~Mangle-Chan

Mangle-Chan
Só uma leitora
Nome: Gisele/Mang
Status: Usuário
Sexo: Feminino
Localização: Indisponivel
Aniversário: 1 de Outubro
Idade: 18
Cadastro:

Robotic Heart


Postado

Robotic Heart

Eu ainda não voltei totalmente

Eram duas irmãs, muito unidas, uma de 7 anos(Ruki) e outra de 5(Kim), a mais velha era super protetora, e a mais nova, teimosa. Mesmo com essas diferenças, as duas se davam bem, nunca brigavam.
Ficariam juntas.
Para sempre.
(...)
As duas estavam brincando no jardim de sua casa com uma bola, até que a mais nova a joga longe demais.
A bola atravessa a rua e para do outro lado, a mais nova decide sair correndo até lá, mas sua irmã a impede.
“Mamãe disse que não devemos atravessar a rua sozinhas!”
“Não enche!”
A mais nova atravessou a rua correndo, em direção a outra calçada.
“Pare, a mamãe vai ficar brava com a gente!”
A mais velha correu, sem olhar para os lados, um carro em alta velocidade passa, você deve imaginar o que aconteceu.
Sim.
A irmã mais velha foi atropelada.
(...)
Ainda sobreviveu, mas não lhe restava muito tempo. Estava agora em coma, presa nos seus próprios pesadelos.
Sua irmã mais nova não saiu do seu lado. Chorava e debruçava-se sobre a irmã, sentindo-se culpada. Segurava sua mão com tristeza no olhar.
“Você consegue me ouvir?”
Sentiu a mais velha apertar sua mão.
“Você vai voltar?”
Nada.
“Você me perdoa?”
Sua irmã apertou-lhe a mão novamente, foi o suficiente para fazer a mais nova desabar em lágrimas.
O maldito som ecoou no quarto, avisando que os batimentos estavam cada vez mais fracos.
Até o som parar.
Para sempre.
(...)
Sua irmã havia partido, tudo por culpa de sua teimosia. A mais nova não se conformava. Perdeu sua amada irmã, que só lhe queria o bem.
Seus pais acharam melhor apagar todas as lembranças de sua irmã, jogaram fora suas roupas, queimaram fotos.
Entretanto, a irmã mais nova desejava lembrar-se de sua irmã para sempre, então guardou uma foto da qual estava ela ao lado da irmã, as duas sorriam.
Seus pais nunca encontrariam aquela foto, aquela seria sua pequena lembrança.
Se lembraria de sua irmã.
Para sempre.
Não é?
(...)
A irmã mais nova agora tinha 21 anos, morava sozinha, tinha um emprego, estava fazendo faculdade, fez várias amizades, mas continuava faltando preencher um espaço em seu coração.
Sabia muito bem quem preenchia aquele espaço, agora vazio.
Um dia, voltando de seu trabalho, em frente á sua casa, viu uma caixa muito grande e suspeita.
Não sabia quem havia lhe mandado aquilo, com muita dificuldade, ela colocou a caixa dentro de casa.
O que poderia ter dentro que pesava tanto?
A abriu e se deparou com uma grande surpresa.
Uma robô.
Que lembrava muito sua irmã.
Mas diferente de sua última lembrança, a robô parecia uma jovem adulta, claro, era visível que não era um ser humano, já que tinha orelhas e cauda similares as de um lobo.
Parecia algo tão vazio.
Bem diferente da personalidade de Ruki.
Curiosa, porém, ocupada, a irmã mais nova decidiu liga-la apenas quando voltasse da faculdade.
(...)
Ansiosamente, ela procurou algum botão para ligar a robô, quando o achou, a robô começou a se mexer, abrindo os olhos e revelando seu olhar vazio. Sem expressão, a robô encarou a humana a sua frente.
“Você é a minha mestra?”
“Acho que sou!”
“Como é o seu nome, mestra?”
“Kurome Kimmy, mas pode me chamar de Kim!”
“Certo, mestra!”
“E o seu?”
“Não existe nenhum registro de nome para mim, mestra!”
“Hm...”
Kim pensou bastante, observou que no braço direito da robô tinha algumas letras:
M.
A.
N.
G.
“M.A.N.G.?”
“Esse é o meu modelo, mestra!”
“Ok, então vou te chamar de Mang!”
A robô parecia ser inteligente, então Kim passou a ensinar tudo o que sabia.
(...)
Apesar dos olhos vazios, Mang demonstrava bastante carinho com sua mestra, varria sua casa, deixava tudo em ordem, regava as flores. Servia sua mestra em tudo.
(...)
