~Myloka

Myloka
Naruhina Queen
Nome: Camila | "Miloca" | Myl | Mila | Milinha | Kami | Marida da Ingrid
Status: Usuário Veterano
Sexo: Feminino
Localização: Nova Iguacu, Rio de Janeiro, Brasil
Aniversário: 23 de Dezembro
Idade: 25
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Gaara Hiden - Capítulo 1 (Traduzido)


Postado




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Prólogo

Sunagakure


Do inglês de : Cacatua
Tradução: BabyVy




Shinobi são aqueles que perseveram.
Eles são aqueles que perseveram até mesmo nas circunstâncias mais irracionais.

Isto era verdade.

Um homem tinha a convicção de que era verdade. Sua condenação veio de viver em um mundo onde você só poderia sobreviver se você suportasse.

Suna (Areia).

Que era onde ele tinha nascido, e era um cenário em que estava intimamente familiarizado.

Ao meio-dia, as temperaturas sobem para mais de 40 graus Celsius. E à noite, elas caem para abaixo de zero.

Era um mundo que rejeitou a existência de seres vivos. Um inferno absoluto, onde até mesmo as bactérias foram negadas do conforto para prosperar, deixando sozinho plantas ou animais.

Esse era o mundo em que este homem vivia.

E foi por isso que ele teve de suportar.

O nome desse homem era Gaara.

No canto de um tal deserto, um único oásis agarrou-se a existência: A aldeia de Sunagakure.

O terreno da aldeia foi estranhamente moldado, afundado na terra. Nada disso parecia uma ocorrência natural. Eventualmente, as pessoas começaram a sussurrar das eras lendárias, de deuses como Susanoo e Amaterasu, forjando o terreno com técnicas além do conhecimento mortal.

No centro da aldeia criaram o escritório do Kazekage, de uma aparência incrivelmente simples. Gaara, como a maioria dos shinobi, não tinha qualquer interesse em extravagância. Ele pensou que seria suficiente para usar roupas que a maioria das pessoas usavam, e tinha mobílias que eram geralmente usadas.

Foi uma manifestação de sua abstinência de luxo. Foi também possível que ele tinha algo a ver com o fato de que, quando menino, era filho do anterior Kazekage, Gaara nunca queria nada ou não dispunham de qualquer luxo. Ele tinha, no entanto, provado a solidão.

"Ahh..."

Gaara soltou um suspiro, e olhou para o céu.

A luz do sol da noite caiu suavemente em seu cabelo, uma sombra que estava mais perto de vermelho do que o marrom e seu rosto, justo e bonito, como o mármore esculpido.

Ele se perguntou quando ele iria finalmente ser capaz de usar sua própria vontade e voar livremente para longe no céu.

Bem, agora ele tinha um adversário para travar uma batalha: com uma montanha de papelada.

Todos os shinboi se juntaram para lutar contra a Akatsuki que queria tomar o controle do mundo. E a Akatsuki havia sido derrotada, juntamente com Ootsutsuki Kaguya.

No entanto, sua batalha para salvar o mundo não havia sido contratada por ninguém.

É claro que, a maioria dos Daimyou¹ financiaram a batalha desde que foi tecnicamente ligada à segurança nacional de suas nações. No entanto, a Terra do Vento tinha mantido uma política de armamentos limitados em curso há dez anos, para que eles rejeitassem as despesas repentinas da guerra.

Afinal, foi uma batalha de um ninja só. Eles discutiam teimosamente.

Como se esse raciocínio fizesse sentido. Em primeiro lugar, a proteção que te dei não é a única razão de você ainda estar vivo?

Os shinobi de Sunagakure estavam furiosos. Não era normal deles serem assim.

Eles não estavam pedindo dinheiro para que eles pudessem ter luxo, eles não estavam perguntando por ouro.

Maternidades sanitárias para o bem dos bebês e construção de poços de água para que ninguém ficasse em uma situação difícil. Investimento em centros de pesquisas, para que pudessem manter-se com o avanço da tecnologia. Pensões para shinobi, que haviam sido desligados por ferimentos sofridos em combate e famílias que tinham perdido o seu provedor na guerra.

Por todas essas coisas, o povo de Sunagakure precisava de dinheiro.


E o trabalho para recuperar esse dinheiro do Daimyou, bem, essa era atualmente a ocupação de Gaara.

Esse trabalho não detinham de quaisquer batalhas chamativas de ninjutsu, ou aventuras com o sangue derramando-se na carne.

Em vez disso, ele estava lutando contra a papelada simples e direta, discretamente, lançando as bases para futuras realizações e os chatos esforços de mediação entre os poderes superiores.

Essas foram as razões por trás do único suspiro de Gaara.

Nota¹: Os Daimyou nomeia o Kage de cada aldeia shinobi. E entram em questões políticas e econômicas.


"Gaara, você está aqui?"

A porta se abriu com um som estridente, e uma única jovem kunoichi entrou.

Ela era uma mulher bonita, seu cabelo de uma cor dourada que lembrava da areia do deserto, brilhando sob o sol da manhã.

Não havia muitas pessoas na aldeia que falavam com Gaara – que era, afinal de contas, o kazekage – de forma amigável e familiar. E, de todas as mulheres da aldeia, apenas uma mulher falava com ele com tanta familiaridade.

Esta mulher era Temari.

"O que aconteceu?", Perguntou Gaara, sentindo os lábios tensos relaxar um pouco.

