~Nanahoshi

Nanahoshi
Um estorvo admirável
Nome: Júlia M. Gomes
Status: Usuário
Sexo: Feminino
Localização: Goiania, Goiás, Brasil
Aniversário: 11 de Fevereiro
Idade: 20
Cadastro:

Sonho, papel, fanfics


Postado

Eu refleti muito sobre postar esse desabafo aqui no SS, mas li algumas coisas ontem que me fizeram perceber que eu queria dividir isso com vocês, leitores, escritores e amigos.
Acho que alguns aqui que estão no mesmo universo que eu, mais ou menos na mesma idade, entendam sobre o que eu vou falar.
Eu curso Biotecnologia na UFG e estou no terceiro ano de curso. Por mais que tenha escolhido na minha acadêmica essa área, meu sonho desde pequena era ser uma grande escritora. Comecei escrevendo poemas bobinhos aos oito anos de idade e fui evoluindo aos poucos. Sou apaixonada pelos gêneros narrativos e líricos.
Quando estava no segundo ano, finalmente me decidi firmemente em cursar Biotecnologia. Era uma área nova e fascinante que compilava tudo o que eu mais amava da biologia e química. Porém, o curso se mostrou se encaixar exatamente naquela máxima tantas vezes presentes nas nossas vidas: nada é o que parece ser. O mundo acadêmico se mostrou muito mais podre e cheio de frescuras e mesquinharias do que eu imaginei. Tudo se faz por dinheiro, para preencher seu currículo Lattes cada vez mais, ganhar citações e disputar verba pro seu laboratório. Pode parecer que estou generalizando, mas estou falando da grande maioria dos pesquisadores e acadêmicos. É óbvio que existem suas exceções.
Ano passado houve uma greve e eu fiquei 3 meses parada. Foi horrível. Ficava de mãos atadas, não podia viajar me distrair e realmente descansar como nas férias. Entretanto, nessa greve, aconteceu algo que eu sempre tive a sensação que aconteceria: voltei a me aproximar da escrita. Eu sabia que uma hora meu caminho voltaria fortemente para essa direção. É como se estivesse escrito na minha alma que eu tinha nascido pra escrever. E a partir daí percebi o quanto eu estava deslocada, insatisfeita e insegura.
A ciência não me é mais tão atraente.
A universidade se transformou num empecilho na minha vida.
E o que eu realmente sonhava de verdade era ser uma escritora.
E aí acabei entrando no maior dilema da minha vida. Estou cada vez mais insatisfeita com o curso. Detesto ir para a faculdade. Não sou a aula aplicada que era no ensino médio. E com tudo isso, o estudo se tornou um peso que arrasto para todos os lados.
Do outro lado da moeda temos meu entusiamos pela escrita. Estou escrevendo feito uma maluca... mas com uma limitação. Não consigo render como queria, pois me sinto culpada de não estar me dedicando aos estudos e ao meu curso. E não quero me dedicar ao curso porque simplesmente não é o que eu quero. Nesse dilema... acabo não fazendo nada.
Agora vocês me perguntam: mas, Nana-chan, porque você não vai fazer letras?
Simples: eu estaria trocando seis por meia dúzia, porque lá eu ia encontrar os mesmos problemas, só que com ainda mais frescuras e picuinhas (povo de humanas querendo ou não é assim). Por mais que ame escrever, spu uma pessoa prática que detesta ficar dando voltas e voltas com detalhezinhos mediocres de formatação minuciosa, metodologias ridiculamente frescas para artigos e etc.
Pois é... É realmente frustrante.
Bom, então queria deixar aqui um trecho de um desabafo feito por uma amiga minha que foi maravilhoso, e faço deles minhas palavras:
"A maioria dos adolescentes acha que a mochila não vai ficar mais pesada quando for entrar na universidade, e que todos os seus problemas terão sumido. É um terrível engano. Os cursos considerados “maiores” pela sociedade (o que eu acho PODRE), como Arquitetura, Direito, Engenharia (qualquer) e Medicina são os que mais sugarão sua vitalidade. Quando você perceber, já está velho, formado (acha que o diploma compensa sua velhice? NÃO) e não aproveitou muito do que a vida tinha a oferecer. A cada dia e a cada segundo, você vai estar estudando, ou trabalhando, ou lidando com as piores burocracias possíveis. E se pensa que a tendência é a melhorar quando sai para o mercado de trabalho, a resposta é NÃO."
Como ela bem disse, tudo quer nos consumir o tempo todo para nos colocar dentro de um padrão de sucesso estabelecido pelo senso comum. Querer ser desenhista ou escritora é sinônimo de fracasso prometido no futuro, por isso eu admito que um dos meus motivos de não largar o curso é medo. É verdade que está me ajudando a escrever minha obra de vida, mas ainda assim... Não é o que eu quero e simplesmente não me encaixo. Uma visão constante que tenho é ver as minhas próprias costas enquanto corro pelos corredores dos institutos e centros de aula tentando achar uma saída que parece inexistente.
Queria deixar essa experiência minha para vocês (aparentemente a grande maioria parece ser mais nova que eu) para que não iludam vocês sobre a vida que vem na faculdade e o que vem depois.
Há mais dois pontos importantes que quero deixar aqui:
O primeiro é o agradecimento à vocês, meus lindos leitores que estão me acompanhando e me dando tanto apoio. Os comentários, os favs, as conversas que geram amizades são sem preço e que realmente me fazem ver o motivo de tanto querer ser escritora. O fato de não estar ainda mais surtada é ter cada um de vocês ao meu lado me apoiando no que quer que seja. Conheci pessoas foférrimas e incríveis que agradeço a Deus todos os dias por terem entrado na minha vida. E podem apostar que uma boa parcela da força que está me impulsionando para frente são vocês. Nesse frenesi de indecisão e choro por medo do futuro, vocês sempre conseguem talhar um sorriso no meu rosto com o carinho de vocês.
O segundo é sobre os seus sonhos: estamos num mundo em que nos expomos muito e há opiniões e informações nos bombardeando até agora. E para que a gente não surte e desista da coisa que provavelmente nos farão as pessoas mais felizes da terra, você precisa confiar em si mesmo acima de tudo. Acho que muitos de nós acabam não se tornando grande por serem desencorajado a arriscar, e eu fico puta com isso. Um ser humano sempre tem um talento em potencial guardado incrível que pode ser muito útil para os outros. Seja sábio e saiba escolher as informações úteis e descartar as inúteis e maliciosas. Parece loucura, mas siga os seus sonhos. Por mais que eu esteja com medo, uma amiga me fez lembrar de que desde pequena eu sinto uma sensação talhada no fundo da minha alma: a certeza que de alguma forma e algum dia eu poderei viver como quero: de escrita... E que eu serei sim uma grande escritora. A lei da atração existe, e ela se faz acontecer pela nossa força de vontade. Mas lembre-se: nada vai ser fácil.
Obrigada a quem leu todo o desabafo *eu realmente precisava colocar isso para fora*. Espero que tenha ajudado alguém também, e se quiserem conversar comigo sobre o assunto, dividir experiências, desabafar, tirar dúvidas... Sintam-se à vontade <3
Beijos, Beijos da Nana-chan!


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