Pessoas Mudam


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A alguns anos atrás (eu não me recordo quantos), em sala de aula, uma colega tinha dito algo que eu tinha achado hilariantemente idiota. Eu não me contive e ri do que ela tinha falado. É claro que rir dos colegas quando eles dizem algo idiota é errado, e eu sei muito bem disso, até porque já fui o alvo desse tipo de risada. Porém, num momento de modéstia nula e de completo pedantismo intelectual de minha parte, eu ri dela. Ela olhou para mim com uma cara furiosa e disse “Eu sou burra, mas eu posso ficar inteligente. Melhor que você, que vai ser gordo para sempre”.

Eu achei aquilo de uma petulância extrema. Primeiro, achei incrivelmente errado ela achar que era melhor ser burra, mas ter um corpo bom, do que ser inteligente, mas ter um corpo que era contra a idealização da ditadura da beleza. Eu me senti mal com o que ela disse. Não só porque era triste ela preferir aparência do que intelecto, mas porque quase toda a sala, em uníssono, me zoou por causa disso.

Ela disse que poderia ficar inteligente, e eu seria gordo para sempre. Anos se passaram (eu não me recordo quantos). Eu peso vinte três quilos a menos do que quando ela disse aquilo para mim. Sou seis quilos mais magro do que meu peso ideal, e meu IMC indica “Magreza Leve”. Eu não fiquei gordo para sempre. As notas dela melhoraram.

Lendo: Inferno
Jogando: Limbo

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