueta de couro, camisa polo e calças sociais, o deixava até um tanto que charmoso.

Saiu do carro, e apertou o alarme de trava cinco vezes, um de seus inúmeros costumes bobos, ou toc para frisar melhor, apesar de jamais ter admitido possuir tal transtorno.

Hora de encarar a realidade.

Caminhou despreocupado até o outro lado da rua, e teve que pedir licença para as pessoas a frente, até conseguir ultrapassar a faixa de aviso. Visualizou rapidamente um corpo oculto por uma manta, em frente à entrada do prédio, que tinha os letreiros ainda acesos em led na parede acima. Oppus era o nome.

De repente, um jovem policial moreno, com um tapa-olho do lado direito, surgiu com as mãos levantadas.

- Desculpe, senhor, não pode invadir essa área no momento, se for morador do prédio, peço por genti... espere aí...

- O que temos aqui, Wallcott?

- Ed? É você mesmo?!

- Não, na verdade me chamo Orlando, sou irmão gêmeo de Edmond. Resolvi tomar o lugar dele enquanto ainda está brincando de pescador na França, mas não conte isso a ninguém – ironizou seco.

Wallcott levantou as sobrancelhas, e deu duas batidinhas no peito do amigo. Darmian permanecia sério, porém.

- Agindo desse jeito único de seu irmão, com certeza enganará todo mundo. Bom te ver, cara!

- É, bom te ver também, Wall. O que houve com o olho?

- Longa história, mas muito interessante!

- Mais interessante do que temos aqui hoje?

O policial olhou para o morto no chão sob a manta de papel prateado, e depois para alguns de seus colegas que cochichavam em um dos cantos. Havia certa restrição naquele caso em questão, pois ninguém queria a mídia ali tão cedo.

- Ei, está tudo bem, estou de volta – disse Ed tentando um sorriso. – Me chamaram aqui.

- Claro, sem duvidas – Wall o pegou pelo ombro e o afastou da multidão. – Bem, parece que o infeliz se matou, sabe?

- Como assim parece?

- Ele se jogou lá de cima, cara. E tinha um bilhete de despedida e tudo mais.

Edmond Darmian não entendeu.

- Suicídio? Por que chamariam um forense para um caso de suicídio?

- Eu não sei se reparou, mas tem algo mais. Veja, há uma rede de proteção no segundo andar, já que na última semana limpadores de vidraça e alguns pintores estavam trabalhando no prédio. Quando fomos chamados, encontramos o cidadão preso na rede, ou seja, era para ele ter sido salvo.

- Tocaram no corpo?

- Tivemos que fazer! Dava para ver tudo daqui debaixo, e não havia como fechar toda essa rua, o trânsito é constante. De qualquer modo, a perícia criminal do corpo já foi realizada pelo Capitão Terry.

- Menos mal. E o que deu errado? Por que a rede não foi eficiente em salvá-lo?

Estudou a rede com demora, e parecia resistente, sem nenhum tipo de dano, extensa o bastante para proteger a queda de alguém que tentasse saltar de qualquer local do terraço. Provavelmente, o suposto suicida sequer havia se certificado disso antes de tentar cometer o ato.

- Bem... acho que já te dei informação demais, melhor falar com a detetive que está no caso.

- A detetive? Não me diga que Christine está aqui.

- Sim, ela está no comando. Agora deve estar lá dentro falando com o sindico, funcionários e moradores. Quer que eu vá chama-la?

Ed suspirou.

- Parece que não tenho escolha, não é? Vá lá, por favor.

- Tá bem.

Enquanto o amigo se encaminhava para dentro do prédio, Darmian se aproximou do corpo, se agachou ao lado e devagar puxou a parte superior da manta, onde estaria a cabeça do rapaz. Desejou muito não ter feito isso.

O crânio do falecido simplesmente havia se transformado em algo indescritível. Não havia como falar onde estava o rosto ou a nuca, e muito menos reconhecer os olhos, o nariz, a boca. Parecia mais uma penca de bananas que havia despencado no solo, ou talvez uma jaca podre que acabara de ser espatifada contra uma parede. Uma coisa nojenta, que quase o fez colocar para fora o café da manhã. Sem demora, cobriu o morto novamente, cortando aquela visão horrenda. Já havia visto coisas piores, sem duvidas, e aquilo fazia parte de seu cotidiano nas investigações, porém um ano sem presenciar tal coisa, acabou o deixando extremamente impressionado.

Por outro lado, o seu cérebro funcionava quase que automaticamente. Um suicida que se jogou de um imóvel de dez andares com um disparo na cabeça? Isso não fazia nenhum sentido. Pelo estrago só poderia ser uma espingarda calibre 12. Mas se fosse, onde estaria a arma? Não a achou em nenhum lugar, e também não havia demarcações feitas pela perícia. Entretanto, enxergou um pouco de sangue nas cordas que entrelaçavam a rede de segurança mais acima, o que o levou a crer que o sujeito havia recebido o tiro antes de moverem o corpo para a calçada. Seria aquilo um homicídio disfarçado?

- Alguém viu alguma arma? – perguntou para os outros policiais que escreviam relatórios. – Sabem quem é esse homem?

- Não, Ed, ninguém sabe quem seja – informou Christine, saindo do prédio com uma expressão gélida. – Não há nenhum documento de identidade com ele, e já deve ter notado que ficou difícil reconhece-lo só de vista.


continua...


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