~taehyungerie

taehyungerie
[77;babygirl — autora
Nome: 𝓁𝓊-𝓈𝑒𝓃𝓅𝒶𝒾 ©
Status: Usuário
Sexo: Feminino
Localização: Indisponivel
Aniversário: 29 de Outubro
Idade: 17
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Amianto


Postado

Amianto

Não me sinto segura em postar esta rápida estória como fanfic, pois ela aborda meu universo particular, as perturbações que passei durante meu hiatus. Tenho ciência de que nenhum leitor sente interesse em ler morbidez, mas vejo isto como uma forma de compartilhar o que senti durante aqueles meses em hiatus e também recompensá-los pela demora em atualizar My Sweet Rebel. Enquanto eu ouvia Amianto, da banda Supercombo, fiz pesquisas sobre o assunto e, após tais pesquisas, resolvi escrever meus pensamentos adicionados as pesquisas realizadas e a própria música. As regras de envio abordam que postar fanfics em jornais não é apropriado, o que acredito violá-las. Se esta estória for excluída, peço perdão desde já.

Meu universo na forma de KaiSoo. Espero que possam apreciá-lo.

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❝AMIANTO❞(KAISOO)
*Fanfic inspirada na música Amianto, Artista – Supercombo.*



Amianto:
sm. Silicato natural hidratado de cálcio e magnésio, incombustível, de contextura fibrosa. [A aspiração de fibras de amianto é muito danosa para os pulmões.]





Jongin se encaminhava em direção a sua casa, colidindo contra alguns indivíduos que se encontravam em seu caminho. Não lhes oferecia perdão, tão pouco se dava ao trabalho de olhá-los com mínima cortesia.

Não se importava.

Almejava chegar a seu apartamento, tomar um banho quente e duradouro e se jogar no sofá, conforme acabaria com as poucas embalagens de salgadinho guardadas em sua dispensa. Isso o faria abrandar-se e suavizar-se para com o dia, afinal; não era uma tarefa simples ser professor de filosofia com apenas vinte e dois anos, e muito menos simples ser o professor de filosofia de colegiais que caracterizavam suas aulas como uma “total perda de tempo”.

A Filosofia busca compreender e solucionar o sentido de nossa existência. Estuda problemas relacionados ao conhecimento, à linguagem e à mente, aos valores morais e estéticos, à verdade. A Filosofia é o amor à sabedoria.

– Jovens indisciplinados. – Murmurara derrotado, cumprimentando o porteiro de seu prédio e marchando em direção ao elevador. Apertara o vigésimo botão, aguardando que a cabine móvel o levasse até o andar designado. Tamborilava os dígitos em sua pasta de trabalho, alcançando suas chaves e seguindo em direção a porta de seu apartamento.

Girava a chave do molho na fechadura antes de se virar com sobressalto, ao que sua audição apanhara o barulho de vidro sendo quebrado. Permanecera parado por alguns segundos, observando a porta do apartamento ao lado. Era a primeira vez que ouvia algo vindo do apartamento que acreditara ser inabitado. – Vizinhos... – Revirara os olhos com pouco crédito, suspirando serenamente a se ver dentro de seu lar aconchegante. – Como vai, Monggu? – Sorrira para o seu pequeno Airedale Terrier, acariciando os pelos enrolados em forma de caracol.

O moreno fora direto para o banheiro principal, despindo-se com lentidão e se posicionando debaixo do chuveiro que despencava água quente. Refletia sobre as provas bimestrais que ainda teria de corrigir e sobre as atividades de recuperação que logo elaboraria. Já era ciente das notas baixas e médias de uma porcentagem de seus alunos. – Se usassem os valores da linguagem e da mente para tirarem uma nota proveitosa... – Referia-se as inúmeras cartas de amor recebidas semanalmente de alunas anônimas.

Kim Jongin já não era mais um jovenzinho conquistador. Seus tempos de colegial se extinguiram há cinco anos. Aquelas garotinhas deveriam buscar compreender o sentido da palavra “rejeição”.