Quando sua irmã mais velha vinha para o escritório sozinha, geralmente não era por causa de alguma coisa importante. Se tinha algo a ver com o trabalho, seu irmão mais velho Kankurou a teria acompado.

"Hehe..."

Assim como ele tinha pensado. Temari sentou-se para falar com ele, mas havia um sorriso largo e relaxado se espalhando pelo seu rosto.

"Não é nada de mais," Ela disse: "Eu recebi outra carta de Shikamaru, Veja."

"Entendo."

"Ele diz que está escrevendo tudo no papel, porque ele não confia na segurança do novo sistema de correio eletrônico ainda.", Explicou Temari. "É um método muito estranho e ultrapassado, mas ainda assim, ele faz isso porque ele está sendo cuidadoso."

Shikamaru estava noivo de sua irmã mais velha. Ele era um shinobi extremamente sutil e astuto que se conheceram durante os exames Chuunin de Konoha.

Quando Temari disse a Gaara sobre o relacionamento dela e de Shikamaru, ele tinha ficado muito surpreso.

Mas quando Gaara disse ao seu irmão Kankurou...

"não, era realmente óbvio."

"Era mesmo?"

Gaara ficou extremamente preocupado depois dessa conversa, e até mesmo ler a história de amor 'Icha Icha Paradise' para tentar entender os sinais que ele perdeu. Mas, no final do dia, ele chegou à conclusão de que aqueles que não entenderam iriam continuar a não entender.

"Há muitas evoluções rápidas registadas no sistema de criptografia usado no correio electrónico. Os detalhes estão no arquivo enviado pelo Raikage - THX-1138"

"Não, não é disso que eu estou falando."


"...Nós não estávamos falando de correio eletrônico?"

"Ahhh...." Temari deixou escapar um suspiro muito exagerado, encolhendo os ombros. "Gaara, eu me pergunto por que quando se trata dessas coisas, você é tão duro quanto o Naruto de Konoha."

"Há algo de errado com o que eu disse?"

"Há sim. Realmente Há. "O Tessen de Temari estava sendo apontado para ele. "Quando uma mulher está falando sobre coisas assim, ela prefere que você escute o que ela está dizendo sobre o conteúdo da carta. Entendeu?"

"Existe uma emergência ou algo do tipo?"

"Não, é por isso que eu estou dizendo..." Temari deu um sorriso tenso e parecia que ela tinha desistido de explicar em detalhes. "É a cerimônia, a cerimônia. A data prevista para a cerimônia."

"Ahh..."

A data para a cerimônia de casamento era, na verdade, um dos problemas não resolvidos de Gaara, preso a um quadro de cortiça dentro da sua mente.

Temari era irmã do Kazekage e, em uma veia similar, seu futuro marido Nara Shikamaru era uma figura de autoridade na vila de Konoha.

Assim, a política imediatamente estava envolvida quando veio para a cerimônia. Os detalhes da cerimônia não poderia ser decidido apenas pelas pessoas que estão se casando.

Se um erro de julgamento for feito, centenas de shinobi poderiam morrer.

Desde os tempos antigos, Konohagakure e Sunagakure sempre tinham um relacionamento profundo.


No início, no momento em que os primeiros Cinco Kage entraram em existência, Sunagakure só poderia sobreviver porque Konohagakure lhes havia dado um lote de terra fértil em um acordo secreto entre eles.

Depois disso, pode-se notar que o sul da aldeia de Sunagakure era alvo das parcelas muito mais abundantes de propriedade de terras do norte da aldeia de Konoha.

Mesmo voltando no tempo quando Gaara e Temari conheceram Naruto e Shikamaru de Konoha, eles haviam sido presos dentro de uma banheira de hidromassagem desses esquemas e táticas. (desconheço essa história '-')

Mas, se você colocasse assim, então ele dava a impressão de que Suna tinha sido sempre o agressor injustificado e solitário. No entanto, o mundo shinobi não era um lugar tão simples assim.

A verdade era que o lado de Konoha havia realizado inúmeros esquemas para desestabilizar Sunagakure também. Por muitos e longos anos, as duas aldeias mantiveram as aparências de nações aliadas do lado de fora, enquanto a tensão correu grossa e feroz por baixo.

Foi precisamente por causa dessa história de longa duração que houve uma enorme importância na política no fato de que Temari, a filha do kazekage anterior, estava agora se casando com um do clã Nara de Konoha.

Era um sinal claro de que as duas aldeias não eram mais apenas aliadas no papel, e que houve uma verdadeira distensão entre eles.

Gaara disse, "Seria bom se o lado de Konoha disser que eles iriam aceitar nossos termos propostos para a data da cerimônia."

"Você está sendo sentimental." Temari replicou, "Quanto você acha que o Shikamaru tenha arruinado os nossos cérebros por causa disto?"

"Seria bom se as pessoas encarregadas da segurança aceitassem eles, também."

"Não, você não esta sendo rasoável. Basta ser honesto e dizer que você está sentindo ciúmes. "Temari disse, inclinando-se e beliscando as bochechas de Gaara.


No passado, Gaara teria a matado no local por fazer uma coisa dessas. Agora, porém, ele não sentia a menor inclinação de fazê-lo.

Em vez disso, pelo contrário. Surpreendentemente, ele pensou que ter suas bochechas esmagadas por sua irmã mais velha, não se sentia mal de fato.

Na mesma nota, Gaara ainda não mudou e realmente não entendia como essa relação de "família" diferiu da relação entre "homem e mulher".

"RUGOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!"

Um vórtice de areia foi rodando e produzindo ao redor, e no meio da tempestade de areia, a forma de um grande ser humano estava se formando.

É enorme! Kankurou pensava. Mesmo que fosse o trabalho de seu inimigo, ele não podia deixar de ser superado com admiração para a magnífica vista.

A transformação do corpo tinha que ter dez... não, vinte metros de altura. O tamanho de um pequeno edifício.

Seria uma coisa se fosse um animal espiritual convocado que era deste tamanho, mas era incrivelmente raro para um shinobi de ser capaz de transformar-se a um tamanho tão gigantesco.

É diferente da Técnica Multi-Expansão do Clã Akimichi...! Kankurou pensou enquanto observava. Eu acho que isso é algo que só é realizado por um ninja fugitivo do Rank A no Bingo Book!

"Kankurou-sama! Eu vou lidar com isso sozinho!"

"!"

Um dos subordinados de Kankurou, Amagi, tinha saltado para o campo.

"O inimigo não fez um movimento ainda!" Kankurou latiu, "É muito cedo para fazer um ataque!"

"Senhor, se esperarmos, estamos apenas dando tempo ao inimigo para reunir forças para um ataque!

Amagi ainda era jovem.

Ele tinha cancelado o Exame Chuunin aos 13 anos, e vêm sob a supervisão direta de Kankurou há 15. Ele foi uma geração que não tinha experimentado a batalha com Kaguya. Amagi era um jovem garoto com traços andróginos, como seu cabelo castanho angelical, que às vezes ele tinha confundido com uma menina.

"Estou indo!" Amagi chorou, e dez... não, vinte kozura¹ voaram para fora de suas mangas em direção ao inimigo. No mesmo instante, o próprio Amagi também tinha jogado vários punhais.

Foi um show muito artístico das habilidades de Amagi, mas nem mesmo o jounin Kankurou teria a capacidade de criar um sincronismo que deixaria ele desviar uma enxurrada de armas pequenas e afiadas em um instante.

"UOOOOOOOOOOOOOOOOOO!" O gigante moveu o braço para afastar os projéteis irritantes.

Mas, isso era o que Amagi estava esperando.

"Te peguei!" Amagi gritou, e o kozura que ele tinha jogado de repente puxou junto como correias de prata. Eles mudaram de rumo no meio do ar, desviando do braço do gigante e ao invéz disso estava indo direto para o seu coração, correndo para a frente como uma chuva de meteoros.

Ah, então ele usou fios de chakra afinal, Kankurou pensava.

Era uma especialidade de um shinobi de Sunagakure usar o chakra que o shinobi tinha e transformá-lo em cadeias que poderiam controlar marionetes. Usando fios de chakra para controlar as direções do kozura, como um localizador, era uma técnica original, inventada por Amagi.

Mas, como eu disse. Ele ainda é jovem.

"RUOOOOOOO!" O gigante rugiu, reunindo toda a sua força.

"!"

Amagi notou que algo incomum estava prestes a acontecer e rapidamente, mudou-se para retrair o kozura de seu curso.

Mas, ele estava sem nenhum segundo, meio segundo tarde demais.


Era um raio.

Um raio explodiu do corpo do gigante, e atingiu a área onde Kankurou e outro shinobi estavam reunidos.

"Amagi!" Kankurou gritou.

Ele e o outro shinobi estavam bem. Eles só tinha perdido o equilibrio por causa do impacto do trovão.

Mas Amagi não estava. Ele ainda estava ligado aos fios de seu kozura, e recebeu todo o impacto do choque elétrico do raio.


Amagi Amagi despencou como uma marionete sem as linhas.

Nota¹: Kozura: facas ligadas a bainhas de espadas, melhor visto do que explicado.


“Ah…”

As pessoas dizem que no momento em que você morre, dá para enxergar luzes brilhantes. Amagi imaginava que sua morte teria sido sob circunstâncias mais heroicas... Mas na realidade não parecia ter sido assim.

Ele havia sobrevivido a incontáveis batalhas depois de sua primeira luta. Quem poderia imaginar que ele seria derrotado pelo seu próprio jutsu? Ele certamente não imaginava, e isso foi sua derrota.

Eu vou apenas morrer assim? O pensamento deixou Amagi desconcertado. Eu ainda... Eu ainda não fiz nada...

Ele sentia sua consciência escapar, caindo num abismo negro.

“Ei” Alguém disse. Esse alguém estava o segurando, mantendo uma mão quente ao redor de Amagi.

“Ah...?”

Por um momento, Amagi pensou que a pessoa o segurando poderia ser sua mãe ou seu pai. Não tinha nada para se sentir envergonhado. Era um sentimento natural que todos no campo de batalha haviam tido ou sentiriam um dia.

“Então você está vivo, hein”.

Era Kankurou. Com sua maquiagem kabuki vermelha em seu rosto como de costume, e olhava com seus olhos gentis na direção de Amagi.

“É basicamente uma técnica de Liberação Magnética: Raijinga²” Kankurou disse a Amagi. Ele havia confiado o jovem shinobi aos cuidados de um abrigo seguro. “Como o nome sugere, você usa poderes eletromagnéticos para absorver a massa ao seu redor, expandindo o seu corpo e tomando a forma de um gigante. Para resumir, é um jutsu que cria uma enorme forma humana feita de areia de ferro”.

