~kissme_grier

kissme_grier
Babygirl
Nome: Ells
Status: Usuário
Sexo: Feminino
Localização: Indisponivel
Aniversário: 19 de Julho
Idade: 15
Cadastro:

Amor Fajuto.


Postado

Amor Fajuto.

Eu me lembro de tudo sobre aquele garoto. Lembro-me de seu endereço, sua cor favorita, o jeito que seus olhos brilhavam ao assistir sua série de TV preferida, seu cheiro doce e embriagante, seu leve toque ao me beijar, seu abraço nas noites frias, a forma que se irritava quando seus fios louros de cabelo não ficavam como queria, mas, principalmente, eu lembro o som doce e desesperado ao dizer que me amava.
Eu adoraria ter mais lembranças alegres ao seu lado, mas tudo foi tirado de mim brutalmente, assim como é arrancar um band-aid — eu posso garantir que foi muito mais doloroso.
Muito mais do que isso, eu fui enganada por meu primeiro e único amor. Se fosse uma traição, ou até uma brincadeira que eu fizesse parte, eu tenho certeza que doeria menos.
A única pessoa que eu confiava, que eu me sentia segura, a única pessoa que eu me abri inteiramente, que eu amei incondicionalmente me quebrou — duas vezes.
Desde a descoberta da verdade por trás da maior tragédia de minha vida, supostamente, eu não sinto nada além de um imenso vazio. Exatamente como me senti quando a tal tragédia chegou a mim, mas agora, esse vazio é acompanhado por decepção e um sentimento que não consigo decifrar.
Eu não sei se sinto raiva, dor ou nada, simplesmente nada.
Amá-lo era como andar na chuva e esperar ficar seca. Amá-lo era pedir por paz quando a primeira bala já foi disparada. E era como continuar uma conversa que você nunca teve antes. Amá-lo era precisar chorar, mas não ter lágrimas o bastante. E era gritar no meio da noite quando não havia ninguém para ouvir. Principalmente, amá-lo era ter milhões de coisas para dizer, mas não dizer nada no final.
Lembro-me claramente do dia em que meu antigo amor falou comigo pela primeira vez depois da verdade ter sido jogada em mim, chamando-me com apelidos carinhosos como se tudo ainda estivesse normal e pedindo perdão para que eu voltasse para seus braços. Eu engoli minha dor e neguei, neguei todo o sofrimento que ele me causaria novamente se existisse um “nós”.
E suas últimas palavras que não saem de minha mente nessas últimas semanas são as mais dolorosas:
Eu não tenho ideia de como falar contigo, meu amor (se é que posso te chamar assim). Eu não vou ativar minhas redes sociais antigas, eu quero uma vida nova depois de tudo. Se eu quero você na minha vida nova? Completamente, mas eu te conheço muito bem para saber que você não vai me perdoar, e se perdoar vai simplesmente dizer: — Te perdoo, agora pode sumir da minha frente. É tudo tão difícil! Eu sofri um acidente e fiquei paraplégico, o que acabou com minhas expectativas e meus sonhos sobre o futuro. Eu fiquei acabado e entrei em uma depressão muito profunda, o que fez meus pais me internar em uma clínica que uma vez cheguei a comentar contigo, dizendo que poderia ajudar-te com seus problemas. O tratamento foi longo e pesado e eu pensei que não sairia de lá, eu não queria sair de lá. Eu fiquei lá todo esse tempo, todos esses dois anos, apenas imaginando se algum dia você me perdoaria. Eu pedi sim aos meus pais para fazerem todo aquele teatro vagabundo. Eu quis me desconectar de você e de nossos amigos, porque pensei que assim a dor seria bem menor. Eu fui um egoísta desgraçado por pensar que machucando vocês daquele jeito, dizendo que eu estava morto, iria me fazer acreditar que estava morto para vocês e que eu não teria mais nada para me prender aqui. Desculpe-me, Ziz. Você ainda usa este apelido? Eu sempre amei te chamar assim, minha Ziz. Espero que me perdoe, ou que pelo menos me responda. Eu tinha meus motivos, mas nunca deixei de te amar, ou pensar em você. Meu amor por você nunca vai morrer, lembre-se disso ao ler isto. Espero ansioso por sua resposta, eu te amo, minha Ziz.

Eu queria ter tido coragem de respondê-lo naquela hora, mas meu coração apertou e minha garganta fechou. Se eu tivesse o feito eu teria sido fraca, totalmente fraca, e teria voltado para seu abraço aconchegante.
O obvio é que eu não tenho o que dizer a ele, pois a única coisa que sinto é decepção. Ao voltar ele me machuca novamente, e dessa vez foi pior. Eu só quero que ele siga a sua vida, sem mais mentiras e manipulações, porque a minha eu vou seguir. Bem longe de quem me faz mal. Bem longe dele.
Quando eu me sentir mal eu deitarei embaixo das cobertas e fecharei meus olhos, lavarei minha mente de todos os pensamentos e respirarei fundo. Eu irei chorar, chorar muito, mas depois eu sorrirei abertamente, porque eu sei que será apenas um dia ruim. Apenas um mísero dia ruim, talvez uma semana ruim, e quem sabe até um mês ruim, mas não foi uma vida ruim, foram apenas momentos. Eu sei que tudo vai melhorar, tenho a certeza disso, por isso eu continuarei levantando todos os dias de manhã, sempre com a cabeça erguida.
É nesses momentos que eu percebo o quanto eu mudei. Bom, é inútil pensar que serei sempre a mesma coisa o tempo todo. Sou livre para mudar quando eu notar que é preciso. E durante esses anos, foi preciso.
E eu finalmente percebi que o começo e o final deste relato estão claramente diferentes. Comecei falando de um amor fajuto por um garoto qualquer e terminei falando de mim, mas tudo fará sentido um dia, pelo menos para mim.
Bom, o amor da minha vida veio de tão perto, e eu procurando em lugares tão longes quando ela estava em mim mesma.


Gostou da Jornal? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...