Kim Jongin já não era mais um moçoilo que iniciava sua puberdade.

– Sou um homem com responsabilidades e ambições. – Dera de ombros, demorando-se por mais alguns minutos no banheiro. Logo se enrolara em uma toalha suave e seguira em direção ao quarto, vestindo uma boxer simples e elevando as calças moletom cinza pelas coxas amorenadas.

Seguira para a cozinha, alcançando seus salgadinhos e se jogando no sofá de pallet.

O tempo parecia se arrastar com vagar, o que formalizava o rapaz a xingá-lo de mero estúpido. A companhia de seu cão, TV e comida já não eram mais satisfatórias, induzindo o jovem professor a testemunhar a vida pela sacada.

Puxara o banquinho de bar que ganhara de um amigo, sentando-se sobre a pouca espuma do móvel e apoiando os braços no corrimão da sacada. Analisava os inúmeros pontos que se movimentavam com afogadilho, originando suas próprias questões filosóficas. O tipo de pergunta que exige certa reflexão para com o individuo que a deve responder.

O que as tornam melhores pessoas?

São todas iguais?

São felizes?

O que seria felicidade para elas?

Suas indagações foram findadas conforme desviava sua atenção para um miúdo garoto que descansara a cabeça sobre os braços apoiados no corrimão. Não o conhecia; nunca o vira antes.

Os cabelos negros e escorridos em sua face – que mais lembrava uma delgada porcelana – contrastavam com o deleitável vermelhusco dos lábios carnudos. Lábios aqueles que desamarraram um languido suspiro.

Aquela figura era mesmo real? Não poderia ser real.

Mas... o nada existe?

O moreno escancarara os olhos quando o vira se equilibrar em cima da cadeira que fazia conjunto com a mesa de chá disposta no local, prendendo a respiração ao avistá-lo erguer um dos pés e o descansar sobre o corrimão de vidro. – Yah! – Exclamara com afobação, apanhando a atenção do desconhecido que o encarara entediado.

Não havia notado a presença do mulato.

– Sim? – Questionara com naturalidade, como se o fato de estar prestes a se jogar de um prédio de vinte andares fosse algo comum em sua rotina.

– O que acha que está fazendo? – Jongin arrastara o banco para perto da sacada de outrem, indagando-lhe com uma voz serena e tranquila. Era ciente de que deveria manter a calma e agir normalmente em uma situação delicada como a que presenciava. Em outras circunstâncias, o suposto “suicida” berraria para que mantivesse distância ou se jogaria sem hesitar, mas o miúdo não esboçara qualquer reação que pudesse solidificar tais suposições. Permanecia indiferente, beirando a apatia insensível.

Os pensamentos são reais?

– Não é óbvio? – O menor arqueara uma das sobrancelhas, permitindo que um mínimo resquício de sorriso saltasse de seus lábios. – Somos mais importantes que um inseto? – Perguntara de repente, fitando as nuvens cor de leite que o faziam ansiar por um toque ingênuo. – É capaz de responder a minha pergunta?

– Depende do ponto de vista que se é perguntado. Se acha mais importante que um inseto? Não acha que a nós foram atribuídas qualidades especificas que nenhum outro ser jamais obterá? Ou que, tanto nós quanto os insetos somos espécies que existimos nesse momento e que temos a mesma importância?

– O que diabos é você? – O mais baixo fizera uma breve careta, atentando-se ao momento em que Jongin rira.

– Sou um professor de filosofia.

– Ah, está explicado.

– E quem é você? Digo, qual o seu nome?

O rapazinho se sentara sobre o corrimão de vidro, dando as costas para a cidade aglomerada. – Me chamo Do Kyungsoo, professor de canto para alunos universitários. Você, como o meu vizinho, deveria ao menos saber o meu nome, não deveria?

Jongin engolira seco, vendo-o balançar os pés como uma garotinha de saias no colo da mãe, e admitindo que seria questão de tempo até que o visse despencar dali. – Nunca o vi por aqui, Do Kyungsoo. Até mesmo cogitei a possibilidade de não ter um vizinho, mas vejo que me enganei. E você? Sabe o meu nome?