Kankurou sabia que Amagi já havia escutando a explicação antes, mas ele estava explicando mais uma vez para ajudá-lo a recuperar seus sentidos. Shinobis eram pessoas especiais que constantemente estavam em missões de batalha, e recebiam variados tipos de treino. Não importava quanto sangue fosse derramado, o quanto eles temiam a morte, se eles escutassem novamente os detalhes de sua missão, eles instintivamente se acalmavam.

Kankurou não sabia se esse comportamento era uma benção da humanidade ou não.

Tudo que ele sabia era que agora, ele não queria que o seu jovem subordinado morresse assustado em sua frente. Ele havia dado os primeiros socorros para parar a hemorragia.

“Ele realmente usa a liberação elétrica para expandir de tamanho, mas quando se trata de seu poder eletromagnético, é outro assunto”, Kankurou continuou. “O andar do gigante cria um efeito pizoelétrico onde o graffite subterrâneo é esmagado e uma descarga elétrica é liberada. Então, ele tira energia do mundo natural ao redor dele e usa isso ao invés de ficar limitado a suas próprias reservas”.

“... Desculpe”, Amagi sussurrou, apertando firmemente a mão de Kankurou.

Parecia que a mente dele ainda estava um pouco confusa, mas Kankurou entendeu o motivo de sua desculpa. Os pensamentos de Amagi provavelmente estavam seguindo a linha de: Eu fiquei no caminho do shinobi que eu admiro. Qualquer um teria esse tipo de pensamento. Especialmente já que aquela havia sido sua primeira missão de nível A.

Bem, eu acho que a única pessoa que escapou ilesa de sua primeira missão de nível A foi o Gaara. Os pensamentos de Kankurou se desviaram para o seu irmão mais novo de semblante impassível.

Nota²: Raijinga literalmente significa: “Deus do Raio”, mas o jutsu é frequentemente mencionado, então pareceu melhor interpretá-lo como apenas “raijinga’.


A primeira míssão de nível A de Gaara, em outras palavras, a primeira missão que o põs contra shinobis de ranking jounin, foi quando ele ainda tinha 12 anos de idade.

A missão havia acontecido logo após o término dos Exames Chuunin de Konoha, e com isso, o término da missão de extermínio de Konoha por Orochimaru.

Honestamente, considerando como um dos legendários Sannin, assim como alguns usuários de kekkei genkai, estava envolvido na missão de extermínio de Konoha, a missão por si só já poderia ser considerada como nível A.

Mas, tendo dito isso, naquele tempo Kankurou e seus irmãos pensavam que uma missão de nível A era apenas aquela que exigia algumas habilidades a mais.

Naquele tempo, Kankurou tinha catorze anos, e sua irmã mais velha, Temari, tinha quinze.

Pensando no incidente de Konoha agora, Kankurou se sentiu terrivelmente nostálgico. Àquele momento, no meio de uma luta, eles conheceram uma pessoa que era como um sol.

Naruto Uzumaki.

“Kankurou-sama, está vindo!”
A voz de um genin puxou Kankurou de suas próprias lembranças.

“Okay, atacaremos em breve”, Ele disse a Amagi. “Mas dessa vez, vamos seguir o plano, tudo bem?”

“... Sim”, Amagi estava cooperativo agora. Mesmo depois de pensar ter morrido no meio da missão, a criança prodígio tinha recuperado sua força.

O gigante coletor de eletricidade andou um passo em direção a eles, e Kankurou deliberadamente seguiu em direção ao inimigo.

Numa luta de shinobi contra shinobi, saltar a expor a si mesmo era, a cada nove em dez vezes, uma tentativa de atrair o inimigo para si e mirar em seus pontos fracos.

Bem, pessoas como Gaara e Naruto Uzumaki eram exceções à regra, mas exceções eram exceções.

Nesse caso, Kankurou estava seguindo para atrair o gigante em sua direção, e o inimigo naturalmente sabia disso.

Mas, o gigante ainda assim seguiu para Kankurou. Cada pisada liberando um tremendo barulho.

Parecia que o inimigo estava confiante a respeito de seu raijinga.

Isso parece familiar. Kankurou pensou. Ele estava se lembrando do seu irmão Gaara.

Areia e eletromagnetos podem parecer diferentes, mas no fim das contas ambos usavam um jutsu de defesa absoluta.

Eles protegiam seus corpos com uma armadura invencível, e simultaneamente usavam essa armadura como uma arma. Se qualquer diferença pudesse ser encontrada, seria como se o Gaara não usasse seu jutsu de maneira exibicionista para tornar-se um enorme gigante.

Mas então, ser do tamanho de um gigante tinha suas vantagens óbviamente.

Ele é rápido!

Num piscar de olhos, o gigante alcançou Kankurou.

Geralmente as pessoas esperam que coisas grandes se movam vagarosamente.

Baleias ou dirigíveis, ou monstros como o Raisha ou Dez Caudas, coisas grandes tem a aparência de algo que vai mover-se lentamente.

Mas isso era apenas uma ilusão de ótica.

Quando o único passo de uma criatura alcançava uma enorme distância, então essa criatura era rápida. Era algo que seria facilmente entendido se como exemplo usasse uma corrida entre um adulto e uma criança.

Seres grandes são rápidos.

Pensar que seres menores poderiam evitar seres maiores era apenas uma ilusão.

O gigante casualmente ergueu o pé sobre Kankurou. Só o solado do pé já era maior que o teto de uma casa pequena. Se algo assim conseguisse atingi-lo, seria esmagado em pedacinhos.

