~MaahChan

MaahChan
Mazinha
Nome: Maah Chan
Status: Usuário
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Aniversário: 3 de Dezembro
Idade: 19
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Codinome Lucy


Postado

Codinome Lucy

Estou sem fôlego, porque avizinho-me de onde não devo.

Respiro fundo.

Conto até dez.

1... 2... 3... 4... 5... 6... 7... 8... 9... 10.


Pronto. Expirei. Só que esse pesar não foi contíguo com o ar e o fôlego não regressou. Meus pulmões parecem doer de forma aguda e o frio na barriga é incômodo demais. Porém, eu já estou habituada. Há anos que coexisto com isso. E com esse vazio igualmente. Não há quem ou o quê o ateste. Melancólica conservo-me, todos os dias.

Todavia, hoje é um dia em que tudo está pior. É que peregrinei pela avenida que me traz uma saudade e senti a brisa fria do outono me eriçar. Chutando o pó da rua, olhando para baixo e tentando em vão acalorar minhas gélidas mãos nas algibeiras de meu bolero negro, caminhei. Meus dedos lívidos brincavam com as moedas que eu antes pusera ali. Centavos que eu depressa consumiria em uma floricultura pulcra que havia naquela avenida. Flores. Lindas e mórbidas, não?

Comprei um buquê de rosas brancas e tornei a viajar. Abeirei-me a um túnel e, na calçada do princípio, sentei-me. Concebi um panorama belo em minha fantasia e como toda aquela conjuntura solitária seria apropriada com você aqui comigo. Nós éramos muito solitárias, lembra-se? Mas tínhamos uma a outra. Tínhamos... E é por esse verbo passado que suspiro. Afinal, quanta consternação pode transportar uma singular lágrima? O quão prolixa ela pode ser? Enfim, por que essa amargura jamais se esvai quando reflito e lamento por ti?


Hoje eu sonhei contigo.


É, eu ainda me recordo de seu nome. De seu aniversário e das suas psicoses. Eu ainda me lembro sobre nós, conquanto os anos tenham se passado. Mas eu só almejava vir até aqui para dialogar um pouco. Sentar na calçada suja e cheia de folhas e lhe trazer esse ramalhete. Eu tenho muitas coisas para te contar e muitos motivos para me justificar contigo, porém, nem sei por onde principiar. Só consigo cogitar como é que você estaria hoje em dia. Se seria feliz. Se ainda seria aquela bela que apreciei. Se estaria concretizando seus devaneios. Se ainda estaria mesmo me padecendo... E se ainda estaríamos gracejando da solidão.

É que me indago se eu errei hoje. Questiono-me as causas de estar nesse palco vazio, sem você ao meu lado. Eu tenho medo desse vácuo, sabia? Sou franca sobre meus anseios confusos. Sei que vagarosamente estou me tornando mais e mais oca, como uma boneca de porcelana. Um brinquedo imperfeito. E estou me confortando com isso, pois sei que não há mundo perfeito, ainda que eu tenha vivido e idealizado um ao seu lado.

Só que está muito frio, amor. E não é só por causa do vento que choca-se em minha pele e me arrepia. É por ver essas pétalas brancas a rodopiar pela brisa, como um espetáculo para propagar a chuva que incide dentro de mim. E eu virei essa moça que não graceja mais da solidão, somente coexiste com ela e sofre junto. Decerto, você não carece estar afortunada com isso, não? Mas tudo bem. Eu abranjo sua posição. Porém, imagino se você está num bom recinto e se está brincando com os anjos, com seus idênticos.

Como eu anseio me unir a ti, mas não posso. Tudo o que posso fazer é lhe trazer essas rosas e lhe pedir graça. Também acrescentar que eu ofereceria todo o mundo para poder viver num acanhado pedaço do paraíso contigo. Eu daria tudo para tê-la de volta. Trocar de lugar, quem sabe... Se bem que eu detestaria vê-la lagrimar. Vê-la estar no meu lugar. Ou será que você conseguiria seguir adiante? Afinal, você sempre foi mais forte. Já eu, emprego máscaras. Que infâmia.

E, por isso, eu lamento. Porque eu ainda me lembro do seu nome. Eu me lembro de tudo e me arrependo por não ter estado contigo nos derradeiros segundos. Perdoe-me por não ter sido a sua luz no fim do túnel e por ser egocêntrica e achar que você ainda é a minha. Compreendo que cobiça minha prosperidade e que eu siga em frente. Olvide-te. Contudo, como posso viver sem a pessoa que amo? Como posso sabendo que jamais mais a terei?

Sabe... Eu só vim aqui para lhe trazer esse buquê e conversar contigo. Só que é penoso não poder frequentar sua sepultura. É árduo vir até esse lugar, onde você deu seus últimos alvoroços alucinados. É duro... Então perdoe-me por vir chorar e me deplorar, mas você sabe como sou. Você sabe... E eu noto que errei mesmo hoje, como todo dia erro e como errei contigo. Sinto muito. Agora, apenas permaneço a ouvir esta abjeta e dolente canção.


Eu me lembro do seu nome...

Lembro-me de tudo.

Mas queria esquecer.

Escutando: Lucy (Skillet)

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