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Nome: Priscila Ramos
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Carta à minha antiga psicóloga.


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Carta à minha antiga psicóloga.

"Eu sei que as vezes parece chilique de adolescente, frescura, fase, rebeldia, etc. Mas realmente não é, seria até melhor se fosse cada uma dessas palavras, porque pelo menos eu ia saber que é temporário, que logo vai passar e eu vou ser uma pessoa comum com uma vida comum. Eu sentaria em uma cadeira, colocaria os pés sobre alguma mesa e dizia: agora é só esperar, afinal, vai passar.
Mas o pior é que eu já fiz isso, já esperei, já tentei mudar, já tentei começar do zero e fiz tudo que estava ao meu alcance, mas não é tão simples quanto parece. O grande problema é que eu sou tão insegura que não consigo me expressar do jeito que deveria ou do jeito que eu gostaria, porque a impressão que passo a mim mesma é que depois de sair da sala de consulta, eu parecia uma garota mimada, com problemas familiares e adolescência a flor da pele.
Não, não é isso. É mais.
É a raiva, tristeza, insegurança, impotência, medo e angústia multiplicadas em dez correndo pela minhas veias a fora quando eu me machuco relutante. Porque se antes era um escape, hoje é uma dor desejando que se transforme em escape de novo.
São lembranças de coisas demais que estão cobertas sob panos aparentemente limpos. São as risadas do círculo de pessoas e as lágrimas de uma garota gorda no ensino fundamental. São sonhos reveladores que esfregam no meu rosto coisas que me tornaram a vítima da minha própria história. É a sensação de inutilidade por não ser sempre a primeira como gostariam, ou de não ser tão independente quanto deveria. É o medo de conhecer um mundo que foi escondido por anos, é a raiva por ter sido escondida dele, por viver em cárcere como uma criminosa presa em uma solitária sem janelas.
É o desejo que um dia tudo seja perfeito, que tudo dentro de mim seja bem vindo e aceito.
É a vontade de descobrir sem saber por onde começar, mas a repulsa de pisar em falso e cair num abismo de novo.
A única certeza que me fez segurar a onda, é de que eu não estou sozinha no escuro, porque há outras pessoas perdidas comigo no mesmo abismo, em todos os lugares e a covardia de ter que sentir dor em uma morte lenta."
(27/07/2015)


Escutando: Nightingale - Demi Lovato

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