Tak, tak, tak.

Kankurou conseguiu sair do caminho da pisada três vezes seguidas quando o gigante tentou acertá-lo.

Mas, pela quarta vez, Kankurou não conseguiu fugir. Ele saltou para cima.

Ele saltou mirando no joelho do gigante com a intenção de escalá-lo até o rosto.

Qualquer shinobi jounin poderia facilmente pular de andaimes como uma folha caindo de uma arvore. Mas as pernas do gigante estavam longe de ser andaimes ideais para que Kankurou pudesse subi-las.

Mas, o Raijinga não era o único jutsu do gigante.

Kankurou-sama! Amagi não conseguia gritar, mas o berro aterrorizado circulava sua mente.

No instante que Kankurou tocou a superfície dos joelhos do gigante, o campo eletromagnético que estava movendo o gigante afetou-o também, e o seu corpo literalmente partiu-se em pedaços.

O gigante riu.

Cada parte de seu corpo era uma arma para ser usada contra outros. Aquela era sua defesa absoluta, melhor considerada como a estratégia ofensiva dessa defesa absoluta. Qualquer pessoa que o atacasse seria destruída em pedaços no instante que o tocasse.

O gigante provavelmente nunca havia provado a derrota em sua vida inteira.

Era foi por conta disso que Kankurou riu.

“!”

Kankurou não surgiu imediatamente. Sua contínua existência foi apenas parcialmente entregue pelo som de sua risada.

Quanto ao “Kankurou” que havia sido feito em pedaços, seus restos transformaram-se em numerosas lâminas que se lançaram para perfurar o corpo do gigante, um agudo som de “woosh” enquanto a areia de seu corpo era profanada.

No lugar do chão onde Kankurou deveria estar apenas sua capa preta era vista.

Era um truque bem simples.

O “Kankurou” que estava subindo pelos joelhos do giante era na verdade a marionette que o Kankurou de verdade carregava em suas costas. Ele trocou de lugar com a marionete no último minuto, mergulhando para debaixo da terra enquanto enviava o boneco na direção do gigante.

O truque em si era simples, mas o momento impecável e o aproveitamento dos pontos fracos da psique humana eram originalidades do próprio Kankurou. Não era surpreendente que o inexperiente Amagi também houvesse sido enganado.

Amagi, e o gigante também. O gigante era tão alto que não conseguia observar atentamente o que estava acontecendo na altura dos seus pés. Isso havia criado um ponto cego.

“GAAAAAAAAAUUUUUUUUUUUUUUUUUUUGHHHH!” O gigante berrava em seu grito de dor.

Do ângulo de Amagi, o gigante estava inutilmente enviando ondas eletromagnéticas através das linhas presas à marionete. Bem, isso era esperado. Considerando os gritos, o gigante estava sentindo dor.

“Ele não está sofrendo apenas por conta dos fragmentos”, Kankurou falava enquanto assistia o espetáculo.

Havia uma expressão satisfeita no rosto de Kankurou. Era a expressão de um mágico ao conseguir realizar perfeitamente um truque em frente à plateia.

Ele estava falando do sistema de chacra do gigante.

A pedra angular do ninjutsu era o sistema de chacra que carregava a vida do ser através de suas vias. Kankurou havia enviado sem erro suas próprias linhas de chacra para o gigante no seu ataque.

Ele tinha, resumidamente, transformado o gigante numa forma de marionete viva.

Claro, Kankurou não tinha nenhum jutsu como o byakugan que o permitia ver perfeitamente o sistema de chacra no corpo de seus oponentes. Mas, se você estudasse o suficiente, poderia facilmente enviar o chacra para invadir o sistema de chacra do inimigo, assim criando uma contracorrente de chacra e desarranjando o seu jutsu.

Incapaz de manter seu jutsu de Raijiga, o gigante caiu de joelhos.

Se ele fosse um shinobi experiente, ele seria capaz de levantar-se após alguns segundos.

O seu oponente era definitivamente um shinobi com experiência, mas um bem azarado.

No mesmo segundo que ele caiu, Kankurou enviou três outros chuunin para imobilizá-lo, e o gigante... ou melhor, o shinobi antes na forma de gigante, foi instantaneamente capturado.

“Raijinga Kajuura, terrorista de nível jounin da vila Ishigakure, você está preso”, Kankurou disse, e nem mesmo um segundo depois, as mãos e a boca do ninja fugitivo estavam cobertas de grilhões, para evitar qualquer tentativa de suicídio.

“Não vamos matá-lo, senhor?” Amagi perguntou. Ele tinha uma expressão aborrecida no rosto. “Ele matou três dos seus próprios discípulos. E no processo, dez cidadãos”.

“É mesmo?” Kankurou questionou.

Kankurou já havia passado da fase onde ficava assustado pelo número de mortes. Na guerra, mais de dezenas e milhares de shinobis morriam.

“Você quer matá-lo?” Ele perguntou a Amagi.

“Sim”.

“Tudo bem, então, pode matá-lo”, Kankurou disse, entregando uma kunai ao estudante. “Mas você só pode matá-lo se puder garantir que vai trazer os genins e cidadãos de volta a vida. Tudo bem? Pode fazer isso?”

“I-Isso...”

