~Mi_La

Mi_La
Nome: Milla
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Devaneios da madrugada...


Postado

Bem, primeiramente se você chegou até aqui achando que se tratava de algo sobre fanfic, desculpe por desapontá-lo! Haha Não se sinta obrigado a ler esse texto, pois ele se trata apenas de meus pensamentos pessoais que eu precisava de certa forma colocar para fora e achei aqui o melhor lugar (ao menos até eu ter coragem de fazer um blog, aliás, se alguém for bom nisso e quiser me ajudar, estou aceitando! XDD)

Então, hoje, dia das mães, eu estive pensando em uma decisão que fiz há pouco tempo e o quanto isso pareceu chocar as pessoas ao meu redor (tradução: minha família). Eu decidi ser mãe. Não hoje, amanhã, ou mês que vêm. Eu decidi ser mãe até os 30anos de idade.

Eu admito que como mulher sou um completo clichê e estereótipo. Sou romântica, sensível, e sei que nasci para ser mãe. Não que esse seja meu único propósito na vida, claro que tenho muitos planos para minha carreira profissional, mas não posso omitir meu grande sonho de ser mãe. Um sonho que eu tenho desde que me entendo por gente.

Lembro-me de quando criança dizer que teria 10 filhos. Minha mãe achava graça e dizia uma de suas frases mais famosas "Tá achando que bosta de pinto é pipoca?". E bem, com os anos passando, eu vi que ela realmente estava certa, principalmente quando eu tinha cerca de 15/16 anos e vi muitas colegas do colégio engravidando e passando por situações extremamente difíceis. Não vou entrar no mérito da falta de responsabilidade por parte delas, pois esse não é o meu ponto aqui.

Eu ainda sonho em achar a "minha pessoa". Eu acredito em almas gêmeas. E eu acredito em destino, mas sinceramente, eu sei que se essa pessoa um dia aparecer em minha vida eu não estarei completa até ter um filho. Ser mãe é algo que eu sei que nasci para ser.

E então eu decidi. Mentalmente eu fiz planos e tracei metas. Hoje tenho 23 anos, e decidi que terei um filho entre 29 e 30 anos. Tenho exatamente 7 anos para aproveitar tudo que preciso. Tenho 7 anos para crescer profissionalmente e realizar sonhos pessoais. Tenho 7 anos de egoísmo e loucuras. E então, quando esses 7 anos se passarem eu tenho certeza que estarei pronta para ingressar em uma nova jornada.

Se as coisas podem mudar até lá? Claro, com certeza! Eu sequer tenho certeza se estarei viva até lá, mas enquanto for capaz, seguirei a risca meu plano e minhas metas.

Mas bem, não é exatamente sobre meu sonho que vim desabafar hoje. Meu desabafo é sobre as reações que minha decisão teve em pessoas extremamente próximas, onde as mesmas perguntas foram feiras incessantemente.

"Quem será o pai?"
"Como assim você não precisa de um homem para ter um filho?"
"Você está louca? O que dirá para o seu filho quando ele crescer e perguntar sobre o pai?"


Ok. Vamos lá. Essas perguntas são tão estupidamente idiotas que eu só me dei ao trabalho de responder porque elas foram feitas por pessoas que eu amo.

Em primeiro lugar, eu não estou dizendo que meu plano é ser mãe solteira, só estou dizendo que terei meu filho antes dos 30 anos, e isso acontecerá mesmo se eu não tiver um(a) companheiro(a). Na verdade, eu acho que será ainda mais fácil se estiver solteira, uma vez que quando você divide sua vida com alguém, não pode tomar uma decisão tão importante sozinha.

E em segundo lugar, eu sou bissexual. Então, digamos que eu esteja em um relacionamento com uma mulher quando decidir engravidar. O fato do meu filho ter duas mães e nenhum pai não fará de nós uma família? Por que as pessoas continuam agindo como se apenas famílias tradicionais e heteronormativas fossem corretas? Eu posso sim ser uma mãe solteira, e posso sim ter outra mulher ao meu lado, que eu tenho certeza que não vai diminuir em nada do amor que darei ao meu filho!

Há tantas famílias "normais" completamente erradas, mas que todos fecham os olhos por causa desse maldito patriarcado! Há tantas crianças que crescem em lares completamente desestruturados, onde vivenciam todo tipo de agressões. Há tantas crianças que sequer sabem como é a sensação de serem amados por seus pais. Crianças que não recebem carinho, que não recebem uma educação apropriada, que são jogadas no mundo totalmente despreparadas. E mesmo assim, o olhar de deboche continua caindo sobre a mãe solteira, e o olhar preconceituoso e julgador contínua caindo sobre o casal gay.

Isso tudo é tão... Revoltante! Revoltante ver pessoas se indignando com o fato de eu não necessariamente precisar de um homem para ser mãe. Revoltante lidar com o preconceito de pessoas que sequer tentam abrir suas mentes e perceberem que o mundo é muito mais que esse buraco atolado de lama onde elas vivem.

O mundo é lindo e repleto de diversidade. E será nesse mundo que eu criarei meu filho. Eu não o criarei para ser um homem ou uma mulher, não o criarei para ser um médico ou um advogado, e definitivamente não o criarei me baseando em regras machistas. Eu o criarei para ser quem ele quiser ser. O criarei para ele ser capaz dar e receber amor, porque no final, é apenas isso que importa.





Bom, quem leu até aqui, desculpe pelo desabafo, mas realmente precisava disso agora.
Um beijo e um cheiro, até logo.

Escutando: Tegan and Sara

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