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Harém é minha paixão
Nome: Mislaine Benetti
Status: Usuário
Sexo: Feminino
Localização: Jacarei, São Paulo, Brasil
Aniversário: 19 de Setembro
Idade: 31
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Especial – O conto de Marie


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Especial – O conto de Marie

Mar da China meridional, século XXVIII, Planeta Terra

Audrey despertou com as luzes da manhã tocando seu rosto. Ela piscou várias vezes até abrir de vez os olhos. Estava em um quarto pequeno, um quarto que balançava...
— Santo cristo!
Ela se levantou rápido e olhou ao redor, aquilo não era um quarto, era uma cabine... Estava então em um navio? Tinham dado algo para ele dormir quando foi para o dono... Teria comida ao menos? Não sabia.
Ela foi até a janelinha de vidro e olhou para fora, o mar brilhava na luz do dia, voltou os olhos para dentro. O lugar não devia ter mais de três metros quadrados, tinha a cama estreita, um baú e uma mesa com banco, nada mais, tudo de madeira. A porta também era estreita e ela correu para ela quase certa que estaria trancada. Não estava.
Com um medo beirando ao colapso nervoso ela saiu, a porta dava direto para a parte externa do navio elegante aos seus olhos, do tipo que via desenhado nos livros da antiga patroa da mãe. Sua mãe era ama de leite e ela aprendeu as letras com a filha mais velha da senhora que era boa e lhe ensinou a ler.
Aquilo foi tempos bons, quando ainda tinha comida na mesa.
— Bom dia senhorita - Uma voz alegre a saudou antes de um garoto vestido em suspensórios surgir com um esfregão nas mãos, ele era jovem mas parecia bem-apessoado. Ele apoiou o objeto no chão e sorriu – E então, o que acha de primeiro momento na nossa Bela Cristal?
— Cristal?
— É, este é o nome da nossa naus, como diz vocês do ocidente, o capitão me encarregou de mostrá-la a você, mas primeiro é melhor comer, certo?
Ela encarou o garoto sem saber o que dizer, estava com fome, claro, mas pensou que seria alguma espécie de escrava ali, já ofereciam comida assim tão rápido? E como ele falava a sua língua? E onde exatamente estavam? O que ia acontecer com ela?
O garoto não se importou com sua cara de espanto, ele lhe deu as costas e foi até uma escada que obviamente leva ao pavimento inferior. Audrey não era idiota, sabia que não podia fugir de um navio no meio do mar, não tinha saída e aliás ali tinha comida, era um luxo em seu mundo...
Ela fechou os olhos por alguns segundos e então seguiu o seu animado guia e aceitou seu destino inevitável.



