~MaahChan

MaahChan
Mazinha
Nome: Maah Chan
Status: Usuário
Sexo: Feminino
Localização: Indisponivel
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Idade: 19
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Pierrô


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Pierrô

Pus um pó branco em minha face. Puxei o olho com o delineador. Passei um batom negro dentro e fora dos contornos de meus lábios. Acresci uma lágrima preta no olho esquerdo e findei a maquiagem. Estava perfeita para mim: uma perfeita palhaça.

Cursei por dentro daquela habitação repleta de rosas. Havia epístolas pelas escadas, com fitas apinhadas de mensagens para quem se importasse. Nelas, apenas colagem de palavras fraturadas e biografias cheias de lamúrias, lembrando minha vida. Ah, sim, como ansiava que jazesse aqui.

Meus caminhares me induziram para o vasto circo. Colorido. Eu era uma jogralesa acromática, mas o mundo era realçado. E, quando dei por mim, jazia em cima de uma bola redonda como a lua, arriscando sustentar o equilíbrio. As pessoas, que antes inexistiam, riam de mim e eu fazia questão de deixar aparentes minhas quedas. Eu posso fazê-los gracejar com meus tombos, essa é minha cátedra.


Sou a boba, afinal.
Contudo, eu te vi lagrimando na plateia.

Por favor, não faça essa expressão triste.


Alguém tão perfeita como você não deveria despejar prantos que seus pais desconhecem. Ainda mais por outrem. Só que eu me dei conta dessas lágrimas, então as limpei para você.


“Tudo bem, não dói nem um pouco.
Apenas continue rindo de mim.
Afinal, eu sou aquela que cai de modo idiota.
Não sou nada mais que uma palhaça”.


Todavia, você negou-se a parar de chorar. Disse que eu mentia e isso te deixava deprimida. Só que eu lhe retruquei amável... “Eu não disse nenhuma mentira”. E, assim que disse tais palavras, você começou a lamentar novamente.


“O que você camufla e não manifesta para a plateia...
Mostre-me seu verdadeiro rosto sem maquiagem.
Aquele que sente dor quando te ferem.
Ou que chora quando se angustia.
Não tenha vergonha”.

E disse que estava tudo bem se eu não pudesse improvisar um bom sorriso. Só não desejava que eu mentisse sobre isso de novo. Estava tudo bem, já que eu não tinha mais de sustentar tudo sozinha. Afinal... Você choraria junto comigo.


“Tudo bem... Você o encontrou para mim.
O meu verdadeiro rosto.
Parece que eu tinha esquecido”.


Retornei para casa ao seu lado. Já não carecia mais me contrabalançar naquela bola ou fazer os outros rirem. Apenas necessitava fazê-la rir. E aquelas cartas nas escadas pareciam descrever algo. As pétalas direcionavam um caminho. E, de repente, tudo jazia oco. Só existia nós duas. Eu era preta e branca. Você era colorida. E nós compúnhamos suntuosos entretons.


“Mas o sol vai se pôr para você.
A minha coloração irá esvaecer.
E a sombra do dia irá envolver o mundo em cinza”.

Sorrindo, ela esvaneceu e só me restou o frio e o incolor. Foi quando percebi estar sozinha e a pintura de meus olhos dimanava. Tão borrada que todos tornaram a reaparecer e escarnecerem de mim. Ora, eu não havia caído... Mas por que sentia como se aquilo fosse pior do que meus acanhados baques que padecia em cima de uma bola?


Porque eu não estava atuando.
Eram honestas lágrimas.


Foi então que eu despertei daquele sonho temível. Nada fazia sentido, mas eu oscilava. Estava sobressaltada e acordei com o temor de te perder. Levantei-me e peregrinei pela casa oca, repleta de flores e epístolas pelas escadas, com fitas apinhadas de mensagens para quem se importasse. E eu estava pintada como uma palhaça. Do mesmo modo do sonho. E, assim como no devaneio, você abrolhara e esvaecera. Como pétalas a foliar por uma brisa sem endereço.


“As fábulas permanecem inundadas de lamentos.
As rosas estão despedaçadas.
Tome cuidado com seus espinhos.
Pois as cartas soluçam de dor”.

E você não mais ria. Nem eu. Só que tornei a me compensar na bola redonda como a lua, fazendo as pessoas escarnecerem com minhas quedas aparentes. Continha a expectativa de que você surgisse, lamentasse e me deprecasse para cessar a simulação. Para retirar a maquiagem e para chorar comigo. Mas você jamais apareceu outra vez e eu permaneci aqui.


“Tudo bem, tudo bem...
Isso dói muito, então parem de rir de mim.
Era isso o que ansiava que eu proferisse às pessoas?
Afinal, eu sou aquela que cai como uma idiota.
Não sou nada mais que uma palhaça”.

Escutando: She's Gone (Steelheart)

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