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O pássaro dos poetas


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O pássaro dos poetas

(Textinho meio bobinho da Offa, não reparem, Okay?)

Amor é uma coisinha curiosa...
Ouvi e li tantas definições totalmente distintas sobre a mesma pequena palavra...
Como a eterna menina curiosa que sou, segui buscando entre páginas emboloradas e rabiscos no caderno o verdadeiro significado desse sentimento.
Criei uma teoria, tese e anti tese. Rasguei, rescrevi e desenhei, jurando como uma presunçosa cientista maluca que chegara à fórmula perfeita.
Ai de mim, era apenas uma criança encabulada.
Jovem e tola, achando que desbancaria os velhos sábios com suas explicações vagas.
Oh, o quão errada estava!
Em achar que palavras minhas seriam capazes de descrever algo que nem mesmo os olhos conseguem ver.
Amor não pertence aos inteligentes.
Não privilégio, nem maldição.
Do acaso vem, e pela sorte se vai.
Existe sem de fato existir.
Está em todo e nenhum lugar.
Escondido num sorriso, perdido em um olhar trocado...
Misturado em palavras não ditas e desejos não consumados...
Ai de mim, que pensei um dia ser capaz de entender quando mal era digna de sentir...
Mas como uma cigana caprichosa, o Amor tomou conta de meu ser sem pedir licença nem ter hora de voltar.
Quisera ter força para brincar com as chamas, participar da festa alegre de danças sem fim...
No entanto permaneci ali, impotente e perdida vendo o Amor levar viga a viga da base que achava que me sustentava.
Pensei que iria cair.
Jurei que despencaria num abismo escuro sob meus pés.
Mas estava flutuando...
As amarras que me prendiam ao chão não me fazia mais falta.
Quem precisa de gravidade quando as nuvens são companhias tão mais agradáveis que pedregulhos?
Estava tão errada no entanto não conseguia ficar zangada.
Pela primeira vez me conformei em não ser capaz de saber de tudo.
Era aprendiz, uma aluna orgulhosa da própria ignorância.
E amor dançou mais uma vez, em suas chamas que aqueciam sem arder.
Consumia sem destruir, completava um quebra-cabeças que pensara estar finalizado.
Natural como respirar.
Estranho como plainar sob as águas de um oceano profundo.
Perfeito exatamente como deveria ser.
Mas você se virou sem dizer adeus.
Levando consigo toda a nova base que me sustentava, sem nem menos perceber que também deixava para trás todas essas maravilhosas descobertas.
E com lágrimas nos olhos percebi que tinha sonhado sozinha...
Tinha amado por nós dois, no instante em que nossos caminhos se cruzaram pela primeira vez.
Mas você nem esteve ali de fato.
Como uma sombra, me recolhi sem nem ao menos poder dizer sobre esse secreto tesouro.
Essa delicada vela, que ainda hoje permanece acesa em meu peito.
Agarrando-se ao um pavio de esperança...
Oscilando sob a menor brisa, admito eu, mas ainda brilhando...
Ainda aquecendo como da primeira vez...
Ai de mim, que por vezes me vejo tentando apagá-la...
Soprando com força, para enfim esquecer daquilo nunca de fato me pertenceu...
Mas quem sou eu, essa pobre menina, contra as cruéis garras do Amor?
Segui o brilho de suas fechas e fui acertada...
Como Ícaro cheguei perto demais do Sol, e agora tinha de abraçar minhas próprias asas derretidas enquanto despencava do belo e impassível céu azul.
Descobri, finalmente o que era o Amor.
Mas o preço a ser pago por ter revelado apenas um pedaço ínfimo de seu véu era alto demais...
A incerteza do amanhã, os sonhos criados e destruídos diante de meus olhos cobiçosos se tornaram uma penitência que não posso mais suportar...
Mas não há o que fazer.
Pagaria o dízimo dos poetas.
Lamentaria em linhas desconexas o tão difundido Amor de Platão.
Pois minha Ágape, estava fora do alcance de minhas mãos frágeis.
Desejava como Naiá a Lua, contentando-me com um reflexo pálido nas águas do rio.
Remendando saudosa, fragmentos de um futuro que jamais existiu.
Mas não me arrependo.
Somente quem já teve a chance de tocar no curioso pássaro chamado amor, sabe o quão valoroso são suas penas.
E a minha eu guardo, como um presente divino ao meu coração ferido.
E com olhos atentos ao horizonte sem fim, espero que um dia ele regresse.
Para quem sabe fazer um ninho, neste caótico peito?
Dessa vez para ficar, assim, sem pressa e nem ter outro destino a encontrar.

E.C.Silva


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