Black Sheep


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Black Sheep

Acho que eu sempre soube que ia acabar assim.

Alguns dizem que opostos se atraem. Talvez, mas com a gente, não era tão fácil.

Eu, sempre do meu jeitinho. Um anjo, inocente, cheia de amor para oferecer, não aceitando perder amizades e fazendo sacrifícios pelas pessoas que eu amo.

Você, me oferecendo a cada dia uma surpresa diferente. Sempre foi grosso, frio, nunca ligou pra nada, sempre teve ódio para espalhar e nunca precisou fazer o menor esforço para ser babaca. Costumava se autodenominar um demônio.

Um anjo e um demônio. Um romance impossível.

Talvez eu tenha chamado a sua atenção com todas essas minhas qualidades puras. Minha compaixão, minha inocência, meu coração tão grande onde cabiam tantas pessoas. E conheci você. Um cara tão rude, egoísta, violento, orgulhoso. E por algum motivo extremamente misterioso, acho que gostei disso.

Seu jeito me encantava. Um dos meus maiores desejos durante todo o nosso tempo juntos sempre foi conseguir não me importar com absolutamente nada, assim como você fazia. Eu amava sua coragem de falar o que pensava, admirava seu jeito impulsivo de tomar decisões, me apaixonei pela sua forma agressiva de tratar tudo e qualquer coisa. Afinal, era tudo o que eu não era. E tudo o que eu queria ser. Alguém mais forte e que não leva a culpa por tudo, não aceita essa culpa como se fosse merecedora disso, e não admite ser apedrejada injustamente. Alguém que não é tão confusa, que não sofre para pensar, que nunca consegue tomar uma decisão sem chorar um pouco e achar que é o fim do mundo. Mas infelizmente, essa era eu. E até mesmo ao seu lado, até mesmo tendo você como exemplo, a única coisa que eu conseguia fazer era continuar me arrastando.

E foi exatamente o que eu fiz.

Me arrastei por você.

Eu realmente fazia e estava disposta a fazer absolutamente qualquer coisa por você. Aguentei todos os xingamentos, toda a pressão, todas as perdas, todos os abandonos, toda a ansiedade que chegou com tudo isso. Aguentei achando que eu era forte, achando que se você estivesse ali, eu não precisava de mais nada. Você era meu tudo. Eu era completamente submissa e faria qualquer coisa que você mandasse. Eu poderia morrer por você.

Você me fez conhecer partes de mim que eu nem sabia que existiam. Partes que eu nunca havia mostrado para ninguém e só queria mostrar para você. Eu gastava horas e horas do meu dia apenas pensando em maneiras de te dar prazer, de te agradar, de te ver satisfeito e louco por mim, tão louco quanto eu era por você. Eu estava disposta a apanhar e sangrar com um sorriso no rosto, pedindo por mais, aguentando sem demonstrar um pingo de desagrado. Eu só estaria ali, aceitando com toda a minha alma a punição que me era destinada por seja lá o que eu havia feito de errado. Pensar em você me dando ordens e me controlando levava um sorriso bobo ao meu rosto, que poderia demorar horas para desaparecer.

Eu era totalmente, de corpo e alma, entregue a você. Você poderia fazer absolutamente tudo o que quisesse comigo. Eu aguentaria, sorrindo e te amando a cada segundo mais.

Para ser sincera, em nenhum momento, nem mesmo agora, eu duvidei do seu amor por mim. Sempre acreditei em você, sempre acreditei na sua fidelidade, nunca precisei desconfiar de nada. Mas talvez todos os meus sacrifícios tenham sido em vão. Talvez, tudo que eu te ofereci e tudo o que eu sacrifiquei não foram o suficiente para te fazer ficar. Para te fazer me amar pra sempre, como você havia prometido sem pensar se poderia cumprir.

E no final, depois de tudo que eu perdi, tudo que eu vomitei, tudo que me forcei a aguentar, você foi embora. Foi embora e me deixou aqui, no momento em que eu mais precisava de você.

Talvez seja melhor assim.

Talvez eu não tenha sido insuficiente. Talvez você só seja um completo babaca que eu infelizmente não consegui consertar.

Por isso eu cansei de me culpar. Cansei de correr atrás. Cansei de me arrastar e te amar, chorando tanto e me forçando a carregar esse peso nas costas.

Afinal, você mesmo me disse uma vez.

“Dizem que chorar limpa a alma. Duda, você não precisa chorar”.

Você tem razão.

Eu não preciso.

Afinal, eu não sou como você. E agora que vejo bem, eu nem quero ser.

Escutando: You Don't Own Me

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