Audrey levou um bom tempo para conhecer todo o pequeno navio organizado que incrivelmente estava vazio e absurdamente em alto mar. Jimin, o garoto do esfregão tinha lhe mostrado tudo, mas não respondia perguntas, tudo o que perguntava era respondido com as palavras, o capitão dirá a você e só, ela tinha tomado o melhor café da manhã da sua vida em anos, em uma cabine larga abaixo do piso superior que era simples e limpa com umas dez redes penduradas pela área, o que lhe fazia pensar que não deveriam estar sozinhos como estavam, mas o sorridente Jimin, só Jimin como fez questão de frisar, não dizia nada. Nada de nada.
Então, quando ele começou a limpar o chão dizendo sobre a importância de manter sempre o convés seco e o dormitório limpo porque o capitão gostava de navegar descalço, ele parou de falar e olhou para cima.
— O capitão voltou.
Audrey teve um mau pressentimento. Quem era o capitão afinal? Quem era agora seu dono?
E de tudo o que esperava aquilo definitivamente ia além. As botas surgiram primeiro e depois as calças negras justas e só então um corpo moreno com imensas asas negras, tão negras como os olhos surgiram. Os cabelos até a cintura eram mais claros, quase chocolate e ondulados. Por alguns segundos imaginou se morreu e aquele era um dos anjos caídos que a igreja vivia dizendo para as pessoas... Mas sabia que estava viva, sabia disso, mortos não tinham fome nem dor, pelo menos não que soubesse. Então como uma criatura como aquela podia existir no mundo real?
— Como está nossa mais nova integrante, Jimin?
A voz era educada, como a de um lorde. O que ainda era mais estranho embora ele fosse claramente um dos povos do oriente. O rosto de olhos puxadinhos era muito evidente.
— Alimentada, capitão.
Respondeu o animado todo feliz. A alegria dele era ridícula, mas ela se sentia suficientemente sem chão para se irritar com ele então deixou passar. Era uma escrava ali, não devia mostrar emoções.
— Muito bem marujo, pode voltar a sua ocupação agora.
— Sim, capitão.
Ele subiu e o homem de asas parou no centro do lugar e a encarou:
— Pode parar de tremer, eu não vou machucá-la, sei que desconhece o meu mundo, mas eu vivo no seu embora não mostre minhas asas aos humanos, contudo você trabalha em nosso navio agora e deve saber que nenhum de nós é humano. Mas está segura aqui, pequena fêmea. O que somos vai descobrir com o tempo, só precisa saber agora que está segura aqui e faz parte da família. Foi escolhida a dedo.
Ele cruzou os braços e encostou-se à parede de madeira de maneira confortável. Ela viu as asas de penas lisas se encolherem como os pássaros faziam ao pousar e lhe pareceu bem elegante, o que era ridículo porque ele não deveria parecer um homem civilizado, por baixo da calma ardia ira e aquilo era visível em seus olhos.
“Esse será se dono, com asas ou não, humano ou demônio, agora pertences a ele”
Pensou e assentiu resignada.
— Como desejar, meu senhor.
— Nunca nenhum homem te tocou, correto? Eu preciso dessa resposta agora, não minta para mim pois isso é importante.
— Não senhor.
Respondeu sem graça, aquilo era muito íntimo, mas ela sabia que pureza tinha um alto valor para escravos.
— Isso é bom, porque uma mulher virgem está segura no mar, principalmente em um navio que opera só com machos como é o caso do meu. Nunca compro mulheres, mas eu soube sobre você justamente quando mais precisava e estou satisfeito. Bom, geralmente eu ofereço recompensas aos meus homens e não vai ser diferente com você. Faça o seu trabalho e terá direito a uma folga por lua, um baú de roupas e mais as quinquilharias que vocês fêmeas amam. Se ao fim de um ano eu não precisar mais de você, te dou sua liberdade. O que me diz?
— Sou mesmo uma escrava?
Perguntou só para ratificar a situação, era sempre bom saber onde pisava, sempre bom.
— Dê o nome que quiser - Ele deu de ombros – Mas você está atada a mim, se tentar pular no mar ou fazer algo estúpido para fugir eu irei saber e além de não ter sucesso, irá ser castigada. Meu navio não é visível aos humanos e tem um bom motivo para isso nem pode ser rastreado também. Nosso trabalho é em grupo e em equipe, você faz parte dela agora e espero que aprenda isso. Trabalhamos no mar e do mar nos alimentamos, não verá terra habitável, mas se trabalhar bem terá algumas regalias.
— Qual será o meu trabalho, meu senhor?
Perguntou tentando não estremecer, agora esperava de tudo, de tudo mesmo. Eles não eram humanos... Santo deus!
Ele sorriu abertamente.
— Basicamente vai ser mulher. Meus homens não são selvagens, mas carecem de certos cuidados e o homem que fazia o serviço essencial teve de partir então você vai substituí-lo. As principais tarefas do dia são a nossa alimentação e a manutenção das necessidades deles, costura, lavanderia, cozinha e organização. Você é nova, têm força e energia, os requisitos perfeitos.
— Compreendo.
Respondeu um pouco aliviada, aquilo era fácil, ela já fizera por anos.
— Daqui a pouco meus homens chegarão e vão querer comer então eu sugiro que comece a trabalhar. A cozinha é pelo corredor esquerdo, eu a abasteci ontem. Lá tem um banheiro também, agora ele é só seu. Sua cabine você já conhece e Jimin está aqui para ser seu porta voz, se precisar de algo se reporte a ele que ele reportará a mim.
Seu novo dono lhe deu as costas e logo subia na única saída daquele cômodo amplo. As botas batiam no chão de madeira e o som foi diminuindo, alguns minutos depois estava finalmente sozinha.
Audrey suspirou resoluta e ainda assim, mesmo que temerosa por ser escrava de um demônio... Ainda assim teria comida e por isso estava de certa forma aliviada.
Faria seu trabalho e ficaria bem, mesmo não sabendo o que o destino lhe reservava realmente naquele lugar.
Eles não eram humanos e aquilo mais do que tudo a perturbava. Muito.


Fanfic Altraran

Escutando: Lord of the Rings - Arwen's Song

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