Os dias não poderiam ser melhores agora que Kim tinha M.A.N.G. com ela. Cada dia Mang ficava mais amável e protetora, o que fazia Kimmy se recordar de sua irmã mais velha.
Certa vez, a robô acabou desligando, Kim se desesperou, não suportaria a ideia de viver sem a robô, como não era entendida do assunto, procurou um amigo.
“Ela está bem, só precisa recarregar!”
“Muito obrigado, Takane!”
“De nada!”
(...)
Em uma noite, a irmã mais nova acabou encontrando a foto que havia guardado.
Pôs-se a chorar.
Sua robô ficou preocupada, nunca tinha visto sua mestra chorar tanto, ainda mais por ver uma única foto.
Com um peso em sua consciência, a robô sentiu que precisava acabar com aquela foto.
Seria a maneira mais correta de fazer sua mestra esquecer aquilo que a fazia chorar.
Não é?
(...)
Kimmy pegou sua robô no flagra, cortando em pedaços a foto.
Sua única lembrança.
De sua amada irmã mais velha.
A irmã mais nova irritou-se com a robô.
Por sua vez, M.A.N.G. não entendia o por quê de sua mestra ter ficado tão zangada.
Pediu clemência, mas Kim estava furiosa, e mandou ela ir embora.
Como fazia parte de seu sistema, a pobre robô não teve escolha, então saiu da casa.
Arrependida de sua escolha, Kim saiu correndo.
Assim que saiu, chamou o nome de sua companheira.
A robô ficou parada no meio da rua, olhando para trás, completamente confusa.
Um carro em alta velocidade estava passando.
“Não. De novo não!”
Foi um acidente trágico.
A robô levantou-se e viu sua mestra caída na rua.
Kim tinha se jogado e salvado a robô.
“Não vou deixar você morrer assim de novo!”
Foram as últimas palavras da irmã mais nova.
(...)
Takane era um dos poucos que tinha conhecimento da robô, então ele tomou posse de M.A.N.G., que não entendia o por quê de sua mestra ter fechado os olhos e nunca mais tê-los abertos.
Muito menos ainda do por que de um homem humano jogar terra sobre sua mestra.
Estava confusa.
Era só recarregar.
Não é?
(...)
Takane estava andando pela rua da casa de Kimmy, juntamente de Mang, ela observou a casa, com sua expressão e olhar vazio.
“Quer se despedir?”
A robô nada responde, apenas anda em direção a casa.
Takane resolveu deixa-la lá por um tempo.
Mas como nunca foi responsável, Takane esqueceu-se dela e a deixou sozinha.
(...)
M.A.N.G. varreu a casa, deixou-a em ordem, regou as plantas.
Sentou-se na calçada, fitando o chão.
Sua bateria estava acabando.
Mas não havia motivos para recarregá-la.
Não é?
(...)
A robô ficou por muitas horas apenas sentada na calçada, as pessoas passavam e observavam a humanoide, quieta, sempre olhando para baixo, com os olhos repletos de tristeza.
Por sua vez, duas crianças estavam brincando com uma bola do outro lado da rua.
Uma das crianças jogou a bola muito longe.
A bola atravessou a rua.
Chegando até a robô.
As duas crianças correram para atravessar a rua, com a devida atenção.
Chegaram perto da robô.
“Ela parece triste!”
“Vamos deixar a bola aqui, para que ela possa brincar!”
As duas crianças voltaram para dentro de casa.
(...)
Após o pequeno incidente com as crianças, escureceu. M.A.N.G. não sentia frio, mas seus olhos pareciam mais vazios e frios do que nunca. Sem expressão alguma, a robô sentiu uma mão quente apertando a sua.
Escutava uma voz chorosa.
“Você consegue me ouvir?”
A robô apenas apertou aquela mão.
“Você vai voltar?”
Ela não entendeu o sentido da pergunta, e por isso, nada fez.
“Você me perdoa?”
Por alguma razão, a robô sentiu que precisava apertar a mão novamente. A sensação sumiu, e a rua voltou a ficar silenciosa e fria.
(...)
Estava amanhecendo, M.A.N.G. já não conseguia se mover direito.
Virou seu rosto e encarou a bola ao seu lado.
Um estranho sentimento percorreu seu corpo.
Ou era um mau contato?
Sua bateria estava prestes á se esgotar.
Ela não se importou.
Voltou a olhar o chão.
E então.
Desligou.
Para sempre.


Fim




Isso merece virar uma fic?

-M.A.N.G.


Gostou da Jornal? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...