– Já o vi algumas vezes. Kim Jongin, correto? Um dia desses, ouvi a Sra. Lu lhe chamar assim após a ajudar com algumas sacolas de compras.

– Sim. É um prazer conhecê-lo, Do Kyungsoo. – O mulato fizera uma breve reverência, sendo correspondido pelo menor, que o respondera com um simples aceno de cabeça.

– Igualmente, Kim Jongin.

– E o que lhe faz querer abandonar a vida? – O rapaz se inclinara, fitando os olhos estoicamente perdidos.

– E desde quando o suicídio tem uma explicação objetiva?

– Responder uma pergunta com outra não é algo que se faça, Kyungsoo. – O mais alto sorrira de maneira travessa. Prosear com o vizinho não lhe parecia uma saída ruim.

E, naquele momento, Jongin se arrependera de não tê-lo conhecido com antecedência. – Desejamos morrer para que escapemos da sensação de dor e impotência extremas. É comum que o ser humano experimente, pelo menos uma vez na vida, um momento de infortuno e falta de esperança. É um pensamento humano.

– E para aqueles que pensam em morrer todos os dias, Jongin? – O miúdo sorrira com melancolia. Não contava com a ajuda de um jovem professor de filosofia. Ainda existiam pessoas que se importavam com as outras? Mesmo que fossem triviais desconhecidos?

– Há suicídios e suicídios. Nunca ouviu falar dos registros do falecido escritor italiano Cesare Pavese? “Ninguém nunca deixa de ter um bom motivo para o suicídio”. Os suicidas enxergam a vida como algo sem sentido, ou veem prevalecer em si um sentimento neurótico de desvalia, derrota e de baixa autoestima. É a partir daí que se criam as fantasias ao redor da morte.

– Afinal de contas; você é um filosofo ou um psicólogo? – Kyungsoo desviara os olhos para a multidão conservada em seu próprio mundo individualista, autocentrado e egocêntrico.

– Ambas as áreas buscam a relação entre a consciência e o mundo; entre o ser humano e o mundo. Buscam compreender os conceitos e leis mais gerais da natureza, sociedade e pensamento, formulando questões gerais e fundamentais.

– Você é muito sábio, Jongin.

– É necessário acreditar no que os professores nos dizem, Kyungsoo? – O mulato sorrira de canto, centralizando-se em suas expressões dóceis e gentis. – Você é o seu melhor juiz para decidir se deve se jogar ou não?

– O suicídio é um meio de expressão, uma fala que não pôde ser ouvida. Por que não somos ouvidos, Jongin? Todos dão conselhos, mas não são capazes de ouvir o que temos a dizer; o que temos a expressar. Ficamos com a impressão de que não existimos para o mundo. – O rapazinho dera de ombros, ambicionando obter um ponto final naquela conversa que há tempos quisera ter. Um professor de filosofia fora capaz de sanar suas dúvidas mais obscuras.

Reconhecia a inexistência de uma personalidade suicida.

Reconhecia uma vulnerabilidade emocional.

Kyungsoo possuía uma estrutura de ego fragilizada para com o mundo, não se vendo apto a suportar um momento de crise ou uma grande perda. Considerava-se alguém depressivo? Sentia que sua cabeça não mais se recuperaria e, num impulso, acabaria cometendo o suicídio.

A cada dia, o sofrimento físico e moral se tornam mais excessivos, e viver torna-se um fardo lancinante e desolador. Angustiante.

Kyungsoo sonhava em fechar os olhos e acordar em seu próprio mundo fantasioso. O mundo cor-de-rosa que saciaria todas as suas indispensabilidades e privações, o tornando veridicamente feliz.

Qual a diferença entre viver e existir?

– Posso persuadi-lo. – Regressara ao mundo real quando ouvira a voz de seu vizinho, notando o tom límpido e sublime no qual fizera o professor de canto se inebriar.

–“Persuadir-me”?