“Se não conseguir fazer isso, então depois de matá-lo, você também deverá ser morto. Deixando de lado o que a vila desse idiota vai fazer com você depois que você matá-lo, um shinobi morto não pode dar de volta as técnicas secretas roubadas. Um shinobi morto é apenas um pedaço de carne inútil. Eu não preciso de um subordinado que diz coisas tão inúteis assim”.

“... Eu não vou matá-lo”.

“Imaginei”.

Amagi havia dado uma boa resposta. Se ele conseguisse sobreviver a mais algumas batalhas, definitivamente se tornaria um bom shinobi.

“Amagi”, Kankurou disse. “Depois de ouvir o que ele fez, eu também quero matá-lo”.

“...Capitão”.

“Ele é um mercenário, e mesmo que só tenham nos informado o número de vítimas que ele matou recentemente, ele matou centenas de menininhas. Claro que ninguém quer deixá-lo viver”, Kankurou olhava para baixo onde seu prisioneiro estava. Os olhos de Kajuura estavam selados em caso de algum doujutsu. “Mas, se o matarmos por ódio, não seremos diferentes dele. Não podemos ser como ele”.

“Shinobis são aqueles que resistem…” Amagi murmurou.

“Exatamente”, Kankurou disse e sorriu para o garoto. “Bem, vamos para casa! Vocês completaram uma missão de nível A perfeitamente hoje. É algo para ser celebrado! O cordeiro grelhado hoje é por minha conta!”

“OOOOOOOHH!” Os jovens shinobis comemoraram.

“… E agora eu vou falar sobre as estratégias usadas para a captura de Kajuura há três dias. A interrogação revelou que há uma organização antiga com ele. Nossa intenção é de fazer uma captura em massa daqui a alguns dias. A custódia de Kajuura será discutida entre os cinco kages”, Gaara terminou de ler o longo relatório que os anciões o entregaram.

O líder de Sunagakure podia de fato ser Gaara, mas as influências maiores vinham dos shinobis anciões da vila.

Os anciões eram um grupo de representantes de diversas tribos organizado pela vila, e Garra não podia decidir nada sem os consultá-los. As reuniões semanais para discutir relatórios eram na verdade ocasiões para um acordo entre as duas forças: Gaara e esse conselho.

“Aham”, um dos anciões falou. “Como esperado do Kazekage. Nenhum de nós tem qualquer preocupação sobre essa decisão”.

Enquanto dizia isso, toda uma bancada de faces enrugadas assentiam em consentimento.

“Ah, e já que você mencionou...” Ebizou, o líder dos conselheiros, deu a Gaara um sorriso enorme.

“Até que enfim concordaram em alguma coisa!”, Naruto Uzumaki, amigo de Gaara, provavelmente diria. Ele também daria a língua, se o conhecia bem.

Mas Gaara não conseguia dizer nada do gênero.

Ele apenas pensou: “Como eu esperava”, e franziu levemente as sobrancelhas.

“A partir de agora será apenas uma conversa amigável entre avôs e avós”, Ebizou continuou. “Certo, kazekage?”

“Sim”.

‘Conversa amigável’ nada.

De agora em diante os conselheiros discutiriam o verdadeiro motivo para a reunião. Cada relato feito por Gaara no conselho já era sabido por todos os anciões, era meramente burocrática aquela cerimônia. O fato de que esses anciões também estavam prestes a pedir um favor ‘pessoal’ de Gaara era apenas mais uma demonstração do verdadeiro poder comandando Sunagakure.

Era absolutamente ridículo.

Certas vezes era sobre como algum neto genin estava tendo uma má sorte em missões, ele poderia ter uma palavrinha com o chuunin no comando da equipe?

Ou outras vezes que seria sobre como a areia se acumulava nas estradas e que atrapalhavam, e, oh, você não poderia nos fazer um favor e falar com o Daimyou sobre isso?

Nesses casos, estavam apenas falando como pessoas de influência na vila.

Era até suportável.

O problema era quando eles começavam a falar como shinobis.

Por exemplo: “Meu jutsu realmente precisa de um cactus que aparece apenas uma vez em mil anos, mas estou em falta. Dizem que algumas farmácias no país da Neve tem esse tipo de cactus, então poderia enviar alguns ninjas mais jovens para buscar pra mim?”.

Outro exemplo: “Alguns shinobis de Amegakure roubaram um pergaminho secreto de nós. Não queremos levantar muitas suspeitas, então Kazekage, por favor, resolva isso com discrição”.

Mais outro exemplo: “Diga que está expandindo as cotas financeiras pra ninjas médicos e dê uma vaguinha jounin especial pra alguns desenvolvedores de veneno da minha tribo”.

Tudo o que os conselheiros pediam de Gaara sempre tinham a ver com negócios ilegais ou favores pessoais.

Antigamente ele escutava tudo com atenção, mas nos dias atuais ele apenas a retrucava ou ignorava as propostas.

Se ele ouvisse tudo o que tinham a dizer, então sua posição como Kazekage, assim como sua posição entre os Kages das Cinco Vilas Shinobi, poderiam ser retiradas.

Eu me pergunto o que é dessa vez... Gaara pensou, enchendo o ponto central de chakra.

Não era algo para se brincar.

Shinobis experientes eram capazes de acumular chakra em suas vozes de forma que mudassem instantaneamente as intenções de qualquer um. Eram pessoas que podiam usar técnicas de hipnose ou paralisia mesmo em lugares tão simples como agora. Para shinobis, qualquer lugar de negociação não era muito diferente de um campo de batalha.

“Bem, Gaara”.

“Sim?”