– O desejo autodestrutivo que sente, o anseio de resolver suas conturbações num só golpe podem se findar. Quando os seus sentimentos e ideias se remodelam, suas experiências cotidianas passam a ter significado novamente e você restabelece a confiança em si mesmo, aos poucos, é instruído a seguir adiante. Encontra uma saída; um apoio. Será que a morte é o único passaporte para uma nova vida? – O mais alto lhe questionara com tranquilidade, apaziguando-se ao não obter uma resposta. – Permita-me persuadi-lo.

– Então o faça; persuada-me. – Kyungsoo entregara a concepção de “mundo” em suas mãos.

– Saia da sacada, pequeno Do. Você é muito novo pra brincar de morrer.

– “Brincar de morrer”? – O miúdo descera da cadeira, seguindo para perto da sacada do maior. Tremulara mascaradamente.

Jongin era um rapaz muito bonito.

– A vida é uma brincadeira inconstante, Kyungsoo. – Antes de proceder, o mulato deixara que as fortes correntes de vento se cacheassem em torno de ambos os corpos. – Ela é como uma mãe que faz o jantar e obriga os filhos a comer os vegetais. Entende o porquê?

– Ela sabe que faz bem, não sabe? – O mais baixo sorrira com graça.

– Sim, lindo menino. – Jongin apetecia rir de seu vizinho ao ver o ostensível rubor que retumbava sua face cor de algodão, mas não o fizera.

– Mas e a morte, Jongin-ah?

– A morte é como o pai que bate na mãe e tira os filhos do prazer de brincar como se não houvesse amanhã. Opta por perder a vida ao invés de vivê-la, Do Kyungsoo? É imortal?

– Não sou imortal.

– Um incêndio pode ser belo? – Voltara a lhe questionar.

– Eu acredito que não...

– Provarei do mesmo sentimento se você se jogar dessa sacada. Não deve olhar para baixo, aí é muito alto pra você se jogar.

– Então o que deseja que eu faça, Jongin? – O rapazinho o contestara amargamente.

O moreno o averiguara com encantamento, apurando que Kyungsoo era bonito demais para se deparar ensanguentado e destroçado no chão após uma queda de mais de sessenta metros. – Deixe eu te levar para um café. Assim poderemos conversar e eu te ouvirei, antes de tentar te convencer que viver é brincar de morrer a qualquer momento.

Naquela tarde de outono, Jongin aguardara Kyungsoo em frente a porta, sorrindo amplamente quando o reconhecera aproximar-se de si. Degustara do sentimento de preocupação ao ver nítidos cortes estampando os delgados dedos de mãos gentis, ralhando com o miúdo conforme o ouvia dizer que se cortara ao tentar recolher os cacos do copo quebrado sem devidas precauções.

Então se recordara de mais cedo, quando ouvira o barulho de vidro sendo quebrado.

Então era isso, pensara remansado, deixando sua companhia sozinha por alguns minutos para que encontrasse, em meio a gavetas e mais gavetas, o que procurava.

Aqueles minutos renderam uma face contrariada do pequeno Do, que odiava a sensação de espera. Sentia como se fosse abandoná-lo e jamais voltar. A bela face carrancuda fora substituída por um singelo sorriso ao ver simples curativos sendo enrascados em seus dígitos molestados.

Naquela tarde, onde as folhas alaranjadas se esparramavam pelas calçadas esmaecidas, ambos estudaram a névoa quente que sobrevoava as canecas de café expresso, enquanto contestavam o sentido de “vida simples” e “vida eterna”.

O que faz com que uma vida valha a pena ser vivida?

A morte é a única certeza que temos na vida?

– Mas tudo bem, lindo menino, nem sempre estamos na melhor.

– Jongin-ah, ninguém é de ferro, somos programados pra cair.




Supercombo:
Surgido em meados de 2003, a Supercombo traz uma proposta de som completamente desprendido de rótulos, mas sem o medo de soar popular, com influências que vão de Deathcab for Cutie e Maroon 5, ao peso de Deftones, passando pelo psicodélico de Tool e A Perfect Cicle, e com um pé no novo rock de Fall out Boy e Panic! At the Disco.




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