“Você cresceu muito e já tem vinte anos, não é mesmo?”

“Sim...”

“Você evoluiu rapidamente”, Toujuurou disse de onde estava sentado, ao lado de Ebizou. “Como esperado de uma criança jinchuuriki, um shinobi prodígio chamado Gaara do Deserto...!”

Toojuurou riu alto.

A saúde de Ebizou estava enfraquecida ultimamente, e Toojuurou estava jurado como seu sucessor, o Segundo dos Conselheiros de Sunagakure. Havia passado alguns anos após sua aposentadoria como shinobi, e assim como esperado, seus músculos enfraqueceram, e seu cabelo estava branco e escasso. Mas, seu poder visionário não havia diminuído. O homem era quase uma pedra de força de vontade.

“Durante o Extermínio de Konoha aquele seu gênio difícil desapareceu, não foi mesmo? Hahaha, parece que até macacos podem cair de suas árvores’.

“É uma conversa embaraçosa”.

No passado, Gaara os mataria em apenas um instante, mas sua personalidade atual não fazia a mínima questão. Ele agora sabia que o mundo era feito de interações como essa e era precisamente por conta disso que agora ele entendia como o amor de Naruto e de sua mãe podia existir.

Por conta disso, Gaara foi até capaz de curvar sua cabeça num pedido de desculpas.

Os anciões estão demorando muito com essa introdução... o que será que querem dizer?

Eles não pareciam ter nenhuma intenção de criticar seu trabalho como Kazekage.

Na verdade, o clima parecia relaxado, calmo. Provavelmente o assunto já havia sido discutido entre eles.

“Vinte anos é uma boa idade”.

“Entendo”.

“E é por conta disso, Gaara…” Ebizou balançou a cabeça e sorriu abertamente. O sorrido parecia o de uma criança. “Case-se”.

“Hu... ahn?”

Minha voz soou idiota. Gaara pensou consigo mesmo.

Ele sentiu como se tivesse sido atingindo num ponto cego. Parece que ele realmente tinha um ponto cego em sua consciência. Uma pessoa era incapaz de manter vigília em 360 graus, mas ainda assim ele conseguia dizer se um amigo estava se aproximando fora do seu campo de visão, ou se um gato estava brincando perto dos seus pés.

Isso era porque uma pessoa tinha consciência dos seus arredores e conseguia ‘ver’ o que estava fora de sua visão. Shinobis treinavam suas consciências usando até mesmo suas intuições, até que eles fossem aptos a sentir com seus seis sentidos. Ainda assim ter algo que você era incapaz de sentir apesar de toda essa consciência era fruto de algo inesperado, que não foi imaginado antes.

Se não fosse imaginado, não poderia ser visto, se não poderia ser visto, não poderia ser sentido.

Era um ponto cego em todos os sentidos. E Gaara foi pego totalmente desprevenido.

Se Ebizou fosse um usuário de genjutsu, Gaara teria morrido em batalha.

Suor escorria por suas costas. Uma pessoa comum teria estremecido, mas Gaara era um shinobi.

Eu ainda não treinei o suficiente.

“Com todo o respeito”, Gaara disse, “Por que eu?”

“Você não sabe?”

“... Isso tem algo a ver com minha irmã?”

“Sim”, Ebizou disse, “Escute bem. Nosso kasekage anterior teve três crianças: Temari, Kankurou e você, Gaara. Você que carregava o poder de uma jinchuuriki tornou-se então kazekage. Eu presumo que você esteja entendendo a importância da herança genética”.

“Sim...”

Muito do mundo shinobi era construído por genética.

Claro que isso não significava que shinobis com essa herança não pudessem ser ultrapassados por shinobis com talento. Por exemplo, o clã Sarutobi que era tão influente em Konohagakure e nunca teve nenhum outro Hokage no poder além do Terceiro.

Mas, uma grande parte dos jutsus usados por shinobis eram herdados e, portanto, mantidos dentro do clã como garantia de prosperidade. E para isso, deveriam haver laços genéticos.

“Obviamente é apenas para preservar a existência do nome, então até mesmo uma criança adotada ou sobrinho irão servir. Mas no fim das contas, se não for sanguíneo, então as pessoas não aceitarão tão facilmente”.

“As raízes de Sunagakure vem de suas tribos. E essas tribos valorizam laços sanguíneos”.

“…”

Gaara não tinha nada para retrucar as palavras do ancião.

Se ele fosse descuidado, então seria imediatamente bombardeado com retóricas. Ele já conseguia imaginar o cenário, por isso permaneceu em silêncio. Como um neto obediente.

“Agora ao ponto principal. Temari está casando com o clã Nara de Konohagakure... tudo bem. Nós também aceitamos”.

“Entretanto”, outro dos anciões interceptou, Ikanago, batendo seu leque contra os próprios joelhos. “Digamos que no futuro, uma inconveniência aconteça a você e a Kankurou. Digamos que Temari e Shikamaru Nara tiveram um filho na época. Nesse caso, essa criança seria o último laço sanguíneo do Kazekage”.

“Eu entendo o que querem dizer”, Gaara disse, “Nessa caso, vocês teriam a necessidade de trazer a criança para a vila para proteger a herança do Kazekage, certo?”

Que palavras mais nojentas eu acabei de proferir. Gaara pensou.

Mesmo que ele próprio tivesse sido usado como uma ferramenta pelo seu pai, aqui estava ele falando sobre uma criança que sua irmã nem havia dado a luz ainda, e ao invés de estar hipoteticamente comemorando, estavam falando sobre usá-la para propósitos políticos.

O cargo de político podia parecer grandioso e importante, mas também era frio e solitário.

“Mas se isso acontecesse”, Gaara continuou, “Então o clã Nara teria relações paternas com o Kazekage. Então, naturalmente, Konoha estaria profundamente ligada aos assuntos de Sunagakure... E essa é a situação que vocês anciões temem. É isso, não estou certo?”.

“Exatamente”.

“Mas se eu me casasse primeiro, então a tradição de casar o mais velho até o mais novo seria rompida. Primeiro vocês deveriam estar procurando uma noiva para meu irmão Kankurou”.

Gaara disse aquilo, mas não estava particularmente procurando uma forma de jogar o assunto para seu irmão mais velho. Kankurou tinha uma lábia que Gaara não tinha. Do tipo que era capaz de estar ao redor de jovens shinobis e escutar suas dificuldades, não Gaara.

Ele às vezes também queria ser capaz de fazer algo assim, mas quando tentava, nada parecia funcionar muito bem. Todos os shinobis o respeitavam demais e nem mesmo tentavam olhá-lo nos olhos.

“Claro que você não é Kankurou. Gaara, você é você. Eu também não sou Kankurou, ora”. Naruto havia dito alguma vez no passado, rindo. “Tipo, tem aqueles amigos que você sai e se diverte, mas também tem aqueles amigos que ficam do seu lado durante os tempos difíceis, aqueles que você é grato por ter. Gaara, pra mim você é definitivamente a segunda opção”.

Essas palavras podiam ter sido apenas de uma conversa normal com Naruto, mas para Gaara foram como uma salvação.

Acima de tudo, Naruto pensava em Gaara como um amigo, e o fato de ele ter proferido o termo sem qualquer hesitação o fazia muito feliz.

Mas Kankurou realmente era mais popular, e parecia a melhor opção. Sua performance relaxada como shinobi o fazia pensar isso.

“Também pensamos assim, mas Kankurou recusou”.

“...Oh”, Gaara respondeu após uma pausa. Ele abruptamente percebeu que Kankurou foi o que empurrou a situação para ele.

Não importa como você olhava pro assunto: Kankurou sempre foi muito esquivo. Mesmo que ele tivesse a mesma beleza de Gaara, ele escondia debaixo da maquiagem.

Kankurou era o tipo de homem que odiava se amarrar a qualquer coisa. Quando Gaara e Toujuurou nomearam Kankurou como o líder da divisão Anti-Terrorista, eles tiveram dificuldades em fazê-lo aceitar.

“Ele disse que se casar enquanto o kazekage ainda não tivesse casado era um desrespeito e que deveríamos te casar primeiro. Seus motivos fizeram sentido”.

“...Certamente”, Gaara murmurou.

“E isso não é tudo. Alguns dos damyos estão começando a criticar o fato de você ainda não ter se casado ou não ter um herdeiro”.

“Veja só, Gaara”, os olhos amarelados de Ebizou pareciam brilhar suavemente com simpatia. “Isso não é apenas sobre política e jinchuurikis. A vila te fez viver momentos ruins. Nós queremos te dar uma família. Queremos que você seja feliz. Sua felicidade será nossa homenagem àqueles que já partiram”.

“…”

Gaara não tinha mais ressentimentos com seu pai.

Esses antigos sentimentos haviam sido eliminados após seu segundo encontro com ele durante o jutsu Edo Tensei, porque ele descobriu que, mesmo que por pouco tempo, ele havia nascido sendo amado por alguém.

“Então é isso, Gaara. Todos na vila... não, provavelmente até seus amigos de outra vila também, querem isso para você”.

“Sua parceira já foi escolhida. Ela é uma boa moça”.

“Definitivamente, ela é”.

Eles até mesmo levaram uma fotografia.

Estava claro que ele não conseguiria escapar dessa vez.

Gritar e espernear defronte a morte eram comportamentos indignos para um shinobi.

Um shinobi prestes a morrer deveria pensar em como continuar vivendo.

“... Eu entendo”. Gaara disse e curvou-se. Suor escorrendo de sua testa sem nem mesmo perceber.

Era apenas uma missão qualquer, mas com protocolo diferente.

“Eu respeitosamente aceito a proposta de um casamento”, Gaara disse. “Eu ficaria agradecido se pudessem marcar uma data e entrar em contato com o outro lado”.

Ele esforçou-se para dizer aquelas palavras.

Tudo o que sabia era apenas isso: quando Gaara viu Temari sorrindo tão amplamente parecia que seu rosto iria quebrar, ou quando ele vislumbrou o sorriso maravilhoso que seu melhor amigo Uzumaki Naruto enviava para a Hyuuga Hinata, este pensamento iria entrar em sua mente:

Alguma coisa sobre isso esta definitivamente diferente.

A mãe de Gaara tinha morrido logo após dar à luz ao seu jinchuuriki.

Seu pai nunca se casou novamente.

Pensando nisso agora, Gaara pensou que talvez seu pai tivesse feito isso para permanecer fiel à sua mãe.

"De qualquer forma, se a vila de Konoha apenas aceitar, tudo ficará bem." Disse Gaara, levantando-se.

"Aonde você vai?"


"Os anciãos pediram uma reunião comigo sobre outro assunto. Se eu aparecer antes de me chamarem, vão colocá-los em um bom humor."


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